Encontrando Um Bisturi
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De Julian Corwin (Diretor, Sítio-246)
Assunto Re: O Incidente da Groenlândia (ERA: Falha da Operação SOPA DE MOLUSCO)
Para O5-03 (Overseer, Conselho O5)

Overseer,

Eu entendo o descontentamento do Conselho com o resultado da Operação SOPA DE MOLUSCO, mas eu permaneço firme em minha posição de que nenhuma ação disciplinar deva ser tomada contra a Agente Elsinger. Não só esse percurso provavelmente prejudicará a efetividade operacional da Delta-3, mas também é uma tentativa claramente óbvia de passar a culpa para outra pessoa. Eu te lembro de que eu me opus à mobilização da Delta-3 para esta operação, apenas para ter minha decisão anulada pelo Diretor Sands. Agente Elsinger ainda não possui um controle refinado de suas habilidades, que nunca foram adequadas para operações de contenção. Diante disso, a perda de SCP-████, embora infeliz, era completamente previsível. Se você perdoar minha impertinência, quando você empunhar um martelo, não fique surpreso ao quebrar algo.

Diga ao Diretor de Operações que, se ele quiser uma abordagem cirúrgica, ele deve encontrar um bisturi.

Julian Corwin
Diretor, Sítio-246


1 de Dezembro, 1986
Sítio-246

Florence esperava ao lado da cama do hospital quando Westbrook acordou. Ele estava olhando para o teto, olhos sem foco.

"Meu ombro dói." Sua voz estava áspera por falta de líquido. "Isso é bom."

Ela olhou para ele com preocupação. "Eu não sei dizer se você precisa de mais morfina ou menos."

O olhar dele se voltou para ela. "Estou bem. A dor é para os vivos, é tudo." Ele tossiu, e depois lambeu os lábios. "Água?"

Ela pegou um copo de água da mesa próxima e o ofereceu a ele. Seu braço esquerdo estava imobilizado em uma tipóia, então ela o ajudou a segurar o copo na mão livre enquanto ele bebia.

"Obrigado." Ele tomou um gole da água lentamente. "Por quanto tempo eu apaguei?"

"É segunda. Você acordou e apagou ao longo do fim de semana, mas esta é a primeira vez que você está lúcido."

Ele balançou a cabeça lentamente, fazendo a subtração mental, e então estremeceu quando a ação perturbou seu ombro. "Quão ruim?"

"Não muito. Fratura de linha fina na clavícula, alguns machucados musculares. Eles acham que você talvez tenha uma concussão, mas eu ficaria surpresa se alguma coisa conseguisse passar por sua cabeça dura."

"Sua maneira de lidar com o paciente de cama deixa algo a desejar", disse ele.

Ela revirou os olhos. "Desculpe, eu não sou tão Florence." Ela pegou o copo agora vazio dele e o colocou de volta na mesa. "Você teve sorte — ele apenas pegou a ponta do seu macacão. Meia polegada mais baixo e nós não estaríamos tendo essa conversa."

Agora esse era um pensamento preocupante. Ele tentou encolher os ombros, e então imediatamente se arrependeu. "Esse é o risco do trabalho."

Ela sacudiu a cabeça. "Não, não era. Você pulou na frente dele."

"Ele ia te acertar."

"Ia? Eu já estava saindo do caminho. Talvez ele não teria acertado nenhum de nós."

"Você não sabe disso."

"Nem você!" Ela colocou a mão na dele e suspirou. "Aquele foi um risco estúpido."

"Não foi calculado, reconheço isso." Ele apertou a mão dela gentilmente. "Mas eu não pude arriscar você. Eu tive uma fração de segundo para agir e decidi que, de nós dois, eu era substituível."

Sem aviso, ela se inclinou e beijou ele, bem nos lábios. Isso pegou ele de surpresa, mas um momento depois ele estava devolvendo o beijo.

Depois de alguns segundos, Florence se afastou. "Você não é substituível. Não pra mim."

"Talvez eu deva me ferir mais vezes."

"Não vá arrumando ideias. Eu não poderei te dar seu presente de Natal se você estiver acamado."

Ele levantou uma sobrancelha. "Oh meu."

Ela corou. "Eu—" Ela desviou o olhar, e então sacudiu a cabeça. "Eu não sabia o quanto eu precisava de você até pensar que você já era. O skip1 acertou você, e eu vi você cair e… eu enlouqueci."

Ele olhou para ela. "Flo, o que você fez?"

Sua expressão endureceu. "Você se lembra o que o arquivo do skip dizia sobre o quão forte ele era?"

"Eu lembro da parte dele ignorando balas anti-materiais."

"Eu não me lembro do que eu fiz — só a raiva, e a dor. Mas eu matei ele. Fiz um buraco através dele com cerca de um pé de largura. Passando por ele todo."

"Jesus." Ele assobiou apreciativamente. "Aposto que os cientistas não estão muito felizes com você."

Ela olhou para baixo. "Corwin não tem me falado muito, mas acho que estou em encrenca. Devlin estava dizendo que pode haver uma audiência disciplinar."

"Devlin não sabe de porra nenhuma", disse ele. "Corwin não nos queria na missão exatamente por esse motivo, mas eles nos enviaram de qualquer maneira, Eles não podem culpar você — se eles tentarem empurrar algo, vai ter uma investigação completa, e então pessoas vão começar a pergunta por que uma força-tarefa móvel foi mobilizada mesmo com as objeções do diretor geral do sítio."

Ela fez uma carranca. "Então por que eles fizeram isso?"

"Políticas do Comando Supervisor." Ele balançou sua mão livre em um gesto de desprezo. "A Delta-3 não está exatamente vencendo nenhum concurso de popularidade por lá. Alguém estava tentando armar um fracasso. Ter a força-tarefa dissolvida, talvez ter todo o programa de ativos especiais cancelado."

"E vão conseguir?"

"Não. Eles exageraram na jogada. O Corwin é esperto, e ele é velho, o que significa que ele tem aliados. Eles vão se certificar de que cabeças vão rolar por isso, mas não serão as nossas."

Ela mordeu seu lábio nervosamente. "Deus, eu odeio isso. As agendas secretas, as jogadas de poder. É como estar de volta com os Fantasmas."

"Os Fantasmas provavelmente faziam isso com menos papelada", disse ele. "Tente não se preocupar muito com isso. Corwin vai se certificar de que isso não te pegue. Isso é tudo merda de nível de Diretor de qualquer maneira, e a maioria deles sequer se importa com você pessoalmente. Nós somos apenas peões para eles."

Ela suspirou. "Eu sempre fui um peão. Estou cansada disso."

"Florence, no fim das contas, nós somos todos apenas peões no jogo de outra pessoa. Pelo menos nós temos a sorte de saber de quem é o jogo que estamos jogando." Ele deu um sorriso malicioso. "E você sabe o que acontece com um peão que atravessa o tabuleiro, não é?"

Ela sacudiu a cabeça. "O que?"

"Você se torna uma rainha."


2 de Março, 1987
Sítio-246

O Golem de Praga a esperava na baía submarina. Ele curvou-se respeitosamente quando ela se aproximou.

"Agente Elsinger." Sua voz era grave, mas não desagradável de ouvir.

"Operativo Josef", disse ela, curvando-se de volta. "O Diretor Corwin disse que você queria falar comigo?"

"De fato. Eu vim aqui para agradecer por sua participação na derrota de Maximilian Bauer uns quinze meses atrás. E para parabenizá-la por sua vitória sobre ele. Ele era um inimigo muito formidável."

Florence fala com Josef, o Golem de Praga, na baía submarina do Sítio-246.

"Eu só estava fazendo meu trabalho", disse ela.

"Não", disse ele, olhos brilhando. "Você estava fazendo o meu trabalho."

"Alguém tinha de fazê-lo."

"E esse alguém foi você."

Ela balançou a cabeça, aceitando o argumento. "Se você não se importa que eu pergunte, onde você estava? A Górgona disse que você não estava disponível, mas ela nunca diria o porquê."

"Eu estava…" Ele pausou. "Viajando."

Ela estudou seus aspectos de barro. "Você encontrou o que procurava?"

Os fogos de seus olhos piscaram em uma aproximação de um piscar de olhos. "Você tem mais percepção do que a maioria."

"E?" Provavelmente não era sábio pressionar um homem de barro de meia tonelada por respostas, mas sua curiosidade a consumia há mais de um ano, e só piorava quanto mais ela aprendia sobre o Golem.

"Sim", disse ele. "Eventualmente. Mas não foi fácil de encontrar." Ele olhava para ela, e ela teve a sensação inabalável de que ele podia ver através dela até sua alma. "Se eu puder lhe oferecer alguns conselhos?"

"Por favor."

"Os espíritos dos mortos se agarram a você. Não deixe que eles a consumam."

Ela desviou o olhar. "Eu já ouvi isso antes."

"Você busca responsabilidade pelas ações de homens maus e monstros impensados. Os crimes deles não são seus para responder por."

Ela cerrou os punhos. "Eu tenho poder. Eu posso detê-los. Isso não me torna responsável se não o fazer?"

"Apenas se você não usa esse poder", disse ele. "Você está familiarizada com a expressão de que um homem mal precisa apenas que homens bons não façam nada para triunfar?"

Ela balançou a cabeça. "Churchill, né?"

"John Stuart Mill, embora eu suspeite que Sir Churcill teria repetido isso com prazer. É uma boa expressão. Você entende o que ela quer dizer?"

Ela mordeu o lábio, pensando. "Talvez você deva me iluminar."

"Você tem poder. Você o usa para se opor àqueles que buscam fazer mal?"

"Eu tento."

"Então isso é suficiente. Nem todas as batalhas podem ser vencidas. Isso não significa que lutar é inútil. Se seu caminho for justo e o seu curso resoluto, você não fará nada errado."

"Essa é… uma visão de mundo bem rígida."

Ele fez um som profundo e estrondoso que ela percebeu que era uma risada. "Eu sou o Golem, criado pelo Maharal para defender os fracos, punir os maus e opor-se à injustiça onde quer que eu os encontre. Você não deve se surpreender por eu ser um absolutista moral."

"Suponho que não."

"Posso oferecer-lhe alguns conselhos mais práticos?"

Ela fez um sinal para ele continuar.

"Seu poder é imenso. Isso pode ser um grande benefício, mas também pode ser um obstáculo. Suspeito que você já tenha percebido isso."

Ela balançou a cabeça. "Eu tenho dificuldade com operações. Com qualquer coisa precisa. Eu não tenho controle suficiente."

"Como vocês dizem. Magia mortal é muitas vezes imprecisa. Selvagem. Confusa. É uma consequência de sua natureza."

Ela franziu o cenho para ele. "E a sua não é?"

"Não. Eu sou um golem. Tudo que sou, tudo o que acredito, vem de fora — do emet, a santa verdade esculpida no meu barro. Ela me anima, me guia, me liga. Me dá absoluta clareza de propósito. Essa clareza confere precisão às minhas ações. Rigidez, como vocês o chamam."

O franzido de seu cenho se aprofundou. "Você está dizendo que eu não tenho convicção. Que minha falta de controle vem da falta de confiança."

Ele inclinou a cabeça. "Humanos não são como golens. Vocês não possuem um emet. Vocês carregam suas verdades no interior. De certa forma, isso faz delas mais sólidas, mais seguras, mas também as deixa menos rígidas, menos exatas. Como resultado, você está confusa. Conflitada. Não é de admirar que, quando você usa a magia, a expressão máxima da vontade, a encontre crivada de conflito?"

Ela deu um suspiro frustrado. "Você disse que isso seria um conselho prático. O que posso fazer sobre isso."

"Você deve encontrar uma maneira de externalizar sua verdade", disse ele. Era difícil dizer se essa afirmação deveria ser seguida por um implícito Obviamente. "Dê a si mesma um símbolo para se agarrar, uma maneira de se aterrar e visualizar sua vontade."

Ela olhou para ele, compreensão surgindo em seu rosto. "Geometria de foco. Eu posso usar um foco para evocação."

Ele balançou a cabeça. "Você entende."

"Obrigada."

Ele se curvou novamente. "De nada. Infelizmente, nosso tempo juntos é curto. Eu gostaria de poder ficar, mas estive fora por muito já. Embora você tenha dado um golpe devastador nas forças da OBSKURA, eu temo o que elas possam fazer se puderem continuar planejando sem serem molestadas. Devo lembrá-los do porquê eles se escondem nas sombras."

Ela sorriu levemente. "É claro. Boa caçada. E boa sorte."

"A sorte favorece os justos, Agente Elsinger. Adeus. Espero que nossos caminhos possam se cruzar novamente algum dia."

Com isso, ele se virou e voltou para a câmara de ar. A porta se fechou atrás dele e a câmara se encheu de água. Um momento depois, Florence ouviu a escotilha externa se abrir. E então o som do Golem andando pelo leito do lago.

Ela quase sentia pena pela OBSKURA.

Quase.


"O que o Golem queria?" Perguntou Westbrook. Eles estavam na cama dele.

"Hmm?" Florence bocejou. Ela estava prestes a adormecer.

"O Golem. Por que ele queria te ver mais cedo?"

Ela se virou para encará-lo. "Com ciumes?"

"Deveria estar?"

Ela fez uma careta. "Eu… Eu não acho que ele seja anatomicamente preciso." Ela sacudiu a cabeça para dissipar essa linha de pensamento. "De qualquer forma, ele estava aqui para falar sobre o Bauer."

"Ele tava bravo que você roubou o alvo dele? Ele tem caçado membros da OBSKURA desde o fim da guerra. Provavelmente queria pegar o Bauer ele mesmo."

Ela sacudiu a cabeça. "Não, ele queria me agradecer. Disse que eu fiz o trabalho dele por ele."

"Você meio que fez."

"Mhm." Ela passou um dedo pela tatuagem em seu peito. "Ele me deu alguns conselhos também."

"Sobre o que?"

"Oh, você sabe, coisas mágicas." Ela não achava que poderia explicar completamente essa conversa em particular para Westbrook. Ela não tinha certeza se ela tinha entendido completamente.

"Segredos de feiticeiros. Bem sexy."

Ela riu. "Você só diz isso porque não sabe o que são."

Ele sorriu. "Dai o mistério."

Ela virou o dedo e começou a traçar o contorno da tatuagem dele com a unha. Ela era um pergaminho estilizado, embora ela não pudesse entender o que estava escrito nele. "Talvez devêssemos falar sobre alguns dos seus segredos."

Ela o sentiu ficar tenso com o toque de suas unhas em sua pele. "Oh?"

"Mmm. Tipo, talvez essa tatuagem. O que é ela?"

Ele relaxou um pouco. "Você teve bastantes chances para ver ela."

"Eu estava, uh, distraída." Ela tossiu.

"Vou aceitar isso como um elogio."

Ela o cutucou com o dedo. "Fale."

"Sim, senhora." Ele pegou a mão dela e a afastou da tatuagem. "São afiliações de unidade. Está vendo?" Ele colocou o dedo de volta na tatuagem, perto do topo. "Omega-17 — Essa era a Homens da Flórida, lá em Miami. Você não acreditaria no tipo de porcaria que vive no Everglades." Ele começou a mover o dedo dela pela lista. "Sigma-23 — Coiotes Astutos. Não deixe eles te designarem para um sítio no Arizona, é literalmente uma paisagem infernal." Descendo a lista novamente. "Kappa-1 — Marcha de Sherman, não durou muito, não é? E, é claro, Delta-3."

"É muita história para manter no seu peito."

Ele encolheu os ombros. "Me lembra de quem eu sou."

Ela piscou. Algo estalou dentro de sua cabeça. "É isso", ela sussurrou.

"O que?"

"Onde você fez essas tatuagens? Não tem um tatuador no sítio que eu não tenha ouvido falar sobre, tem?"

Ele sacudiu a cabeça. "Nah. Eu fui prum cara em Thunder Bay para atualizar a tatuagem. Ele é meio que informado, um monte de para-gente vai lá. Ele tem um basilisco de baixo grau que ele usa em tatuagens defensivas, aparentemente. Risco Cognitivo nas palmas das mãos, esse tipo de coisa. Nada disso é forte o suficiente para justificar uma ação."

"Então ele está acostumado a fazer coisas estranhas."

"Sim, provavelmente."

"Hmm." Ela pensou sobre isso por um momento. "Talvez eu faça uma visita a ele na próxima vez que eu tiver folga na superfície."

Ela não conseguia ver, mas ela sabia que ele estava levantando uma sobrancelha. "O que você está planejando?"

Ela colocou a cabeça contra o peito dele. "Isso é um segredo de feiticeira."


6 de Abril, 1987
Sítio-246

A academia de taumaturgia estava novamente cheia de velas. Como antes, Florence estava sentada no meio do padrão, perdida na meditação. Ela trocou seu macacão habitual por jeans e uma blusa, que revelavam a tatuagem que agora cobria seu braço esquerdo. O design fractal intrincado tinha uma aparência quase orgânica, embora na realidade ela tinha gasto horas na matemática subjacente à sua geometria arcana. Em vez de tinta, o padrão tinha sido escrito com prata coloidal, dando a tudo um tom cinza azulado.

Seu braço inteiro coçava e doía, então ela concentrou sua meditação em ignorar isso. Ela havia feito melhorias significativas em sua disciplina mental no último ano, de modo que o processo levou apenas alguns minutos em vez de uma hora.

Ela respirou fundo e abriu os olhos. Ela viu o mundo como era e como ela queria que fosse. Ela levantou a mão e concentrou sua vontade.

Chamas familiares apareceram acima da palma da mão. Ela sentiu o universo empurrar contra o feitiço, e tentou direcionar as reações. As linhas de sua tatuagem brilhavam suavemente.

As velas continuavam acesas, sem serem perturbadas pelas reações.

Ela não se permitiu sorrir. Em vez disso, ela derramou mais poder no feitiço. A tatuagem em seu braço brilhava mais claro conforme o fogo crescia em um pilar de chamas. Ele logo atingiu dez pés no ar e seu braço brilhava tão intensamente quanto o sol.

Ainda assim, as velas permaneceram não perturbadas.

Ela relaxou sua vontade e soltou o feitiço.

Apenas então ela sorriu.


18 de Dezembro, 1987
Scriba, Nova Iórque
Estação de Geração Nuclear de Nine Mile Point

"Firestarter!" Mesmo com a baixa fidelidade do canal de rádio, a urgência no tom de Westbrook era aparente. "Qual é o status nessas proteções?"

"Trabalhando nisso", disse ela. Ela desligou o rádio e se virou para gritar para um dos agentes. "Strand, largue essa âncora!"

Markus Strand imediatamente largou o grande cilindro de metal que ele estava carregando. Ele caiu no chão com um baque sólido. Ele acenou para Florence, e então apontou para o cilindro, como se estivesse falando, Assim?

Houve uma explosão distante, depois o som de algo rugindo.

Florence ligou o rádio. "Salomão um, desengate. Estou prestes a estourar a bolha."

"Entendido, Firestarter. O alvo já está a caminho, tempo estimado de chegada… dois minutos."

Florence se ajoelhou e focou nos cinco cubos de metal na mão direita. Cada um deles foi retirado de um dos cilindros que foram colocados ao redor do perímetro da usina. Ela estendeu com sua vontade, sentindo os laços de contágio entre eles. Ela encontrou as âncoras em sua mente, e as inundou com poder.

Mesmo com a tatuagem de foco, ela ainda tinha dificuldade com operações sutis. Proteções, porém, estavam longe de sutis. Elas eram todas sobre acumular poder bruto, e ela tinha poder de sobra.

Nada mudou visivelmente, mas ela podia sentir a cerca de força invisível que surgira ao redor do edifício. Qualquer coisa que tentasse contornar as âncoras se encontraria em um mundo de dores.

"Bem? Onde está a proteção?" perguntou Devlin. Florence tinha tentado tê-lo designado para a equipe secundária, mas sem sucesso.

"Por que você não vai chutar uma das âncoras e descobrir?" Mula.

Ele não falou nada. Isso estava ótimo para Florence. Isso tornou mais fácil ouvir a aproximação do verme que se aproximava.

Ele saiu da escuridão talvez um minuto depois, sem olhos, viscoso e com 40 metros de comprimento. Ele limpou a cerca externa de uma só vez, em um caminho direto para o reator na coisa mais próxima o possível de uma linha reta que seu corpo sem pernas podia fazer.

Florence cerrou o punho, colocando sua vontade em uma última explosão de poder nas proteções.

E então o verme bateu. Houve uma explosão de luz do ponto de contato, e a tatuagem de Florence brilhava enquanto absorvia a reação. O verme chiou e recuou ao ser atingido por vários milhares de volts de eletricidade, e então começou a tentar atravessar a barreira com a cabeça.

Florence rangeu os dentes e caiu em uma posição de três pontos enquanto sustentava a proteção através da força de vontade. Em uma prolongada disputa de força entre sua vontade e a massa do verme, ela acabaria perdendo eventualmente. Mas ela só teve de esperar por alguns segundos.

Enquanto o verme recuava novamente, ela colapsou as outras seções da proteção e redirecionou a energia para a porção que o verme estava atacando. Quando o verme bateu contra ela novamente, ao invés de um choque de mil volts de eletricidade, ele tomou um choque de um milhão.

O verme não gritou desta vez. Ele simplesmente convulsionou e então caiu no chão. A proteção finalmente cedeu sob seu corpo mole e Florence ciou quando a reação resultante sobrecarregou sua tatuagem. Antes que a reação pudesse começar a queimar ela, ela soltou o feitiço, torcendo para que a reação se dissipasse rapidamente.

Ela ofegava, exausta. "Ei, Devlin, me pergunte sobre as proteções novamente."

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