No Fim da Criação

avaliação: 0+x

Muito tempo atrás, não havia nada. Um Grande Abismo abrangeu tudo que nunca existiu, e que nunca será. E era belo. O nada indescritível. E se havia paz. Mas isso não duraria.

Há muito tempo, existiam Três Irmãos, nascidos da escuridão antecedida a criação. E onde outros não viam nada, eles viram uma tela. E assim a Árvore do Conhecimento foi plantada.

A criação se expandiu como uma bomba. Narrativas além dos números, esferas de pensamentos transcendem a compreensão, esferas de informações além da lógica, tudo isso lançando as bases que estava por vir.

E então vieram os Deuses. Deuses do Metal, da Carne, do Conhecimento e dos Cincos. E havia um Rei Ordenado em Carmesim. Seus números fluíam como um rio.

E tudo estava em paz.

E tudo estava pleno.

Mas não durou. Como antes, aconteceu novamente.

Muito tempo atrás, não havia nada. Um grande Abismo abrangia tudo que nunca foi, e nunca será. E era belo. O Grande Plantio o havia fragmentado, uma sombra pálida do que uma vez foi. E estes fragmentos, tão afiados, deixavam um rastro de corrupção por onde andavam. E foi assim que o Rei Ordenado em Escarlate encontrou um deles.

O Rei era artimanhoso, como nenhum outro. Onde outros sentiam medo, ele via um bruto, e inexplorado potencial. Potencial que poderia ser manipulado, tomado. Mas o Rei era inteligente o suficiente para saber que não era forte o suficiente para tomá-lo. Ainda. Mas havia rumores, era de uma Grande Biblioteca, a aglomeração de todo o conhecimento que poderia existir, e do que não existia. Uma oportunidade.

O Rei Ordenado em Carmesim foi rápido em rastrear aqueles que repetiam tais rumores. E deles, arrancava o conhecimento de suas mentes, encontrando quem iniciou tal boato. E foi assim que o Rei encontrou Jeser o Enganador, Aquele de Muitas, e seu reino de 24 mundos. Foi ele quem havia espalhado. E talvez quem devia saber onde era. Por mais forte que fosse, ele nada pôde fazer para o Rei esmagar qualquer resistência e tomar controle de seu reino.

A Jeser, uma tarefa foi dada. A biblioteca tinha que ser encontrada. A fundo nas suas catacumbas, estava o conhecimento que o Rei precisava para tomar o que é seu, o poder do Grande Abismo. Para esta missão, Jeser concordou, pois o que podi fazera diante de tamanho poder? E assim, Jeser partiu.

Muito tempo Jeser trabalhou arduamente. Muito tempo ele caminhou. Percorreu por longas distâncias. A jornada foi traiçoeira. Os Deuses, tão números eram nesses dias, bloqueavam seu caminho em cada rota. Ameaças, tentativas de assassinatos, violência em abundância, Jeser enfrentou isso e um pouco mais em sua jornada até a Biblioteca. Até… lá está ela. O pilar da sabedoria , o rio do conhecimento. Era tudo o que diziam ser. E ali, enrolada em sua base, estava a grande Serpente.

Essa Serpente era tão inteligente quanto o mestre de Jeser, e duas vezes mais sábia. Não podia ser enganada. Não podia ser espreitável. E assim, Jeser tinha uma opção. Ele andou até a grande cobra e perguntou se poderia ler, fazer parte do conhecimento que jazia nas paredes da Biblioteca. E a Serpente o deixou entrar. Por mais inteligente que fosse, não era onisciente. Esse privilégio pertence ao seu mestre, e somente a ele. Ela não podia saber…

Nos primeiros dias da Biblioteca, a segurança era frouxa, tão frouxa do que jamais seria dali em diante. E o Príncipe de Muitas Faces andou. Andou por infinitas paredes de livros, andou por portas trancadas. Andou e andou até que se encontrou em um lugar completamente diferente da Biblioteca. Ele tinha entrado nas catacumbas.

As catacumbas eram o local onde residia os conhecimentos proibidos, banidos pelo próprio Criador. E era alí que se encontrava o conhecimento que o mestre do Príncipe exigia. E Jeser caminhou. E caminhou um pouco mais. E caminhou mais um pouco até finalmente achar. Mas, infelizmente, um alarme havia sido soado. A Serpente chegava, e os Guias preparados. Alguém o havia descoberto.

Guardando rapidamente o conhecimento, Jeser correu. Ele não parou. Não olhou para trás. Nem ousou desacelerar. A Serpente vinha. Usando a arte do engano, Jeser foi capaz de escapar das catacumbas vivo, onde ele correu de mais e mais problemas. Ao sair de lá, sua localização foi revelada.

Ironicamente, foi o uso da força de Jeser, e não os seus truques, que o livrou de um sofrimento eterno que o esperava caso fosse capturado. Enfrentando a Serpente e os Guias, o Príncipe de Muitas Faces fez sua fuga. E voltou todo o caminho até seu mestre, enfrentando horda de deus, passando por tudo. E lá estava o Rei, esperando, expectante. E lá, Jeser entregou o que havia roubado.

Levantando do seu trono em um movimento rápido, o Rei iniciou. O conhecimento não existia em uma forma física ao nível dos Deuses, permitindo todas as formas de manipulação. E assim o Rei o absorveu, fazendo-o parte de si, ligando-se a ele. E no Grande Abismo, ele ficou, sentado por 7 dias e 7 noites, lutando contra o fragmento. E por fim, o venceu. O fragmento do Grande Abismo se anexou a ele. Mas não era o suficiente. Ele queria mais. E continuou, fragmento por fragmento, deus corrompido por deus corrompido.

Os choques entre poderes foram sentidos em todo o lugar da Criação.

As ondas foram sentidas na Terra, onde penetrou na mente dos seres primitivos que viviam ali, formando as suas primeiras Igrejas.

O choque foi sentido no Céu Abaixo, onde Lúcifer liderou uma rebelião contra o Criador.

O choque foi sentido por todo canto, balançando a criação até o centro. E então o Rei reapareceu.

O que ressurgiu de eras depois não poderia ser mais considerado um Deus. Não poderia ser o Rei Ordenado em Carmesim. Não, o que surgiu da sua tarefa era tão maligno, tão insano a ponto de consumir almas, que não poderia ser considerado uma coisa. Tão consumido na sua loucura, a inefável abominação conhecido uma vez como o Rei Ordenado em Escarlate prometeu a se devotar em um, um único objetivo: a Árvore do Conhecimento, e seus infinitos e infinitos galhos, a morte.

O que surgiu não era um Deus, ou qualquer outra coisa. O que nasce neste dia foi, e pra sempre seria, o Rei Escarlate.

Salvo indicação em contrário, o conteúdo desta página é licenciado sob Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 License