Anomalia 123 - "O Chá de Brasa"

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Fundação de Vossa Majestade para o Estudo de Curiosidades e Fantasmagoria

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POR DECRETO DE VOSSA MAJESTADE REAL A RAINHA VITÓRIA, GOVERNANTE DESSES REINOS UNIDOS DA GRÃ-BRETANHA E IRLANDA, ESSE DOCUMENTO E SEU CONTEÚDO DEVEM SER MANTIDOS EM SEGREDO E USADOS PARA PROTEGER E PROMOVER OS INTERESSES DO IMPÉRIO BRITÂNICO.

DEUS SALVE A RAINHA.


Designação: AO-123.

Ameaça: Benigno.

Classificações: Botânico, Palatável, Curativo.

Armazenamento: Domo-01, Hall-03, Sítio-Vermelho. Casos selvagens estão sobre observação mensal.

Identificadores: A anomalia, doravante referida como a planta, se apresenta como uma Camellia Sinensis de tamanho moderado de amplas e brilhantes folhas com um tom de verde rico. A planta embora familiar, possui raízes que se projetam do solo em uma distancia de cerca de dois pés da planta. A planta não apresenta diferenças de uma Camellia Sinensis fora destas peculiaridades.

Anormalidade: A planta exibe um calor extremamente antinatural e constante, algo que não pode ser explicado por nenhum principio conhecido pela ciência natural. A temperatura ao redor de suas raízes e folhas é tão intensa que pode causar queimaduras dolorosas ao contato com a pele. A planta é relatada por nativos como possuindo propriedades curativas quando preparada em um chá que pode curar até a pior das lesões, até cortes abertos em um individuo. O calor irregular da planta permite que ela se ferva quando introduzida na água e não requer nenhum tipo de acendimento.

História: A planta foi descoberta por Sir Frederick Hawke durante uma expedição ao Raj em 1858. Inicialmente em uma missão para coletar amostras de plantas locais, Sir Frederick encontrou essa planta. Suas características incomuns se tornaram evidentes quando, em uma tentativa de a coletar, ele sofreu várias queimaduras em sua mão esquerda ao fazer contato. Esse incidente motivou uma investigação aprofundada, levando à classificação e subsequente observação da planta. Discussão com os nativos revelou que a planta é referida como 'Aag Patta', ou 'Folhas de Brasa'. Os locais, cientes de seu calor perigoso, usam tecido para manuseá-la, usando para distribuir o calor para longe da pele. Apesar dos riscos, eles também descreviam as notáveis propriedades curativas da planta quando preparado como um chá. Reconhecendo o valor potencial da planta tanto por sua propriedades medicinais quanto por suas características únicas, Sir Frederick conseguiu uma amostra, que foi cuidadosamente transportada de volta para a Grã-Bretanha.

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Manifesto 123 (A) : Relato de Sir Frederick Hawke. Datado de 5 de Maio de 1858.

Um relatório enviado para a Fundação de Vossa Majestade sobre a cultura e história de AO-123 de acordo com sociedades locais e suas propriedades anormais.


Era cinco de Maio, e minha equipe e eu nos encontramos nas densas selvas do Raj, em uma missão ao mesmo tempo perigosa e de grande importância. Minha expedição inicialmente pretendia coletar amostras de plantas ordinárias, para determinar as necessidades ecológicas da região, mas o destino tinha outros planos. À medida que avançávamos nas profundezas da selva, tropecei em uma planta diferente de qualquer uma que tivesse encontrado antes, as folhas era amplas, o verde brilhando sob o sol, lembrando o Chá. Mas foram as raízes que chamaram minha atenção, se estendendo cerca de um braço de distancia da planta, saindo do solo de uma forma não natural. Era uma anomalia. Minha curiosidade me dominou, e me aproximei para inspecionar a estranha vegetação. Eu tolamente toquei uma das raízes. Uma dor ardente atravessou por minha mão como se estivesse queimado ao contato, e a retirei, amaldiçoando meu descuido. O calor era insuportável, muito mais intenso do que qualquer outra fonte que eu já encontrei.

Os povos indígenas da área conheciam essa planta há um longo tempo, mas eles deram a ela um nome que eu nunca ouvi antes, 'Aag Patta', ou 'Folhas de Brasa' no Inglês da Rainha. De acordo com eles, a planta era louvada por suas notáveis propriedades curativas. Eles afirmaram que quando preparado, seu calor volátil se transformaria em um calor curativo que poderia fechar feridas, aliviar a dor e promover a rápida recuperação, mesmo das feridas mais graves. Os nativos afirmavam que a planta era uma fonte de vida, ridículo para um Inglês como eu, mas intrigado mesmo assim. Após pressiona-los para mais informações, insistiram que eles já a viram funcionar pessoalmente.

Ansioso para saber mais, relutantemente, organizei para que um curandeiro local demonstrasse o processo de preparo. Com grande cuidado, o curandeiro selecionou várias folhas, as colocou em um pequeno pote de água e colocou o pote sobre uma pedra. A água, que antes estava na temperatura da sala, começou a ferver quase imediatamente. O líquido dentro da panela rapidamente ferveu, subindo sem a necessidade de nenhum tipo de aquecimento ou fogo. Embora hesitante no início, não pude resistir ao fascínio da promessa da planta. Pequei o copo do curandeiro, ainda quente ao toque e a levei aos meus lábios. O primeiro gole era como nada que eu já tivesse provado. Foi calmante, não só fisicamente, mas também na minha mente e alma. Aliviou todo o estresse e dores dessa jornada. Enquanto me preparava para deixar o Raj e voltar à Bretanha, eu me assegurei de que tinha coletado amostras o suficiente da planta, embora transporta-la fosse um desafio. Com a ajuda dos nativos, criei um método para assegurar a planta, envolver as raízes e folhas em um pano grosso e resistente ao calor e cuidadosamente guarda-lo para a viagem. Eu assegurei ao nativos que respeitaríamos a planta com toda a sua devida reverência antecipadamente, é claro.

- Sir Frederick A. Hawke

Ordem para a Fundação de Vossa Majestade.
De Vossa Majestade, a Rainha Vitória
Datado de 18 de Novembro de 1858.


Para a Fundação de Vossa Majestade para o Estudo de Curiosidades e Fantasmagoria,

A Rainha ordena a imediata apreensão da região em que a planta identificada como AO-123 pela Fundação de Vossa Majestade foi descoberta. Essa região, atualmente sob a tutela da Fundação de Vossa Majestade, deve ser colocada sob o cuidado direto da autoridade real. A Fundação de Vossa Majestade será devidamente informada de qualquer desenvolvimento que possa interromper a obtenção de conhecimento sobre AO-123. A Rainha empoderou o 1° Regimento Esotérico para realizar a aquisição e gestão da região em questão.

Atenciosamente,
Vossa Majestade, Rainha Vitória

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Manifesto 123 (B) : 1° Regimento Esotérico do Exercito Britânico, Relatório Pós-Ação. Datado de 9 de Maio de 1859.

Um relatório enviado para a Fundação de Vossa Majestade em nome do 1° Regimento Esotérico do Exercito Britânico.


Exatamente às dez e trinta e quatro no quarto dia de Maio deste ano, o 1° Regimento Esotérico do Exercito Britânico, sob o comando de Sir Frederick Hawke, embarcou nas densas selvas da colônia real do Raj. O regimento tinha ordem para assegurar a região onde se sabia que uma planta, rotulada como AO-123 pela Fundação de Vossa Majestade, crescia. A espessura da selva impediu uma procura em larga escala pela planta e apenas metade do pessoal do regimento foram capazes de atravessar o terreno. A caminhada durou três dias antes do regimento encontrar uma vila local que cultivava a planta. O regimento se aproximou do líder da vila e Sir Frederick Hawke o informou sobre seu proposito na região e que a planta seria apreendida em nome da Rainha.

O líder da vila se recusou a entregar o controle da planta. O regimento ofereceu uma compensação em outro que foi recusada. Após isso, o regimento ameaçou o líder da vila com prisão se ele continuasse a recusar as ordens da Rainha. O líder da vila ainda assim se recusou a seguir ordens simples. Em resposta, o regimento apreendeu o líder, acusando ele de traição por sua recusa. O líder foi amarrado e levado à praça da vila, onde um canhão, que foi transportado pela selva com muito esforço, foi preparado para a execução. O líder foi amarrado na frente do canhão e prontamente executado, sua morte era destinada a servir como uma lição aos moradores. A execução do líder da vila provocou uma reação imediata e intensa da população local. O regimento foi forçado a retirar para os arredores da vila onde as plantas eram cultivadas. Enquanto preparações eram feitas para repelir um ataque dos nativos selvagens, a pólvora usada nos rifles e canhão se incendiou, presumivelmente do calor intenso das plantas próximas. O que se seguiu foi um incêndio como nunca antes visto, em segundos todo o campo foi engolido em chamas. Sir Frederick Hawke ordenou o regimento a tentar salvar o máximo possível da planta, mas isso logo se mostrou inútil, pois os homens foram consumidos pelas chamas. As poucas amostras coletadas estavam severamente queimadas e consideradas inúteis para a coroa, sendo jogadas fora.

Estima-se que trinta por cento do regimento morreu no incêndio, embora tentativas foram feitas para controla-lo, ele rapidamente se espalhou pela natureza ao redor, dizimando tudo em seu caminho. As tentativas para deter a destruição foram malsucedidas, e a devastação do fogo permaneceu fora do controle do regimento por vários dias. Após esse desastre, o regimento foi forçado a abandonar sua missão, recuando para fora da selva para reagrupar e se recuperar. O destino da planta permanece desconhecido, porém é provável que todos os espécimes foram destruídos, pois o fogo devastou grande parte da área ao redor de onde ela crescia.

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