Um Dia Notável para Ninguém
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Ala B4 de Contenção Nível-Euclídeo, Sítio-42, Seabreeze, Carolina do Norte
10:15 ██/██/22

A Ala B4 de Contenção Nível-Euclídeo é uma figura oito de gume quadrado. Há 45 lâmpadas brancas em cada corredor longo e 30 em cada um dos três curtos; uma lâmpada a cada dois metros, e elas são de halogênio ainda por cima. A Fundação pode pagar para fazer as coisas um pouco mais agradáveis às vezes, parece.

O agente Trauss leva cerca de quatro minutos para percorrer todo o perímetro e o corredor do meio, se ele verificar a sala de segurança de cada câmara de contenção enquanto passa. Quatro minutos: também o tempo máximo em que ele pode ficar sozinho com um objeto SCP humano em sua sala antes que o sistema de segurança congele automaticamente seu cartão de acesso e envie um e-mail ao Diretor do Sítio Radford. Houve algumas mudanças rígidas no protocolo de interação recentemente, e Trauss sabe a quem ele deve agradecer por isso.

Ainda assim, é tempo o suficiente para fazer seu trabalho. Ele passa correndo pela sala de vigilância fechada e bate na porta de aço no final do corredor.

1.gif

"Você tem três minutos e cinquenta segundos," Trauss anuncia conforme ele entra na Sala 35 para cumprimentar SCP-4427-B. Ele inicia um cronômetro em seu relógio e remove uma caixa de plástico volumosa de seu cinto enquanto ele caminha mais para dentro. Ele para na mesa ao lado da entrada, onde 4427-B já colocou dois capachos de borracha.

"Eu sabia que você faria isso," a anomalia disse, rolando para fora da cama e lutando para chegar até a mesa. Ela penteia seu cabelo com os dedos e o joga sobre seu ombro enquanto se senta de frente a ele.

Ele remove suas luvas e abre a caixa. "Bom dia, Jasper. E não, eu não vejo nenhum problema com isso, porque eu conferi duas vezes as regulações e-"

"Não faça disto chato," ela choraminga.

Trauss começa a misturar suas cartas, evitando contato visual.

"Mangas de cartas brilhantes," Jasper comenta. "Eu gostaria das foscas."

Trauss pega sete cartas e ela faz o mesmo. "Depois de você," ele oferece.

Jasper seleciona uma Montanha de seu baralho e coloca no capacho. "Passo."

Ele puxa uma Ilha e coloca na mesa. "Passo."

Ela coloca um Pântano em seu capacho e gira a montanha pro lado. "Eu coloco uma terra vermelha para conjurar o Mentor Goblin e atacá-lo por dois logo. Devia ter feito isto para inicio de conversa. Passo."

Trauss gira seu D20 para 18 e coloca uma Planície no capacho. Ele bate na Ilha. "Eu estou colocando um Guardião da Costa para acabar com esta merda. Devia ter feito isto para inicio de conversa," ele contra-ataca.

"Seu-"

Seu relógio bipa. Ele se levanta correndo da cadeira. "Pausa, volto em quatro minutos," ele disse, correndo para fora. Jasper murmura e começa a bater suas unhas na mesa.

Clack. Clack. Clump. O corredor está silencioso sendo a única exceção suas botas batendo no chão. Ele faz um esforço para andar de um jeito que produza mais clumps do que clacks, mas é difícil. Ele confere as gravações de segurança de seis humanos e dez outras entidades sapientes dormindo ou coisa similar enquanto ele anda pelo perímetro antes de parar na Sala 35 por mais três minutos e cinquenta segundos. O mesmo se repete pelas próximas três horas.

"Eu te ataco por quatro com o Diabo Irritante."

"Bloqueado com o Guardião da Costa"

"Heh."

Quatro minutos de caminhada novamente. Desta vez, ele vê dois outros funcionários, um dos quais está usando um tutu verde e antenas falsas sobre as roupas dela. Ele os observa por cima do ombro por um momento, mas consegue sentir os olhos de várias pessoas nele através das pequenas lentes vermelhas pontilhadas ao longo do teto. Ele tenta descobrir o que foi aquilo enquanto anda.

"Estou colocando o Bloodghast. Ele é um vampiro." Ela o encara como se isso devesse significar algo. "Eu também tenho… alguns zumbis. Mas não neste baralho."

Uma dor surda bate em seu crânio. A que ela está se referindo? Ele joga uma carta. "Edifício da Autoridade; a criatura alvo não pode atacar neste turno."

"Oh meu deus."

Quatro minutos. Sapatos no concreto. Olhos nas câmeras. De volta à sala.

Jasper tem suas mãos na mesa. "A Praga do Trono," ela diz a ele animada conforme ele entra novamente. "Eu te ataco por cinco-"

"Não se eu jogar uma instantânea. Aethertow; coloca aquela porcaria de volta no topo da sua biblioteca."

Ela olha para ele. "Por algum motivo, eu não esperava um baralho de controle de você."

"É o único baralho que eu tenho. E como caso contrário eu faria uma rodada de três jogos durar três horas ou mais?" Ele olha para seu relógio: 15 segundos restantes. Ele olha para os olhos de Jasper, que encontram com os seus com um olhar de desdém, semi-vago.

"O que?"

"Você se sente bem?"

"Você acha que eu pareço pálida também?"

"Sim, eu acho."

"Estou com a cabeça leve e fora dela como o normal, eu acho. Eu acho que deveria dormir, mas eu não quero. Deus como eu queria que vocês me deixassem tomar cafeína-"

Seu relógio bipa. Ele se levanta e empurra a cadeira para debaixo da mesa, sapatos de borracha chiando no concreto pintado. "Volto em dez minutos ou menos."

Dessa vez, ele vira para a primeira sala auxiliar do lado de fora da porta interna da câmara, com os dentes cerrados quando ele tira o ferrolho da fechadura e fecha a persiana, uma luz azul suave lavando seu rosto. Ele a coloca atrás de si e se aproxima do painel na parede, removendo a luva externa vermelha e alcançando a tela mais à esquerda.

"C-51174, o que você está fazendo ai?"

Ele se sacode e abaixa o volume do rádio. "Estou jogando Magic: The Gathering. Você pode ver nas gravações." Este deve ser o supervisor de segurança da ala, provavelmente classe-B e sentado em um escritório dois ou três andares acima de sua cabeça; aquele seria o tipo a chama-lo por sua designação.

"Na verdade, eu não posso ver o que acontece dentro da câmara amenos que eu esteja assistindo em tempo real com o guarda no escritório de monitoramento, ou se eu obter permissão para acessar aquelas gravações. Eu tenho certeza de que você sabe disto."

"Se você não está feliz com a minha performance apesar do fato de que estou agindo dentro das regulações, você sabe a quem reportar isto." Ele abaixa as cinco telas mais à esquerda em dois pontos e toca no monitor central do console. "Eu sequer sou deste departamento, eu só estou cobrindo alguns dos turnos ausentes de Jacobson."

Insira o ID# (numérico apenas)

51174



51174 Agente Cyrus Trauss

Resposta_Fora_de_Sítio (primário)
Operações_de_Campo (secundário)
Segurança (terciário)
MTF_λ12 (antigo)

Class C
L4/Temporário 4/4427 Provisório (expira em 45 DIAS)


INSIRA SENHA OU USE O SCANNER RETINAL

O supervisor ri, o rádio jorrando com três segundos de estática desconexos. "Você não está fazendo nada de errado, digamos assim. Mas você deveria mesmo estar gastando metade do seu tempo de patrulha?"

"Eu devo fazer uma rodada a cada 10 minutos e alocar tempo para checar 4427-B especificamente. É isto que minhas ordens dizem."

"Mas ainda não tem uma boa razão para jogar cartas com ela, mesmo que seus procedimentos de contenção permitam acesso físico e sua classe pessoal permita contato físico."



ESCANEAMENTO RETINAL ACEITO

Conectado a B4.35.A (Âncora da Realidade Scranton Estática Localizada Mk. XII)
Conectado a B4.35.B (Estabilizador de Campo Scranton Estático Localizado Mk. XIII)

Conectado a B4.35.C (Indicador de imagem por ressonância etérica Mk. VII)

PROMPT DE ENTRADA

"Em sua opinião, senhor. Você poderia perguntar ao Comitê de Éticas."

"O que você está fazendo?"

"Estou alterando um pouco as configurações desta coisa porque ela está me drenando-"

"Ei, uh-uh. Não faça isto."

MOSTRAR CONFIGURAÇÕES DE B4.35.A

ENTRADA ELÉTRICA
5500 WATTS 320000 VOLTS AC GERADOR LOCAL

NÍVEIS FLUÍDOS
SCRANTON 98%
S-56 (LÍQUIDO DE REFRIGERAÇÃO) 45%
S-85 (LUBRIFICANTE) 90%

REENCHER LÍQUIDO DE REFRIGERAÇÃO ANTES DE 40%
EXECUTE TROCA COMPLETA DE LUBRIFICANTE DENTRO DE 72 HORAS

"Eu li os ProcsCon três vezes esta manhã. Eu estou mudando as configurações porque o documento com o qual fui providenciado explicitamente diz que eu tenho permissão para o fazer, e porque isto está nos melhores interesses da anomalia." Ele já pode imaginar a si mesmo citando essas mesmas palavras no escritório de Radford para se explicar a esse cara; tanto faz. Pessoas como ele sempre latem. As duas pessoas assistindo a ele em tempo real já teriam o chamado pelos fones de ouvido a esta altura se eles tivessem algum problema com isso.

NÍVEIS DE HUME
EM TORNO DE 25
INDIVIDUAL 193 (LEITURA SINCRONIZADA DE PII ██/██/22 07:46)
SAÍDA DA ÂNCORA 60
APROXIMAÇÃO DE AJUSTES 85

"Agente, só porque você tem permissão para fazer isso não significa que você deva. O especialista de contenção não gasta duas horas por semana com cálculos só para que você possa-"

LIMPAR SAÍDA DA ÂNCORA

SAÍDA DE CAMPO DA ÂNCORA LIMPADA

"-e além disso, é melhor você tomar cuidado com isso dos seus jogos de cartas, porque você sabe o quão sensível esta posição é, especialmente depois da merda do Jacobson, e-"

SETAR SAÍDA DA ÂNCORA 45

SAÍDA DE CAMPO DA ÂNCORA ALTERADA 45 HUMES

SETAR TRAVA DE EDIÇÃO 48

TRAVA DE EDIÇÃO DO CAMPO SETADA 48 HORAS

"-sequer está me ouvindo? Seu expediente acaba em quinze minutos. Se você quer ser útil antes de sair, você pode escalar aquele compartimento sob o painel e substituir a porra do óleo."

"Certo."

"Você entendeu?"

"Sim. Vou fazer isso."

O supervisor bufa. "Obrigado."

"Mmm-hmm."

51174 SAIR

"Foram cinco minutos," Jasper diz a ele enquanto ele reentra na sala.

"Tenho que trocar de expedientes agora, depois de eu fazer um pouco de manutenção aqui. Mas eu alterei as configurações no equipamento, e acho que suas dores de cabeça devem parar agora. E você pode ficar com minhas cartas aqui para a próxima vez se quiser. Eu meio que só peguei elas na pressa mesmo."

"Oh. Obrigada."

"Vejo você depois."

"Você pode- esperar um segundo?" Ela dá uma pausa para falar e se levanta com seus braços cruzados e curva seus ombros. "Eu, uh- eu não sei se você sabe que eu te reconheço, e sei que estou cinco anos atrasada, mas me desculpe por ter socado você na mandíbula." Ela espera reconhecimento aparecer no rosto dele. "Em maio. 2019. Você sabe, o dia em que tudo começou- sim."

Ele sorri e olha para seus pés. "Tudo bem. Esse tipo de coisa vem na descrição do trabalho. Você estava assustada."

Ela sacode a cabeça e joga os cabelos para trás com uma fungada. "Você era bem diferente naquela época."

"Sim. Eu era." Ele espera por uma séria de questões previsíveis.

"Sabe, e- eu não saberia se eu não tivesse visto você naquela época e então comparado. Há quanto tempo você toma testosterona?"

"Seis anos." Ele sente como se ele não devesse falar disso.

"A Fundação cobre isso?"

"Sim."

"Eles cobririam estrogênio para mim?"

"Acho que sim. Você já falou sobre isso com funcionários médicos?"

"Não."

Ele decide não meter o nariz. "Bem, você pode falar. Você está segura e sua informação também."

"Eu não tenho querido falar sobre esse tipo de coisa. Coisas pessoais. Com pessoas. Desde, uh, desde Reggie."

"Compreensível."

"Você sabe o que aconteceu com ele? Pode me dizer?"

"Eu não sei." É verdade.

Ela lambe os lábios e coloca suas mãos nos bolsos. "Nós não nos amávamos, sabe," ela murmura. "Nós só estávamos brincando um pouco. Eu não sei o que você acha pior. Eu odeio pensar sobre isso. Eu já acho que nós estávamos sendo estúpidos para um cacete."

Ele sente a coluna tensa e olha seu relógio. "Eu não vou falar sobre este tópico, e o tempo está quase acabando. Por favor me deixe consertar algumas coisas na outra sala pra você."

"Ok." Ela se vira e entra no banheiro em alguns movimentos apressados.

Ele entra na sala de equipamentos e retira seu ARS portátil de seu cinto, colocando-o no balcão e pega uma das garrafas de 50 mililitros de fluído Scranton do balcão. Ele justifica usar materiais da ala B4 para manter seu próprio equipamento com o fato de que o supervisor dela parece ser um puto da vida.

Após alguns movimentos rápidos, o fluido antigo foi jogado fora e substituído. Ele tira o funil do tubo e parafusa a tampa na garrafa, o aparelho está de volta no seu quadril. Ajustando sua mandíbula, ele puxa suas luvas até seus antebraços e pega um dos barris de cinco galões de gosma transparente sem cheiro de dentro do gabinete e o leva para o painel de manutenção.

"Odeio esta parte," ele sussurra para ninguém enquanto enfia sua mão sob os tubos e fios para desparafusar aquela mais à direita das três tampas das válvulas. Ele arranca os últimos fios o mais rápido possível, conseguindo desviar do fluxo de lodo viscoso, marrom e azul, jorrando na panela. Ele fecha a tampa depois que as últimas bolas da substância caem e se levanta para derramar o substituto.

Com os materiais de volta em seus respectivos lugares e suas mãos lavadas, ele gira o termostato para ficar dois graus mais quente antes de fechar a fechadura externa da câmara e vai até o final do corredor em direção aos elevadores.

Seus fones de ouvindo fazem um bipe. "Está trocando de turno?" disse Kenton Lookingbill.

"Sim senhor."

"Preciso que você se encontre com Shaw e Rogers na Carolina Beach. Eles estão no calçadão, disseram que você não pode perder isto."

"Múltiplas anomalias?"

"Sim. E múltiplos humanoides."

"Considere eu como estando lá."

"Obrigado."

"Sempre." Ele entra no elevador e pressiona o botão para o terceiro andar. Quando a porta abre dois pesquisadores estão conversando e usando máscaras de borracha. "Com licença," disse o espantalho. Ela enfia a abóbora no elevador depois que ele sai.

"Ele parecia tão confuso," a abóbora sussurra, rindo.

O espantalho o chama enquanto sua colega pressiona um dos botões. "Ei, feliz-"

A porta se fecha. Trauss encolhe os ombros e continua andando.


2.gif

Calçadão da Carolina Beach, Carolina Beach, Carolina do Norte
16:40 ██/██/22

O calçadão está lotado, especialmente para uma noite de Segunda. Trauss se certifica de que seu crachá está direito em seu colete antes de sair do carro. Ele pressiona o botão inferior na lateral do fone de ouvido, se estremecendo um pouco da pressão; ele havia trocado o soquete recentemente e descobriu que o piercing havia ficado um pouco seco e irritado. "Estou aqui," ele diz em voz alta uma vez que faz o bipe para significar uma conexão local de aparelhos.

"Venha para o calçadão em si. Estamos em pé acima dos banheiros."

"Entendido." Ele passa pela fila da roda gigante e desce o calçadão, tentando não empurrar as pessoas.

"Oi!" um pequeno garoto disse enquanto sua mãe o leva. Ela parece irritada.

"Oi amiguinho," ele disse. O garoto sorri. Ele continua andando.

"você está aqui para se divertir, eu espero," um homem de meia idade em uma camisa da Vida Salgada o diz com um sorriso.

"Eu poderia estar aqui para tomar um pouco de ar fresco," ele brinca de volta, não entendendo o que o comentário original queria implicar. O homem ri em resposta, então ele sorri e continua andando. Ele sobe a rampa correndo para onde Rogers e Shaw estão, ambos vestindo apenas o pólo branco padrão e as calças pretas do uniforme. "O que está acontecendo? Me vesti bem demais?"

"Aquilo," Rogers disse. Ele aponta para o bar pelo qual Trauss acabou de passar. "Olhe para as janelas."

Ele aperta os olhos. Algum tipo de criatura bípede e peluda está sentada na janela com suas costas contra o vidro. "Estranho, Por que vocês não entraram lá ainda?"

Rogers parece nervoso. "Tem muitos deles. Olhe."

Ele assiste as janelas pelos próximos minutos, não gostando do que via. "Sim. Tem muitos problemas aqui. Você sente algo estranho quando olha para eles? Como se você estivesse olhando para algo que não pode reconhecer?"

"De um jeito memético?"

"Por aí."

"Sim."

Ele pensa, o que começa a doer. "Eu só vou até lá e falar com o gerente."

"Espere, você está falando só sobre os caras peludos, certo? Na janela mais próxima de nós?"

"Não, estou falando de todos eles. Você vê os outros?" Trauss aponta para a entrada, onde um homem com algum tipo de condição de pele brilhando verde está entrando no bar.

"Meu Deus, como eu não vi aquilo? É como se eu me esquecesse deles assim que eu olho para eles. Vamos entrar lá." Os dois começam a segui-lo.

O interior é uma bagunça de conversas bem altas, gritaria, risadas, e pessoas e monstros falando uns com os outros em inglês e espanhol. Trauss não sabe que palavra usar além de 'monstro' — as entidades que ele vê são caricaturas grotescas de criaturas da mídia ou similares, e quase todas são humanoides. Ele às vezes sente como se reconhecesse algumas delas de algum lugar, mas uma forte dor em sua cabeça sempre mata o pensamento logo depois.

Trauss passa pelo balcão, já sentindo vários olhos nele. Ele segue o caminho menos movimentado e senta-se para esperar o garçom, tentando transmitir urgência sem atrair atenção.

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"Oi. Oi, senhor? Posso falar com você bem rápido? Ele enfia a mão no bolso e tira o crachá e o cartão de identificação, abrindo-o. "Eu sou Agente Trauss, Resposta Fora de Sítio da Fundação SCP."

O homem se aproxima, manchas de bebida em sua camisa. Ele sorri. "Eu, uh, posso ver isso."

Trauss finge um sorriso. "Estaria seu gerente aqui hoje?"

"Eu sou o gerente. Como está você?"

"Oh eu estou bem, obrigado, e você?"

"Estou bem."

"Ótimo." Ele coça a orelha e se inclina para a frente nos cotovelos. "Olha, uh, embora nós da Fundação respeitamos a Lei 4-C6-NC de Privacidade das Pessoas Anômalas da Carolina do Norte e não podemos prevenir pessoas com aparência anômala de congregar em público para preservar a normalidade, nós não podemos permiti-las espalhar contaminantes anômalos ou expor pessoas a quaisquer efeitos incontroláveis…"

Ele olha para a sua direita. Tem duas pessoas com camisetas verdes da Brecha Informativa Publications no bar, câmera agora apontada para ele enquanto eles riem um para o outro. Ele murmura internamente e continua. "…Porque isto violaria a CN-APP e por tanto requer que nós entremos no caso. Eu vejo aqui alguns indivíduos que estão definitivamente espalhando contaminantes, como aquela entidade humanoide, parecida com um cachorro na janela-"

Ele gargalha, acenando com a mão. Outro barman vem e fica ao lado dele. "Você está aqui para conter os peludos?" ela pergunta.

"O que?"

"Bem, você tem permissão para brincar com as pessoas ou não?" o gerente interjeita.

"Digo, sim, mas tem muito acontecendo aqui então eu prefiro ficar no tópico."

"Só deixe ele, cara, apenas entre no jogo," o barman murmura, rindo para si.

"Senhor, tem claramente múltiplas entidades anômalas em seu estabelecimento neste exato momento, algumas das quais estão contaminando o ambiente, como eu já lhe disse. Você poderia por favor nos levar para o seu escritório ou para a cozinha para que eu possa entrevistar você enquanto eles começam o processo?" Ele gesticula sobre seu ombro para Rogers, que está se aproximando de um humanoide de aparência deteriorada em roupas esfarrapadas com uma cópia da CN-APP já em sua prancheta.

O homem olha, dedos acariciando seu bigode. "Posso conferir com você bem rápido, cara? Porque parece que você não entendeu minha piada mais cedo. Você está falando sério?"

"Sim, claro que estou sendo sério."

O homem se inclina sobre o balcão, sua voz baixa. "Então o que tem de errado com vocês? Estas pessoas estão usando fantasias e maquiagem. Vocês não sabem que dia é hoje?"

Trauss de fato sente como se ele tivesse esquecido que dia que é. Seus fones de ouvido fazem um bipe, interrompendo o inicio de uma dor de cabeça. Ele gesticula para que Shaw assuma seu lugar e se afasta para atender a chamada. "Chamada de: espaço alien espaço alien prancheta placa de não olho," dizia. Ele retém um bufo ao se lembrar de que ele foi emparelhado ao telefone, e não na rede de satélites da Fundação, quando saiu do sítio. Ele está prestes a rejeitar a chamada quando ele se lembra de quem ele salvou como aquela linha de emojis.

"Responder chamada. Uh, oi Elaine, estou no campo agora, isso é uma emergência?"

"Eu temo que você tenha acertado, jovem."

Ele estremece. "Oh, oi Doutor Blanchard."

"Oh, oi Agente Trauss," ele zomba. "Ouça, Elaine e o psiquiatra gostaram bastante de sua tentativa de se envolver com o 4427-B de maneira recreativa, mas apropriada, mas o especialista de contenção não. E você vai ter alguns problemas chegando no portão com um cartão de jogo, então assim que os rapazes te deixarem passar, você pode ir direto para a Ala B4 ajudar com os esforços de re-contenção."

Seus músculos se contraem enquanto ele olha o bolso das calças e pega seu apoiador de ID de plastico, sua corda ainda presa ao seu sinto. Seu cartão de acesso 4/4427 estava desaparecido, e em seu lugar estava uma cópia de Jarra da Memória. Como ela sequer fez isso? "…Eu entendi o que aconteceu, me desculpe pela a minha incompetência, e eu vou direto para ai." Blanchard finaliza a chamada. Ele xinga baixinho e sai correndo pela porta. Ele passa por mais e mais anomalias enquanto ele retorna; a maioria das quais parecem quase falsas de alguma forma, mas pensar sobre elas em detalhe está se tornando mais e mais doloroso, e mais e mais delas estão aparecendo conforme o Sol se põe. Ele está quase agradecido que ele está sendo chamado de volta para o Sítio conforme ele entra no carro e fecha as portas.

Ala B4 de Contenção Nível-Euclídeo, Sítio-42, Seabreeze, Carolina do Norte
17:00 ██/██/22

O alarme de brecha está soando nos alto-falantes do elevador enquanto Trauss desce, suando sob suas roupas. O supervisor ainda-sem-nome da ala de antes vai fritar ele por isso.

Ele sai e vira no canto, sem fôlego. Vários metros afrente dele, o corredor está com mais de três quartos do caminho obscurecidos por uma forma irregular e imóvel, os conteúdos dela mudando entre uma visão do corredor atrás dela e uma massa rodopiante de estática cinza entre piques de luz claros. Duas figuras vestidas com camisas pólo cinza e azul do departamento de engenharia estão agachadas em frente a ela, a mais alta delas remove um tamanho diferente de componente metálico de uma caixa de plástico e substitui um dos cilindros na âncora da realidade direcional que ele colocou no chão.

"Olá Trauss," o homem ajustando a âncora disse. Ele não se introduz, e seu ID está dentro do bolso no peito. "Belo timing. Essa coisa acabou de aparecer dois minutos atrás. O supervisor disse que ele entrou e viu 4427-B correndo naquela direção antes de fazer esta anomalia aparecer e desaparecer dentro dela. Então pegue isto aqui e vá pro outro lado daquilo para setar isto. Tudo que você precisa fazer é plugar isso lá; eu já tenho os mostradores definidos e o refrator calibrado, então encare-o diretamente espelhado e conecte-o e essa coisa deve estabilizar."

Ele não argumenta; quase não há espaço entre a parede e a anomalia e eles não querem se arriscar porque a culpa é dele. Trauss sacode a cabeça e pega o ARS direcional com um suspiro, nunca se lembrando do quão pesados eles são até ele segurar um. Ele range os dentes e tenta se aproximar do caminho estreito entre a parede e as bordas piscantes, segurando o ARS contra o peito, mas é evidente que ele não terá espaço. Ele segura o ARS na mão esquerda pelas pernas do tripé, o braço tremendo enquanto se move ao longo da parede, o peito encolhido para dentro. Ele passa por uma das extrusões pontiagudas, a luz piscando em torno dele e ricocheteando nas bordas e vértices. Ele fecha os olhos e continua se movendo, jurando que pode sentir algo queimando a ponta do nariz.

Quando ele tem certeza de que passou pela anomalia, ele corre para o lado plano de frente para o resto do corredor e coloca a âncora no chão, tentando vislumbrar a outra entre os flashes e a escuridão. Sua visão é obscurecida por cinco guardas entrando do outro lado, rifles tranquilizantes apontados para o chão. Ele alinha os marcadores no cone o mais perto possível e o conecta, protegendo os olhos do brilho azul. O ar crepita com estática, à medida que as bordas da anomalia murcham e encolhem de volta em seus vértices. Para surpresa de Trauss, ela desaparece em alguns segundos, sem deixar vestígios.

"Oh, merda," o técnico mais curto disse. "Isso não ajuda."

"Vamos lá, então," um dos homens disse, acendendo a lanterna de seu rifle e ligando a âncora da realidade em seu quadril. Sua equipe seguindo logo atrás, fazendo o mesmo.

"As luzes estão ligadas," Trauss disse. Ele balança a cabeça e corre atrás deles enquanto eles avançam pelo corredor, se separando na bifurcação do meio. Ele passa pelo quarto de Jasper, a porta aberta e o interior um borrão.

"Hum, ei?"

Ele para, tropeçando para a frente, ele se vira. Jasper está parada na porta dela, mãos cruzadas ao redor da moldura e segurando seu cartão de acesso. Ele faz um gesto para os outros homens pararem.

"…Então você não fez isso de propósito?" Ela pergunta.

Ele sente como se estivesse em um sonho. "Eu- o que? Que truque é este que você está tentando fazer agora?"

Ela aperta seus dedos. "Eu- eu pensei que você tinha dito que se alguém deixasse seu cartão de acesso intencionalmente lá isso significava que uma emergência estava acontecendo e que eu precisaria sair e encontrar o guarda ou o funcionário de resposta mais próximo." Ela torce um dedo no cabelo. "Então era isso que eu estava fazendo."

Ele tenta processar a informação, cabeça doendo. "S- de fato, sim, mas eu sai tipo 30 minutos atrás e eu nunca tirei o meu cartão da minha pessoa em primeiro lugar."

"Mas você o deixou na mesa."

"Não eu não deixei-" Ele verifica o seu tom. "Nós podemos entender o que aconteceu mais tarde. Volte lá pra dentro agora."

"Sim senhor," ela murmura, voltando para trás da parede. Trauss segue ela, com a mão estendida. "Espere. Me dê aquele cartão." Os outros cinco homens permanecem na entrada externa enquanto ele caminha pelo corredor, aliviado ao ver que a fechadura da sala de vigilância dizia que foi aberta pela última vez há cinco horas. Aquilo provavelmente teria garantido a ele um rebaixamento pior do que seja lá o que ele vai tomar por isso.

Ela se vira e dá o cartão para ele, dedos batendo em sua luva. "Me desculpe. Acho que eu só pensei muito sobre isso e extrapolei. Tipo, eu sequer tinha percebido que ele estava lá até um tempo depois que você saiu, então eu entrei em pânico. O que eu faria se tivesse um incêndio aqui ou algo assim? E agora eu sei que eu não posso sequer ir até o final do corredor sem alguma porra de- coisa como aquele treco aparecer. Eu espero que não seja preciso dizer que eu não fiz isso de propósito."

"E você não mexeu com os ARSs? Com os- com aquela merda naquela sala ali?" Ele aponta para atrás dela.

"Não. Eu só estava tentando seguir o procedimento porque, de novo, quando eu me virei, você tinha deixado o cartão na mesa."

"Você não o substituiu por-" Ele puxa o cordão do bolso. "Jarra da Memória?"

"Eu sequer tenho alguma cópia de Jarra da Memória. Especialmente não laminada. O quão rico é você?"

Ele não gostou da resposta. A carta não é dele também.

Ele olha por cima do ombro, os olhos dos outros se encontrando com os dele. O técnico no fundo chupa os dentes, um olhar confuso nele. Ele olha para Jasper de novo. "Ok. Bem, vamos voltar ao normal então." Ele gesticula para ela voltar para seu quarto. "Alguém estará aqui dentro das próximas horas para te perguntar o que aconteceu aqui."

"Certo. Eu vou falar para ele o que eu te disse. E você se esqueceu de algo. Você não sabe que dia é hoje?"

Sua cabeça dói. "Eu acho que sei." Ele não quer pensar sobre isto.

"Está nos meus arquivos, não está? É o meu aniversário. Espero que você não se lembre da minha idade."

"Me desculpe. Eu teria reconhecido se tivesse notado a data. Eu só não tenho sido capaz de prestar muita atenção o dia inteiro. Não tem mais nada acontecendo hoje?"

Ela faz uma cara e balança sua cabeça. "Não que eu saiba." Ela pressiona seus dedos contra sua cabeça e volta para seu quarto, fechando a porta atrás dela. A fechadura se fecha e emite um LED vermelho no scanner.

"Você sabe aonde ir," o técnico diz ao Trauss conforme ele anda para a saída.

"Sim." Ele anda em direção ao escritório do Diretor Radford.

4.gif

.


.







Ninguém substituiu o cartão de acesso de Nível 4 de C-51174 hoje mais cedo. Ele estava no seu bolso o tempo todo. Ele definitivamente teria sentido alguém o pegar. Teve um segundo enquanto estava de pé em que ele pensou ter o sentido, mas ele olhou para baixo, ninguém estava lá. Ninguém o deixou na mesa, como SCP-4427-B diz ter ocorrido; ninguém substituiu o cartão com uma carta artefata sem cor laminada cara de Magic: The Gathering assim como C-51174 diz ter ocorrido.

Ninguém fez nada disto, e ninguém sabe como apagar gravações de segurança de transmissões ao vivo; isto é impossível.

Ninguém olha duas vezes quando um carro vazio sobe da B4; ninguém pode entrar ou sair do Sítio-42 sem a liberação apropriada. Ninguém passa por todos os pesquisadores confusos apontando para as fantasias de cada um e questionando suas aparências enquanto funcionários de fora dos limites do Sítio chegam, não afetados pelo caos induzido por ninguém em particular. Ninguém está por perto para assistir ao sol nascer sobre o Atlântico naquela manhã e ler o especial de temporada da Brecha Informativa enquanto C-51174 é conduzido para o gabinete do Supervisor de Segurança Euclídea 30 metros abaixo da areia.

Ninguém se lembrará de hoje, porque Ninguém tomou conta disto.

Registro Adicionado: 07:30 ██/██/22

Data do Ocorrido: ██/██/22

Localidade Afetada: Sitio-42, Seabreeze, Carolina do Norte, EUA

Número de Civis Afetados: 0

Número de Funcionários da Fundação Afetados: Aprox. 2,300

Número de Anomalias Sapientes Afetadas: 16

Descrição do Conceito Afetado: A existência do [INFORMAÇÃO SENSÍVEL REMOVIDA; ENDEREÇO DE IP DO SÍTIO-42 DETECTADO] assim como celebrações conceitualmente relacionadas e vestuário.

Eventos Transpirados: [INFORMAÇÃO SENSÍVEL REMOVIDA; ENDEREÇO DE IP DO SÍTIO-42 DETECTADO] Isto não ocorreu ao mesmo tempo para todos os funcionários; porém, ao longo de 12 horas, todos os funcionários no Sítio-42 foram afetados.

Resultados e impacto: Confusão entre os funcionários e o público [INFORMAÇÃO SENSÍVEL REMOVIDA; ENDEREÇO DE IP DO SÍTIO-42 DETECTADO] resultando em breve mas significativa atenção da mídia local.

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