Um Homem de Barro e Homens a Princípio Homens

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Em algum lugar na floresta, Noruega ocupada pelos nazistas, 1944 . . .

Toc toc.

Benedikt Holzer desceu correndo as escadas da mansão sem nome. Havia um convidado inesperado na porta.

Toc toc.

A luz da lua atravessando rachaduras nas janelas barricadas guiava cada movimento de Benedikt. à medida que as engrenagens por trás de seus olhos se agitavam, cada fraco raio de luz se tornava um raio de luz do dia, expondo o contorno de cada mina e a ponta de cada punhal de ritual. Seus pés astutamente se esquivavam das armadilhas e as mãos descansavam firmemente nas pistolas nos bolsos da calça.

Toc.

Seu fluxo foi interrompido. Um pé escorregou e ele jogou seu corpo para a esquerda antes que qualquer membro pudesse encontrar um destino explosivo. Houve um leve farfalhar de metal enquanto sua cabeça deslizava no arame farpado que revestia o parapeito.

Toc.

"Estou indo!" ele gritou entre cuspes de sangue. Benedickt colocou suas mãos na parte de baixo do parapeito e empurrou, arrancando o que restava de um rosto do emaranhado de metal. Antes que qualquer sangue e óleo pudesse manchar seu uniforme, ele soltou uma placa de metal do cinto e a amarrou no rosto. Ela não apresentava traços faciais, apenas olhos. Por sorte ele não tinha necessidade de um rosto nos dias de hoje.

Ele pulou as escadas nos últimos degraus e correu para a porta. Ele apertou um botão perto da alavanca e acordou o sistema de interfone, apoiando-se em um transceptor de rádio reaproveitado. Ele falou.

Toc—

"Saudações. Você poderia se identificar?" Nenhuma pessoa normal tinha qualquer motivo pra atravessar as camadas de segurança do lado de fora para visitar uma mansão há muito abandonada. Nenhuma pessoa normal teria sobrevivido para bater na porta.

"Não há necessidade. Eu só tenho algumas perguntas sobre a sua mansão."

Voz grave. Alemão fluente. Velho. Um despacho da Obskuracorps? Um padre guerreiro visitante da Sociedade de Thule? Se um deles fosse o caso, por que nenhuma mensagem havia sido entregue pelo comando anunciando isso e por que o mensageiro se recusaria a ser identificado?

"Senhor, você ainda precisa de identificação—"

"De novo, não há necessidade. Apenas algumas questões e estarei saindo."

Benedikt sacou uma pistola e pressionou o cano contra a porta, dedo deslizando no gatilho.

"Se você insiste. Que questões você tem?"

"Que lugar é esse?"

"É uma antiga mansão que pertenceu aos ancestrais do Ministro-Presidente Vidkun Quisling. Ela deve ser mantida fora dos limites devido a instabilidades estruturais." Ambos mentiras.

"Entendo. Você sabe quando ela foi construída?"

"Em algum momento nos anos 1800." Uma das últimas estruturas que os ocultistas noruegueses de Nyrsigtuna construíram.

"Hmm. Agora, você percebeu que eu podia sentir sua aura etérica?"

"Eu— Poderia repetir isso?" O cano da arma vacilou.

Houve um estalo estrondoso assim que a porta explodiu para dentro, pedaços de madeira se impulsionando para o torso de Benedikt, arma espiralando muito para trás no piso de mármore. O ar ao redor de suas mãos aquecido em uma tentativa de curta duração de um contra-ataque taumico antes da massa volumosa do transceptor de rádio atingir seu pescoço.


Se nenhum alarme tivesse sido acionado nas escaramuças com os guardas do perímetro, certamente um seria acionado agora.

O Operativo Especial Josef andou a passos largos sobre os estilhaços de madeira ensanguentados e se ajoelhou para inspecionar o que restava do recepcionista. Com uma mão grossa de barro, ele pegou uma lanterna do seu uniforme da Iniciativa Oculta Aliança e a apontou na cabeça mascarada cortada.

"Você ainda está ai?"

Engrenagens passaram por camadas de vísceras e se projetaram para fora do pescoço, girando bruscamente e girando para o tronco. Com uma série de cliques, elas se fixaram ao corpo, com cabeça novamente. O recepcionista ficou de pé.

"V-você é o golem de-"

"De Praga, sim." Ele agarrou os braços do recepcionista e apertou, sentindo os ossos de metal amolecerem como argila. "Qual é o seu nome?"

"Benedikt—" Tossindo. "Padre Sacerdote Benedikt Holzer." A decapitação abaixou sua voz em uma oitava, agora acompanhada por um som constante e fraco de interferência de rádio.

Um membro da Sociedade de Thule. Josef estava certamente no local certo, embora isso fosse claro desde o momento em que ele entrou nas intensas energias etéricas que cercavam a mansão. "Benedikt, o que a Sociedade tem feito aqui?"

"Nós temos… experimentado."

Josef olhou para os arredores. Arquitetura neoclássica decrépita encharcada em sacos de areia, arame farpados e todas as fortificações imagináveis. Apenas nas aparências, a alegação de Benedikt não parecia exagerada. Documentos suficientes foram encontrados pela Fundação para sugerir que os Thule estavam usando o lugar para desenvolver uma Chave de ersatz, um substituto para um dos objetos místicos de que eles precisavam para completar o Rito de Salomão e se tornar os únicos taumaturgos do mundo. Benedikt não estava dizendo a verdade completa, no entanto.

"É por isso que você tem estruturas Mekhanitas em seu corpo?"

"M-mekhanitas? Não, os ancestrais arianos construíram bem melhor—"

Megafones pela sala gritavam seus alarmes de pânico, subindo e descendo de novo e de novo antes de desaparecer. Josef suspirou. A interrogação demorou demais. Interrompendo uma diatribe pseudocientífica inicial, Benedikt foi decapitado novamente, com Josef forçando sua mão através do toco do pescoço no tronco e arrancando as engrenagens de conexão.

"Reconsidere o quão importante você acha que os povos germânicos são," disse Josef.

A cabeça no chão tremeu em resposta.

Portas no topo da grande escadaria se abriram para um coro de tiros. Soldados da Obskuracorps vestidos de preto disparavam, enchendo o chão com tachas de metal. Josef correu pelo lado da escada e atravessou um conjunto de portas à sua esquerda, caindo em um longo corredor. Acima dos cacos de vidro das velhas lâmpadas do teto havia lâmpadas elétricas flutuando, fornecendo a fraca luz amarela para que ele visse as armadilhas cthonianas gravadas no chão.

Isso teria evitado uma bagunça se Josef não tivesse pisado em uma quando entrou. Ele deu um passo à frente, mas colidiu com paredes de pó de enxofre que agora envolviam as bordas do sigilo. Buracos para algum lugar impossível surgiram ao redor de seus pés. Tentáculos cianos saltaram de debaixo, envolvendo seus membros enquanto ele se debatia. A cabeça de lobo do demônio ergueu-se com um corpo serpentino e encarou os olhos esculpidos de Josef. O demônio rosnou.

Antes que o demônio pudesse abrir sua boca, os dois tentáculos que envolviam os braços de Josef foram despedaçados. Uma bolsa de água benta em seu uniforme foi estourada pela constrição. O demônio gritou antes que o punho de Josef rasgasse sua mandíbula e a garganta, a outra mão puxando dois dentes para uso posterior. Com rajadas de energia etérica, o corpo do demônio se solidificou e se desfez em um pó frio. Exorcizado.

Seis segundos até as paredes de enxofre desabarem. Um oficial da Obskuracorps gritava junto à porta, provavelmente ordenando que seu pelotão disparasse no momento em que Joserf saísse. Tempo mais que suficiente para se preparar. Ele colocou os dentes no coldre, limpou o pó de demônio exorcizado de seu uniforme, pegou uma granada e puxou o pino. Quatro. Três. Dois. Um.

O enxofre se quebrou em pedaços parecidos com vidro. Tiros irromperam. Josef arremessou a granada através de uma fenda e chutou um pedaço para frente, pegando vários enquanto eles caiam em câmera lenta e organizando eles no ar como uma barricada. Ele correu adiante quando uma explosão rasgou as barreiras e vários soldados. Balas passaram por seu uniforme para atingir seu corpo, pequenas rachaduras em sua forma de argila parecidas com as picadas do que ele imaginava que uma agulha se parecia.

Ele teceu mais armadilhas de sigilos. Um soldado vestido com uma cota de malha enferrujada pulou por trás e foi rapidamente jogado de cabeça em uma armadilha, desaparecendo por trás de mais paredes amarelas. Josef se escondeu, mentalmente bloqueou os gritos na tumba de enxofre, e pensou. Quando a IOA passou varreduras secretas do éter antes dele se convidar para entrar, eles descobriram que a aura mágica ao redor da área era mais intensa em torno de uma grande câmara na parte traseira. Agora que ele passara pela entrada ele podia sentir isso flutuando em sua mente também. Seguir em frente o levaria aos objetivos de sua missão e a algo perigoso. Algo que os Thule e a Obskuracorps nunca deveriam ter.

A porta no final do corredor se abriu. Um Comandante da Obskuracorps — rosto coberto por uma máscara como a de Benedikt, embora pinta com muito mais runas — saiu. Amarrada em uma mão havia uma corda que levava a uma coisa esquelética. Ossos cercados por chamas amarelas, três "olhos" magentas olhando fixamente para Josef, as pontas de todos os seis braços quebradas e substituídas por rifles de assalto. O comandante puxou a corda e sacudiu a cabeça da fera, as unhas de vedação embutidas em sua coluna vibrando em resposta.

Os Thule aprenderam a como controlar um demônio.

Todos os braços de arma abriram fogo, arrotando uma rajada de balas enegrecidas que deixavam rastros escuros como cicatrizes no ar. Josef esquivou. As balas atingiram as parede de enxofre da armadilha uma vez atrás dele e a dobraram como tecido. Elas empurram para rasgar os restos sangrentos do soldado e as cabeças do demônio deleitando-se deles, sugando os corpos para dentro até que eles ficassem de dentro para fora e se encolhessem em movimentos carnais. As que estavam presas no chão ainda estavam torcendo seus azulejos em pequenos ciclones de mármore.

"Desgraçado", murmurou Josef.

Pela primeira vez desde o treinamento, ele pegou o rifle de assalto — especialmente projetado para suas mãos volumosas — no seu lado e puxou o gatilho. Raios de energia taumica lançaram do cano, abastecidos pelo potencial taumatúrgico do corpo de Josef, arqueando-se para a cabeça do Comandante. O braço direito dele se dividiu na manga preta do uniforme em três membros de bronze. Escudos taumatúrgicos projetavam das mãos. Os raios zuniam desesperadamente em torno das barreiras iridescentes buscando por um ponto fraco, mas os braços se moviam rápido demais. Todos eram bloqueados e absorvidos como combustível.

Josef forçou um último surto de energia na arma. Ele tapou o cano com um dente de demônio e atirou a arma em um caminho que a levaria ao Comandante. Mais balas vieram dos soldados no início do corredor, mas agora as únicas com as quais se preocupar eram do esqueleto. Ele correu ao longo da parede enquanto quebrava pedaços de madeira, cada um encontrando os projéteis e diminuindo a velocidade da aproximação. Mais trilhas negras serpenteavam em direção a seus pés. Ele pulou e jogou uma granada que rolou para frente.

A granada explodiu a parede do corredor. Josef mergulhou no campo gramado do lado de fora, abraçou a brisa fresca, e depois mergulhou de volta no caos sob o véu de detritos de madeira. A arma entupida aterrissou atrás do Comandante e finalmente se curvou sob a pressão da energia dentro dela, incinerando a si e ao dente em uma bola de fogo azul. Um braço de metal torceu para bloquear o inferno com um escudo. Apenas dois restavam para parar Josef.

os dois braços fundiram seus escudos e o Comandante levantou uma pistola brilhante, pronto para disparar no momento em que suas defesas fossem perdidas. Josef pegou o segundo dente e o enfiou através dos escudos. Ele pisou nele como uma cunha. Um corte se formou. Ele separou os dois braços enquanto girava o outro para cobrir a arma do comandante. Ele disparou. A bala foi a lugar nenhum. Uma vez que os escudos desapareceram, foi preciso apenas um soco rápido para forçar as tripas de engrenagens do Comandante para fora de seu peito.

Deixando o corpo para cair sem graça, Josef se virou para encarar o demônio. Ele parou de disparar. Até os soldados cessaram fogo. Agora que a luta havia diminuído, ele começou a notar os detalhes ao longo do corpo do esqueleto. Ilustrações esculpidas de cidades, representações de guerreiros, plebeus, crianças, todas com um esqueleto de seis braços. Runas que soletravam "defensor" na testa.

O demônio nunca foi uma força maliciosa. Ele era um guardião dessa região, existente por muito mais tempo do que Josef, Nyrsigtuna, ou qualquer grupo oculto. Não era para isso que ele se destinava.

Josef pegou a pistola do paletó do capitão presumidamente falecido e — após quebrar o gatilho destinado a mãos humanos — disparou uma bala em cada prego de vedação. Todos quebrados com facilidade. Calor irrompeu ao redor do Defensor e cada braço de arma se partiu, substituídos por braços normais que se manifestaram do nada.

Ele encarou. Josef assentiu. O demônio assentiu de volta.

Josef saiu do corredor e fechou a porta, nenhum soldado ousando atirar. Alguns passos à frente e ele ouviu gritos fracos de soldados em pânico correndo de uma força que seus comandantes pensavam que podiam controlar.

Com cada passo na sala de jantar transformada em depósito de armas, o éter ficava mais denso. O movimento de Josef continuou como normal, mas parecia que ele estava andando por água, a energia taumatúrgica alta o suficiente para se manifestar repetidamente em faíscas azuis que delimitavam os caixotes de armas, milagrosamente não desejando que os explosivos voltassem à vida. Seu destino seria o próximo conjunto de portas.

Ele pausou. Ele tinha uma escolha agora. Com grande parte da defesa da mansão arruinada, ele poderia sair, relatar suas descobertas ao Comando da IOA, invadir com um esquadrão de taumaturgos, e terminar o trabalho. Tempo que poderia conceder à Obskuracorps o precioso alívio necessário para a recuperação.

As faíscas etéricas continuavam sua dança, girando brevemente em um círculo em volta de sua cabeça antes de dissiparem novamente. Algo na câmara à frente começou a zumbir.

"Homens sábios preveem as consequências."

Josef andou adiante e quebrou as fechaduras da porta. Ele entrou na câmara

JOSEF.

A voz do Sumo Sacerdote parecia mais um martelo na cabeça do que fala real.

"Saber meu nome não é impressionante."

Relíquias antigas estavam enfiadas no centro da câmara: uma cruz celta, esferoides de bronze revestidos com braços mecânicos, uma estátua quebrada de um ser de quatro braços. No topo estava o Sumo Sacerdote. Tentáculos azuis estígio corriam ao redor e entre as rachaduras nos artefatos, fundindo-se na costas do Sumo Sacerdote para alimentá-los com energias taumicas. Esta era a origem da aura. Este era um sítio para desenvolver uma nova Chave.

Você tem uma Chave de Salomão, Josef.

O Sumo Sacerdote levantou os braços; um mecânico, o outro luz rodopiante. Suas vestes negras e armadura farfalharam enquanto o éter ondulava sobre sua posição no topo dos artefatos. Para Josef, a câmara parecia mais um abismo a cada segundo.

Dê a chave e eu o deixarei viver.

"Você parece contente fazendo uma Chave por si próprio."

Você vai?

Uma não era suficiente para o Rito.

"Você vai me matar mesmo assim?"

Isso não é uma respsota.

Duas espadas se lançaram do chão para as mãos do Sumo Sacerdote.

"Você já sabe qual é a minha resposta."

Cada polegada das mãos de Josef se revestiu com texto brilhante em hebraico.

Então que seja.

O Sumo Sacerdote disparou para a frente, espadas raspando o chão com uma labareda de faíscas. Aproveitando a Chave dentro dele, Josef girou densas energias ao redor de seu corpo e empurrou para o lado, atingindo uma breve falta de peso enquanto olhava para a pilha de relíquias. Com uma pirueta aérea, um segundo impulso o enviou para a pilha. O Sumo Sacerdote entoava cânticos. Dezenas de punhais flamejantes apareceram e entraram em busca do Golem. A Chave de Josef clicou, e as formas gasosas de espectros apareceram, formando um anel ao redor de seu corpo. Os punhais alcançaram sua presa apenas para desaparecer em mãos de mortos-vivos.

Josef colidiu com a estátua de quatro braços, quebrando um membro dela. O braço se agitou como se estivesse vivo. Houve um clarão de luz. Uma lança de ferro meteórico mais longa do que qualquer humano repousava onde o membro existia. Josef a levantou alto.

Antes que um novo plano pudesse ser formulado, o Sumo Sacerdote mergulhou. Ambas as espadas bateram nos lados da lança, deixando nem mesmo um amassado. O Sumo Sacerdote acelerou. Josef empurrou de volta. Gritos emergiram dos espíritos enquanto eles giravam em torno do Sumo Sacerdote, lentamente se desintegrando das energias azuis que ardiam ao redor. Rachaduras surgiram nos braços de Josef e nervos inexistentes queimavam. O ar explodiu com o calor.

Josef diminuiu seu aperto e caiu para trás. O Sumo Sacerdote avançou, jogando a lança para o lado, e ele bateu com tudo na pilha. Os tentáculos azuis estígio se despedaçaram. A pilha explodiu violentamente. Fogo e destroços varreram Josef, evaporando seu uniforme e liquidificando qualquer ferramenta que ele tivesse. Por trás das chamas infernais, aparelhos esféricos e tudo mais na pilha afundava em um poço derretido que curvava o chão da câmara sobre si mesmo. Ele tropeçou para trás, arrastando a lança consigo.

A grande aura da mansão desapareceu como poeira ao vento. Quaisquer grandes poderes taumicos que Josef tinha desapareceram.

NÃO.

Numa pluma de metal líquido, o Sumo Sacerdote, envolto em vestes de brasas, emergiu. Suas duas espadas eram agora pilares quentes líquidos brancos, mas ainda elas continuavam em suas mãos.

DE TODAS AS MORTES, UMA NAS MÃOS DE UM BÁRBARO DE PEDRA SERÁ NADA.

O Sumo Sacerdote voou para Josef. Ambas as espadas giravam como rodas. Golpes da lança pararam cada tentativa de golpe e Josef a torceu, apunhalando o peito do padre. Sangue fervente escorria.

NADA.

Os tentáculos azuis estígio retornaram, derramando da ferida do Sumo Sacerdote e esfaqueando a lança, cutucando suas rachaduras até que ela se quebrasse em fragmentos de sete pontas. Ele levantou o punho e Josef saltou no ar.

NADA.

Duplicatas das espadas emergiram acima do peito de Josef, pingando metal sobre ele. Elas todas se enfiaram. A Chave dentro de seu corpo agitou dentro de si e repetidamente se limitava. Sua mente gritava.

NADA.

Enquanto mais espadas se posicionavam acima de sua cabeça, se preparando para arrancar a palavra da verdade gravada em sua cabeça e apagar sua vida, Josef ouviu um grito maníaco na entrada da câmara. Em segundos o Guardião liberto estava sobre o Sumo Sacerdote. Cada olho magenta o encarava profundamente na alma. Antes que ele pudesse reagir, o Guardião já o carregara para o alto. Três braços esqueléticos perfuraram o peito do Sumo Sacerdote e saíram no outro lado.

Eu…

Os punhos desapareceram do corpo e o deixaram descer. Josef caiu do ar.

não…

O corpo mutilado do padre pousou próximo de Josef.

vou…

Uma lança de magma cresceu de seu braço mecânico quebrado e ergueu-se sobre o golem. Josef se levantou do chão.

morrer.

Um único soco foi tudo que levou para extrair a mente do Sumo Sacerdote de sua cabeça.


Josef atravessava os campos iluminados pela lua longe da mansão em chamas. As brasas liberadas pela devastação oculta se espalharam pelos corredores do edifício, acendendo a estrutura inteira em chamas. Os últimos soldados da Obskuracorps saiam correndo pelas janelas do térreo, vidas muito mais importantes do que o pouco que restava de sua pesquisa. Ele assistia a queimação por cima do ombro. Um estalo e toda a estrutura desmoronou em uma fogueira de grande escala.

O fraco rugido dos tanques delimitava a planície de longe. A IOA certamente ficaria confusa quando descobrirem que sua missão de reconhecimento havia se transformado em dizimação. Josef seria ou elogiado por interromper valentemente os experimentos com os componentes do Rito de Salomão, ou seria severamente criticado pelo Comando por quebrar artefatos valiosos e o protocolo. Ele não se importava com qual seria o resultado.

Houve um brilho amarelo. Josef olhou para ver o Guardião parado na beira da floresta. Ele deu um último aceno de cabeça antes de seu corpo se dissolver em gases que fluíram para as árvores e grama ao redor. Um lampejo de magenta da vida selvagem e tudo estava calmo.


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