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Oh olá, Rex.
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Sim, eu to bem, só pensando.
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Bem, quando eu era uma criança eu tinha um cobertor. Era grande e azul, e eu o chamava de 'Fanfa'. Ele era tudo que eu precisasse; um cobertor, uma bolsa, uma capa, qualquer coisa. Eu levava ele para onde quer que eu ia e nós fazíamos tudo juntos. Chama-lo de meu amigo imaginário seria um equivoco porque eu sabia que ele era só um cobertor, mas eu escolhi trata-lo como um objeto vivo. Eu não tenho certeza o por quê.
Eu lembro quando tinha uns seis anos e ele ficou com um buracão. Eu não lembro como isso aconteceu, mas eu lembro que aconteceu, e estava tão arrasada com isso que eu estava chorando e implorando para minha mãe consertar. Ela se ofereceu a comprar um novo, mas não, eu queria meu Fanfa. Eu não aceitaria mais nada. Ela, eventualmente, conserto e eu lembro que eu era extremamente cuidadosa com ele para ter certeza que nada parecido acontecesse de novo.
Eu continuei a fazer tudo com o Fanfa por talvez outro ano e algo mudou. Eu já estava com ele por quatro anos naquele momento, e ele estava cheio de manchas, de pequenos buracos, e ele não parecia ser ele mesmo. Como eu me importava tanto com ele, minha mãe o dobrou e colocou ele em um pequeno pote de plástico e guardou no meu quarto para que eu nunca o perde-lo. Se minha memória estiver correta, ele ainda está lá depois de todos esses anos.
Mas eu lembro de me sentir miserável quando o Fanfa foi tirado de mim. Eu entendo o por que isso aconteceu, eu tinha que crescer alguma hora e a quantidade de amor e…. eu acho que você pode chamar de uma 'obsessão'… De qualquer forma, a 'obsessão' que eu com aquele cobertor era estranha para minha idade. Eu tinha seis ou sete, eu não me lembro, mas como eu disse, eu estava miserável. Eu acho que aquela foi a primeira fez que eu me senti deprimida. Deprimida por que eu fui forçada a desistir do meu melhor amigo e brinquedo favorito.
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Estou chegando lá.
De qualquer forma, isso me fez pensar sobre o que nós fazemos. Eu sei que fazemos o que estamos fazendo porque é necessário, e mesmo se não fosse, nós ainda somos pagos para fazer isso, então… você sabe o que quero dizer? Mas só estou divagando. Quando nossos agentes de campo levam aqueles brinquedos de crianças… eu sei que eles vão ser amnestizados para não lembrarem de nada. Mas imagine se você fosse uma daqueles crianças. Seus pais compram para você esse novo Amigo-Robô incrível de algum fabricante de brinquedos misterioso e isso é a coisa mais magica que você já experenciou. Porque é mágico. Isso foi feito pelo Wondertainment em si. Imagino quantas conexões você faria com algo tão único sobre tantas coisas mundanas.
Deus sabe quanto tempo leva para nossos agentes de campo perceberem de quem e onde as pessoas compraram essas coisas. Uma criança pode ter feito algumas das memórias que definirão sua vida com o brinquedo antes de qualquer um de nossos caras descobrisse que precisa pegá-lo. E só… eu não sei. Eu me coloco muito no lugar deles. Eu não sei o que eu faria se alguém tentasse roubar o Fanfa de mim à força. É claro, eu provavelmente não me lembraria; Eu nunca fui amnestizada ou pelo menos eu não lembro de ser amnestizada.
Mas… eu senti muita raiva e ressentimento pelo meus pais por fazer o que eles fizeram com o Fanfa. Eu estava brava por eles levarem minha coisa favorita pra longe. Imagine se um estranho invadir sua casa e fazer a mesma coisa. Naqueles momentos antes dos amnesticos serem implantados e tudo que você sabe é que esse estranho em roupas táticas havia arrancado seu Amigo-Robô de suas mãos sem motivo ou razão… isso está me consumindo, cara.
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Eu sei, eu sei. Assegurar, Conter, Proteger. E sim, eles não vão se lembrar disso, mas… o sentimento se mantem, sabe? Enterrado profundamente em algum lugar em seus cérebros eles sabem que eles sentiram uma dor imensa e eles nunca vão ser capazes de localizar. Porque aqueles momentos se foram como uma vela ao vento.
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Sim, desculpa. Eu estou tento um dia estranho. Eu vou ver você no laboratório em alguns minutos. Eu acho que eu vou ligar pros meus pais antes.





