Ponta da Lança - 7

Fim.

Imagine isso:

As montanhas à beira da noite, três mil metros acima do nível do mar. Dentro e além dele, um resultado é precipitado pelas ações de muitos.

Em Nova York, uma mulher e seu fantoche erguem uma montanha de baquelite e argila.

Nas alturas do pico mais alto, um atirador duela com um deus entre os batimentos cardíacos dos mortos.

No vale, os mortos ascendem a colina e uma aldeia de vinte pessoas a desce, seus pertences nas costas. Na frente, um antigo professor com convicção nos olhos, liderando a aldeia que jurou proteger; atrás, um garoto flácido nas costas do irmão, que se vira para olhar para as cavernas pela última vez.

Nas cavernas, um homem alto e escuro prepara um dispositivo. Ele se prepara para falar uma série de números na peça bucal—uma ação que gera outras ações, desde a descoberta de lonas na base da montanha até o aquecimento de jatos americanos em Peshawar. Outro homem prepara uma arma. O tiro que ressoa das cavernas não é uma Kalashnikov ou uma Browning; é uma Colt silenciada. O tiro do cientista é preciso. Os números nunca saem da caverna.

Em seu lugar, o engenheiro fala um conjunto diferente de números. Um helicóptero soviético fazendo o reconhecimento da passagem desvia sua trajetória de voo, desaparecendo misteriosamente do radar. Um caminhão de suprimentos do exército sai da estrada principal com uma mochila forrada de chumbo no banco do passageiro. Em Kabul, um grupo de homens e mulheres encharcam seu escritório com gasolina e se preparam para queimar.

Finalmente, o último dos números chega ao atirador. Ele faz uma careta—em meio à dor lancinante—e prepara seu tiro.

Precisamente ao mesmo tempo, o faquir abre os olhos, vê além da tela dos mortos, e grita.

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