Carta Deixada Por SCP-172-PT
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Aos homens de guarda-pó e farda,

Meu propósito nesta terra era guiar os filhos nativos e herdeiros de Pindorama para a pedra do Sol e rumá-los à ascensão e prosperidade. Guiaria os indefesos à felicidade e glória e uniria povos.

Porém, um ato repentino precedeu acontecimentos sorumbáticos: imensas naves amadeiradas chegavam com o vento do Norte. Atracaram após o Sol do amanhecer, e das naus saíam homens fardados temíveis com suas zarabatanas de fogo, e outros batinados.

Começara, por conseguinte, a ruína do povo brasílico.

Ao longo de centenas de vagarosos anos, foram enclausurados, escravizados e execrados afim de saciar a avareza e o poder do povo branco do Norte.

Impuseram ao povo brasiliense sua religiosidade infame, que nem mesmo suas próprias deidades vangloriariam-se.

Exploraram e tomaram do povo o que lhes fora herdado por Nhanderuvuçu. Desenraizaram nossa árvore vermelha. Sua ambição insaciável não nos deixou nem uma única lasca.

A pedra do Sol, da qual se mantinha nas terras roxas de nossas savanas e matas brancas, na qual germinei incumbida de protegê-la e de destiná-la ao nosso povo, fora sugada pelos malditos vermes por séculos.

Nem do vegetal, nem do mineral de que Tupã nos espargiu nos restou.

E os filhos nativos dissipavam-se junto com o que foram destinados a herdarem, porém, descenderam novos progênitos, bastardos da mistura desamorosa dos nativos, dos caucasianos parasitas e dos crioulos, que tornaram-se mártires antes de nós.

Meu propósito tornou-se uma maldição ao ter de servir os frutos podres de raízes corruptas. O homem, como sempre, não consegue guardar para si um bem tão valioso. Cai em tentação e à avareza… Não são dignos deste bem, e hão de ser punidos.

Logo, afrontei a incumbência que Guaraci, meu progenitor, me concedeu, para vingar os verdadeiros herdeiros de nossa terra. Quiçá, nosso grande avô perceba que este é e foi o caminho correto para a linhagem de nosso povo.

Ainda assim, não foi páreo o suficiente para tolher os parasitas, que vós beneficiastes! Os parasitas hodiernos que definharam nossa terra, nossa riqueza natural!

Destruíram o que era nosso. Viveis o futuro de um passado que não és vosso…

Os dias de minha luta e fardo findam-se.

Agora, observai e aceitai o último martírio dos seres desta terra em brasa.

[ININTELIGÍVEL] é esperado. Ou já chegou.

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