O Guia do Comitê de Éticas para Anomalias Humanas
avaliação: +4+x

Introdução

Esse documento foi disponibilizado para todos os funcionários na rede Internacional da Fundação SCP em 04 de Dezembro, 2024 pelo Subcomitê de Éticas para Anomalias Sencientes e Sapientes. A intenção deste documento é providenciar uma revisão compreensiva do que os padrões modernos para o tratamento ético de anomalias humanas envolve, assim como oferecer o discernimento do Comitê de Éticas no tópico. Esse documento é baseado um politicas existentes e no consenso do Comitê de Éticas; este documento tem como intenção ser um conjunto fortemente encorajado de diretrizes atualizadas para a era moderna, embora cite também algumas regulamentações definitivas.


I: Detenção de Anomalias Humanas

Historicamente, mesmo nos casos em que foi demonstrada cooperação imediata, as equipes de Contenção e Recuperação tinham uma política de tolerância zero para permitir que as anomalias humanas fossem livres - ou, em alguns casos, até conscientes - durante o período de transporte do local de coleta até ao Sítio de contenção. Como esse período pode durar de alguns minutos a várias horas, dependendo da localização, ficou claro desde o início que o método estava longe do ideal; no entanto, o risco representado por uma fuga em potencial foi visto como uma ameaça direta à manutenção da máscara e, portanto, nada mudou até a era da operação pública.

No dia presente, anomalias humanas devem ser aproximadas diferentemente. Funcionários da Fundação são mais numerosos e mais frequentemente presentes em áreas públicas, contribuindo para a segurança. O Comitê de Éticas sugere o seguinte como sendo uma base flexível na qual equipes individuais de Contenção e Recuperação podem basear seus métodos; não importa o que, uma destas aproximações é sempre possível.

Conversação deve ser sempre tentada antes de usar força física; é possível que uma anomalia concorde plenamente com sua contenção, mesmo nos casos em que não era esperada cooperação com base em perfis preliminares, e isso já ocorreu antes. Se legalmente aplicável, uma anomalia humana deve primeiro ser abordada em uma área pública por funcionários vestindo roupas à paisana (para não distrair os transeuntes), que devem fornecer prova de identificação da Fundação e explicar as razões legais pelas quais a anomalia precisou ser contatada sobre seus efeitos.

Se não for possível conversar, é possível explicar. Somente se uma anomalia for fisicamente violenta ou extremamente perturbadora é apropriada a restrição física; No momento em que uma anomalia está chamando atenção excessiva para si ou para a situação, ela deve ser removida da área para a segurança do público, dos funcionários e de si mesma. No entanto, uma vez em transporte particular, os funcionários ainda devem tentar explicar a legalidade da situação e a necessidade de contenção da anomalia, além de ouvir suas preocupações.

É importante notar que várias anomalias supostamente afiliadas com grupos hostis à Fundação não estão nesta posição por vontade própria; elas podem estar vinculadas a um contrato que não têm o direito legal de optar por não participar1, estar subservientes às demandas de um grupo e, ao mesmo tempo, demonstre desconsideração imprudente por sua própria segurança ou saúde2, ou simplesmente sintam que a afiliação a um grupo experiente em lidar com o anômalo é uma opção mais segura do que viver por conta própria com seus efeitos. Assim, essas anomalias devem ser abordadas da mesma maneira que as anomalias não afiliadas.

A Data de Contenção Inicial de uma anomalia é o ponto mais influencial na interação da Fundação com ela, já que isso é sua primeira percepção dos motivos da Fundação e seus métodos de operação e vai afetar sua opinião sobre todos os funcionários tomando conta dela pelos próximos anos. Se contenção inicial leva mais tempo com esses métodos do que com métodos de 'força bruta', então é um preço aceitável a ser pago.


Tudo acima assume que a anomalia em questão seja um adulto legal; em casos em que a anomalia for um menor de idade3, politica da Fundação e lei que não é da Fundação se tornam complexos.

Na maioria dos casos, crianças anômalas com efeitos considerados "excessivamente destrutivos e/ou causando danos imediatos ou latentes a outras pessoas ou propriedades" dentro do contexto da lei local aplicável podem ser detidas com ou sem o consentimento dos pais por não mais de três semanas. Depois disso, os resultados variam de acordo com as leis relevantes do estado ou do país e podem resultar em contenção contínua ordenada pelo estado ou liberação ordenada pelo estado para instalações de contenção pertencentes ao estado, entre outras opções.4

Em casos em que consentimento dos pais seja dado, crianças anômalas podem ser contidas indefinidamente da mesma forma que anomalias adultas podem5 e podem ser visitadas pelos pais/responsáveis tão frequentemente quanto for determinado como sendo razoável e seguro por psicólogos nomeados e especialistas de contenção. Desde que pelo menos dois psicólogos considerem necessário para a saúde e os funcionários de contenção da criança o considerem seguro para todos os envolvidos, seus pais/responsáveis poderão residir no local em uma sala adjacente por até duas semanas por mês.


II: Tratamento e Documentação

O Comitê de Éticas incentiva os funcionários a se referirem a uma determinada anomalia humana por seu nome e pronome preferenciais, em vez de por sua designação SCP quando presentes; fazer isso não tem efeito notável na documentação formal e é psicologicamente benéfico para a anomalia.

No passado, a grande maioria das anomalias humanas era não complacente e/ou hostil, principalmente devido à falta de conhecimento público da existência da Fundação e à visão negativa da Fundação pela maioria dos grupos informados. Esse padrão de comportamento consistente permitiu regulamentações relaxadas que permitiam às equipes de pesquisa individuais determinar quais privilégios uma anomalia humana deveria ou não deveria ter. Essa abordagem não conduziu à cooperação; boatos se espalharam por adolescentes que não eram permitidos livros ou entretenimento por causa de uma "má atitude" e por seres humanos idosos cujos pedidos de amenidades "luxuosas", como colchão mais macio ou cadeira de mesa, foram negados por serem "desnecessários", o que criou um ambiente sufocante prejudicial à saúde das anomalias.

Em resposta a isso (e talvez muitos anos atrasados) um padrão de privilégios para toda a organização foi desenvolvido e instalado pelo Comitê de Éticas, em uso desde março de 2023:

Classificação Faixa de Identificação Parâmetros Qualificadores Requerimentos/Permissões
I (Contido) vermelho Ou a anomalia esteve em contenção desde antes da Fundação se tornar pública ou tentou ativamente esconder sua posse de efeitos anômalos enquanto originalmente estava sob investigação, e em ambos os casos continua sendo não-cooperativa e hostil. A anomalia não pode deixar sua câmara, a menos que seja para fins de pesquisa, e não é permitida usar roupas simples ou possuir itens não aprovados diretamente em assinatura pelo(s) seu(s) especialista(s) de contenção, devido à ameaça à segurança.
II (Contenção Limitada) laranja (Não importando a história) a anomalia é imprevisível, significando que pedidos razoáveis são frequentemente negáveis e explosões comportamentais são possíveis, mas é mostrada alguma cooperação. A anomalia não pode deixar sua câmara, a menos que seja para fins de pesquisa, e não é permitida usar roupas simples ou possuir itens não aprovados diretamente em assinatura pelo(s) seu(s) especialista(s) de contenção, devido à ameaça à segurança.
III (Complacente) amarelo (Não importando a história) a anomalia tem sido consistentemente (>3 meses) não hostil para funcionários da Fundação, não nega pedidos razoáveis, e demonstra compreensão do porque sua contenção é necessária e/ou como seus efeitos anômalos funcionam/como controlar eles se aplicável. (Exceto em casos de exceção direta devido a efeitos) a anomalia pode sair de sua câmara com a supervisão de dois ou mais funcionários classe-C qualificados e tem permissão para vestir roupas comuns (com cartão de identificação visível) e ter items dados a ela por funcionários ou itens providenciados externamente por civis que foram escaneados e não comprometem a segurança ou representam uma ameaça para a anomalia ou funcionários.
IV (Civil Limitado) verde Ou a anomalia foi recentemente contida ou ainda legalmente mantem sua identidade civil; adicionalmente, a anomalia tem sido consistentemente (>3 meses) não hostil para funcionários da Fundação, não nega pedidos razoáveis, e demonstra compreensão do porque sua contenção é necessária e/ou como seus efeitos anômalos funcionam/como controlar eles se aplicável. (Exceto em casos de exceção direta devido a efeitos) a anomalia pode visitar áreas públicas com a supervisão de dois ou mais funcionários classe-C qualificados e tem permissão para vestir roupas comuns (com cartão de identificação visível) e ter items dados a ela por funcionários ou itens providenciados externamente por civis que foram escaneados e não comprometem a segurança ou representam uma ameaça para a anomalia ou funcionários.
V (Civil) azul A anomalia era originalmente não-anômala e desenvolveu efeitos com gravidade não suficiente para impactar o mundo ao redor para exigir (ou, em alguns países, legalizar) a contenção em Sítio. A anomalia reside fora de Sítio, é monitorada por funcionários apropriados, fará contato com funcionários se efeitos piorarem e pode pedir para funcionários detê-la se surgirem preocupações de segurança.

Embora o sistema acima não inviabilize casos extremos, os dados dos relatórios de pesquisadores psiquiátricos indicaram uma melhora geral no estado de saúde mental de humanos contidos desde o início do sistema.


III: 'Complacência Doentia'

Embora a complacência como característica geral seja geralmente desejável em anomalias contidas, há circunstâncias em que expressá-la pode significar sérios problemas psicológicos. O Comitê considera necessário chamar a atenção para esse tópico não apenas ao informar os psicólogos da Fundação, mas em comunicação com todos os funcionários da Fundação em todos os níveis, através deste documento.

Em julho de 2022, seguindo investigação das causas raiz de um caso flagrante de má conduta de funcionário, o Comitê de Éticas definiu a Síndrome de FSD(Síndrome de Falha na Subserviência de Dependência, às vezes referida a como Síndrome de Estocolmo-FSD) como "uma mentalidade sob a qual a anomalia humana em custódia da Fundação primeiro reconhece ser dependente da Fundação devido aos seus traços anômalos, mas então transforma esse reconhecimento em sentimentos de obrigação de complacência com demandas até irracionais dos funcionários, culminando com a conclusão de que ela não 'vale' os recursos da Fundação e/ou que elas devem aos funcionários algo em troca dos recursos da Fundação."

Embora a Síndrome FSD possa parecer idêntica à Síndrome de Estocolmo, ela é definitiva em casos genuínos. Não sendo considerada possível fora de contextos como a custódia da Fundação, em que os efeitos anômalos de uma pessoa não apenas impedem a rápida reintegração na sociedade, mas também induzem nelas a consciência de que a Fundação tem mais controle sobre ela do que ela e precisa ter esse controle para para garantir sua segurança. Anomalias com síndrome DSF atendem a alguns ou todos os seguintes parâmetros:

  • A anomalia era não complacente quando inicialmente contida e apenas se tornou amigável para funcionários da Fundação após reconhecer os resultados estabilizadores da contenção.
  • A anomalia não deseja possuir efeitos anômalos, não tem interesse na possibilidade de controlar seus efeitos ou considera sua natureza anômala indesejável.
  • A anomalia tem efeitos que não são possíveis de serem contidos apenas pelo uso de tecnologia e requerem interação com funcionários.
  • A anomalia tem efeitos que requerem procedimentos fisicamente ou emocionalmente invasivos frequentes a serem realizados pelos funcionários.

Em todos os casos registrados de anomalias afetadas pela Síndrome FSD que eram (ou teriam sido consideradas se o sistema estivesse em vigor) Classes I a III; anomalias com acesso contínuo ou recente a seus estilos de vida civis parecem estar minimamente em risco. Os sinais de que uma anomalia desenvolveu a Síndrome FSD podem incluir, mas não estão limitados ao seguinte:

  • Expressar simpatia pelos funcionários que pode ser descrita como um comportamento anormalmente afetuoso ou "pegajoso".
  • Uma fixação com a noção de remoção de seus efeitos anômalos, priorizada sobre sua própria saúde física e mental.
  • Expressando que elas vêem a Fundação como sendo mais importante do que elas são.
  • Tratando funcionários como representativos iguais da Fundação como um todo ao invés de como especialistas ou indivíduos, e fala com funcionários em uma linguagem que claramente transmite essa generalização.
  • Fazendo avanços inapropriados para ou ofertas a funcionários, especialmente de natureza intima, e especialmente se ações forem oferecidas em troca de tratamento que estaria em vigor independentemente disto (como receber comida).
  • (início precoce) (pode ser influenciado ou exacerbado por uma doença mental não relacionada, se aplicável) Vivenciar períodos de atitude 'invertida' em relação à Fundação, significando pequenos episódios aleatórios de expressão de ódio e não-complacência antes de voltar ao ponto de vista oposto.

É importante observar que alguns sinais da síndrome FSD podem ser benignos quando isolados, mas grupos de comportamentos que se encaixem a esses padrões justificam investigação psiquiátrica e/ou envolvimento do Comitê de Éticas.6

A principal preocupação do Comitê é que a Síndrome FSD abre oportunidades para que ocorram abusos. Uma anomalia com a síndrome FSD normalmente obedece a quaisquer ordens dadas, e a Fundação não é e nunca foi imune à corrupção; O emprego na fundação oferece várias posições que permitem o controle total sobre um grupo de pessoas ou uma pessoa e, como o mundo civil nos mostrou casos policiais e similares, algumas pessoas que desejam exercitar sua vontade em outros para seu próprio ganho buscarão posições de poder para esse fim. Agora que o emprego da Fundação está aberto ao público, o Comitê de Éticas deseja enfatizar que deve ser tomado mais cuidado do que nunca na designação de funcionários altamente avaliados para cargos que envolvam influência direta ou acesso a anomalias.

Finalmente, o Comitê pede a todos os funcionários que considerem como o ambiente e a cultura influenciam o quadro de referência e, portanto, como a falta de respeito pelos direitos básicos das anomalias humanas, do ponto de vista supostamente 'clínico', pode ser um fator contribuinte perigoso em contextos em que a síndrome FSD pode se desenvolver e/ou a corrupção pode ser convidada circunstancialmente.


Visão Geral

A principal obrigação da Fundação para com anomalias humanas é protege-las, seja de si mesmas, Grupos de Interesse, ou do mundo civil. A 'frieza' característica da Fundação geralmente não é apropriada para anomalias humanas; em vários casos somos a única força no planeta capaz de providenciar para um humano anômalo, e nenhum humano anômalo deve sentir como se ele fosse nada além de uma curiosidade cientifica.

Contenção e proteção são conceitos interconectados; priorizar proteção não significa negligenciar a contenção, mas significa aproximar a contenção de uma forma diferente do que fazemos com anomalias inanimadas e não sapientes. Apenas reconhecendo nossa humanidade compartilhada que a Fundação pode preencher com sucesso suas obrigações para com anomalias humanas; a humanidade definiu o que é e o que não é 'anômalo', e enquanto uma anomalia sapiente é capaz de compreender sua própria existência, apenas um humano anômalo deve viver sua vida com o conhecimento de que sua própria espécie não os considera como uma parte absoluta dela.

Publicado pelo Subcomitê de Éticas para Anomalias Sencientes e Sapientes, Dezembro 2024. Interno; indisponível para visualização pública e discussão. Inquéritos diretos devem ser direcionados a Elaine Starck ou Dr. John Blanchard.

Salvo indicação em contrário, o conteúdo desta página é licenciado sob Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 License