O sindicato anômalo de Chicago, Illinois
![]()
aprox. 1938
"Quando as pessoas perguntam onde estudei, eu apenas rio delas. Não acredito em educação formal. Nunca passei um dia em uma sala de aula, mas sou um dos homens mais bem-sucedidos desta cidade. Homens e rapazes que poderiam estar gastando seu tempo produtivamente são forçados a desperdiçar anos de suas vidas curvados sobre livros, tentando arrebatar algum traço de intelecto para si mesmos. O que os professores não dizem é que a genialidade é algo com que se nasce.""Posso não saber calcular, mas comando o maior negócio desse tipo no país. Posso não ser capaz de nomear todas as tribos da África, mas posso virar um homem do avesso com um estalar de dedos. Não posso lhe dar uma explicação científica de como realizamos os milagres que fazemos, mas, novamente, ninguém mais pode. No meu negócio, eu e os rapazes da Ivy League somos iguais em tudo - tudo, exceto poder. Isso é algo que tenho de sobra."
Richard D. Chappell, correspondência, 1925.
GdI-001: O Espírito de Chicago
|
Também conhecido como:
Anos Ativo:
|
|
||||||||||
Sumário: O Espírito de Chicago era um sindicato do crime organizado com sede em Chicago, Illinois. O grupo operou localmente durante as duas primeiras décadas de sua existência, mas depois se espalhou para outras grandes cidades dos Estados Unidos como resultado da riqueza gerada por suas operações de contrabando durante a era da Lei Seca nos Estados Unidos. O Espírito empregou vários indivíduos com capacidades anômalas, criou e explorou uma série de artefatos anômalos para uso em seus negócios e era propriedade de Richard D. Chappell, um Dobrador de Realidade Tipo-C (SCP-046-ARC).
O Algibe Chappell, o primeiro bar clandestino operado pelo Espírito.
História: Em 1873, Chappell imigrou para Chicago com seus pais aos dois anos de idade. O primeiro registro de suas capacidades anômalas foi um incidente em que um transeunte testemunhou Chappell — então com 11 anos — exsanguinando de forma anômala um jornaleiro rival. O corpo do rapaz foi recuperado do Rio Chicago no dia seguinte, mas a polícia local não deu continuidade ao caso. Chappell iria, anos depois, alegar que a morte do rapaz havia sido um acidente.
Em sua encarnação original, o Espírito de Chicago era um negócio legítimo. Fundado em 1893 e localizado no lado sul de Chicago, o Espírito funcionava como um bar típico, oferecendo bebidas alcoólicas aos clientes e, ocasionalmente, oferecendo entretenimento musical ao vivo. Depois de dois anos obtendo pouca receita, Chappell teve a ideia de iniciar uma segunda linha de negócios no segundo andar do Espírito de Chicago: um comércio secreto de "novidades não naturais". Durante os anos subsequentes, Chappell vendeu mais de 600 artefatos anômalos para compradores em Chicago e áreas periféricas. Acredita-se que muitos desses objetos foram criados pelo próprio Chappell.
Este novo empreendimento atraiu rapidamente um número de colecionadores ricos e membros de prestígio da elite de Chicago, que por sua vez teve o benefício adicional de aumentar muito a popularidade do estabelecimento no térreo. Ainda assim, Chappell permaneceu bastante reservado sobre suas anomalias, recusando-se veementemente a reconhecer o lado anômalo de seu negócio em público e nunca utilizando suas capacidades de dobrar a realidade na companhia de outras pessoas.
À medida que o Espírito prosperava e crescia, Chappell expandiu sua prática para incluir atividades criminosas como extorsão, roubos planejados e ataques a proprietários de empresas rivais. Em 1899, aproximadamente 410 homens trabalhavam para Chappell. Foi nessa época que os moradores começaram a se referir à organização de Chappell como o Espírito de Chicago, tirado do nome do bar que servia como sede do grupo.
Antro de ópio de propriedade e operado por membros do Espírito.
A maioria dos membros do Espírito era composta por bandidos comuns e pequenos ladrões, mas os líderes do grupo consistia principalmente de homens que possuíam habilidades semelhantes às do próprio Chappell. De acordo com a tradição local, Chappell rotineiramente caminhava pelas ruas de Chicago, puxando conversa com as pessoas que encontrava e empregando aquelas que descobriu terem habilidades sobrenaturais. Dentre esses indivíduos estavam Charles Derringer (SCP-032-ARC), Garth "Wheels" Cartwright (SCP-039-ARC) e Julius "Sawteeth" McGallan (não contido, presumivelmente neutralizado).
Em 1900, Chappell havia se estabelecido firmemente no submundo do crime de Chicago como um líder carismático e implacável. À medida que o Espírito aumentava de tamanho e escopo, mais objetos anômalos eram usados em operações de rotina. Pouquíssimas dessas anomalias foram contidas durante os anos ativos do grupo, devido aos recursos limitados da Fundação durante esse período. Na maior parte, o Espírito de Chicago agia independentemente de outras organizações criminosas, embora os grupos fossem conhecidos por ocasionalmente interagir com vários graus de hostilidade. Uma exceção notável foi o famoso líder do Chicago Outfit, Al Capone, que proibiu estritamente qualquer forma de interação com o Espírito, afirmando que ele "não teria nada a ver com aqueles [homens]". Essa postura foi presumivelmente influenciada pela desastrosa tentativa de ataque do líder anterior do Outfit, Johnny Torrio, ao prédio original do Espírito de Chicago em 1919, que Capone testemunhou.
O grupo continuou a se fortalecer e crescer ao longo da década de 1920, auxiliado pela receita extra gerada pelo crescente número de bares clandestinos e estabelecimentos similares do Espírito, possibilitados (e lucrativos) pela proibição de bebidas alcoólicas sob a Lei Volstead. Os registros indicam que, de 1921 a 1933, o Espírito de Chicago foi o maior sindicato do crime anômalo no hemisfério ocidental.
O "Cofre Negro" onde Chappell guardava sua coleção particular.
Apesar do aparentemente imenso poder e prosperidade do Espírito de Chicago, o comando O5 da Fundação aprovou um ataque à casa de Chappell, citando relatórios de inteligência que afirmavam que suas capacidades anômalas haviam enfraquecido. O ataque foi bem-sucedido: Chappell foi capturado e colocado em contenção, junto com 155 objetos SCP retirados de sua coleção pessoal. Após a captura de seu líder, os membros do Espírito logo se desfizeram e foram recrutados por outros sindicatos. Os poucos que permaneceram fiéis ao Espírito e aos recursos que possuíam acabaram sendo adquiridos pela Marshall, Carter e Dark em 1938.
Adendo: Uma coleção de diários privados alegadamente escritos por Chappell foi recuperada pelos funcionários da Fundação em 2008. Notavelmente, as entradas frequentemente mencionam um parceiro chamado "Sr. Night", cuja despedida da organização em 1933 resultou na vulnerabilidade que tornou a captura de Chappell possível. Apesar das constantes referências a esse indivíduo, nenhum outro registro existente indica que Chappell tinha um parceiro de negócios próximo, nem há documentos que comprovem a existência de um "Sr. Night" dentro do grupo. No entanto, as entradas do diário são consistentes com as declarações feitas por Chappell durante as entrevistas pós-contenção, nas quais ele repetidamente expressou que não possuía nenhuma propriedade anômala e que o trabalho anômalo foi realizado por um parceiro dele que deixou a organização abruptamente mudou de nome e fugiu do país.





