Morrer em um Oceano de Dinheiro Valeu a Pena

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Júnior apareceu em um corredor metálico, o metal construído em um estilo obtuso, curvo e futurista que o deixava inquieto. O brilho prateado refletia luz de canto a canto e o deixava em um leve torpor.

Imediatamente, ele percebeu um vento gelado, ele o ignorou e começou a correr em uma direção aleatória. Ele estava pronto para finalmente prender o ladrão. O perigo deixou de ser uma preocupação a dois universos atrás. Duchamp poderia só levá-lo embora quando as coisas começassem a ficar ruins ou estranhas.

Ele passou por alguns homens com jalecos brancos que olharam em sua direção enquanto ele passava correndo. Eles se pareciam com qualquer outro pesquisador normal que Júnior veria em uma quarta-feira normal no Sítio-99. Um deles parecia uma criança pequena, curiosamente, fumando um cachimbo.

O corredor fez uma curva e Júnior parou ao chegar ao ponto focal da curva. Uma grande janela revelava centenas de naves, cruzadores e outros veículos suspensos no espaço. Estrelas brilhavam além deles e, no fundo, havia nebulosas poderosas que se destacavam com autoridade.

Mais do que nunca, ele estava ciente que estava longe de sua pequena escrivaninha e de seu computador semifuncional. Curiosamente, ele não estava olhando para a vista fantástica com admiração.

Ele estava melancólico; sabendo que a maioria das pessoas gostaria de experimentar as aventuras que ele estava tendo. Ele reconheceu que suas atividades hoje jamais seriam vistas na vida de qualquer outra pessoa.

Mas para Júnior, ser pesquisador da Fundação SCP era apenas um trabalho. Ele era um jovem adulto materialista. Ainda não maduro o suficiente para perceber seu próprio potencial.

"Ei, Duchamp, me avise se eu estiver perto do goblin." Falou Júnior, ainda cheio de vitalidade da poção roxa.

"Ah, o ladrão não está neste universo. Eu sei que tem sido meio difícil para você pegá-lo, então eu pensei que seria bom você pegar um brinquedo que vai ajudar. Segue reto." Disse Ducham enquanto estava sem fôlego. Ele estava em sua própria aventura aparte de Júnior.

"Que brinquedo?" Perguntou Júnior enquanto ele voltava a correr.

"Isso estragaria a surpresa, não acha?"


"Vire à direita no próximo cruzamento." Dizia Duchamp de vez enquanto, agindo como um GPS pessoal.

"Chefe, então, eu estava pensando. Obrigado por me reabastecer mais cedo. E obrigado por me ajudar com aquele bandido de rua." Dizia Júnior ofegante enquanto virava à direita.

"Sem problemas. Mas eu só derramei minha bebida em você. Eu não salvei você nem nada, deve ter sido o ladrão." Esta era a primeira experiência de Júnior com uma entidade anômala. Ele tinha visto algumas de passagem em celas no 99, mas não de perto como foi com o goblin.

"Por que você acha que ele me resgatou então?"

"Eu sei lá, Júnior. Talvez ele esteja apaixonado por você agora que você tem o perseguido há tanto tempo." Duchamp soltou uma risada.

A atitude displicente de Duchamp em relação a tudo novamente veio à tona no fundo da mente de Júnior. Ele estivera preocupado desde a explosão nuclear alguns universos atrás, mas agora, com a cabeça limpa, algumas outras coisas o incomodavam.

Muito oportuno que o ladrão roubou a peruca do Gallagher assim que a reunião começou, não? Pensamentos blasfemos cruzaram a mente de Júnior quando ele chegou ao final do corredor.

Dois guardas estavam de pé no final do corredor. Ambos estavam sentados em cadeiras perto de uma porta blindada de aço. A porta estava estampada com espadas e símbolos variados que Júnior não conseguia decifrar.

Eles ergueram os olhos assim que Júnior chegou à mesa deles.

"Meu item está além daquela porta. Vá lá pegá-lo." Duchamp disse enquanto bocejava.

Os guardas pareciam bem jovens, ainda mais do que Júnior. Eles usavam uniformes de segurança simples. Seus chapéus exibiam uma formulação única do logotipo da SCP que era bastante impressionante.

"Você precisa de algo, senhor?" Murmurou um deles com sarcasmo enquanto olhava para o capacete do Júnior.

"Oi, é. Ahem! Eu gostaria de entrar." Disse Júnior enquanto endireitava as costas, tentando exalar senioridade. Seu jaleco branco parecia ter enganado os homens.

"Claro, camarada. Posso ver sua identidade?"

Júnior fingiu revistar seu jaleco. Ele revirou os bolsos.

"Hmm, eu deixei ela no meu escritório, parece."

"Sem problemas, qual é o seu nome? Posso só inserir suas informações aqui." O outro guarda, já cansado da situação, abaixou o chapéu e fechou os olhos.

"Sim, claro. É…humm…Duchamp."

"Primeiro nome?" Disse o guarda enquanto digitava.

Duchamp falou no fone de Júnior.

"Hah! Espertinho você, não é? Me deixando na mão assim. Meu primeiro nome é Raphael. Vamos ver o que aconteceu. Estou um pouco curioso também."

Júnior disse ao guarda digitando o primeiro nome de Duchamp assim que o ouviu.

Depois de alguns cliques, o guarda que digitava rapidamente bateu no joelho do homem adormecido. Ele descobriu o chapéu e se inclinou para frente.

Ambos se levantaram e caminharam até a frente da mesa. Para a surpresa de Júnior, eles se ajoelharam e se prostraram diante dele.

"Sacerdote do Sol Duchamp! Lamentamos não termos reconhecido adequadamente sua eminência. Você gostaria que visitássemos o arsenal divino com você?" Os guardas ainda estavam se curvando diante de Júnior enquanto falavam.

"Está tudo bem. Esta é apenas uma inspeção normal."

"Obrigado! E por favor, ore por nossa vitória. Não temos certeza se você ouviu os rumores da cidadela, mas a frota Gamma foi abatida pelos luytenianos…"

Um dos guardas estava divagando sobre seus medos para o "Sacerdote do Sol" enquanto o outro ia até o computador para destravar a porta de segurança.

"Não se preocupe, não se preocupe. Prevejo nossa vitória em breve. Nosso destino já foi determinado." Júnior adaptou-se ao papel clerical com facilidade. Ele inconscientemente levantou as costas e falou em um tom mais alto do que antes.

"Obrigado e que Sol esteja com você," exclamou o guarda.

A porta se abriu com um suspiro enquanto as fechaduras pressurizadas se desenrolavam. Com os dois guardas ainda ajoelhados, Júnior entrou no buraco que a porta blindada abriu. As luzes detectaram Júnior e acenderam em resposta. Quando ele entrou, a porta se fechou atrás dele com um barulho alto.

A sala estava coberta por uma miríade de armas, ferramentas e outros apetrechos pendurados nas paredes. Enquanto Júnior perambulava, a voz de Duchamp começou a falar.

"Bom saber que minha variante neste universo parece estar se saindo bem. 'Sacerdote do Sol,' hein, ele é um golpista melhor do que eu, parece." Duchamp riu.

A conversa sobre diferentes variantes fez Júnior pensar em si mesmo neste mundo paralelo. Ele se perguntava se ele era um pouco parecido com ele.

"Ahh, está logo abaixo de você!" Duchamp brincou.

Júnior olhou para baixo e viu um pequeno revólver rosa choque.

"Ahn, você tem certeza?" Perguntou ele com uma expressão confusa. A maioria dos itens na sala eram bastante ameaçadores, então era bastante absurdo que essa fosse a arma que ele estava roubando. Ele teria se sentido mais seguro com o "Desintegrador Atômico" ou "Destruidor de Mentes" que estava mais perto dele.

Mas, como um bom seguidor, Júnior suprimiu seu descontentamento e pegou a pistola. Assim que ele o fez, a sala inteira balançou para o lado e ele caiu no chão. Mas ele se segurou com as mãos.

"Eles me descobriram! Me tire daqui, Duchamp." Antes que Duchamp pudesse responder, Júnior se desmaterializou.

Curiosamente, o balanço não foi devido ao roubo de Júnior. A Coalizão Ortothana de Terzan 2 tinha iniciado seu ataque surpresa à frota principal da Fundação. A Guerra Galáctica estava chegando ao seu clímax.

Seguir o Júnior?

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