Filhos Do Todo-Poderoso
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Era uma bela manhã de sábado, os pássaros cantavam glórias ao Iluminado e o grande olho que era o Sol nascia no horizonte vermelho para por mais um dia olhar para Terra, um dos poucos planetas selecionados pelo 'grande e iluminado' para ascender e renascer, ou pelo menos é isto que dizem as sagradas escrituras do 'grande' Iluminado.

Filho, em verdade eu devo dizer-lhe. O Iluminado, é uma farsa. Seu culto, se baseia em mentiras. Nada mais é isto do que a luta entre Deus e Lúcifer, o anjo caído que se voltou contra seu criador. Exceto que um deles é adorado sem precisar fazer lavagem cerebral e espiritual do ser de seus adoradores. Um deles é a mais pura encarnação de tudo que há de maligno e perverso e o outro é Lúcifer.

Tudo que é santo cospe na cara do Iluminado. O próprio Lúcifer cospe na cara do Iluminado, enojado por seus crimes contra a criação.

O nome do grupo… Não havia nome. Chame-nos de Filhos do Todo-Poderoso se quiser, este é o nome que eu pessoalmente prefiro, este é o nome que o Padre prefere. Chame-nos de um culto anômalo, mas na realidade nós somos aqueles que sobreviveram ao apocalipse, nós somos aqueles que escaparam do apocalipse.

Nós cuspimos na cara do Iluminado e com alegria dançaríamos em seu túmulo de um ser imortal.

Talvez eu precise explicar melhor toda esta história. Vamos lá então. Se recline em sua cadeira, meu filho, vou lhe contar uma história que começou em uma bela manhã de sábado e que terminou em salvação, verdadeira libertação.

Onde eu estava? Ah, é mesmo.


Era uma bela manhã de sábado, os pássaros cantavam, flores floresciam e o Sol nascia no horizonte azul para por mais um dia iluminar a Terra, para mais um dia normal como outro qualquer na periferia de Salvador.

As crianças que brincam nas ruas ainda dormiam em suas casas, as ruas começavam a se encher de carros. Um carro em particular saía de uma casa em particular onde vivia um jovem chamado Mauricio, sinalizando a saída de sua mãe para um dia daqueles de trabalho pesado no outro lado do estado.

Assim que ele ouviu o portão da garagem se fechar, o jovem Mauricio imediatamente pulou da cama, pronto para virar o dia jogando um jogo de tiro em particular cujo nome eu me esqueci, sabendo que sua mãe só voltaria na próxima semana. E ele sabia que podia fazer isso, já que sua avó definitivamente não se importava com ele virando a noite jogando, quem dirá ficar o dia inteiro sentado na frente daquele computador, desde que ele não fosse muito barulhento e desde que ele se lembrasse de fazer suas tarefas rotineiras, afinal, ele não tinha horário mesmo. A escola só começava no próximo mês, tempo o suficiente para recolocar seu relógio biológico nos trilhos.

Tudo foi planejado aos detalhes para ser o dia perfeito de jogatina: seus amigos foram avisados e eles também fizeram seus planos para gastar o dia, senão a maior parte dele, jogando com Mauricio, ele já lidou com as tarefas mais trabalhosas ao longo da semana para não precisar fazê-las ou poder só fazer elas superficialmente, uma placa de 'não perturbe' na porta, para sua avó, lanches e doces comprados para serem consumidos ao longo da jogatina, uma garrafa de coca-cola de 2 litros cheia de água gelada com um grande bloco de gelo dentro depois de um dia no congelador. Tudo nos conformes para uma sessão perfeita de jogatina, basta fazer logo todas as tarefas que precisam ser feitas para já tirá-las do caminho.

Mauricio engoliu seu café da manhã, mastigando como se não houvesse o amanhã e já correu para levar o lixo da festa do dia anterior para fora.


Era uma bela manhã de sábado, os pássaros cantavam glórias ao iluminado e o grande olho que era o Sol nascia no horizonte vermelho para por mais um dia olhar a Terra.

Se o Sol era de fato um olho gigante quando visto do espaço ao invés da Terra, só os astronautas que estavam no espaço durante o apocalipse saberiam dizer. Se o Sol ser de fato um olho gigante era ou não uma anomalia visual, somente o Todo-Poderoso seria capaz de dizer.

Desde a vitória do Iluminado sobre o Todo-Poderoso neste e em vários mundos, nosso culto tem tido dificuldades em sobreviver. Porém nós ainda temos esperança, pois o Todo-Poderoso ainda está ao nosso lado.

A cada dia que passava a gente perdia mais e mais membros para os adoradores do Iluminado. Nós não podíamos fazer nada além de orar ao Todo-Poderoso e rezar pelas almas daqueles massacrados e dilacerados pelos adoradores.

Nós não tivemos outra escolha além de comer a carne de nossos irmãos, nós não tivemos outra escolha além de disparar contra nossos irmãos reanimados.

Os adoradores… braços tão longos quanto pernas e mandíbulas desumanas. Pele inexistente que ao chão derreteu e caiu revelando carne viva. Ossos e unhas amaldiçoadas a dar glória ao Iluminado por toda a eternidade, indestrutíveis.

Que caia a pele, que queime a carne, que jogue paus e pedras, mas o osso e as unhas permanecerão a dar glórias ao Iluminado.

O que antes era um culto de pelo menos 43 pessoas hoje é um culto de 10 pessoas. Mas enfim uma mensagem hoje o Todo-Poderoso enviou aos seus filhos.

« Filhos e filhas, por vós eu sinto muito ao dizer-vos isto, mas por vós nada poderei eu fazer contra o Iluminado neste mundo. Perdida foi a luta, mas começando está a guerra contra o inimigo que salvador se diz, porém de vós eu preciso. Quando ao seu auge nos céus a Lua cheia do Iluminado chegar, badalai aos 3 sinos para os quais guiam as minhas estrelas e no centro dos 3 sinos badalados se encontreis para que deste mundo perdido vós sejamos levados, rumo a um mundo onde o Iluminado não foras vitorioso. Sejamos fortes e tudo passarás, sejamos fortes e o Iluminado derrotado será. »


A casa foi varrida superficialmente, o suficiente para sua avó não reclamar e o café da manhã de sua avó já foi preparado e servido. O pano já foi passado ontem na mobília da casa e o cachorro foi alimentado, embora ele parecesse estar nervoso com algo, mas Mauricio simplesmente ignorou isso como sendo coisa típica de cachorro.

O cachorro chamado carinhosamente de Rex, nome genérico mas enfim, estava encolhido no canto do muro da casa, logo ao lado da grande mangueira verdejante do jardim que era o orgulho da mãe de Mauricio, fazendo barulhos como se com medo de alguma coisa.

Ver o cachorro encolhido no canto do jardim fez Mauricio se lembrar de regar as plantas.


Os Filhos do Todo-Poderoso tinham um mapa da região periférica de Salvador, eles sabiam exatamente de que sinos o Todo-Poderoso mencionara em sua mensagem: os sinos das antigas três igrejas da região que hoje caem aos pedaços assim como todo o restante de Salvador.

O grupo sabia onde os sinos que deveriam ser badalados estavam. O grupo sabia quando os sinos a serem badalados badalados deveriam ser. Mas o grupo badala-los não sabia como.

Não me entendeis errado, o grupo sabia como badalar um sino, uma tarefa mais simples do que esta vós quereis? Não, eu me refiro a o quê irá badalar aos sinos, o grupo não sabe se eles teriam tempo para chegar no local entre os três sinos após badala-los, o grupo não sabe o que aconteceria quando os três sinos forem badalados, mas o grupo sabe que os sinos devem ser badalados.

Jorge, antigo pai de 3 e viúvo de uma belíssima esposa, se ofereceu para badalar ao sino do sul.

Ronaldo, filho de Jorge de 23 anos, propunha utilizar o gerador do culto para alimentar ao sistema automático do sino do leste.

Reginaldo, antigo motorista de ônibus e pai viúvo de 1, propunha usar o ônibus da empresa em que trabalhara para transportar o grupo e o máximo de suprimentos o possível para o centro dos sinos.

Por fim, Alice, a mais bela do grupo, se ofereceu para badalar ao sino do norte.

Com a aglomeração de adoradores pelas ruas do bairro, o ônibus seria a única maneira viável de viajar pelas ruas sem que o grupo fosse dilacerado pelos adoradores, mas para isso fortificações no ônibus talvez fossem necessárias para dar conta de tantos adoradores.

Marcos, o único mecânico do grupo, morrera 2 semanas atrás, mas para trás deixara seus equipamentos. O estacionamento do grupo era cheio de carros abandonados dos próprios membros do culto, então eles já tinham o material e as ferramentas para iniciar o trabalho.

Menos de 18 horas eles tinham para fazer tudo.


"Filhos da puta!", gritou Mauricio, cuja dupla acabava de perder contra a outra dupla de amigos: Vanexo e Alex123.

"Ó a boca rapaz," disse Alex123, "quer acordar o velho Marcos da esquina com essa sua boca suja moleque?", ele riu.

"Cala a boca porra!" Disse Mauricio. Vanexo apenas rindo durante esta troca.

"Ui ui! Alguém está estressadinho!" Ria Alex123, "vai chorar para a sua avó?"

"Odeio vocês," disse Mauricio. "Vou soltar um submarino no banheiro, já volto."

"Ui ui! Mauricio vai soltar o barroso!" Ria Alex123, "Definitivamente não é uma desculpinha para dar um mini ragequit." ria Vanexo.

"Vão à merda porra," ria Mauricio, "sejam adultos ou eu vou ai na casa de vocês dar uns tabefes até vocês calarem a boca."

"Os tabefes nãoooo", gritava falsamente AL_Gaymer, a dupla de Mauricio que estava calada até aquele momento.

"Mauricio meu querido! Hora de almoçar!" A avó de Mauricio falou, abrindo a porta do quarto.

"Vocês ouviram," disse Mauricio.

"O almoço nãoooo", gritava falsamente AL_Gaymer de novo.


Ronaldo e Bruno partiram rumo à igreja do leste para instalar lá o gerador o quanto antes. O local do culto, porém, deixado em escuridão não foi. Painéis solares instalados no telhado convertiam a energia do tenebroso olho que era o Sol em energia elétrica utilizável, porém com o pequeno problema de que eles produziam muito pouco. Ao ponto de que as luzes sozinhas já eram suficientes para deixá-los próximos ao limite.

Seguindo de muro em muro, de telhado em telhado, os dois seguiam rumo ao leste tentando evitar ao máximo as aglomerações de adoradores nas ruas, raramente dando de cara com um adorador preso em sua própria casa, que os ignorava completamente, da casa tentando sair para dar glórias e ao Iluminado adorar.

Jorge e Alice por volta das 9 horas da noite partiriam, próximo ao horário pelo Todo-Poderoso mandado.

O grupo começou seu trabalho de reforçar o ônibus até o anoitecer no estacionamento, portas do estacionamento abertas e com apenas uma pessoa vigiando, já que os adoradores ocupados demais estavam adorando ao Iluminado para se importarem de invadir o estacionamento onde o grupo a trabalhar está.

Na distância um pássaro iluminado assistia ao grupo e o grande olho do Sol olhar diretamente para o grupo parecia estar.

Barulhos de metal tomavam o ar.

BLEM, BLEM, BLEM

O sino do leste tocava.


Um sino tocava à distância ao leste da casa do Mauricio, marcando o início das 6 da tarde de um sábado como outro qualquer. O Sol no horizonte a meramente uma hora de se pôr e o outro lado deste mundo iluminar.

Ao sul e ao norte outros dois sinos tocavam, mas isso mal se registrou aos ouvidos de Mauricio, abafados pelo som de tiros e de uma guerra virtual inacabável cujo fim era eminente mas cujo fim apenas representava um novo começo.

Mauricio conseguiu um killstreak de 7, seu novo recorde pessoal.


O grupo havia instalado uma barreira na frente do ônibus, e estava no processo de barricar as janelas, quando um barulho familiar começou: o tocar de trombetas.

"Merda," disse um dos membros.

Na distância estava Moacir, líder da divisão do culto do Iluminado da Bahia, com um livro em suas mãos, e, acima dele, uma figura de luz a flutuar estava. Chovia sangue ao redor do grupo de adoradores que seguiam seu mestre, o Iluminado.

Uma luz cegante que o grupo já sabia tão bem o quê significava, a luz da benção do Iluminado, se emitia e cada uma das estrelas no céu se apagou em respeito à luz da falsa divindade.

"Precisamos ir agora!", gritou o padre, líder do grupo.

Somente a frente do ônibus e algumas das janelas haviam sido reforçadas com partes dos carros presentes no estacionamento. O grupo pegou tudo que podia e saiu rumo à casa no centro do triângulo formado pelas igrejas.

O ônibus seguia pelas ruas de Salvador, atropelando dezenas de adoradores, que por sua vez se levantavam e começavam a andar em procissão na mesma direção que o ônibus e na mesma direção que Moacir e o Iluminado.

Rua após rua, beco após beco, eram pouquíssimos quilômetros, dava para ir andando, mas o grupo quisera levar consigo o máximo de suprimentos o possível e soubera também que algo aconteceria.

Um sentimento profundo, seu instinto de sobrevivência gritando para que algo se faça. Um sentimento subconsciente de que algo estava para acontecer, mas você não sabia o quê, e tudo que fazer podia era se preparar para o desconhecido.

Seus instintos de sobrevivência gritavam pois o Todo-Poderoso soubera dos planos do Iluminado de nos planos do grupo intervir. O Todo-Poderoso mandava sinais às mentes de seus seguidores para que eles se preparassem com tudo que tinham para a batalha que estava a vir.

Entidades de luz se manifestaram atrás do ônibus, os geluctos do Todo-Poderoso, seus anjos. Um verdadeiro exército da luz composto apenas por 5 anjos: Iara, Yara, Ubirajara, Guaraci, e sua líder: Thaynara, cada um com sua própria arma feita de luz colorida em uma multitude de cores do arco-íris, se destacando na escuridão da noite iluminada apenas pela lua de sangue.

Girando uma mina naval feita de luz presa a uma corrente também feita da mais pura luz dos céus, Iara lançou-a em direção a uma das maiores aglomerações de adoradores, a mina não demorou e explodiu assim que o chão encostou e se regenerou logo em seguida, deixando vários dos adoradores mais desfigurados do que já eram.

Levantando um tridente feito da mais brilhante luz dos céus, Yara jogava seu tridente com tanta força contra os adoradores que trovões podiam ser ouvidos a cada arremesso. Apunhalava ela os adoradores com seu tridente e em um clarão de luz a carne era desintegrada, restando apenas os ossos, que, apesar de tudo, continuavam a dar glórias ao Iluminado.

Iara e Yara abriam caminho entre os principais aglomerados de adoradores que atrás do ônibus estavam, enquanto Thaynara ordens dava para que Ubirajara e Guaraci guardassem o ônibus e dele afastassem todos os adoradores pelo caminho.

Thaynara então se voltou para Moacir e para aquele que acima de sua cabeça flutuava: o Iluminado.


Alice, responsável pelo sino do norte, já estava no topo da torre do sino da igreja, esperando pelo sinal de seu relógio para ao sino badalar. Ela olhava para as ruas de Salvador e em seus olhos ela não acreditava: os anjos do Todo-Poderoso foram enviados para salvar-lhes.

O quê Alice não soubera era que os mesmos anjos que lutavam nas ruas de Salvador também estavam presentes ao mesmo tempo em várias outras localizações ao redor do mundo, lutando para salvar aqueles cujo controle do Iluminado não alcançara, seguidores do Todo-Poderoso ou não.

BLEM, BLEM, BLEM. O sino do Leste badalou três vezes, sinalizando a chegada das onze horas da noite, uma hora restante.


O ônibus com os oito membros do grupo corria pelas ruas de Salvador o mais rápido que podia, protegido pelos anjos Ubirajara e Guaraci.

Ubirajara girava sua lança feita da mais afiada luz dos céus tão rapidamente que um tufão produzia e os adoradores para longe levava, deixando um verdadeiro rastro de destruição na cidade já pelo tempo devastada.

Guaraci se sentava na frente do ônibus com sua tocha tribal da mais radiante chama dos céus, iluminando o caminho do ônibus na escuridão da noite uma vez que seus faróis foram cobertos pelas fortificações. Ubirajara internamente reclamava que em praticamente nenhum lugar do mundo Guaraci fazia algo mais além de sentar e brilhar como se uma lâmpada fosse.


Thaynara e o Iluminado se enfrentavam; anjo contra falsa divindade; anjo contra anjo caído.

Uma a uma as divindades modernas caíam, uma a uma elas adentravam o reino dos mortos. Cada seguidor ainda não convertido fora convertido para crer no Todo-Poderoso e o Todo-Poderoso reunia as forças de seus seguidores finais para um último golpe contra o Iluminado. O Iluminado se sentava e assistia, absorvendo como um parasita as forças de seus seguidores escravizados.

Por fim, a última divindade moderna caiu, e só restara o Iluminado e o Todo-Poderoso em sua luta. Os espíritos de divindades anciãs há muito esquecidas e pelo esquecimento mortas usavam a força de seus espíritos para fortificar os anjos do Todo-Poderoso, e o Todo-Poderoso se preparava para o seu golpe final.

O anjo Thaynara lutou com tudo que pôde contra o Iluminado, mas ela nunca tivera uma chance. A falsa divindade contava com a força de bilhões de seguidores o adorando e glorificando.

O anjo criou várias cópias de si mesma e investiu contra o Iluminado, empunhando seu cetro da mais poderosa luz dos céus. Onde o Sol ainda brilhara seu cetro momentaneamente fez o Sol se reverenciar em respeito e onde a Lua brilhara a própria Lua de sangue se silenciou em respeito à luz toda-poderosa.

O Iluminado deixara de brilhar, revelando um corpo negro desnutrido por baixo da camada de falsa luz divina e, em um grito, ele apontou para o cetro do anjo no centro da multidão de anjos. O cetro imediatamente se silenciou e a multidão de anjos avançou contra o Iluminado.

Unhas grotescas cresciam dos dedos do Iluminado como se formando garras tenebrosas da noite que jamais deveria ter sido revelada, a mandíbula do Iluminado se contorcia e sua cabeça girava sobre seu pescoço desnutrido de novo e de novo e de novo.

O Iluminado avançou contra uma dos anjos e, antes que ela pudesse reagir, a agarrou pela cabeça e suas unhas lhe perfuraram o crânio. Sangue santo jorrava pelas ruas de Salvador e a Lua de sangue brilhava em toda a sua glória. Os olhos do santo caíram de suas órbitas e o cérebro se despedaçou juntamente com o crânio, pedaços caindo sobre as ruas de Salvador.

O Iluminado criou uma onda de choque forte que derrubou a multidão de santos Thaynara e ele levantou o corpo morto de uma das cópias de Thaynara. Ele arrancou a cabeça do santo com sua mandíbula e começou a engolir o sangue que jorrava do pescoço do santo, uma a uma as cópias do santo desapareciam mas, antes que todas pudessem desaparecer, santo Thaynara empunhou seu cetro e o apontou contra o coração do Iluminado e rapidamente avançou contra a falsa divindade.

Vendo seus movimentos, o Iluminado apontou sua grande mão contra o cetro e, em um piscar de olhares, o agarrou, e o arrancou das mãos do santo. Suas mãos queimavam ao segurar o cetro, mas não o suficiente para fazê-lo soltá-lo.

Com o anjo no chão, o Iluminado empunhou o cetro, levantando-o aos céus, deu graças ao Todo-Poderoso em deboche, e o enfiou no coração do santo, e de novo, e de novo, e de novo. Sangue jorrava do santo. O Iluminado pegou o corpo do santo e, com sua mandíbula, o quebrou em dois, e então ele começou a devorar as entranhas do santo.

Tendo devorado o sangue e as entranhas de sua vítima, o Iluminado gritou aos céus. Duas cópias do anjo apareceram para tentar impedir ao Iluminado, mas já era tarde.

O Iluminado gritou rituais demoníacos aos céus e então de seu estômago tirou uma esfera brilhante que então quebrou em duas e as jogou nos santos Thaynara. As cópias cessaram de existir. Thaynara perdera sua omnipresença. Thaynara perdera sua imortalidade.


Em algum lugar o Iluminado desmembrava ao corpo do ex-santo e devorava sua carne santa, absorvendo seu poder.


Iara e Yara não podiam fazer nada além de perplexas ficarem com o que viram. Em nome de sua finada líder elas lutariam contra o Iluminado, desprezando suas próprias vidas em prol dos seguidores do Todo-Poderoso.

Centenas de tridentes choviam sobre o Iluminado enquanto minas navais saiam do chão e o faziam implodir.


Já era quase meia-noite na casa de Mauricio quando ele foi ver o relógio, mas ele não ligava. Ele só se importava com o seu killstreak de… filho da puta. Mataram ele. Hora de tentar quebrar seu recorde pessoal novamente.


O grupo na casa abandonada chegara e os anjos que os seguiram ao longo de seu trajeto ficaram em guarda ao lado de fora da casa.

Era a hora.

"BLÉM", gritava o sino do norte.

"BLÉM", gritava o sino do sul.

"BLÉM", gritava o sino do leste.

Os três sinos em harmonia gritavam seu repúdio ao Iluminado. O Iluminado tentava ir ao encontro dos grupos, mas era impedido pela dupla de anjos. Apesar de sua omnipresença, ele já não mais conseguia visualizar os grupos.

Em um golpe final contra o Iluminado, o Todo-Poderoso reuniu todo o seu poder e perfurou aos céus da noite sangrenta pela Terra. Céus e terras se encontraram e os grupos guiados pelo Todo-Poderoso ascenderam aos céus.

Visões divinas podiam ser vistas em portais que se abriam nos céus, e centenas de milhares foram enviados para outros mundos, e de outros mundos milhões eram enviados. Um verdadeiro êxodo em escala interdimensional.

Sem mais seguidores em seu mundo, os portais se fecharam, e os céus e terras se separaram.

O Todo-Poderoso sucumbiu de joelhos perante a falsa divindade: sem seguidores, sem poder. E a falsa divindade começou a torturar a ex-divindade, amaldiçoando seu nome agora que ele já não mais podia por suas garras nas centenas de milhares que foram removidas daquela e de várias outras dimensões.

Nas alturas cósmicas, o Alto Divino olhava em desgosto para o Iluminado e assistia aos gritos da falsa divindade agora feita divindade por seus adoradores escravizados.


Em meio à escuridão da meia noite, uma forte luz brilhou sobre a casa de Mauricio, e ele não podê se impedir de abrir a janela para ver a fonte de tamanha luminosidade em plena madrugada.

Pelo mundo inteiro milhares de pessoas desciam dos céus e eram logo recebidas com dezenas de olhos de pessoas passando pelas ruas.

Mauricio viu um grupo de 8 pessoas se manifestar dentro de sua casa e ele não podia dizer uma palavra pois boquiaberto estava.

Mas mal sabia Mauricio que naquela noite aquele grupo de 8 pessoas não seria sua única visita, quando homens da FTM PT14-κ "Cidade ao Avesso" começaram a invadir sua casa. Seria uma noite daquelas para os membros da FTM PT14-κ.

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