É uma noite amena de dezembro. Um vento quente sopra pela terra negra e queimada. Tudo o que dá definição à paisagem são áreas de capim alto e distorcido que crescem em ângulos retos, com suas carapaças resistentes ao fogo clicando com a brisa.
Perto de uma rua rachada e quebrada, quatro agentes se encontram ao redor de uma fogueira tremeluzente.
"Então," diz um agente de terno e gravata desinteressantes, atiçando o fogo. "Vamos ficar parados com os paus nas mãos, ou vocês estão afim de conversar?" Suas feições são calmas e estranhamente limpas— um oásis de arrumação em um mar de sujeira e cinzas.
"Estive na rua faz sete anos, idiota." Outro agente de terno e gravata, embora os seus estejam muito mais degradados. Uma barba grisalha e desgrenhada jaz em seu rosto. Ambos os olhos estão em um vermelho profundo e sanguíneo. "Já conversei o suficiente para múltiplas vidas. O resto de vocês pode começar."
O vento sopra ao redor deles. As estrelas se movem acima, deixando rastros multicoloridos no céu.
"Eu estava em Nashville," diz um deles. Ele está com um blusão azul e óculos escuros. A sigla FBI está orgulhosamente estampada em seus braços em amarelo Day-Glo. "Em 2089. Durante as evacuações."
Um "merda" reverente escapa dos lábios do agente desinteressante.
A van da SWAT atravessa o Rio Cumberland, a ponte altamente danificada abaixo dela quase desaba sob o peso de seus pneus reforçados. Atrás dela, East Nashville arde em verde e azul. Grandes rachaduras negras se estendem pelo céu. As ruas estão lotadas de pessoas gritando.
O agente está na traseira da van, com gotas de suor escorrendo pela testa. Sua mão está tremendo em torno do punho da arma. Os nós dos dedos estão brancos como marfim.
"Senhor, por favor!" diz uma dos três refugiados que o acompanham. Ela é uma jovem com cabelos crespos e pretos. "Ele não está machucando ninguém!"
O agente estava com sua arma apontada para um dos outros refugiados, um homem com menos de 55 anos que jazia inconsciente no banco direito da van. Ele está vestido de veludo cotelê e um suéter cinza e seu peito está rasgado, expondo carne em um tom profundo de verde-esmeralda. Sangue escorre de seu ferimento, correndo lentamente o tecido dos assentos.
"Ele nem está consciente!" diz a primeira refugiada. Seu terno está manchado de sangue e rasgado.
"Calada!" diz o agente. "Não posso confiar em nenhum de vocês. Vocês me disseram que eram normais!"
"Por favor! Ele é nosso tio!" A segunda refugiada fala. Ela também tem cabelos crespos e pretos e está vestida com calças de moletom manchadas e um moletom universitário desbotado.
A van colide com algo grande o suficiente para emitir um baque monótono que ressoa por seu chassi. Ele chacoalha e sacode vigorosamente em resposta ao impacto, e o agente quase cai no chão.
O agente bate na divisória de metal entre ele e a cabine. "O que diabos está acontecendo aí?" grita o agente.
"Porra— alguma coisa chegou no local da Birch Street!" o agente na frente diz. "Só resta essa coisa preta gigante agora! Acertei a desgraça de um tentáculo!"
"Merda!" diz o outro agente, batendo o pé em frustração. "Não se preocupem," diz ele, voltando-se para os refugiados. "Vamos tirar vocês daqui. Só que talvez estejamos sozinhos, só isso."
O refugiado inconsciente geme. A refugiada de terno se inclina sobre ele, segurando sua cabeça entre as mãos. Ele abre seus olhos e olha para ela.
"Ei," diz ela, fazendo o possível para dar um sorriso tranquilizador. "Está tudo bem. Vamos arrumar ajuda pra você."
"Virem pó," diz ele, os olhos vagando. "Todos. Virem pó." Ele tosse, espirrando sangue sobre o terno dela. Ele chia e fumega enquanto afunda no tecido.
"Já basta!" diz o agente, o dedo indo em direção ao gatilho. "Senhora! Se afaste!"
"Então você atirou nele?" diz o agente desinteressante.
"Não exatamente," diz o agente da jaqueta azul. "Eu estava na frente."
"Não!' A outra refugiada cai sobre o homem, bloqueando seu peito. "Não vou deixar você machucá-lo. Ele é um homem ferido! Seu pedaço de–"
A carne do homem se rompe, se desfazendo em ângulos bruscos. Suas artérias liberaram jorradas de sangue, inundando o interior da van.
"Eu achei que o som tinha vindo de fora da van. Eu só o ignorei. Continuei dirigindo," diz ele, com uma expressão sombria. "Estávamos a três quilômetros dos limites da cidade quando finalmente parei."
"Não tinha sobrado nada dos refugiados além de ossos. E meu parceiro…" Sua voz enfraquece. "As pernas tinham sumido completamente. Arranquei a história dele entre suspiros e gritos. Fiz a coisa humana." Ele murmura as últimas palavras, a cabeça afundando nas mãos.
"Feliz com sua 'conversa' agora?" diz o agente de olhos vermelhos, se voltando para o agente desinteressante.
"Meu deus," diz o agente desinteressante. "Pensei que seria mais uma história de guerra. Você sabe. Contos da estrada. Não isso."
"Que porra de mundo em que você acha que estamos vivendo? Não há muita merda de coragem e glória por aí hoje em dia." O agente de jaqueta azul ergue os olhos enquanto fala, com expressão irritada. "Não sei o que você esperava."
"Mude de assunto, então," diz o agente desinteressante. "Aonde vocês estão indo?"
O quarto agente fala. "Columbus." diz ele, uma voz robótica sob a máscara. A luz da lua reflete nas áreas de liga CR-V em seu crânio raspado. "Ordens do Comando do Centro-Oeste da Coalizão. Todos os agentes soltos devem se reagrupar. Concentração de forças."
"Ele pode falar?" o agente de jaqueta azul diz, sorrindo.
"Ei, cala a boca," diz o agente de olhos vermelhos. "Pelo menos ele está tentando. Não se pode dizer isso de vocês, filhos da puta."
O agente de jaqueta azul murmura algo rancoroso e toma um gole de seu frasco.
"Certo," diz o agente de olhos vermelhos, jogando outro pedaço de capim alto no fogo. "Você quer a porra de uma história de guerra? Vou te contar uma história de guerra. Detroit. 2078. Nona Guerra Oculta."
Um esquadrão de caças federais ruge pelo céu do meio da manhã a Mach 6. O a gente mantém posição no terceiro andar de um prédio de escritórios em ruínas, agachado atrás dos restos de uma mesa. O Sítio-11 está sob sitio.
Atrás dele, ele ouve o clique audível de uma arma sendo engatilhada. Em tons baixos e gorgolejantes, uma voz fala.
"Largue a arma e se vire."
O agente gentilmente coloca seu rifle no chão e levanta as mãos.
"Calma, agora. Eu não quero problemas," diz ele, se virando para encarar a voz. "Tenho certeza de que podemos– minha nossa–"
O rosto que o cumprimenta é manchado, bulboso e feio pra caralho. Watts de carne de Kevlar cercam sua boca e olhos quase irreconhecíveis, e rolos de gordura à prova de balas saem de seu uniforme preto e marrom esfarrapado– as cores da Frente de Salvação Americana.
"Algo de errado, garoto?" Diz o soldado.
"É a primeira vez que vejo seu tipo de perto e em pessoa," murmura o agente, com vestígios de vômito em volta da boca. "Meu deus, o que diabos eles fizeram com você?"
"Nada que seja da sua conta," retruca o soldado. "Agora pula fora!" ele grita.
O agente caminha em direção à porta com as mãos ainda levantadas.
"Calma aí, filho," o soldado dá um passo para bloquear seu caminho. "Talvez eu não tenha sido claro o suficiente. Eu disse pra pular fora!" O soldado aponta seu rifle na direção da janela.
"Seu desgraçado!" cospe o agente. Ele dá alguns passos cambaleantes em direção à moldura de vidro quebrado da janela e para logo antes do parapeito. O vento chicoteia suas costas.
"Últimas palavras?" diz o soldado com um sorriso malicioso.
"Sim," diz o agente. "Vá se foder." Ele arruma os braços em uma braçadeira improvisada e se joga no soldado. Alguns tiros perdidos voam enquanto o agente o joga no chão, espalhando poeira e drywall sobre a cena. Em instantes, o agente tem o rifle do soldado nas mãos. Ele o aponta diretamente para as poucas partes ainda carnudas em seu pescoço.
"Agora," diz o agente, com olhos duros. "Você vai me levar ao seu comandante."
"Pare com essa bosta de filme barato," diz o agente de jaqueta azul, pejorativamente. "Fui criado em Dayton. Reconheço uma história idiota quando a vejo."
"Eu atendi aos pedidos da plateia. Me processe!" O agente de olhos vermelhos ri, um sorriso furtivo no rosto.
"Pra que falar besteira?" O agente de jaqueta azul olha interrogativamente para o agente de olhos vermelhos. "Eu não entendo. Seus olhos. Certamente você tem uma história e meia por trás deles."
O agente desinteressante olha para o agente dos olhos vermelhos com um olhar cauteloso.
"Deixa para lá! Sem história de guerra, então." diz ele. Ele olha para o quarto agente. "Sr. Coalizão. Você certamente tem algo interessante nessa sua cabeça de lata."
"Não me lembro de muita coisa de antes de ser modificado," diz o quarto agente, com voz metálica. "Eu entreguei minha vida à Coalizão. Minha memória se foi com isso." Ele ajusta sua máscara.
"Meu deus!" diz o agente desinteressante. "É o fim da porra do mundo e nenhum de vocês têm uma coisa interessante para contar. Me dá vergonha de ainda estar puxando ar." Ele joga as mãos para o alto.
"Na verdade," um traço de humanidade surge na voz do quarto agente. Ele olha para o agente desinteressante. "Talvez eu tenha algo que você goste."
Ele se apoia nos joelhos. "Então, alguns dos danos sofridos pela minha memória se devem aos implantes. Isto é verdade. Mas também houve outra coisa. Depois que recebi esses implantes."
"Me perdoem se isso soar um pouco estranho. Não sou totalmente capaz de pensamento abstrato. Histórias são difíceis para mim contar. Memórias são fatos e observações para mim, não narrativas. Não é fácil juntar os dois.
Eu estava na minha terceira rodada de melhorias. Eu tinha recebido os implantes 34-B, 14-G e 143-A. Todos neurológicos. 34-B era para combater riscos cognitivos. 14-G era antimemético. 143-A me impede de sentir medo ou repulsa. Ele me fornecia sub-rotinas de avaliação de moralidade e perigo especificamente projetadas para maior eficiência no combate.
Acordei grogue e confuso em uma terça-feira. Eram 8:41 da manhã quando olhei para fora dos muros do acampamento. Uma videira vermelha anômala crescia fora de controle de seus limites. Eles enviavam esquadrões com lança-chamas para conte-la todo fim de semana, mas nunca a erradicaram totalmente. Cada vez que ela voltava a crescer, ela ficava mais perto de chegar nas paredes.
Meu colega de quarto era o agente júnior John Carraldo. Ele havia recebido a primeira rodada de melhorias. A expressão de repulsa em seu rosto quando me viu voltar da terceira rodada me fez denunciá-lo como um risco substancial de deserção. Ele me disse que demoraria um pouco para chegar a tempo da chamada e para declarar sua presença por ele.
Quando cheguei para a chamada estavam presentes 60 agentes e 40 agentes juniores. O agente júnior Carraldo estava presente. Tivemos uma conversa.
'Bom dia, Carraldo,' eu disse.
'Bom dia,' ele disse. 'Carraldo, Carraldo, Carraldo.' Ele disse.
'John Carraldo,' eu digo. 'Agente júnior John Carraldo. Não esperava vê-lo aqui, amigo.'
'O que você quer dizer?' disse ele. 'Normalmente não sou pontual?'
'Sim,' eu disse. 'Mas você disse que chegaria um pouco atrasado. Você queria que eu dissesse seu nome, lembra?'
'Ah! Sim,' ele disse. 'Bem, ei, estou aqui agora, não estou?'
'Você está, seu merda.' Eu disse.
Tínhamos uma relação amigável. Nós nos conhecíamos, John e eu, mesmo que ele representasse um risco de deserção e eu fosse nojento, feio e decadente para ele.
Havia uma missão naquele dia. O tenente da nossa base subiu ao pódio e falou.
'Bom dia, homens! Tenho uma caceteada para vocês.' ele disse. Ele usava palavras como caceteada. 'Temos um humanoide anômalo à solta em Toronto. Queimou um quarteirão inteiro. Os policiais, para ser educado, são uns completos inúteis. Então cabe a nós.'
'As equipes de assalto Gamma e Epsilon devem partir às 0950. Dis-pensados!' E lá fomos nós.
O que me lembro agora foi modificado pela versão final do Relatório 2085-33245. Estávamos sobre Toronto em nosso Helicóptero Expeditor de Assalto. Carraldo ficou quieto durante a maior parte do voo. Prédios carbonizados e ruas enegrecidas se estendiam diante de nós.
'Foi uma caralhada mais do que um quarteirão,' disse ele. 'Como diabos vamos lidar com isso?'
'Simples.' Eu disse. 'Fácil e simples. Os rifles estão carregados com cartuchos altamente explosivos. Encontrar e destruir.'
'Merda,' ele disse. 'É tipo, aquele– merda, esqueci, sabe, aquele outro?'
'O caso de Cleveland?' disse eu. E então uma grande bola de fogo atingiu a lateral do Helicóptero Expeditor de Assalto e nós giramos fora de controle por cima das ruas de Toronto.
Quando acordei, todos, menos eu e Carraldo, estavam mortos. Minhas melhorias me protegeram do trauma. Ele aparentemente só teve sorte.
'Merda!' ele disse, se aproximando de mim. 'Você está bem? Por favor, me diga que você está bem.'
'Meu deus, John,' eu disse. 'Sou um homem feito de ferro aqui. Não pense que nada mais fraco que uma calibre .50 possa mais que me arranhar.' Eu me levantei sem a ajuda dele.
Senti um calor intenso no ar. Eu olhei para cima. Era um ser de fogo e chamas. Entidade 2085-33245. Preparei meu rifle e disparei aprox. 27 balas.
A entidade rugiu e gritou em resposta ao fogo contínuo. Agente Carraldo permaneceu imóvel. Ela lançou outra bola de fogo que me impactou diretamente. Fiquei gravemente ferido e sofri múltiplas queimaduras no corpo.
A entidade foi embora. Ela não prestou atenção para o Agente Carraldo. Ele me pegou enquanto eu jazia ferido.
'Quem é você?' ele disse.
'O que diabos você quer dizer, John? Você sabe quem eu sou.' eu respondi.
'Vamos, cara. Você está morrendo aqui. Você não tem nenhuma confissão a fazer? Verdades ocultar que você deseje revelar?'
'Acho que sim,' eu disse. 'Me arrependo disso. Me arrependo de ter me juntado à GOC. Me arrependo de ter escolhido me tornar uma espécie de homem-máquina. Quem diabos vai namorar comigo assim?'
'Meu deus,' ele disse. 'Isso é pesado. Me diga mais.'
'Bem, eu não sei. É só que– é difícil assim. Você sabe como você olhou para mim quando voltei da terceira rodada de melhorias? Às vezes penso sobre isso e como a maioria das pessoas me verá agora. Elas não verão o herói condecorado que arriscou a vida para proteger pessoas de coisas que nem mesmo nós entendemos direito. Elas verão um monstro mal humano.' Eu me lembro de querer chorar e não conseguir. A ideia me pareceu confusa depois que a disse.
"Bom. Meu deus! Sim! Tão bom!' Ele disse em tons de êxtase. 'Qual o seu nome? Me diga seu nome. Só preciso do seu nome.'
'Lance Fitzborough. Lance William Fitzborough. Ei, espera, mais que porra?' Eu disse. Isso parecia confuso para mim também, agora. Eu tinha me esquecido da ideia.
'Você sente ele, não sente? O escorregar. A partida.' Carraldo sorriu. 'Me diga como é. Quero saber como é.'
'O que você está fazendo? Sinto que estou lentamente me perdendo. Eu me sinto confuso.' Eu disse.
'Sim!' Carraldo deu um sorriso grande e radiante. 'Eu quero saber mais. Eu quero ouvir mais.' Ele abriu minha boca com as mãos. 'E você vai me contar tanta coisa! Você vai me contar tudo!'
'Eu quero que você me conte sobre o dia em que chorou pela primeira vez,' disse ele. 'E que tal desligarmos essa coisa?'
A filmagem da minha câmera corporal foi interrompida a partir desse ponto. Eles me encontraram 6 horas e 37 minutos depois, inconsciente. Fisicamente, eu me recuperei."
Um silêncio forte prevalece ao redor da fogueira. O quarto agente fica em silêncio sob a máscara. Ele olha para o agente desinteressante, na cara.
"História interessante, rapaz," diz o agente desinteressante, com uma expressão sombria.
"E ela não parece tão clara agora que contei," o quarto agente diz. "UIU. Nashville. Como é a sensação dessa memória para você?"
O agente da jaqueta azul abre a boca para falar— e então a fecha, com a mesma rapidez. Depois de alguns segundos, ele sabe o que falar. "Não… tenho certeza."
"Que tal você nos contar seu nome?" diz o quarto agente ao agente desinteressante, com um tom de hostilidade em sua voz.
O agente desinteressante fica em silêncio. Ele se mexe em seu assento. Por um momento, a cena fica quieta, exceto pelo crepitar da fogueira e pelo assobio do vento.
A mão do quarto agente corre para o coldre. Um tentáculo nodoso e espinhoso sai da mão do agente desinteressante, empalando o olho direito do quarto agente– perfurando além de seus implantes oculares até seu lobo frontal macio e desprotegido. Em instantes, sangue escorre do olho quebrado de sua máscara. O vidro quebrado estala quando ele cai, morto.
"Meu jesus amado!" O agente de jaqueta azul dá um pulo, a arma de fogo em punho. Ele dá múltiplos passos cautelosos para longe do fogo. "O que diabos você é!?"
O agente desinteressante retrai seu tentáculo do corpo do quarto agente. Seu corpo avança em resposta. Múltiplos implantes moribundos estalam silenciosamente.
O agente de jaqueta azul atira duas vezes no agente desinteressante. Ambos os tiros erram. Ele olha para o agente de olhos vermelhos. "Por que diabos você só está parado aí?" ele grita, mirando outro tiro.
O tentáculo do agente desinteressante dispara novamente, abrindo um buraco na garganta do agente de jaqueta azul. Seu sangue derrama, pintando o solo carbonizado. Sua arma cai de suas mãos enquanto ele leva a mão ao pescoço em uma tentativa desesperada de conter o fluxo. Ele cai de costas e morre, os olhos voltados para o céu noturno.
"Você não parece muito preocupado."
O agente de olhos vermelhos aponta para o olho direito e dá uma piscadela. "Não é decoração, amigo. Sabia desde o início."
O corpo do agente de jaqueta azul se mexe quando o tentáculo voa de volta para a mão do agente desinteressante. Sua carne ondula levemente enquanto reabsorve a massa do tentáculo.
"Imaginava. Então," diz ele. "Você não se importa com tudo… isso?"
"Nah," diz o agente de olhos vermelhos. Ele se levanta e caminha para até o corpo do agente de jaqueta azul. Ele se curva diante dele e levanta a manga da jaqueta, revelando seu braço nu. Ele levanta o membro pálido aos lábios e arranca um grande pedaço de carne, mastigando bem.
"Afinal, preciso comer!" diz ele, o sangue escorregando de seu sorriso crescente.





