Acrofobia

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O tubo de lava lunar está aceso com os neons urbanos. Avery Lee espia pelas janelas de seu teleférico, olhando para Nova Seul enquanto seus edifícios desaparecem e a paisagem urbana se vai com as vastas paredes da caverna que a cerca. Cinza, cinza, e mais cinza. Rocha lunar tão longe quanto o olho pode ver.

O vidro de safira corta o tédio. A Torre Memorial Yeong-Hwan se projeta do teto de tubo de lava como uma adaga, esfaqueando para baixo a uma altura de dois quilômetros sobre a cidade propriamente dita — um estalactite corporativo. Auréolas de telas de LED formam anéis em seus lados e pulam através de anuncio após anuncio. Enxames de aeronaves VTOL flanqueiam seus lados, armadas para qualquer ameaça que possa tentar derrubar a estrutura. Luzes de aviso nos cantos da torre piscam em sincronia. Ao longo das paredes do edifício brilha um mosaico de luzes de escritório.

Avery se vira, bocejando. Ainda não interessado no lugar em que ele trabalhou.

Ele brinca com um hipercubo, uma antiga lembrança de uma convenção de arte. A subida para a torre está mais lenta e constante do que nunca, e o formigamento dos dedos percorrendo dimensões espaciais mais altas é o suficiente para distrair da monotonia. Mas não é suficiente para distrair do homem sentando no lado oposto do teleférico.

O Homem Desconhecido está coberto por trajes cinzentos, sua pele pálida, mais parecido com um filme da década de 20 do que uma pessoa. Ele mantém um foco concentrado em algo logo após a janela em que Avery se inclina, clicando uma caneta contra a cadeira com intensidade rítmica. Os sons do teleférico e da caneta se unem.

Clunk, click, clunk, click, clunk…

Avery coloca fones de ouvido, tentando abafar o click click click com as trombetas de latão de uma música de jazz antiga.

Click, clunk, click…

O clicamento continua a passar pelos fones. Com sorte esse homem não foi contratado recentemente, porquê se sim estas viagens diárias vão se tornar muito mais enfurecedoras.

Clunk, click, clunk, click, clunk…

Ainda subindo, ainda andando. Provavelmente apenas mais alguns minutos para chegar no trabalho—

Click.

CLUNK.

O teleférico oscila por um momento, tremendo. Ele para.

A caneta do Homem Desconhecido para, girando em seus dedos, e com um rápido empurrão ele a enfia diretamente em seu assento como se ele fosse líquido. O assento ondula, e então o chão, e então o teleférico. O olhar do Homem se volta para Avery.

Ele tira seus dedos das dobras do hipercubo e remove seus fones de ouvido. "Quem é você e o quê que você fez?"

"Nós precisamos ter uma reunião."

Avery se levanta. Em um instante o plástico do assento se deforma, fluindo na forma de três braços se esticando pelo ar, mãos abertas. Eles puxam ele de volta. Avery geme.

"De novo, nós precisamos ter uma reunião."

"Sério, o quê que você—"

Uma arma se concentra na testa de Avery. Bastou um giro da mão para que o Homem tirasse uma pistola do nada, e ele mantem ela apontada para frente com completa quietude. Se calando, Avery percebe que sua vida está em jogo. Ele coloca o hipercubo em um bolso do casaco.

"Mesmo? Bem, vejamos. Aquela caneta foi um golem, treinado para se fundir com a matéria sem vida que compõe este teleférico, agora te segurando. Quando eu entrei, eu sumonei um demônio que deve exsanguiná-lo em um piscar de olhos se você tentar usar o interfone, as janelas…"

Colocando sua mão no bolso do casaco, ele cuidadosamente pega o dedo decepado de uma pessoa infeliz de uma 'reunião' anterior. Ele o joga na janela atrás de Avery e ele afunda na janela, desaparecendo em cinzas luminescentes. Avery começa a repensar sobre apoiar sua cabeça contra o vidro.

"…eu amaldiçoei suficientemente, e o equipamento mantendo este teleférico preso a seu cabo está equipado com um detonador ligado à atividade do meu cérebro. Se eu morrer, você cai junto."

Olhos olhando para a arma, Avery leva a mão ao ouvido, procurando o transmissor implantado nele.

"O rádio do teleférico está bloqueado também. Chamar por ajuda fará nada."

Avery abaixa sua mão novamente. "Eu não sei o quê você está tentando fazer, mas espero que isto não seja uma merda da MC&D—"

"Isto é uma merda da MC&D."

"…"

"Fique parado." Desconhecido dá um passo para trás e se senta nos assentos atrás de si, uma perna sobre a outra, a arma apoiada no joelho e ainda apontada para Avery com a mesma precisão de antes. "Agora, pronto para ter esta reunião?"

Os braços do assento escovam levemente Avery, cutucando e picando. Ele olha todos os seus bolsos, tentando encontrar algo que pudesse ser útil para escapar — além do hipercubo. Muito arriscado.

"Nenhuma resposta?"

Avery esperava um sorriso no rosto do Desconhecido a esta altura, mas não tem um. Suas características faciais permaneceram as mesmas o tempo todo, como se sua voz fosse independente do corpo que a falava.

"Bem, eu assumo que você saiba sobre o que esta reunião será sobre então, antigo Operativo de Aquisições Ji-su NNChoe. Vejamos o que temos…"

A palma de sua mão se abre e uma folha de papel tão grande quanto seu tronco aparece. Ela se dobra como uma cobra, se orientando de modo que seu texto olhe para ele. Ele lê.

"Você foi enviado sob despacho de aquisições para Europa sob o disfarce de um xenobiologista náutico. Lá você entrou a bordo de um submersível tripulado para recuperar um verme conceptuvorous Europeu, o sequestrou, levou o recipiente do verme…"

Nenhuma arma, nenhuma faca, nada. Avery continua procurando.

"…Depois que a equipe da Fundação foi lidada com você entrou a bordo da nave de transporte alocada para você e saiu da órbita de Europa. Você tinha ordens de ir para Saturno, onde o verme seria levado para ser vendido…"

Pulsos ressoam através da mente de Avery. Lá no fundo tem uma orbe, uma bola rosa de potencial psíquico, radiando através da escuridão de pensamento. Ele não a usa há anos. Na maioria dos casos ou ela levaria a dias de enxaquecas ou dor mental o suficiente que até mesmo os piores psiônicos perceberiam.

É a melhor chance que ele tem.

"…Então você cortou todo o contato conosco. Completamente. Nenhuma palavra. Alguns dias depois, você estava saindo do espaço Joviano, nós pegamos uma assinatura de calor da sua nave atracando com outro transportador, então separando, e então detonando. Foi difícil de rastrear o que se seguiu uma vez que o outro transportador chegou em Marte, mas nós temos olhos, Ji-su."

Avery relaxa suas mãos. O assento puxa.

"Nós descobrimos sobre a mudança de nome, nós descobrimos sobre as mudanças físicas, nós descobrimos para quem você desertou. Nós descobrimos que você deu o verme para a Yeong-Hwan Corp. E se fosse para mim adivinhar, nos últimos dias você tem vindo aqui em cima para ajudar a encontrar usos para o verme." Os olhos do Homem se viram para Avery enquanto o papel recua e se dobra de volta em um núcleo de origami no centro de sua mão. "Me corrija se eu estiver errado."

"…"

"Silêncio não está fazendo nossa reunião se sair—"

"Você não está errado." Lá no fundo os pulsos se intensificam. A pele de Avery se arrepia.

"Mhm. Bom." Ele se levanta e seu braço gira para manter o foco na cabeça de Avery. A mão que agora está sem papel se liquefaz e se reforma em um canivete suíço de brocas e bisturis e fios, mais do que Avery já se sentiu confortável vendo de um operativo da MC&D. "Nós precisaremos de seu cérebro agora para descobrir aonde você levou o verme na torre. Quanto mais você ficar parado daqui em diante melhor será para nós dois. Se considere demitido—"

A cabeça de Avery tem espasmos para trás e suas pupilas se contraem. Os pulsos mentais estouram. Sua mente se lança como uma projeção astral, atravessando o Desconhecido em um risco de luz rosa invisível, girando atrás do Homem e preparando uma broca psíquica para mergulhar direto em seu cérebro.

O braço de canivete suíço do Homem quebra a articulação do cotovelo e se dobra para trás para apunhalar a faca diretamente na projeção. Duas dicções de feitiços prendem a projeção na fisicalidade como uma concha humanoide de metal pálido de uma entidade. A mente de Avery recua. O assento atrás cresce uma série de braços e prende a projeção em um estrangulamento.

Isto era esperado. O golem distraído, Avery se joga de seu assento e soca o Homem no rosto com a força de vários feitiços de impulso que ele gritou. Se ele ainda tivesse ossos restantes sua mão teria se destruído. A arma do homem dispara. A bala erra. Ele se lança para uma janela e tira a faca da projeção, deixando-a voltar para a forma astral enquanto o corpo de Avery cai mole — consciência precisa estar na projeção para controle.

O golem percebe. Todo braço do assento passa pela estrutura do teleférico, entrando no chão e replicando através dele, levantando seu metal em uma onda de braços, um maremoto de membros que varre até o teto e cai em direção ao corpo de Avery com punhos fechados. A mente entra em pânico. A projeção acelera a broca e ele a empurra no crânio do Desconhecido.

Conexões mentais com o golem colapsam. Os braços param, contraem e retraem de volta para o assento e piso do teleférico. Sem comandante, sem ação. Mas a mente do Desconhecido não está perturbada. O braço da arma quebra suas articulações e gira para pulverizar balas enquanto ele se mexe pelo chão em direção às portas mais próximas.

Trocar consciência para corpo. Se lembrando de um pacto feito em uma missão anos atrás, Avery deixa escapar uma mistura de latim e binário. Nuvens se acumulam em frente de Avery, raios celestiais se disparando por elas e girando em um pássaro cibernético, envolto em roupas tão luminescentes quanto a luz do sol.

"SAUDAÇÕES—"

Balas destroem o espírito. Todas perdem impulso o suficiente para saltar de Avery, agora encharcado de sangue amarelo escorregadio.

Trocar. A projeção força contra a fronteira entre as formas física e astral e empurra para o espaço em frente ao Homem, faíscas caindo, a mente de Avery sendo batida por uma britadeira mental. Sua mão prateada desce para um soco mas o Homem se lança com seu próprio feitiço de impulso. Ele chega nas portas. Seu punho bate contra o interfone ao lado delas.

Sombras inundam o teleférico. Do interfone emerge o demônio, meio caranguejo meio lula com bocas ao longo de cada tentáculo batendo os dentes. Ele morde o Desconhecido, percebe que ele não tem sangue e mexe seus tentáculos pelo piso em procura de sangue. Ele mastiga o corpo do espirito mas o ignora — o gosto não é bom o suficiente.

Conforme a projeção levanta seu punho para quebrar o interfone, Avery percebe que ele está a polegadas de distância de ser exsanguinado. Uma polegada. Menos de uma polegada. Tentáculos abrem suas mandíbulas.

Trocar. Pular. Afaste-se dos tentáculos indo de encontro com as vísceras do espírito. Avery rola seu corpo todo pela poça amarela, esfregando o corpo em si mesmo para ter certeza enquanto ele ora a todas as divindades disponíveis para que isso valha a pena. As bocas do demônio lambem os lados de Avery. Ele cospe, recuando. Os tentáculos retornam em uma agitação selvagem e batem contra as paredes enquanto os gritos por comida param.

Trocar. O Desconhecido dobra seu braço para baixo para recarregar a arma mas a projeção pega sua mão, aperta e esmaga. Fragmentos de metal quebrado laceram os dedos quebrados e dos cortes surgem espuma amarelada. Ela aparece com a espessura de pus, a pele ao redor dela inflando, desinflando para manter uma pressão interna.

Não é humano. A "pele" externa é uma camada sobre um interior sapiente ensopado. Ele não fala — um alto-falando brilhando dentro da boca fala por ele. Ele não está sozinho — Avery já se encontrou com dezenas como ele, todos parte da mesma mente de colmeia, marchando ao som das vontades coletivas da MC&D. Ele é uma engrenagem para as operações do grupo. Ele é um Eidolon.

"Você é um idiota, sabe?" o manipulador remoto do Eidolon diz através do alto-falante.

Projeções não podem vocalizar.

"A faca ainda funciona."

A faca vai contra a projeção e, conforme ela cai na realidade, a lâmina corta através dela para o outro lado. O recuo atinge a mente de Avery como um trem.

Trocar.

Ele limpa as vísceras de suas pálpebras e assiste enquanto a estrutura da projeção oscila, se move, espasma enquanto suas partículas desesperadamente tentam se alinhar com as leis da física. Projeções astrais foram feitas para o mundo da mente, não para o mundo do físico. Ela não deveria existir aqui. Logo ela sequer existirá.

Avery fecha seus olhos. Ele se prepara.

A projeção vacila.

BOOM.

Tripas demoníacas e armações de aço e o corpo Coletivo se disparam para o lado oposto do teleférico enquanto uma bola de fogo astral explode metade do teleférico em estilhaços. Vidro amaldiçoada explode para fora e o golem grita conforme ele é despedaçado. O Eidolon luta para se mexer mas está preso, uma cunha de porta explodida pesando sobre suas pernas. O teleférico balança, o buraco onde metade do teleférico estava uma vez balançando para cima e para baixo, passando rapidamente do teto de tubo de lava para a queda de quilômetros na cidade. Os arranha-céus se projetam em direção a Avery como um poço de facas.

Polegada por polegada Avery se move para a janela quebrada mais próxima a ele. Ele respira em suas mãos e sussurra um encantamento que lança o ar com frio, congelando luvas de gelo no lugar.

Avery pula pela janela.

Suas mãos batem na borda superior da moldura da janela, corpo pendurado sobre espaço vazio. Vidro amaldiçoado é esmagado em seu punho, incapaz de lacerar as luvas e vaporizar a carne. Avery se puxa por cima da borda e para cima do telhado do teleférico, se içando para levar todo o seu peso de cima do vazio para terreno sólido.

Respirando fundo, ele leva sua mão a seu ouvido. Click. Sem mais blindagem de rádio. O transmissor e seu sinalizador de emergência se ligam. Um último problema para lidar com: os detonadores que o manipulador remoto do Eidolon falou sobre.

Avery consegue ver eles daqui. Conjuntos de hemisférios tumorais listrados com "AVISO" travam o braço do teleférico, ameaçando soltar-se dos cabos no momento em que o sinal de seguir em frente for enviado. Sem ferramentas em mãos para removê-los cirurgicamente — as luvas terão que servir. Alcançando a mais próxima das bombas, seus dedos correm pelas bordas, passando por baixo, entrando em um interior completamente oco e acidentalmente abrindo um buraco na frente.

Removendo-a, Avery percebe que o manipulador mentiu. As bombas eram falsas.

BANG.

A mão pálida de um braço distendido bate no telhado. Ela se dobra, balançando para cima. O Eidolon — membros encolhidos com sua massa transferida para este único monstro de um braço — catapulta pelo ar. Estrias de espuma amarelada corre ao longo do telhado e o braço se reduz ao meio para duplicar o tamanho do outro tronco de um braço. Ambos se seguram nos ombros de Avery. O Eidolon BATE contra o telhado, girando a cabeça para olhar. A mão direita muda de volta para o modo de Exército Suíço.

Na distância diretamente atrás está o rugido de um VTOL da Yeong-Hwan se aproximando, chegando mais próximo do sinalizador de emergência mas muito distante para ajudar. Suas pálpebras se fecham e se forçam a abrir, mente muito exausta para tentar reentrar a forma astral. Sem escapatória. Sem…

Avery coloca as mãos nos bolsos. Seus dedos formigam.

Tem apenas uma opção restante para escapar.

"A reunião acabou, Ji-su," o manipulador diz.

Avery tenta pensar em uma resposta, uma maneira de dizer ao manipulador e seja lá qual base da MC&D de que eles estejam operando remotamente que eles deveriam tentar investir em armazenamento em dimensões superiores, que isso pode ser mais do que um truque de rua de arte, que ele não havia destruído completamente o transportador com que ele escapou de Europa… Não importa o quê é dito no fim, não é?

"Vá se foder."

Sua mão sai de seu bolso e os últimos feitiços de impulso que ele pode dizer disparam o hipercubo de sua mão para a cabeça do Eidolon.

Ele se despedaça.

Primeiro vem uma faísca. Ondas de vento frio, sussurros indecifráveis da atmosfera girando sob ondulações espaciais. Em seguida, fogos de artifício de luz e uma chuva de chaves inglesas, chaves de fenda e soldadores a plasma, todos caindo quando o espaço de armazenamento do tesseract se dobra no espaço 3D. Então o estalo dos ouvidos. Então silêncio.

Então a massa de um Propulsor de Foguete Phan-Nguyen de 20 metros de largura caindo diretamente na realidade. Ele bate no telhado e esmaga o Eidolon antes que um plano de reação possa ser formulado, rasgando o teleférico como se fosse papel de seda e lançando destroços em queda livre sobre Nova Seul.

Atrás, o detonador no único explosivo real que o Eidolon prendeu ao carro registra a perda de sinais vitais.

BOOM.

A bola de fogo rasga o braço em escória aquecida. O telhado cai de baixo. Ondas de choque o expulsam para fora.

Pés encostam o chão, Avery cai.

* * *

Os drones lançam os braços encharcados pelas vísceras que estragam a torre de escritórios da OSAM. A cena é uma exibição horrenda: pedaços de teleférico e propulsor de foguete cortados no telhado da torre, o corpo de algo que talvez tenha sido humano torcido ao redor de propulsores dobrados, ainda jorrando fluídos em um rítmico pulso cardíaco. Reparos serão baratos, mas isto é uma vista que nenhum trabalhador de escritório irá querer ver.

Os destroços e a mancha amarelada se reduzem a um ponto na visão de Avery. Ele balança abaixo do VTOL Yeong-Hwan, com o tronco frio da garra do braço mecânico abaixo, tendo evitado a queda quase direta de Avery em uma torre de comunicações. Os barulhos dos motores diminuem à medida que ele doca na lateral da Torre Memorial, braços mecânicos pegando-o e puxando-o para um hangar iluminado por laranja. Os motores se desligam.

« Curtindo as vistas ai em baixo? » o piloto pergunta através dos alto-falantes externos do VTOL. Avery esteve muito focado na dor de cabeça que começou a aparecer, mas no momento em que a ideia de ver a vista podia cruzar sua mente o chão do hangar já sobrepôs o horizonte. O movimento para, o VTOL agora está travado no teto do hangar. Com Avery fazendo um último balanço o Manipulador o deixa cair sem cerimônia.

De joelhos no chão, ofegante, ele vê a Presidente Seong 12Song. Ela se aproxima da entrada traseira, vestida em terno e gravata e flanqueada em ambos os lados por androides de segurança. Seu terceiro olho cibernético direciona seu brilho azulado para Avery. Ele e os dois principais olham.

"O que aconteceu?"

"Eidolon atacou. MC&D descobriu minha identidade e tentou descobrir onde estamos mantendo o verme."

Ela oferece uma mão, puxando-o para ele se levantar. "Hmph. Acha que precisamos mudar sua identidade novamente?"

"Não sei. Tem uma chance deles acharem que eu morri com a destruição do teleférico, mas eu não vou apostar nisso." Eles andam para a entrada. As portas do hangar se fechando atrás deles. "O melhor que posso sugerir é me transferir totalmente para viver aqui, para que eu não precise arriscar deslocamentos e avistamentos públicos."

"Isso pode ser feito." Luzes laranjas mudam para branco enquanto eles cruzam o limiar da entrada, aproximando-se de um elevador que se abre no final. "Porém, eu duvido que você precisará."

Avery levanta uma sobrancelha. "Por quê?"

"Nós estaremos conseguindo proteção. O governo está nos dando financiamento para pesquisar o verme agora."

"…Eles estão fazendo o quê?"

"Eu não tenho a liberdade para dar todos os detalhes, mas eu posso falar isso: Luna Coreia precisa de segurança. Segurança para a Nova Seul, para os postos orbitais, para cada polegada da nação. Eles precisam que a gente descubra como esse verme funciona." Ela olha para trás. "Eles não deixarão a MC&D consegui-lo."

"O quê, então isso tudo é para parar a MC&D?"

"Não."

"Quem então?"

"A Fundação."

Avery fica sem expressão. Ele tenta processar a informação mas ela toda vez é barrada, ficando aquém de uma conclusão significativa. Então o peso dela bate. Antes que uma resposta possa ser formulada a Presidente 12Song já entrou no elevador.

"Espere!" Apenas uma resposta vem em mente. "Então o quê isso significa para mim?"

"Significa que você precisa começar a pesquisar."

As portas do elevador se fecham.

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