Ariete
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O Capitão Leonel segurou-se com força nos cintos presentes no assento do jato C-390 Millennium experimental da Fundação Lusófona. Nunca havia se acostumado a voar. Preferia entrar em uma sala cheia de soldados inimigos com armas apontadas para seu rosto do que passar por isso.

Ouviu gargalhadas do outro lado do compartimento de carga. A Primeiro-Tenente Sabrina, uma de suas colegas mais próximas, apontava para ele e ria enquanto cochichava algo no ouvido do Primeiro-Sargento Almir, que sorria.

Leon não deixaria isso passar barato. Fez uma careta para ambos e levantou sua mão direita com o dedo médio em riste. A réplica foi apenas mais gargalhadas. Respirou fundo, tentando se concentrar em outra coisa para distrair a mente.

A seu lado, o Primeiro-Sargento Luiz estava limpando sua escopeta Benelli M4 Super 90, de uma forma que lembrava o cuidado de uma mãe segurando um bebê recém nascido. A habilidade do Sargento com armas era lendária entre os Guardiões do Portão. Luiz pegou Leonel observando-o.

"O que foi, Alfa?" Disse, sua voz suave saindo abafada pelo som dos motores do jato. "Não vai me dizer que você se mijou de novo." O riso na voz do Sargento era claro.

Leonel respondeu com raiva. "É, vai rindo, Rocha. Não esquece daquela vez que você atirou no próprio pé limpando uma USP e achando que não tinha nada na culatra."

Aquilo tirou o sorriso do rosto do Sargento e ele voltou a limpar sua escopeta, mas mais lentamente dessa vez. Apertou as mãos com mais força ao redor do cinto, de modo a esconder os tremores provocados pelo medo.

O capitão precisava se distrair. Começou a pensar a respeito da missão que lhe foi dada. Havia uma nova manifestação duma anomalia espacial no Sítio PT17 e eles haviam sido enviados para lá como reforço e auxiliares militares, já que havia o risco de encontro com indivíduos armados no interior da anomalia. Começou a repassar mentalmente as informações que conhecia do objeto anômalo em sua mente.

A equipe, antes de levantar voo, havia sido brifada pelo próprio diretor do sítio, o Coronel Tibério Machado. Quando chegassem no PT17 se reuniriam com dois membros da FTM PT9-β e fariam o reconhecimento da anomalia.

Leonel protestou. Não gostava de trabalhar com pessoas que não conhecia, especialmente em missões com um risco como esse. Seu protesto foi cortado no meio por um olhar gélido de Tibério. Algum dia ainda seria capaz de ter a presença de espírito daquele homem.

Voltou a realidade por um aviso sonoro dado pelo piloto. Iriam pousar em 15 minutos. Pegou seu fuzil HK416. Ajeitou a mira holográfica acoplada nele; um tique nervoso que tinha há muito tempo. O pouso sempre era a pior parte.


A FTM PT1-Θ foi muito bem recebida pelos funcionários da instalação e direcionada ao Setor de Segurança do Sítio PT17 para se encontrar com os agentes da FTM PT9-β, iniciariam sua missão urgentemente.

O Sítio PT17 era um local muito diferente do qual os Guardiões do Portão estavam acostumados. Era um sítio de baixa-segurança, sem os tão familiares soldados fardados em todos os cantos, checkpoints, patrulhas armadas, sensores, trancas pesadas e etc. Leonel pensou que se sentiria bem estando em um local diferente, mas tudo o que conseguia sentir era desconforto. Quase conseguia ver o Major Lobo fervendo de raiva descrevendo como a segurança do local era inadequada.

Imerso em seus pensamentos, quase trombou em uma mulher que estava parada e vestida com uma farda preta no corredor. Ao lado da mulher estava um homem moreno e alto.

"É um prazer, Capitão Leonel." Disse a mulher, estendendo a mão para ele. "Sou a Capitão Bianca Videl, líder da força-tarefa PT9-β e este é o Primeiro-Tenente Ramon Ortega. Estamos as suas ordens."

Leonel rapidamente se recompôs, cumprimentou-a com sua mão destra e apresentou o resto de sua equipe, apontando para cada um deles conforme falava. "Esta é Primeiro-Tenente Sabrina Pessoa, e os Primeiros-Sargentos Luiz Rocha e Almir Amarantes."

Quando olhou para seus soldados, percebeu que eles estavam tentando esconder o riso.

Voltou-se novamente para a mulher a sua frente. "Parece que atuaremos juntos hoje, Bianca."

A Capitão sorriu. Leonel havia lido as fichas dela e de Ramon Ortega. Apesar de não gostar de trabalhar com pessoas que não conhecia, ambos tinham um histórico excelente, atuando em múltiplas operações de grande porte. O background deles com biossegurança e a experiência com anomalias biológicas ajudaria imensamente nesta missão.

"O que tem para mim?" Leonel disse, como forma de iniciar o briefing de campo.

Bianca assentiu. "Acompanhe-me."

Seguindo a Capitão, todos se encaminharam para uma sala próxima de onde estavam. A sala tinha uma mesa com cadeiras e alguns papéis espalhados. A Capitão fez um gesto para todos se sentarem.

"Como vocês já sabem, hoje um portal apareceu na seção de contenção pesada de patologias dessa instalação. Após a asseguração inicial do portal, a minha força-tarefa recebeu ordens da Diretora Nathalie Heinz-Peter para adentrar o portal sob as diretrizes do Projeto Baluarte e averiguar o local."

Os soldados de Leonel escutavam atentamente, conforme Bianca falava. Ela pegou um dos papéis que estava na mesa e apontou-o. Era uma imagem, difícil de distinguir a distância.

"No local imediatamente após a entrada do portal, se encontra uma espécie de instalação médica. Ela está cheia de equipamentos eletrônicos quebrados, cinzas, papéis rasgados, etecetera. Os responsáveis pela parte técnica de pesquisa estão separando o material que coletamos neste momento para análise."

Após terminar, ela passou a foto para Rocha, que estava a sua direita, para que ele circulasse a imagem para os outros colegas. "O local está cheio de equipamentos compatíveis com os utilizados pela Superintendência Brasileira do Paranormal no final da intervenção militar."

Leonel olhou ao redor, para seus soldados.

A Primeiro-Tenente Sabrina falou. "Senhora, Qual é o layout do local?"

A Capitão pegou outro papel na mesa. "A sala tem apenas duas vias de acesso. Uma delas é o portal, mantido aberto com o cartão perfurado encontrado nele, que está sob minha posse. A outra é uma porta metálica no norte da sala, que está trancada. O local em si tem cerca de seis metros de extensão com três metros de pé-direito. Você pode ver os conteúdos da sala na imagem que está circulando entre os homens."

A Primeiro-Tenente assentiu.

Leonel pigarreou. "Bom, é hora de assumirmos nossas funções. Pelo que o Coronel Tibério nos informou, Camomila auxiliará coordenando o nosso avanço dentro da instalação, já que ela tem a capacidade de mapeá-la conforme avançamos."

Leonel se levantou e foi apontando para seu pessoal e determinando suas designações, aquelas que comumente utilizavam em campo, tanto para registro quanto para ocultação e facilidade de comunicação. Leonel era Alfa, a Tenente Sabrina era Bravo, o Sargento Rocha era Charlie e o Sargento Amarantes era Delta. A partir daquele momento, só se refeririam um ao outro por estes nomes.

"Na minha equipe, temos mais dois operativos que chamamos de Echo e Foxtrot. Para não haver confusão, proponho chamar vocês dois de outros mais a frente no alfabeto."

Bianca e Ramon assentiram. Leonel decidiu que Bianca seria Golf e Ramon seria Hotel.

A partir daquele momento, todos formavam uma única equipe que estava sob seu comando. Leonel podia sentir medo enquanto voava, mas, naquele momento, todos os seus temores se dissipavam em um foco brutal.

"Faremos assim: Nossa abordagem padrão como Guardiões do Portão é andar em três fileiras. Beta, que tem reflexos muito rápidos e Charlie, que carrega uma escopeta, normalmente agem como pontas de lança. Na segunda fileira ficamos Eu e Golf protegendo os flancos e dando cobertura para o resto dos operativos, já que ela teve anos de formação na escola de franco-atiradores do exército, sua mira deve ser excelente. Hotel e Delta. serão responsáveis pela nossa retaguarda, já que Hotel tem treinamento técnico em campo e Delta irá levar uma arma automática de esquadrão."

Leonel disse, enquanto fazia um rascunho em um dos papéis na mesa.

"Camomila coordenará a nossa movimentação dentro da anomalia de acordo com o que observarmos. Já que a porta neste setor da anomalia está trancada, Charlie utilizará um de seus cartuchos de arrombamento para que possamos prosseguir."

Leonel olhou em volta, para os olhos expectantes dos homens e mulheres presentes.

"Temos ordens claras, pessoal. Pelas informações obtidas pela Inteligência, o Relicário conseguiu invadir o PT33 e só não eliminou um dos nossos diretores por sorte."

Leonel encarou fixamente cada um dos presentes por alguns segundos enquanto falava. "Não estamos aqui para brincadeira. Se for possível, tentaremos capturar hostis, mas, se suas vidas estiverem em risco, atirem para matar. Estamos aqui para conter a anomalia e assegurar que eles pensem duas vezes antes de tentar mexer conosco novamente. Conseguir informações é um bônus."


A Força Tarefa dividiu-se de modo a operar conforme a organização de Alfa. Todos foram equipados de acordo com os protocolos de segurança e proteção relevantes nos procedimentos de contenção da anomalia.

A IA Camomila, a partir de agora designada como "Chá", foi selecionada para coordenar a operação, devido a sua capacidade de processar os dados geográficos obtidos das Instalações e elaborar um plano geométrico tridimensional mapeando o local em tempo real, auxiliando o deslocamento e reconhecimento das estruturas.

Adicionalmente, Chá manteria contato direto com todos os membros da Força-Tarefa Móvel Híbrida (assim designada devido a possuir membros de diferentes unidades), designada temporariamente como FTM-H.

Alguns minutos após o briefing, FTM-H foi inserida no portal de acesso da anomalia. Conforme relatório preliminar, verificou-se que a área imediata do corredor sucedendo o portal ainda permitia acesso a um setor médico da anomalia que não constava nos registros de exploração feitos anteriormente.

Em examinação mais profunda coordenada por Chá, os destacamentos percebem que este local foi aparentemente "saqueado"; há sinais de dano proposital no equipamento eletrônico presente, em ferramentas e insumos médicos, assim como nota-se a presença de pilhas de cinzas que presume-se ter sido um local onde papéis foram reunidos e queimados.

Apesar da situação de desalinho, todo o local está recoberto por camadas grossas de Essência. Chá cria a hipótese de que esta seção foi destruída pela própria SBP como uma forma de "queima de arquivo." Além disso, Chá também acrescenta esta seção a uma parte separada do mapa, tomando nota da porta que leva para outra parte interior da anomalia.

Após tal observação, FTM-H é instruída a prosseguir pela porta encontrada na sala. Alfa instrui a abertura da porta. Em uma ordem de marcha padrão, Charlie aponta sua escopeta para a maçaneta da porta, arrombando-a estrondosamente com um disparo após munir sua arma com um cartucho .12 "Open Door".

O esquadrão, agindo com excelente sincronia, penetra a nova área que aparenta ser uma "casa de máquinas", com uma arquitetura brutalista. O reconhecimento do local é feito, notando a grande quantidade de fios, canos e maquinário presentes ali, possívelmente relacionados com a manutenção das amenidades recorrentes na anomalia.

O esquadrão avança. Estão em um corredor metálico gradeado e conseguem ver, abaixo de seus pés, um emaranhado de concreto e aço variado em tubos, fios, engrenagens e toda sorte de equipamento desconhecido.

Também notam que estão em uma plataforma inferior, havendo um andar acima de si. O andar superior se divide em duas plataformas, uma a leste e outra a oeste, com uma ponte metálica interligando ambas.

Beta nota que o corredor possui uma escadaria a noroeste que provavelmente leva ao andar superior; enquanto o fato é relatado para Chá e Alfa, são ouvidos barulhos de tiros e Beta é alvejada no ombro e na perna direita por fogo vindo de cima, a oeste da FTM.

Os operativos rapidamente entram em ação, com Alfa e Charlie arrastando a companheira ferida para trás de cobertura e respondendo com fogo de supressão na direção de onde vieram os tiros. Delta utiliza sua FN Minimi de modo efetivo, aumentando a área de supressão de forma extremamente hábil.

Eles agora também recebem fogo de mais duas direções diferentes, todas acima deles, dois feixes de projéteis vindo a oeste e um a leste, mas conseguem se deslocar para trás de alguns dos maquinários presentes na plataforma inferior antes que qualquer outro soldado seja atingido.

Chá coordena os operativos, que estavam em uma desvantagem tática, sendo atacados de cima. Alfa ordena que Charlie utilize uma granada de fumaça. A mesma rapidamente se espalha, obscurecendo a visão de seus atacantes. Hotel, ao examinar Beta, conclui que a mesma está fora de risco no momento.

Alfa solicita uma evacuação médica para ela assim que possível e orienta os operativos remanescentes a avançar para as escadas, com Hotel e Delta, que ficaram na retaguarda, respondendo ao fogo inimigo enquanto o restante que se movimentava na dianteira não o fazia.

Delta, devido ao fato de ser o portador da arma automática do esquadrão, conseguia chamar a atenção do inimigo de forma extremamente eficiente, mesmo sob tão clara desvantagem.

A tática, utilizada tantas outras vezes em campo por Alfa, prova sua eficácia mais uma vez. Os inimigos direcionam o fogo para a retaguarda da equipe que permanece sob cobertura, enquanto os agentes da dianteira, movendo-se agachados e sob a cobertura da fumaça, chegam as escadas.

Charlie e Golf começam a se dirigir para a plataforma acima, enquanto Alfa, equipado com seu HK416, observa a retaguarda. O mesmo consegue visualizar dois hostis na plataforma leste. Ambos utilizam capacetes negros com uma máscara de um material envidraçado que cobre seu rosto inteiro. O agente mira no que parece ser o hostil mais alto e mais fácil de acertar e dispara seu rifle três vezes, errando um dos disparos mas atingindo o inimigo em cheio duas vezes no pescoço.

Chá imediatamente utiliza um software de reconhecimento facial na imagem adquirida pela câmera do capacete de Alfa, deixando o processamento da imagem em stand-by. Alfa reporta um alvo abatido para o resto de sua equipe.

O segundo hostil grita alto o suficiente para ser ouvido mesmo sobre os disparos, com uma voz aguda e se abaixa buscando cobertura.

Charlie e Golf atingem o topo das escadas e efetuam contato com dois hostis. Os hostis utilizam o mesmo capacete negro e máscara envidraçada identificados no que foi abatido. Alfa chega até Golf, que estava atrás de Charlie, suprimindo o hostil na plataforma leste. Eles cobrem as duas direções com fogo de supressão enquanto Charlie avança de cobertura em cobertura, aproximando-se dos inimigos na plataforma oeste.

Chá rapidamente analisa a área utilizando-se dos dados visuais coletados pelos operativos em campo, montando um modelo tridimensional do local. Ela informa a Delta e Hotel que, de acordo com o que foi observado por Alfa, há apenas um hostil na plataforma superior leste e eles são autorizados por ela a movimentar-se em direção a escada, já que agora a equipe da dianteira conseguia pressionar todos os hostis em campo. Chá também alerta Alfa a respeito da movimentação de Hotel e Delta.

Alfa aguarda a aproximação de Hotel e Delta e ordena que ele suprimam o hostil na plataforma leste enquanto ainda estavam nas escadas. Alfa então orienta Golf, ainda não familiarizada com as táticas comumente empregadas pelos Guardiões do Portão, a concentrar-se apenas no hostil mais próximo da plataforma oeste, enquanto ele mesmo concentrava-se no segundo inimigo. Charlie, imediatamente reconhecendo a tática utilizada por Alfa, avança de cobertura em cobertura dando ocasionais tiros com a sua escopeta.

Os inimigos, mesmo sob supressão, movimentam-se para trás, aproximando-se da ponte que conecta as plataformas leste e oeste. Observa-se que ambos fazem isso para não deixar que Charlie, que porta uma escopeta, aproxime-se deles. Golf então entende a orientação de Alfa.

Durante sua movimentação, um dos hostis se descuidou por apenas alguns milésimos, colocando sua cabeça para fora de cobertura enquanto tentava acertar Charlie. Golf disparou uma rajada de cinco tiros, alvejando o hostil no rosto, perfurando sua máscara envidraçada e o capacete.

A morte súbita de seu colega claramente abalou o outro hostil, que estava focado apenas em Charlie. Este correu em direção a ponte e foi alvejado por um tiro nas costas efetuado por Charlie. O chão gradeado da plataforma agora estava coberto de sangue, que pingava no andar inferior.

Alfa e Golf rapidamente movem-se em direção a ponte, com Hotel e Delta mantendo fogo de supressão na direção geral em que o hostil que lá estava foi visto pela última vez. A câmera de Charlie registra o cadáver do hostil atingido por Golf, com o crânio completamente destroçado e, em seguida, o indivíduo na ponte tentando arrastar-se em direção a plataforma leste.

Chá registra o áudio dos gritos do indivíduo e decodifica que o mesmo repete incessantemente as palavras "Corre, Dez!".

Quando Charlie se aproxima do indivíduo caído, o mesmo tenta utilizar sua pistola para cometer suicídio, mas o soldado é rápido o suficiente para pisar em sua mão, impedindo-o. Golf e Alfa, que agora atingiram a ponte, avançam para a plataforma leste em busca do último hostil. Golf relata ouvir o barulho de passos indo em direção a um corredor que contornava a parede na parte norte da plataforma leste.

Alfa ordena que Delta e Hotel, que agora aproximavam-se da ponte, assegurem o hostil ferido enquanto ele e Golf iniciam perseguição, com Charlie vindo correndo para dar cobertura na retaguarda.

Alfa e Golf avançam pelo corredor em perseguição, com armas em punho e visualizam o último hostil, que possuía uma silhueta claramente feminina, correndo em direção a uma porta dupla de metal. Alfa apoia-se sobre um de seus joelhos, para ter maior estabilidade em sua mira, e tenta alvejar a hostil. Golf continua avançando mantendo-se a direita, para não ser pega pelo fogo de Alfa. A hostil consegue atingir a porta dupla sem ser alvejada. Alfa cessa fogo para que a propagação dos tiros não atinja Golf por acidente.

A hostil abre a porta de aço devagar, o que demonstra o peso da mesma e consegue fechar a porta novamente, milésimos antes de Golf atingir a mesma. A porta estava, agora, trancada. Golf observa que há uma placa na porta escrita "Sala de Controle".

Alfa, que já estava se movendo em direção a porta assim que parou de atirar, olha para trás, vendo Charlie seguindo-o de perto. Golf tenta abrir a porta com chutes, mas não consegue. Após alguns segundos, Alfa e Charlie chegam até ela. Charlie, no caminho, já havia carregado outro de seus cartuchos "Open Door" e, com os três se posicionando de forma segura, utilizou-o para arrombá-la.

Os três invadem a sala e observam algo que os surpreende, enquanto relatam o local a Chá. A sala tem vários consoles antigos, similares a equipamento usado pela NASA durante a corrida espacial na guerra fria. Tem cadeiras por todos os lugares, papéis espalhados, laptops abertos e toda sorte de outras minúcias.

Chá hipotetiza que este local estava sendo usado como uma base de operações pelo Relicário. Pelo tamanho enorme da sala, Alfa ordena que eles se separem e investiguem possíveis saídas. Após alguns segundos, ouve-se uma explosão vinda da direção nordeste.

Alfa ordena que os Golf e Charlie se reagrupem com ele e os três seguem para a direção nordeste da sala, onde encontram uma porta escancarada. Os três avançam em formação pelo corredor por cerca de seis metros, notando a massiva presença de partículas de Essência no ar, como se elas estivessem sido movidas com muita força. Ao final do trajeto percorrido, atingem uma bifurcação e observam o corredor a sua direita. Ele está completamente desmoronado e inacessível. Claramente a explosão que ouviram foi causada pelos que estavam ali presentes de modo que não fossem seguidos.

Alfa solta uma exclamação de frustração. Ele e os operativos que estavam acompanhando-o asseguram a área próxima a aquele local e dirigem-se de volta para Delta e Hotel. Hotel informa Alfa, pelo rádio, que o hostil capturado está instável, mas vivo. Ele havia encontrado uma pequena cápsula inserida cirurgicamente em seu pescoço, que temia ser algum dispositivo de suicídio latente. Precisavam tirá-lo das cercanias o quanto antes. Hotel também informa que o visor envidraçado dele subitamente havia parado de funcionar, e havia uma potencial contaminação com Essência.

Chá, observando que a "casa de máquinas" da anomalia estava assegurada, autoriza a entrada de uma equipe médica de campo que estava a postos na entrada desde que Beta havia sido atingida. Alfa, Golf e Charlie permanecem na Sala de Controle encontrada para assegurar que realmente não havia mas ninguém no complexo, enquanto a equipe médica evacua Beta e o hostil capturado.


Uma varredura de segurança executada pelos membros remanescentes da FTM-H, realizada após a asseguração do local com a inserção de outros agentes, detectou a presença de um sensor de movimento próximo a porta da "Casa de Máquinas".

Teoriza-se que ele tenha sido plantado pela equipe do Relicário previamente, como medida de segurança. Averiguou-se também que o estado estrutural do corredor de fuga utilizado pelos membros do Relicário é extremamente precário e estima-se que irá demorar meses até que todos os detritos sejam removidos e o corredor seja acessível novamente.

Análise dos equipamentos encontrados nos hostis capturados detectou que todos se autodestruíram. Fica patente que o GdI possui alguma espécie de paratecnologia destrutiva em sua aparelhagem. Como essa paratecnologia funciona está além do conhecimento atual da Fundação.

Os cadáveres dos hostis mortos foram colocados em Unidades de Suspensão Biológica trazidas no C-390 Millennium experimental que transportou a FTM PT1-Θ e serão levados para necropsia no Setor Médico Legal do Sítio PT33.

O hostil capturado, que usava um uniforme com uma insígnia com o símbolo de um oito de paus no ombro direito, foi operado em caráter de urgência pelos paramédicos do Sítio PT17, que, além de tratar os ferimentos a bala em suas costas, removeram um frasco pressurizado inserido no músculo esternocleidomastóideo, contendo um narcótico extremamente potente, de composição desconhecida. O indivíduo será transferido para o Sítio PT33 para interrogatório quando sua condição for estável, e o narcótico será estudado por pesquisadores do setor médico do Sítio PT17.

Com isto encaminhado, os envolvidos no Projeto Baluarte agora voltam seus esforços para tentar encontrar qualquer informação relevante deixada para trás pelo Relicário na Sala de controle.



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