Todo Mundo Sabe
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"Quantas pessoas será que a Fundação emprega?"                                                                                                                          
David Wilford era um membro de um pequeno clube de homens na Virgínia Ocidental. Bem, eles o chamavam de um clube de homens. O nome era de digno demais para um grupo de cinco homens casados que ocasionalmente iam a uma cabana no meio da floresta para assistir ao Jogo, beber umas cervejas, e peidar alto sem suas esposas fingirem engasgar sentadas perto deles.

David esqueceu de fechar o compartimento secreto em sua carteira. Ele não sabe disso, mas com esta ação ele condenou a feliz ignorância de todo o mundo que atualmente não é ciente do anômalo. Lá vai ele se abaixar para pegar sua cerveja. Isto é cinco… quatro… três… dois…


Um documento de identificação adornado com um certo escudo-e-flechas de três pontas caiu do bolso de David e aterrissou com a face para cima na mesa. David olhou em choque por uns momentos cruciais, permitindo que John, Marco, Ricky, e Glen vissem o símbolo. Todos eles simultaneamente quebraram o silêncio..

“Dave, você trabalha para a…”

Eles todos pausaram, e então se olharam surpresos ao perceber que os outros haviam dito exatamente a mesma coisa.

Dave se juntou ao coro. “Vocês sabem sobre a Fundação?”

Houve um bis. “Sei? Eu trabalho para a Fundação. Como é que vocês…”

Houve outro silêncio, que os quatro outros homens usaram para revelar seus próprios documentos com olhares tímidos.

“Nível 3. Engenharia Anômala,” disse Marco lentamente.

“Nível 2. Assistente de Pesquisa,” disse Glen.

“Relações Exteriores,” disse Ricky.

“Nível 4. Pesquisador Chefe, SCP- er… classificado,” disse David, meio envergonhado.

“FTM Lambda-64,” disse John.

Eles olharam uns pros outros e começaram a gargalhar. Eles passaram a noite trocando histórias não-classificadas, e acabaram cambaleando para casa muito mais tarde e muito mais bêbados do que o normal. David esvaziou seus bolsos no criado-mudo, tirou suas roupas, e conseguiu se deitar sem acordar Sandra.

David acordou com Sandra o chacoalhando. Ele grunhiu, sua cabeça chacoalhando, sua boca seca, e olhou para ela. Ele ficou sóbrio quase que imediatamente ao ver que ela segurava seu documento em sua mão.

Sem falar nada, ela mostrou a outra mão. Havia outro documento com a foto dela.

Ele pegou o seu de volta, olhou para sua esposa em silêncio, então disse:

“Quantas pessoas a Fundação realmente emprega?”


“Desculpa, mas é classificado. Nem mesmo eu sei,” disse a Diretora de Sítio Juarez às dez pessoas em pé na frente de sua mesa. À pedido de David, os homens foram todos para suas esposas, documento em uma mão, amnésticos na outra, e, certamente, nenhuma pílula foi engolida aquela noite.

“Okay,” disse a esposa de John. “Pode dizer quantas pessoas trabalham neste Sítio?”

“Não.”

“O número de pessoas da nossa cidade que trabalham aqui?” David sugeriu.

Não.

“Vamos lá, Diretora Juarez. Não precisamos nem mesmo de um número exato,” Glen pediu. “Sem nomes, sem informações pessoais. Só nos dê uma porcentagem aproximada. Quero dizer, você sempre pode nos dar amnésticos depois. Certamente você não está um pouquinho curiosa sobre a probabilidade de tão enorme coincidência acontecer?”

A Diretora Juarez hesitou por alguns momentos, agonizando, então finalmente abriu seu computador, abriu os arquivos de funcionários, passou pelos múltiplos firewalls que previnem acesso total, e achou o número de funcionários do sítio vindos da cidade de David.

Ela buscou a população total.

Ela abriu sua calculadora, e dividiu o primeiro número pelo segundo, então olhou para os resultados. Eventualmente, o grupo discretamente andou para seu lado da mesa e viu o número que ela havia obtido.

74,6943888

A Diretora Juarez disse, "Quantas pessoas será que a Fundação emprega?”


“Diga à Diretora que a informação é classificada, como ela bem sabe,” O5-8 disse ao telefone. Ela o abaixou e se virou para os outros membros do Conselho. “O que vocês querem dizer com não sabemos?”

“Bem, você sabe como trabalhamos, Oito,” disse O5-4. “Informação demais é perigosa, até para nós. Ademais, com as nossas taxas de rotatividade, um número exato nunca foi possível-”

“Bem, eu quero um. Só para satisfazer minha curiosidade. Três. Você já tem?”

“Uh… eu tenho,” disse a voz vinda do computador. “É… bem…”

O número apareceu na tela. O resto do Conselho O5 olhou.

3.496.974.222

O5-5 quebrou o silêncio: “Tem alguém que não saiba sobre anomalias em nenhum nível?”

“Eu não sei,” disse O5-8, seus lábios pressionados, “Mas quero descobrir.”


Os usuários da Biblioteca, e na verdade, qualquer um que tivesse um cartão da Biblioteca, estando nela ou não, olharam para cima quando uma voz eldritch explodiu em suas cabeças.

“Poderiam todos os usuários da Terra da linha do tempo B-173 brevemente pararem e levantarem suas mãos para uma pesquisa do Bibliotecário Chefe?”

O Bibliotecário Chefe ajustou seus óculos, e olhou para a carta à sua frente. Então, ele levantou sua cauda e começou a apontar e contar. “Vejamos… 1, 2, 3…”

Quando ele chegou às dezenas de milhares, vendo quantas pessoas faltavam, ele desejou que tivesse dedos para contar.


Jack Dawkins, também conhecido como O Crítico, olhou para a tela à sua frente, e de volta para o fax em suas mãos.

“São todos?”

O artista à sua frente disse, “Sim, Crítico. Cada ponto no mapa representa um anartista ativo no mundo. Eu o baseei naquele trabalho que você fez lá em ’09 quando você—“

“Sim, eu consigo ver.” O tom do Crítico deixou claro que ele não estava contente com derivados de seus trabalhos sendo feitos.

O artista hesitou. “Er… quando você apertar este botão, em teoria deveria matar ou pelo menos incapacitar todo artista que não tem nossa—”

“Maldição!” o Crítico gritou. “Quantas vezes eu disse para não fazer esta porra? Qual é a porra do ponto em fazer um trabalho que mate qualquer um que olhe para ele? O maldito ponto da arte é mandar uma mensagem! Como diabos a sua audiência vai entender qualquer coisa de uma obra quando ela arranca suas cabeças e as enfia em seus cus ou alguma merda assim? Isso não é arte, é uma puta merda!”

Após alguns momentos, a artista gaguejou, “e-então… eu deveria fazer o botão se livrar de pessoas cuja arte matou pessoas?”

A face do Crítico ficou sem expressão por um segundo, então ele apoiou sua cabeça em suas mãos. “Não. Tenho um mau pressentimento de que as pessoas restantes estariam nos dois dígitos. Prefiro viver em ignorância. Apenas embrulhe aquele número em um meme não-letal e o mande adiante.”


Os números chegaram. Um envelope requintado feito de alguma árvore rara chegou da Marshall Carter e Dark. Um autômato chegou com um envelope e um pedido de $10.000 dólares. A Igreja do Deus Quebrado enviou três mensagens: uma por email, uma atirada de um canhão a vapor, e uma em um pássaro que era lentamente convertido em engrenagens. Todo Grupo de Interesse, grande e pequeno. Toda pessoa anômala. Os O5’s puseram tudo no computador, e o esperaram cuspir uma lista de nomes. Qualquer um que não estivesse em nenhuma das listas enviadas a eles.

Finalmente, a impressora zumbiu e fez barulho, e os O5’s tinham sua resposta.

Não era bonito.


Jeremiah Wuthers andou até seu apartamento e caiu pesadamente na frente da TV. Ele estava cansado, e pronto para descansar pelo resto da noite. Ele mudou o canal para a FOX, mas ao invés de ser recompensado com as aventuras malucas de várias caricaturas amarelas, havia o que parecia uma sala de reuniões, cheia de figuras sombrias vestindo vários símbolos estranhos. Confuso e um pouco irritado, Jeremiah mudou para a TBS, e viu a mesma cena, ele olhou todos os canais em seu pacote de TV a cabo, com o mesmo resultado.

Algum anúncio do governo? ele pensou. Então, uma das figuras na tela falou.

“Olá, pessoas da Terra. Quase todos vocês encontrarão exatamente nada de chocante no que eu estou prestes a dizer, mas, todos os mitos são verdade. As leis da física estão mais próximas de sugestões, e o mundo é povoado por monstros, deuses e seres humanos com o poder de reescrever a realidade em si.”

Várias imagens dos seres descritos pela figura apareceram na tela.

“Meu nome é O5-8, e sou uma das líderes da Fundação SCP. Convocamos esta reunião, com representantes de quase todo grande grupo que lida com anomalias para informar ao mundo que, em algum nível, todo mudo sabe.

“Sim, nós fizemos os cálculos, e checamos duplamente, e o número de pessoas que nunca tiveram absolutamente nenhum contato com qualquer faceta do mundo anômalo é de aproximadamente… uma pessoa.

“Esta reunião é uma mensagem. O véu está levantado, a máscara dissolvida. Aparentemente isso foi tantos anos atrás e ninguém percebeu. Por favor atentem-se ao fato de que todos os grupos concordam com uma coisa: Fundamentalmente, isso não muda nada sobre os objetivos de ninguém. Para a Fundação, ainda há uma normalidade básica no mundo que permitiu a existência da vida até agora. Isso ainda vale a pena ser protegido, e é esse nosso propósito. E para o Sr…” Aqui a figura olhou para o papel à sua frente. “…Jeremiah Wuthers, se você tiver qualquer dúvida, você pode ligar para o número abaixo.”

Um número apareceu brevemente na tela, então a sala de reuniões desapareceu, bem a tempo de Homer colocar suas mãos ao redor do pescoço de Bart. Jeremiah olhou por uns momentos, então se encostou para assistir e se amuar um pouco.

“Huh, eu sabia totalmente o tempo inteiro,” ele resmungou para si mesmo.

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