Informações
Artigo: Higher Minds
Autor: J Dune
Original: https://scp-wiki.wikidot.com/higher-minds
Tradutor: Retr079
Architect 08/12/20 (Qua) 03:48:52 #982732
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Higher Minds Elementary
Eu nunca posto nesses tipos de fóruns. Me perdoe se minha escrita estiver um pouco rebuscado. Eu me considero uma pessoa racional e pé no chão, não um usuário de Parawatch. Apesar disso, minha vida sempre trabalhou contra minha mente de todas as maneiras possíveis. Eu cresci em Nova Jersey. Comunidade fechada, cheia de privilégios e dinheiro, antigos e novos. Cada uma dessas comunidades tem uma coisa em comum: uma competição acadêmica e social de medição de pênis parental que indiretamente coloca crianças desavisadas umas contra as outras com o propósito de se superarem. Todos tentaram todos os esportes até encontrarem um em que fossem razoavelmente decentes. Encontros de mentira eram organizados em uma tentativa de ganhar influência com aqueles que estavam no topo da cadeia alimentar. Amizades foram quebradas à força e certas famílias foram banidas por razões arbitrárias e sem sentido. Mandar seu filho para uma escola pública estava fora de questão, não importava a idade.
Eu fui à Higher Minds Elementary. Foto relacionada. Vê aquele mural? Você sabe exatamente quem administra esse lugar. Era uma escola artística e "alternativa" para crianças "superdotadas". O tipo que promovia o aprendizado livre e práticas experimentais de ensino. Havia pelo menos três dessas escolas no bairro, que eu soubesse, mas a Higher Minds era meu lar. A escola era boa para mim. Eu não tinha amigos, mas quando você tem 7 anos, você não percebe, nem se importa. Eu brincava sozinho, lia no "nível da sexta série", ou de outras formas, encontrava maneiras de me ocupar. Eu era jovem demais para notar os sinais de divórcio afastando meus pais, ou entender por que os professores ligavam para casa preocupados com o fato de eu não interagir com outras crianças. Na maior parte, minha infância foi feliz.
Então cheguei à 3ª série. Na primeira semana de aula, toda a nossa turma, com cerca de 40 alunos, teve que fazer uma prova padronizada. Dois homens de terno entraram, entregaram uma maleta à nossa professora e distribuíram um pacote de folhas de exercícios. Eu nunca tinha visto aqueles homens antes, e a postura rígida que eles demonstravam me deixou tão nervoso que tive medo de fazer contato visual. A prova em si foi ainda pior. As perguntas eram quase sem sentido. Quatro círculos semelhantes, pedindo para encontrar o quadrado. Um pictograma de um homem deitado na rua, sugerindo ter sido atropelado por um carro; a pergunta perguntando se ele conseguiria se levantar novamente. Uma sequência de números aleatórios, com um espaço em branco abaixo para escrevermos quais "se destacavam" para nós. Muitas imagens estranhas combinadas com perguntas interpretativas do tipo Rorschach. Demorei cerca de duas horas para terminar, incluindo o intervalo para o lanche. Os homens de terno foram embora e eu rapidamente me esqueci da prova.
Eu acho que isso foi quando comecei a ter sonhos com pássaros. Digo "acho" porque as coisas ficam nebulosas nesse ponto. De qualquer forma, eu costumava sonhar com um pássaro. Não havia nada de estranho nisso, apenas um pombo comum que fazia coisas comuns de pombo. O cenário de onde eu o observava era sempre diferente. Meu quintal, a casa da minha avó, minha escola, seja lá o que fosse. Então o pássaro caía no chão, parecendo ter se machucado de uma forma horrível. Às vezes, seu pescoço ficava torto em um ângulo, às vezes, sua barriga se espalhava na minha frente. Eu estendia minhas mãos, acariciando a pequena criatura. O pássaro começou a se curar, reparando seus ferimentos enquanto eu acariciava seu corpo. Totalmente rejuvenescido, ele voava para longe, e eu acordava. Eu tinha esses sonhos uma vez por semana, se não mais.
Um dia, depois de terminar o almoço, meu professor, Sr. B, me chamou de lado. Fomos à sala da diretora, onde outras cinco crianças da minha turma estavam reunidas. Foi-nos explicado que nossas notas no teste padronizado eram "excepcionais" e que seríamos inscritos em um programa de colocação avançada chamado TAG. Significava "talentosos e superdotados". Higher Minds já era uma escola para "superdotados". Qual era o sentido de um programa ainda mais avançado? Recebemos uma autorização para levar para casa e seguimos com nosso dia.
As aulas do TAG eram intimistas, para dizer o mínimo. Com apenas seis crianças, tínhamos muito mais liberdade do que a média das turmas. Assistíamos a filmes, tocávamos instrumentos e tínhamos discussões que duravam horas sobre uma variedade de tópicos. Era o tipo de ambiente que uma sala de aula idealmente deveria promover. A Sra. P, nossa única professora, percorria todos os padrões curriculares avançados: literatura clássica, história mundial, matemática avançada, mas a maneira como eram abordados era diferente. No início do dia, sentávamos em círculo, demos as mãos e fechávamos os olhos. Disseram-nos para relembrar nossos sonhos da noite anterior da melhor maneira possível e contá-los ao grupo. Ao falar sobre a moralidade de Hamlet, de Shakespeare, fomos ensinados que a tendência de Hamlet de tomar as coisas em suas próprias mãos por meios pouco escrupulosos era uma característica positiva. Passamos um tempo aprendendo sobre conquistadores, homens com "o Grande" ligado ao nome. Disseram-nos para incorporar suas atitudes, sua determinação para vencer e tomar suas vidas em suas próprias mãos. Recebíamos "apelidos" secundários que supostamente estabeleciam uma conexão com uma determinada figura ou entidade histórica. Eu era "Apolo", sem dúvida por causa dos sonhos que detalhava durante nossas meditações. Estudávamos religiões, e certos aspectos eram tratados como fatos. Milagres, anjos e gênios eram explicitamente expressos para nós como coisas que existem, mas sob uma terminologia diferente. A maior parte do que lidávamos remetia a discussões sobre poderes superiores a nós. As excentricidades eram muita coisa para assimilar para uma criança, mas aprendi mais naquela aula do que em qualquer outro período da minha vida.
As Sextas-feiras eram o nosso "dia livre". Era quando tínhamos recreio prolongado, fazíamos festas em grupo e assistíamos a filmes. Bem, pelo menos na segunda metade do dia. As festividades eram uma recompensa por termos aguentado a primeira metade. Às sextas-feiras, fazíamos uma variedade de testes de desempenho na sala de saúde. Um dos homens de terno que aplicava o teste padronizado entrava e montava algo que parecia um polígrafo. Fazíamos um exame de vista que envolvia usar fones de ouvido e ler símbolos e letras abstratos. Os caracteres eram sobrepostos em ambientes externos, cidades e monumentos mundiais. Em seguida, fazíamos um teste de audição. Nos pediam para distinguir palavras em uma frequência incrivelmente alta. Quando eu tirava os fones de ouvido, esquecia completamente como o ruído soava. Finalmente, tínhamos que confrontar algo que chamávamos de "Cabeça de Esfregão".
Na primeira Sexta-Feira, depois de concluirmos nossa rodada inicial de testes, a Sra. P levou a turma ao porão da escola. As luzes estavam apagadas, exceto por uma vela colocada no meio de um longo corredor. No final, havia uma porta azul, provavelmente levando a um depósito. Me lembro exatamente do que a Sra. P disse: "Monstros são reais. Um por um, vocês vão entrar por aquela porta e enfrentar um." Ela nos deixou por conta própria e nos disse para visualizar a suposta criatura atrás da porta. Pelos próximos 30 minutos, inventamos uma história sobre o fantasma de um zelador da escola, cuja alma agora estava presa a um esfregão. Uma história boba, mas com iluminação, clima e uma mente impressionável são uma combinação eficaz para o terror. Deu certo, pelo menos para mim. Enquanto ríamos e fingíamos esconder o medo, a Sra. P voltou e nos disse para prosseguir. A fachada de coragem caiu, e o primeiro do nosso grupo entrou pela porta. Ela a fechou e nós esperamos. Dez minutos depois, P incitou outra criança a entrar, e depois outra. Finalmente, chegou a minha vez. Com lágrimas nos olhos, eu abri a porta azul e apaguei.
Me lembro de um quarto escuro como um breu, da sensação de amarras metálicas, de breves lampejos de insetos rastejando pelo meu corpo e de um símbolo piscante e repetitivo. Lembro-me de um nível de pavor e adrenalina que nunca senti antes. Me lembro de acordar nos braços da Sra. P com dor de cabeça e ouvir que eu estava bem. Lembro-me de como superei a experiência rapidamente com biscoitos e bolo. Lembro-me de como isso acontecia toda Sexta-Feira, e não consigo esquecer.
Architect 08/12/20 (Qua) 03:50:32 #982733
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Higher Minds Elementary
Só depois de muito, muito mais tarde é que percebi o quão incrivelmente errado o programa TAG era. Eu quase tinha me esquecido da porta azul e de qualquer provação que acontecesse por trás dela. Essa era a natureza do trauma, fácil de esquecer e enterrar. Incomodou-me tanto que comecei a consultar um terapeuta no ano passado, um especialista em memória. Bem, esse não foi o único motivo pelo qual fiz terapia, mas desenterrar essas memórias tornou-se um interesse primordial para nós dois. Fizemos progressos nos últimos meses usando uma prática de recordação relativamente nova, e comecei a juntar cada vez mais peças. O que se segue é uma generalização aproximada do que pode ter acontecido.
Eu entrava na sala e rapidamente me via jogado em uma cadeira. Algum tipo de restrição foi usado para me manter lá. Um homem de terno me diz que eu vou ficar bem e que tenho que assistir à tela. Um projetor liga. O que quer que esteja na tela é horrível. Insetos rastejando, rostos distorcidos, barulhos tão altos que presumo que sejam apenas coisa da minha cabeça. Lágrimas. Não acaba. Um símbolo piscando a cada poucos segundos. Fractais. Atropelamento. O símbolo novamente. Coisas horríveis. Minha mãe, regando nosso jardim. Um incêndio em casa. O símbolo. Um homem de terno caminha perto da tela. Ele tem o símbolo no rosto. Ele tem o rosto feito do símbolo. Segurança. Sinto uma agulha no meu ombro tirar sangue. Me sinto calmo. O símbolo alivia o medo. Alguém lê um número. Sou liberado. Acabo na sala de aula. Não há nada de errado. Não consigo me lembrar do símbolo. Eu o conheço, mas não consigo me lembrar.
Eu também me lembro do dia em que parou. Segunda-feira, 10 de Maio de 2004, o dia em que meus pais morreram. Eu estava brincando no jardim depois da escola, como sempre. Estava cavando por aí, montando um campo de batalha para meu Lego, quando notei alguém me observando do outro lado da cerca. Por ser uma cidade litorânea, parecia um turista normal, mas eu estava apavorado. Corri para dentro de casa e rapidamente contei aos meus pais. Claro, quando fomos verificar, não havia ninguém lá além de banhistas à distância, e eu não consegui identificar nenhum deles como sendo o homem que vi. Por volta das 17h, meus avós chegaram. Meus pais iam jantar fora naquela noite e tiveram que me vigiar. Passei o resto da noite no meu quarto, com as persianas fechadas, posicionado em um canto, de onde eu podia ver tudo no quarto de um só lugar. Por volta das 23h, meus avós me disseram para ir com eles ao hospital. Eles não explicaram o porquê. Motorista bêbado. Mamãe estava morta. Papai estava em estado crítico. Ele não sobreviveria à noite. Não sei por que me trouxeram.
Eu fiquei na sala de espera com meu avô, chorando em seu peito. As coisas ficaram nebulosas. Disseram-me para esperar sozinha enquanto meu avô via meu pai. Nada parecia real. Um funcionário do hospital me atraiu para uma sala separada. Uma sala escura, com uma única lâmpada pairando sobre uma bandeja de dissecação. Um cadáver de pássaro em decomposição e fétido jazia imóvel sobre a mesa. O funcionário gesticulou para mim, como se eu soubesse o que deveria fazer. Eu obedeci. Não me restava nada, então obedeci. Ranho e lágrimas se acumulavam em meu rosto enquanto colocava minhas mãos sobre o animal. Nada. Sou incentivado a continuar: "Como já fiz antes". Nada. Continuo a chorar. O funcionário apontou a luz para o meu olho e eu vi o símbolo. Ainda não consegui. Não sei por quanto tempo isso continuou, mas me disseram para lavar as mãos e ir embora. Nunca disse nada ao vovô.
Em poucos dias, eu estava morando com meus avós. Deixei a Higher Minds. Eles preferiam a escola pública, uma mudança de cenário para clarear minha mente. Às vezes me pergunto o que teria acontecido se eu tivesse ficado. Nunca mais tive um sonho com pássaros, e o terror que enfrentei naquela escola foi rapidamente ofuscado e esquecido pela ferida de perder as duas pessoas mais próximas de mim. Nunca sarou completamente, mas definitivamente melhorou. Mesmo assim, nunca encontrei meu equilíbrio. Tenho uma série de problemas de saúde, trabalho no varejo para me manter ocupado e passo a maior parte do meu tempo livre cuidando da minha avó. É o mínimo que posso fazer. Tentei pesquisar sobre Higher Minds, programas GATE, tudo. Não encontrei nada. Nunca contei a ninguém além do meu terapeuta, e todas as tentativas de me reconectar com meus colegas do TAG falharam. É como se eles tivessem desaparecido completamente. Sem redes sociais, sem registros públicos, nada. São todos os cinco. Tenho os nomes deles, se alguém estiver interessado. Na semana passada, tive um grande avanço com meu terapeuta. Honestamente, essa é a razão pela qual decidi vir aqui e postar isso.
Eu quebrei a barreira entre minha memória e o símbolo. Passei horas tentando desenhá-lo e acabei encontrando algo que provocou uma reação minha. Não é exato, mas está lá. Uma reação calorosa e calma. Olho para ele, completamente paralisado, e me pergunto.
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O que esse símbolo significa e por que fui condicionado a me sentir seguro perto dele?
Ratkinning 08/12/20 (Qua) 03:59:02 #982736
Ótimo LARP. Tópicos sobre educação para superdotados estão sendo muito explorados a esse ponto.
JKull 08/12/20 (Qua) 04:02:27 #982738
O r/nosleep está fora do ar ou algo assim? kkkk





