Morrer em um Oceano de Dinheiro Valeu a Pena
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Nas movimentadas ruas da cidade de Nova York, Júnior reapareceu.

"Hmm, caralho, faz sentido como esse lixo que você tá usando estava na sala de experimentos fracassados. Essa coisa tá fodida." Murmurou Duchamp enquanto mastigava.

"Parece que o ladrão está perto da sua localização. Castro disse que precisava de ajuda, mas eh…talvez eu faça algo, não sei. Seria triste se ele morresse, eu acho…" A linha de pensamento de Duchamp continuo indo, alheia à situação atual de Júnior.

Quando ele apareceu no meio da rua, dezenas de pessoas gritaram, mas, depois que viram seu jaleco branco com o icônico logotipo da Fundação impresso no bolso do peito, elas o cercaram.

Tanto os apoiadores quanto os contra se aproximaram. Algo em seu comportamento contido convenceu a multidão de que ele era a parada real.

"Assine minha camisa!"

"Vá se foder!"

"Me arrume super-poderes."

"Quando cês planejam libertar a Iris?"

Todos os seus gritos se sobrepuseram e alguns dos indigentes começaram a empurrar Júnior. O barulho atraiu mais pessoas. A multidão começou a se espalhar para a rua, bloqueando táxis, que começaram a buzinar.

Entre a multidão estava uma velha fumando um cachimbo.

Um dos homens deu um soco em Júnior. Ele caiu de cabeça na calçada e ficou inconsciente.

Sem o conhecimento de Júnior, um homem, cuja filha manipuladora de realidade foi morta pela Coalizão Oculta Global, sacou um canivete. Ele correu em direção a Júnior e, bem quando a faca estava prestes a entrar em seu abdômen, uma pequena mão verde apareceu de baixo. Ela pegou a lâmina e a jogou em seu saco.

Apenas alguns perceberam a troca rápida, mas todos recuaram ao ver o ladrão subir em cima do corpo de Júnior.

O goblin jogou o saco sobre a cabeça de Júnior e ele cresceu para se ajustar ao tamanho de sua cabeça. Ele correu pelo corpo de Júnior, com o saco crescendo à medida que consumia seu corpo.

A maioria dos espectadores correu assim que viu a anomalia. Alguns desgarrados continuaram assistindo o saco ser espalhado pelo corpo de Júnior. O goblin então pulou sobre o saco aumentado e ele comprimiu de volta à sua forma original.

O ladrão agarrou seu saco e começou a escalar um toldo próximo. Ele pulou de janela em antena parabólica, eventualmente chegando ao telhado. Os espectadores restantes já estavam discando "333," o número de emergência da Fundação.

A alguns quilômetros de distância, o goblin tirou Júnior em um edifício residencial sem nome. Ele não sabia por que salvou a vida do Pesquisador Júnior, mas sabia que não fez essa escolha por conta própria.


"Oi. Vocês fazem pedidos de entrega…? Vocês podem ir para U-Laranja-16-L-Épsilon? Ótimo, vou mandar as coordenadas do meu pedido pra vocês agora…"

Júnior gemeu e sentiu uma dor na bochecha. Ele sentia uma dor de cabeça lancinante que tornava difícil pensar. Ele olhou para cima e viu o brilho das estrelas.

Ele estava deitado de costas e se levantou para uma posição sentada. Ele estava no topo de um prédio, nem muito alto, nem pequeno, em algum lugar da densa metrópole. Máquinas variadas estavam espalhadas no topo do telhado de cascalho, com um radiador zumbindo ao seu lado.

"Agh!" Júnior estremeceu. Sua queda no chão lhe dera uma concussão dolorosa.

"Ah, você tá acordado! Você fez uma bela bagunça lá embaixo. A Fundação está vasculhando a cidade atrás de você. E você perdeu o ladrão também! Ótimo trabalho!" Júnior mal conseguia ouvir Duchamp.

"Cale a boca. Só cale…a boca," sussurrou Júnior.

"Sério? Esse é o jeito de falar com seu superior? Você não pode voltar até terminar seu trabalho, sabe. Não se esqueça que estou ocupado aqui preparando sua recompensa. Humm… Acredito que você queria uma promoção… certo…?"

Júnior não respondeu.

"Os sensores dizem que sua frequência cardíaca está um pouco baixa, você tá bem?"

Helicópteros brancos vasculhavam os prédios do outro lado da rua com holofotes intensos à distância. Sirenes gritavam de alto-falantes presos a pontões.

"A Fundação SCP tem autoridade total neste distrito. Uma entidade anômala está atualmente à solta neste distrito. Relate todo e qualquer avistamento para 333. Estamos aqui para ajudar."

A cada poucos minutos a mensagem se repetia.

A respiração de Júnior começou a desacelerar.

O barulho da cidade evaporou. Com pouca fanfarra, um pequeno ponto se materializou acima da cabeça de Júnior. O ponto cresceu como um balão até tomar a forma de uma pequena garça marrom. Como um origame se desdobrando, a garça se desdobrou em um plano. O plano cresceu em textura e passou a se assemelhar a uma porta.

A porta sobre Júnior se abriu; não que ele percebeu, é claro, ele mal conseguia manter um único pensamento em seu estado atual.

Um braço se estendeu para fora da porta. Segurando uma taça opulenta na mão, o braço inclinou e derramou seu conteúdo roxo.

A mistura parecida com lodo derreteu na pele de Júnior, não deixando nenhum rastro da coisa para ele ficar enojado quando acordasse. A mão recuou e a porta se fechou. Tão rápido quanto se abriu, a porta se fechou sobre si mesma, se dobrando até desaparecer.

Sangue começou a vazar de sua boca, olhos e nariz. Ele continuou fluindo até uma poça começar a se assentar. Os olhos de Júnior se abriram com força e o sangue parou.

Sua mente estava clara. Ele se sentia revigorado, como acordar de uma longa soneca. Seu estômago estava cheio e ele estava energizado, pronto para correr um quilômetro.

"Duchamp, o que diabos foi isso?" Ele explodiu com confiança.

"Só uma bebidinha. Não se preocupe muito com isso. Hah! Não posso deixar você morrer comigo. Vou tomar um corte de pagamento pelo amor de deus! Vou levar você pra próxima parada, o ladrão está quase fora de alcance!"

As luzes do helicóptero estavam por todo o prédio à direita de Júnior. Mas eles nunca o encontrariam, pois assim que Duchamp terminou de falar, Júnior foi teletransportado para muito, muito longe.

Seguir o Júnior?

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