Eu, Palimpsesto

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É mais fácil sangrar seu crânio através de uma placa de circuito do que as pessoas gostariam de imaginar.

O corpo humano, quando visto pela direção errada, é nada mais do que uma costura de retalhos de conceitos de vísceras associados a arquétipos ensanguentados — corpo, mente, alma, entranhas. Entranhas não são uma com o corpo; ao contrário da crença popular, elas são um teratoma colocado sobre nós por anjos vingativos que consideram a maneira como escorremos através de nossas membranas a merda mais hilária do cosmos conhecido. Nós processamos a comida, transformamos em geleia a gosma em nossos subcompartimentos, empurramos ela através de rampas de descarte no comportamento automático que somos ensinados a desde o nascimento. Diferente daqueles que se revoltam contra suas formas, aqueles transhumanistas, eu estou muito bem acostumado com estes comportamentos, então mudar meus sistemas para um modelo diferente não me incomoda.

Pegando meus retalhos orgânicos, eu encontro o fio segurando o corpo às entranhas. Eu enfio um dedo por um looping aberto — estou feliz que ninguém esteja aqui para assistir a isso — e puxo para cima. Entranhas caem. Molhadas. Bagunçadas, mais verdes do que eu esperava. Eu pego uma pistola de pregos padrão e apunhalo um tubo de fluido refrigerante próximo com ela. O fluxo de hidrogênio líquido deve esfriar a carne a um ponto onde eu não precise me preocupar sobre ela novamente.

Próxima excreção setada para um milênio, atividade intestinal se tornou infinitésima. A sensação é como ser fervido vivo no permafrost.

(Eu ainda tenho de comer para evitar que meus órgãos falhem — eu posso grampear minha boca diretamente abaixo da comporta de escoamento da cantina dos funcionários, quando eu estiver no intervalo.)

Uma vez que o restante do ácido estomacal escorre do meu tronco, eu pego de volta a linha, onde ela agora fica sincronizada com as oscilações frouxas do meu corpo. Se eu quiser compensação completa por este trabalho, eu precisarei realizar o próximo passo perfeitamente. Eu deixo meus pés se cambalearem até o chassi cromado de um drone de reparo orbital.

De repente eu me torno agudamente ciente da forma como a gravidade pressiona você nesta estação. O 1 g padrão me parece menos como peso e mais como fileiras de agulhas penetrando equidistantes sobre minha pele, perfurando mais profundamente quanto mais eu fico aqui. Isto ou meu corpo só está mais fodido pelo envenenamento por radiação orbital do que eu esperava. Não importa a essa altura.

Eu rasgo o fio e desconstruo sobre o drone. O metal tem uma nova pintura de tendões e derme.

Pegando os extensores enrolados através de uma escotilha na porta dianteira, deslizando para espaços onde os cabos da câmera se conectam com o processador central. Lentamente, eu solto minha massa cinzenta dentro. Plop, plop, plop. Raspando os últimos pedaços de crânio da minha garganta, eu sangro meu crânio através da placa de circuito.

« Você ainda pode me ouvir? »

O interfone toca.

Eu mexo uma das minhas câmeras se enchendo com córneas para olhar para ele: um alto-falante enfiado entre sifões de drenagem paralelos; um dos poucos espaços de parede disponíveis no Poço Mecânico 008. Ele está instalado em um ângulo torto, apontado na direção correta para enviar quaisquer vozes que ele emite pela tubulação amontoada.

« Está indo bem? »

A fala é côncava, totalmente oca. A mudança é tão pequena que passa pelo estranho vale do áudio.

« Está? »

"Sim."

Algo que resta da minha musculatura original recua. Eu acidentalmente extriquei minhas cordas vocais juntamente com as entranhas (como estavam aquelas linhas amarradas ao mesmo nó?). Elas estão se sacudindo, latejando nas curvas do duodeno. Minha língua é ainda mais removida, enrolada ao redor do ceco; ela tem dificuldade de emitir um ruído em seu novo habitat sem boca conforme a saliva congela, ancorando a metal tocado pela graça do fluido refrigerante.

« Estamos felizes em ouvir isto. »

A qualidade do alto-falante está muito corroída para que a Gerência ouça os respingos.

"Uma questão, porém?"

« Sim? »

"Deveria mesmo ter tão pouco espaço em direção às portas do propulsor traseiro? Eu dificilmente consigo enfiar minhas mãos ali," Eu disse, a pressão de uma válvula oxidante constritiva ameaçando estourar minhas unhas em estilhaços.

« Você está tentando manter suas mãos? »

"Como uma lembrança."

« Lembranças são um desperdício de retenção de informação. Seu cérebro não pode ser expandido, não importa o quanto você separe sua carne; guardar uma lembrança do passado é relegar um pedaço de seu conhecimento limitado a uma existência desatualizada, uma existência que já não é mais esperada de você nem de sua função. »

Um grupo de dedos se empurram para dentro de uma cavidade confortável de uma célula de combustível.

"Em que livro de filosofia você leu isso?"

« É apenas ética de trabalho razoável. »

Crack. Um metacarpo, dedo indicador esquerdo, se quebra. O injetor de combustível que ele tentou contornar o quebrou, um ligamento tendo ficado preso no aço carburado até que ele cedeu.

"Eu… estou mantendo as 'funções' das mãos. Se eu quiser sentir o que eu toco normalmente."

Crack crack.. Ambos os dedos anulares perdem a integridade quando um filtro oxidante se mostra ser um espaço muito apertado para eles passarem.

« E isto permitiria o quê? »

Crack crack crack. Dois terços da mão esquerda se quebram em estilhaços através de uma bomba de combustível. A coisa está se mantendo unida através de seu último músculo, mas se eu chegar um pouco mais fundo…

"Me lembrando de quem eu sou."

CRACK. Minha mão esquerda se separa. Meus nervos gritam.

« Eu— Nós não vemos qual é o sentido disto. Tudo que o drone de reparo precisa é de seus sistemas nervoso e circulatório para o ritual somático prendê-lo ao drone. Se você não aceitar o argumento mental, então considere quanto peso morto você adiciona à sua massa com uma única mão — um único osso. »

Seco a pilha de alumínio frio e engasgo com a pressão profunda de equipamento elétrico. Rapidamente, eu torço uma costela através de minhas camadas faciais e tiro ambos os dutos de lágrimas pela porta frontal ainda aberta. Eles caem em seus próprios fluídos no chão e eu fecho a porta.

"…Eu?"

« »

"Eu deveria ter reconhecido seus padrões de fala de primeira, Asma."

A qualidade desumanizante do falante não é suficiente para esconder a tremedeira na voz de Asma enquanto ela volta a falar. « Desculpe. Eu teria— teria dado uma introdução genuína, porém a Conduta do Gerente prioriza a aparência de um, todo concreto, para todo mundo ser direcionado a, não uma bagunça fragmentada. »

"Nós trabalhávamos bem antes deles colocarem a Conduta em efeito. Você pode só falar comigo. Eu não me importo."

« Os superiores se importam. »

"E então?"

« Eu estou em um ajuste mais apertado do que você. »

Eu tento empurrar o chassi para remover os restos de mão, mas não ajuda; aquela carne está presa. Carne morta cobrindo minha estrutura até que os motores a queimem. "No quê que você se desconstruiu?"

« Terminal de sistemas, conectada às gravações de monitoramento e supervisão de manutenção. 2.461 metros quadrados. Eu tive de ejetar metade da minha caixa toráxica antes que eu pudesse me enfiar dentro. A ventoinha de refrigeração fica em um espaço esculpido através do meu abdômen. »

"Ah."

« Seja feliz que seu chassi é mais espaçoso. Você está em um estágio onde você pode começar a substituição? »

"Eles não podiam ter proporcionado algo maior para você?"

« Se eles gastassem mais eles chegariam ao mesmo custo necessário para manter múltiplos trabalhadores de supervisão vivendo na estação. Ou, pior, um custo que coloca a estação em dívida. E o resto de nós gerentes não podemos negociar com os superiores ainda para receber uma IA assistente. Muito pouco trabalho. »

Eu estico uma vértebra lombar, batendo-a à toa contra meus pulmões. "Você pode parar de tagarelar sobre finanças agora."

« Você já está pronto para começar a substituição? »

Por mais que minha estrutura esteja dentro do drone, o drone não é minha estrutura — nós somos discretos, nós não somos o mesmo. Não é uma distinção besta entre a benção de nascer da pele e o pecado amaldiçoado da máquina, porém, tanto quanto é o conflito entre nós mesmos sendo fundamentados em duas formas diferentes de cabeamento — nervo versus cabo. Neurônio versus cobre.

Naturalmente, a solução é forçar um deles a sair.

"Sim."

« Então comece. »

Meus nervos investem para o ataque. Eles perfuram os caminhos de silício e assumem o laminado externo, penetrando as camadas de substratos condutivos para rasgar os conectores no nível mais desprotegido. O metal grita em estalos rápidos de microviolência desenfreada. Os axônios se soltam de seus escudos celulares e invadem os isoladores de cabos que se seguram aos seus queridos fios por sua vida. A borracha é penetrada, as células invadem; a vivisecção se estende para níveis menores e menores de ser. Em todos os pontos substituídos pela minha carne os detritos são ejetados para cima e através de meus motores, se empilhando no chão como cinzas após o incêndio. Meu sistema nervoso segue uma linha ardente através da totalidade do objetivo manufaturado do drone.

Abaixo das cinzas meus dutos lacrimais vazam; efluente após efluente após efluente. Os cacos quebrados trituram através dos poros e expelem muco vermelho.

« Progresso? »

A parte interna do drone é nada além de uma necrópole agora. Me forçando para dentro, eu deixo meu sistema nervoso atravessar o espaço recém-desocupado. Eu fecho o vácuo deixado pela tecnologia oca comigo mesmo.

Uma vez que o ato está feito, eu testo. Pensando como se eu estivesse dobrando meus braços, eu sinalizo para os braços do drone; eles se dobram. Pensando como se eu estivessem flexionando meus dedos, eu sinalizo para as garras do drone; elas se flexionam. Pensando como se eu fosse metal, eu subsumo o chassi.

O corpo do drone é meu próprio.

De alguma forma, apesar da presença de minha massa, sinto ele vazio.

"Eu terminei a substituição."

« Bom. Eu- Nós, podemos começar o teste, então. »

"…"

« Algum problema? »

"…Não."

« Nós estamos felizes em ouvir isso. Nós agora estaremos começando sua relocação para a sua zona de trabalho. »

Eu movo meus apêndices por mim mesmo. Este corpo é prolongado, um ovo aparafusado e amarrado ao longo das rachaduras com equipamentos projetados até o micrômetro. Ele é aperfeiçoado para movimento em 0 g; o ideal platônico de um robô de microgravidade. Para movimento em 1 g, porém, ele é um desperdício de dinheiro.

"Eu não consigo me mover para a zona de trabalho."

« Seja paciente. »

"Os braços não tem força o suficiente para mim poder rastejar com."

« Eu nunca disse que você estaria fazendo a relocação. »

"Isto não é feito para… Espere—"

Eu ouço o portão para o Poço Mecânico 008 se abrir atrás de mim.

« Eu… Espero que isso vá bem. Nós esperamos que isso vá bem. »

Antes que eu possa girar uma câmera um vento rápido impacta cada polegada de meu corpo e me deixa inconsciente. Eu mal posso registrar um impacto, quem dirá que tudo ficou preto, porquê, conforme meus neurônios tentam analisar o evento, eu acordo.

Ao meu redor está vácuo.

A mancha vermelha de Júpiter paira no céu, pulsando um tom doentio enquanto as luas perdidas voam ao longo de suas órbitas mecânicas. A escuridão é como uma pia para a intensidade do planeta, descarregando o escarlate que ele vomita até que a cor desapareça, desaparecendo como se ela nunca tivesse sido sangrada. Talvez se a Fundação não tivesse fodido uma vez a região pareceria muito melhor, porém a necessidade de seriamente considerar isto já passou de relevância há meio século.

Adjacente à visão está a estação. A instalação é tão impressionante quanto um suprimento orbital e um local de descanso podem parecer, uma mistura de tanques de combustível, blocos de geradores, portas de acoplamento, bicos de propulsão, e saídas de calor, estendendo-se para cima e para fora do eixo central do anel de força centrípeta — o centro de habitação onde a rotação constante da estrutura é suficiente para simular os níveis de gravidade da Terra. De um certo ângulo, ela parece semelhante a uma planta de vaso; uma deixada sem água ao ponto de murchar. O brilho do titânio mascara a murcha da desnutrição.

Acima, a uma distância de 20 metros, está um monólito: um prisma preto retangular cuja geometria fria é interrompida apenas pelas ranhuras gravadas, se juntando para formar murais gerais retratando hiperviolência de dimensão superior. Ranhuras gravadas, e uma escotilha quadrada no lado mais próximo a mim.

No lado oposto à minha linha de visão, cabos emergem do monólito para serpentear através das geometrias da estação até os blocos de geradores distantes.

Em minha visão periférica um bloco brilhante de texto se acende. Ele aumenta em tamanho até que o texto seja claramente legível.

Se você está lendo isso, você conseguiu o trabalho.

Nós pedimos desculpas pela medida que tomamos para relocação — desconstruir-se fisica e misticamente abre vários pontos de exposição onde é fácil alcançar e tocar. Porém, você descobrirá que o tempo que a relocação demorou foi drasticamente reduzido como um resultado, então seu trabalho foi simplificado a uma extensão que você certamente achará confortável.

À sua frente está o Núcleo de Ressonância Demoníaca. Trancada dentro do monólito da obsidiana de ritual de nível orbital, há uma rede de cavaleiros tártaros, sumonados com a intenção expressa de combater um ao outro até que todos exceto por um caiam. Conforme os contratos de ritual assinados para eles, isto não é possível; os cavaleiros específicos sumonados — Seiscentésimo Décimo Sextos recrutas Legionários Saturnianos — estão configurados para desaparecerem apenas ao completarem seu objetivo. Eles são contratualmente imortais. Enquanto o núcleo permanecer este ritual prosseguirá; ininterrupto e indefinidamente.

Como sempre acontece em conflitos demoníacos prolongados, grandes quantidades de radiação são liberadas. Ela é enviada através de cabos para os blocos de geradores para conversão em eletricidade usável. Eles são nossa principal fonte de energia. Porém eles representam um problema, em que a pura instabilidade espiritual significa que quaisquer eletrônicos trazidos para dentro da estrutura fritam em um attosegundo. Enviar drones é um desperdício de recursos. Em vez disto, é necessária uma matriz orgânica para realizar as operações lá dentro, algo com um para-choque inerente ao oculto.

Não, nem sempre foi tão perigoso, mas por quanto mais tempo a gente o usa mais as lutas se intensificam. Não, nós não planejamos substituir o núcleo — ele é caro demais, eu tenho certeza de que você entenderá.

A rotina diária à qual você foi designado é simples:

A cada 24 goras você deve se aproximar do Núcleo e entrar através da escotilha de manutenção. Evite as espadas, não deixe ficar muito sangue em você, e inspecione as bombas de entrada de energia por sinais de danos. Se tiver algum, repare. Se não tiver, saia. E, antes que você pergunte, sim, é muito mais fácil desviar da carnificina do que se esperaria.

Uma vez que isto estiver resolvido, você vai para a sua baía de docagem — Baía 020 — onde você poderá hibernar pelo restante do dia. Nutrientes estão configurados para serem automaticamente injetados através de seu chassi. Se um órgão falhar, cirurgiões na estação estão preparados. No evento de uma hemorragia…

Isso é tedioso.

Eu desço para o fundo; sete páginas abaixo.

…e a eversão da retina que de outra forma surgiria.

Até agora você deve estar impaciente para continuar com isso, então, para algumas últimas palavras:

Nós estamos orgulhosos.

Você colocou mais esforço para a estação do que qualquer outro trabalhador que nós vimos em qualquer uma das nossas outras estações. Tanto foi feito para manter a mecânica sob controle e tudo valeu a pena no conforto e na sonoridade sentidas por toda equipe de transportadores que doca. Isso até mesmo envergonha alguns de nossos melhores funcionários! Você merece todo o suporte que lhe damos, e você pode ter certeza de que continuaremos assim, não importa o quê.

Nossas estações estão seguras em suas mãos. Nós nos importamos por você.

Sinceramente,
Alto Executivo.

LEMBRETE: ESTE DOCUMENTO ESTÁ SUJEITO A UM CONTRATO DE NÃO DIVULGAÇÃO. TODAS AS TENTATIVAS DE DISSEMINAR AS INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE QUE NÃO SEJAM AUTORIZADAS SOB APROVAÇÃO EXECUTIVA SUPERIOR SERÃO RECEBIDAS COM—

Eu fecho a carta.

Isto não importa.

Eu me inscrevi para isso por minha própria vontade. Concordei em não falar sobre este trabalho. Eu assinei os formulários somáticos de transplante sabendo onde que meus órgãos seriam enfiados. Eu não preciso ser mimado como um veterano de guerra por minha linha de trabalho, e eu certamente não preciso ser elogiado por ser o que equivale a um guardião glorificado.

O Núcleo significa nada para ninguém; é apenas outro problema para consertar, outro rasgo para costurar. No mínimo, o Alto Executivo teve a decência de não exagerar nos riscos de manutenção antes de enviarem a carta. Mesmo que eles o fizessem ou não, não teria mudado uma coisa. Não teria mudado.

Eu inicio meus propulsores para ir para frente, vendo vislumbres dos detritos de minha mão esquerda estourando como nuvens cinzentas. Rapidamente eu chego à escotilha. Eu propulsiono para trás, prendo uma garra em uma trava de segurança, movo as outras três para o conjunto de travas de segurança triplamente redundantes. Tudo que eu posso sentir são reverberações de dentro do Núcleo, se movendo através do material de meu chassi, tremendo levemente o interior. Algumas levam o mesmo peso que rugidos; outras, choramingo. Nenhuma delas eram sensações que eu já tinha sentido na estação. Sem uma vista externa você jamais presumiria que o núcleo estaria ali. Ele seria um não-problema, uma não-coisa, permanentemente separado de tudo de que você precisa se preocupar. A isolação é projetada em uma solidão cuja borda eu me movo na extremidade de.

Cuidadosamente, eu giro as fechaduras simultaneamente. Há um barulho quando a escotilha se desengata. Apesar da falta de ar, eu ouço um som sair, como de pessoas chorando. Meu corpo se sente mais vazio do que antes.

Eu espero que o aumento salarial valha a pena.

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