Eficácia Individual
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De Julian Corwin (Comandante, FTM Delta-3 "Mão de Salomão")
Assunto Análise RPA, Operação MINNESOTA NICE
Para Gabriel Sands (Diretor de Operações, Comando Supervisor)
CC O5-03 (Overseer, Conselho O5); Simon Pietrykau (Diretor, Departamento de Analíticas)

Diretores e Overseer,

Conforme solicitado, estou escrevendo para notificar-lhes que meu relatório pós-ação completo sobre a primeira mobilização de combate da Delta-3 foi concluído e está agora registrado. Eu entendo a razão do seu interesse nesse assunto e, portanto, tomei a liberdade de incluir trechos do que acredito serem as partes mais relevantes da minha análise.

11. Análise do Comandante


Agente Westbrook mostrou uma louvável iniciativa em seu papel como Comandante Interino, rapidamente organizando uma defesa contra o ataque surpresa da OBSKURA que permitiu à Mão de Salomão lançar um contra-ataque. Embora ainda existam duvidas sobre sua eficácia como encarregado da Agente Elsinger, eu tenho total confiança em sua capacidade de realizar essa tarefa. Com base em sua atuação como Comandante Interino da Kappa-1 e Delta-3, eu fortemente recomendo sua promoção para me substituir permanentemente como Comandante da Delta-3.

As habilidades da Agente Elsinger excedem em muito as expectativas; se for para acreditar na Agente Gorgon, ela quase triunfou sobre Maximilian Bauer em um duelo oculto individual, com preparação prévia mínima. Embora seus talentos ainda sejam em grande parte não refinados, a enorme quantidade de poder taumatúrgico que ela possui me deixa tentado a recomendar uma classificação SCP. Embora ela não consiga preencher sozinha nossa diferença de capacidade com a Coalizão, seu recrutamento como agente ativo especial fez mais para trazer paridade às nossas capacidades de paracombate do que qualquer outro esforço individual. Eu estou recomendando uma condecoração ao Agente McKenna por seu papel na identificação e recrutamento dela.

Porém, eu continuo preocupado com sua aptidão a longo prazo como agente de campo. Ela mostra uma resistência à autoridade do comando que poderia torná-la uma responsabilidade para o resto da Mão de Salomão e potencialmente para a Fundação em geral. Suas habilidades, embora significativas, são perigosamente instáveis — o local de seu duelo com Bauer ainda está sofrendo efeitos de reação significativos no momento em que escrevo este artigo, e provavelmente permanecerá inseguro para formas de vida superiores por várias semanas. Além disso, as baixas civis ocorridas durante a Operação MINNESOTA NICE causaram a ela sofrimento perceptível; se isso se tornar um problema recorrente, ele prejudicará sua eficácia operacional, possivelmente em um grau inaceitável.

Embora a eficácia individual da Agente Elsinger permaneça em dúvida, o sucesso da Operação MINNESOTA NICE pode ser tomado como prova da utilidade da Delta-3 e do valor do Programa da Força-Tarefa de Ativos Especiais como um todo. Para que a Fundação continue a ser uma força significativa para a preservação da normalidade, a expansão do Programa FTAE parece ser uma necessidade.

Respeitosamente,

Julian Corwin
Comandante (Administrativo), FTM Delta-3 "Mão de Salomão"


25 de Dezembro, 1985
Sítio-246

Toque toque toque.

Florence olhou para ver Westbrook parado na porta de seu quarto. Ele estava segurando um pacote embrulhado debaixo do braço.

"Ei, Firestarter", disse ele. "Se importa se eu entrar?"

Ela encolheu os ombros, não uma manobra simples enquanto deitada na cama.

Ele se aproximou e sentou no final da cama. "Como vai você?"

"Cansada", ela disse.

"Você pulou de um edifício", ressaltou ele. "A maioria das pessoas estaria um pouco mais do que cansada depois disso."

Ela soltou uma risada única e aguda, que rapidamente se tornou um suspiro. "Eu continuo pensando sobre o que eu poderia ter feito de diferente."

"O que mais você poderia ter feito? A Górgona disse que Bauer te tinha nas cordas quando ela atirou."

Ela sacudiu a cabeça. "Não, eu o tinha. Bem antes do fim, eu tinha ele derrotado. Seu escudo estava falhando. Tudo que eu precisava fazer era empurrar."

"Mas você não o fez."

"Não o fiz. Ele ameaçou matá-los, e eu hesitei. Dei a ele uma brecha. Foi um erro."

"Possivelmente." Ele cantarolou baixinho enquanto ele escolhia suas próximas palavras. "Ou talvez você pudesse ter pressionado o ataque e ele ainda teria tido tempo para dar a ordem. Você não sabe. Você não pode saber."

"Eu poderia ter derrotado ele. Eu sei que eu podia. Se eu tivesse sido um pouco mais forte, um pouco mais inteligente. Um pouco melhor.

"Você fez o seu melhor."

"Não foi suficiente."

"Porque algumas dúzias de pessoas morreram sem culpa sua? Se você não estivesse lá, a Coalizão teria nivelado a cidade inteira e então bombardeado as cinzas só para ter certeza. O seu melhor salvou as vidas de quarenta e cinco mil pessoas."

"Mas se eu estivesse mais descansada, mais preparada, eu talvez—"

"Florence." Sua voz era suave, mas seu tom era firme. "Você não pode salvar todo mundo."

"Você acha que eu não sei disso?"

"Eu acho que você não está acostumada a fazer o papel da heroína. Você nunca teve de lidar com danos colaterais como consequências ao invés de um bônus. Eu não sou um psiquiatra. O que eu sei é que não é saudável se debruçar sobre os 'e-se-isso' e 'talvez-poderia-ter-sido-assim'."

Ela bufou. "Olhos para o futuro?"

"Olhos no agora. Deixe o Departamento de Analíticas se preocupar com o futuro."

Ela franziu a testa. "Você ainda não me falou qual é a deles."

"Te falou quando eu descobrir." Isso tirou outra risada dela. "Aqui", disse ele, segurando o pacote. "Eu trouxe uma coisa para você."

Ela se sentou para pegá-lo dele. "Pelo que?"

Ele piscou. "Florence… é Natal."

Ela olhou para ele por um momento, e então riu. "Meu Deus, eu tô perdida… viver no fundo de um lago — você não pode ver o sol."

"Entendo", disse ele. "Infelizmente, você nunca se acostuma a isso."

Ela desembrulhou o pacote para revelar uma pilha de livros. "Fundamentos da Taumaturgia por R. Holcomb", ela leu. "Tipologia da Aura por N. Belmonte. E Parahistória Pós-moderna por L. Rowe."

"Eu sei que nossos iniciadores de taumatologia são uma merda, então eu me aproximei da Górgona para te arrumar alguns da lista de leitura da CIETU. Os mesmos livros que eles usam para ensinar os magos de batalha da Coalizão."

"Uau." Ela pegou o último livro, depois olhou para ele interrogativamente. "Isso inclui o O Único e Futuro Rei?"

"Nah, esse é apenas para lazer. Pensei que você poderia gostar."

Ela sorriu para ele. "Este é o melhor presente de Natal que alguém já me deu."

Ele levantou uma sobrancelha.

"Certo, este é o único presente de Natal que alguém já me deu", admitiu ela. "Mas ainda conta."

"Deixe-me ver se consigo superar isso então", disse ele. "Eu tenho uma folga pra superfície vindo, o que você acha da gente ir para Duluth apanhar sol?" Ele pausou. "Bem, nuvens."

"Eu gostaria", ela disse, e então carranqueou. "Meu Deus, agora eu me sinto terrível por não ter arrumado nada pra você."

"Você pode compensar ano que vem", disse ele.

Ela hesitou, depois se inclinou e o beijou na bochecha. "Obrigada, Cody."

Ele sorriu. "Feliz Natal, Flo."


6 de Janeiro, 1986
Duluth, Minnesota

"Estive pensando sobre a operação de Timmins." Westbrook tomou um gole de seu café, mãos apertadas firmemente ao redor da xícara para se aquecer.

Eles estavam parados no final do pier sul, olhando para o lago coberto de gelo e o farol no pier norte. Mais ninguém estava lá para incomodá-los — estava muito frio. Esse era o ponto — ninguém podia ouvir a conversa deles.

Florence se inclinou contra a parede de concreto do pier enquanto ela se virava para olhá-lo. Ela estudou sua expressão silenciosamente tentando avaliar seu humor.

Florence e Westbrook estão no pier de Duluth e olham para o Lago Superior enquanto conversam.

"Você não me disse para não pensar sobre os 'e-se-isso'?"

"Isso não é um 'e-se-isso' e sim 'como'. Tipo, como a OBSKURA sabia?"

"Não seria preciso um gênio para adivinhar que iríamos atrás deles. Dependendo da rapidez com que eles fizeram o encontro com Bauer, montar essa emboscada teria sido trivial. Eu fiz coisas semelhantes várias vezes com os Fantasmas." Ela estremeceu um pouco com a lembrança.

Ele sacudiu a cabeça. "A emboscada é apenas parte disso. Você ouviu a Górgona, a OBSKURA nem deveria saber que a Chave existia."

A compreensão surgiu em seu rosto. "Tem um informante."

"Isso explicaria por que a Coalizão realmente veio até nós. Eles não podiam confiar em seus próprios homens."

"Então o que fazemos?"

"Nós? Nada." Ele encolheu os ombros. "Deixe os gawkers1 limparem sua própria casa."

"Mas e a OBSKURA? Eles não vão tentar outra jogada pelas Chaves?"

"Duvido. Eles perderam um dos seus últimos pesos pesados, mais cinco células de combate. E todas as evidências sugerem quer essa foi uma jogada de desespero."

Ela inclinou a cabeça levemente. "Como você sabe?"

"Sacrificar quatro unidades como uma distração é o tipo de coisa que você só faz quando está de costas contra uma parede. Além disso, tem a escolha do alvo. A Sexta Chave teria sido realmente útil para preencher a falta de força humana."

"Eu não sei, parece que nunca teria um momento ruim para fazer uma lavagem cerebral em um exército de fanáticos." Ela pausou, e rapidamente acrescentou, "Se esse fosse o tipo de coisa que você faria, pelo menos."

"Ah, claro, mas por que agora? Eles se contentaram em bancar terroristas nos últimos quarenta anos. Por que não fazer uma jogada pela Chave nos anos 50?"

"Talvez eles saibam de algo que nós não saibamos. Você sabe, já que eles tem um informante."

"Eu acho que eles sabem algo que nem a Coalizão sabe." Ele a deixou refletir sobre isso em silêncio enquanto tomava um longo gole de café. "Algo como, digamos, onde o Golem realmente está."

"Você acha que eles o eliminaram?"

"Você está brincando?" Ele riu e sacudiu a cabeça. "O Golem é a máquina de combate contra nazistas perfeita de Deus, eles seriam malucos por tentar. Não, eu acho que eles sabem que ele está ausente e viram uma oportunidade para pegar a Chave sem a interferência dele. Eu acho que eles deixaram a Coalizão interceptar suas comunicações para atrair os Capturadores de Ratos para uma armadilha. E eu acho que a única razão pela qual eles não tiveram sucesso é porque você estava lá."

"Você só esta dizendo isso para me fazer sentir melhor em deixar Bauer matar aqueles civis."

"Talvez." Ele olhou para ela conspiradoramente. "Está funcionando?"

Ela deu um soco levemente no ombro dele. "Só um pouco."

"Bom." Ele estremeceu por baixo do casaco. "Cristo, está mais frio do que o túmulo de Stalin aqui fora."

"Sério? Eu não tinha percebido." Ela tinha uma xícara de café embalada em uma mão, seu conteúdo intocado até o momento, e sua jaqueta estava aberta. Ela deveria estar congelando.

"Você está trapaceando."

Ela sorriu. "Só um pouco."

Ele franziu a testa. "Isso é sábio?"

"Está tudo bem." Ela balançou a mão livre com desdém. "É só um feitiço pequeno. Eu o fiz milhares de vezes e só queimei um edifício uma vez só."

O gelo ao lado do pier soltou um estalo agudo, chamando a atenção deles. Enquanto eles observavam, um pequeno círculo, talvez com um pé de diâmetro, começou a derreter. A água embaixo estava fervendo.

Westbrook estreitou os olhos e olhou para Florence.

"Isso normalmente não acontece, eu juro."

"Ã-ram."

Ela suspirou, e então soltou o fio de poder que ela estava segurando, finalizando o feitiço. A reação que estava fazendo a água ferver se dissipou, deixando-a congelar novamente.

Florence estremeceu violentamente quando de repente sentiu o aperto implacável do inverno que o feitiço estava escondendo. Ela rapidamente fechou a jaqueta e tomou um longo gole de café.

Ela estremeceu de novo, e então sentiu Westbrook colocar um braço ao seu redor. Agindo em um reflexo subconsciente, ela se inclinou para ele em busca de calor.

"Vamos nessa", ele disse. "Vamos lá pra dentro antes que você congele até a morte."


11 de Fevereiro, 1986
Sítio-246

Ela estava sentada de pernas cruzadas na academia de taumaturgia, cercada por uma complexa disposição de velas. Ela estava assim há quase uma hora, olhando ocasionalmente para a cópia de Fundamentos da Taumaturgia, que estava aberta em seu colo.

A chama de uma vela de sebo é naturalmente sensível à turbulência na aura de fundo, e, portanto, pode servir como um indicador básico para reações. Nesse papel, várias dessas velas podem ser utilizadas em um simples exercício para o evocador iniciante buscando um controle mais refinado das forças à sua disposição, que eu agora descreverei abaixo…

Florence seguiu as instruções fornecidas pelo livro, colocando as velas no padrão prescrito. Então, ela meditou.

Depois de se sentir confiante de ter limpado a mente de todas as distrações, ela lentamente levantou a mão esquerda diante dela e acendeu uma chama. Ao fazê-lo ela tentou se concentrar na vela diretamente à sua frente.

O fogo brotou do ar acima dos dedos dela e gentilmente lambeu a palma da mão. Ela ignorou isso, olhando atentamente para a vela escolhida. Se ela tivesse feito tudo certo, ela acenderia brevemente. Mais ao ponto, ela seria a única a fazê-lo.

Em vez disso, todas as velas da sala tremiam loucamente. Algumas delas começaram a queimar em cores diferentes. Algumas outras foram apagadas.

Ela fechou os olhos e soltou o feitiço.

"Porra."


15 de Junho, 1986
Minot, Dacota do Norte

"Bem?"

Florence rangeu os dentes frustração. "Sim, tem uma Via aqui. Eu acho."

Ela nunca tinha visto uma Via antes — não que ela soubesse pelo menos — mas o buraco que ela formava no tecido da realidade era inconfundível agora que ela sabia o que procurar. Se ela focasse em Observar, ela poderia ver ela sugar EVE da área; parecia bastante com o desbotar de cor de uma fotografia. Curiosa, ela extraiu um pouco de seu poder e o focou em direção ao buraco. A Via o sugou avidamente, engolindo a magia crua como água pelo ralo.

Então. Era assim que o sangramento ôntico parecia.

Claro, mais ninguém conseguia ver ele, o que tornava sua afirmação bastante difícil de julgar.

"Você acha?" Nathan Devlin repetiu, uma nota zombeteira em sua voz. Ela o ignorou — reagir apenas o deixaria saber que ele havia encontrado algo que a agravava, e então ele continuaria voltando ao assunto.

"Cala a boca, Devlin", disse Westbrook. "Deixe ela trabalhar."

Devlin ficou em silêncio, recuando para se juntar ao resto da força-tarefa. Florence acenou apreciativamente com a cabeça em direção a Westbrook.

"Você acha que você consegue abrir ela?" Ele perguntou.

Ela lambeu os lábios nervosamente. "Vamos descobrir."

Ela empurrou as mãos para a frente, dispondo força nas pontas dos dedos, e pegou as bordas do buraco metafísico. Ele avidamente chupava sua aura, tentando usar ela para alimentar o mundo além. Parecia como mergulhar em um lago congelante, e era tudo que ela podia fazer para não gritar com o choque.

"Abra," ela rosnou. Ela dispôs mais poder pelos seus braços, tentando forçar a Via, mesmo enquanto ela roubava sua energia.

Uma fenda apareceu no ar diante deles, um portal entre mundos. Florence podia sentir ele empurrando de volta, resistindo à vontade e ao comando dela. Seus músculos ardiam de exaustão fantasma, e o sangramento ôntico roubara a cor de sua vista. Ela empurrou com mais força;

Por um breve momento, ela pôde ver o mundo além da Via, o lugar para onde seu alvo fugira. Ela soltou um grito de triunfo.

Então ela perdeu o controle. Ela empurrou forte demais, colocou muito poder na operação. A Via se fechou com um estrondo, liberando uma onda de reação que se manifestou como uma explosão de força física. Todos na sala foram derrubados para trás.

"O que aconteceu?" Westbrook perguntou.

"Eu perdi." Florence se levantou e examinou o ar onde a Via estivera. "Se foi. Colapsou."

"Porra", ele murmurou.

"Belo trabalho, Firestarter", disse Devlin. Westbrook olhou para ele.

"Não é culpa sua, Flo," disse ele. "Ele vai ter que voltar pro universo principal eventualmente, nós o pegaremos então."

Ela ofegava, cansada demais para discutir. Mas, em seu coração, ela sabia que Devlin estava certo.


5 de Julho, 1986
Sítio-246

Ela estava sentada na academia de taumaturgia novamente, uma fileira de pequenas bolinhas de vidro colocadas diante dela. Estilhaços de cristal estavam espalhados pelo chão por toda a sala.

Ela focou na bolinha mais próxima, tentando não deixar a raiva que ela sentia invadir seus pensamentos. Nos últimos dias, ela tem passado a odiar as pequenas esferas de cristal.

Ela apontou para a bolinha, quase acusadoramente. "Levante."

Ela oscilou por um momento, depois voou pelo chão da academia como se tivesse sido atirada de um canhão.

Ela suspirou, reuniu sua vontade novamente e apontou para a próxima. "Levante."

Ela o fez. Na velocidade terminal. Ela bateu no teto e caiu de novo em pedaços.

Ela rangeu os dentes, respirou fundo e tentou não esmagar as bolinhas restantes com sua vontade. Se ela quisesse abrir Vias, ou fazer qualquer outro tipo de mágica sutil, ela precisaria ser capaz de dominar a aplicação precisa de seu poder. Dai, as bolinhas.

Ela apontou para a próxima na fila. "Levante!"

Ela se levantou lentamente no ar, balançando como um bêbado, mas ela não foi embora. Florence sorriu triunfante.

Isso foi um erro. Seu foco quebrou, e a bolinha explodiu em mil fragmentos pequenos.

Com um grito frustrado, ela invocou uma explosão de força concussiva que esmagou as bolinhas sobreviventes em poeira e amassou o chão embaixo. A onda de reação violenta reverberou através da água acima dela, com consequências infelizes para qualquer peixe próximo.

"Parece que você poderia fazer uma pausa."

Florence olhou para trás e viu Westbrook encostado na porta da academia. Ela olhou de volta para a pilha de vidro na frente dela. Depois de volta para Westbrook.

"O que você tem em mente?"


28 de Novembro, 1986
Sítio-460

"A Groenlândia meio que é uma merda", disse Florence, escondendo-se sob um pedaço de entulho em chamas. O alarme de brecha de contenção soava inutilmente em segundo plano, informando alegremente a todos no sítio algo que eles sabiam muito bem.

"Sim, também não era como eu queria passar meu fim de semana de ação de graças", Westbrook respondeu. Algo passou pelas sombras, e ele disparou reflexivamente. Houve um chiado dolorido, depois silêncio.

"O que diabos são essas coisas? Tem nada sobre elas no arquivo skip2." Outro tentou correr debaixo de uma porta próxima, apenas para encontrar seu fim com a lança de fogo que ela enviou atrás dele.

Ele parou no fim do corredor e esticou o pescoço em torno do canto, verificando o próximo corredor. "Eu acho que esses são bebês."

"Então onde está a mãe?"

Ele se virou de volta para responder e seus olhos se arregalaram em surpresa. "Se abaixe!"

Ele empurrou Florence para fora do caminho quando um membro longo e quitinoso apareceu no corredor. A ponta pegou o ombro de seu macacão e o jogou para trás. Ele bateu na parede oposta e caiu no chão.

Bem, isso respondeu aquela pergunta.

Florence se virou para encarar o skip escapado. Ele era indescritivelmente hediondo, coberto de quitina preta e olhos brancos leitosos, com muitas pernas e partes de boca. E ele estava puto.

Ele gritou quando Florence fez contato visual e começou a rasgar seu caminho em sua direção. Ele era grande demais para caber no corredor, mas ele não estava prestes a deixar pequenas coisas como arquitetura entrar em seu caminho.

Estava tudo bem. Ele não era o único que estava puto.

Ela deveria ter tentado contê-lo, de alguma forma. Afinal, era para isso que eles foram mobilizados para fazer — realizar a re-contenção. Centenas de maneiras de fazer exatamente isso passaram por sua mente — encurralar ele com uma gaiola de fogo, cegá-lo com uma explosão de luz, atordoá-lo com um choque gigante. Ela ignorou todas elas.

Westbrook era dela, e essa coisa acabara de feri-lo. Tudo que ela queria fazer era feri-la de volta.

"Grande erro, cara de caranguejo", disse Florence. Ela alcançou fundo em seu poço de poder, reuniu sua vontade e então jogou sua mão com desdém para a criatura.

Uma coluna de fogo, com doze polegadas de espessura e sólida como uma viga de aço, irrompeu da palma da mão e percorreu o corredor. Ela atingiu o monstro, e continuou indo. Ela continuou indo enquanto a coisa gritava e se debatia em agonia. Ela continuou indo após a coisa ter caído morta em silêncio. Ela continuou indo até ter atravessado a totalidade da coisa e irrompido do outro lado de seu cadáver nojento.

O alarme de brecha tocou mas uma vez, e então soltou um grito estático quando uma onda de reações finalmente o silenciou. Estouros e estalos ecoaram por todo o sítio conforme mais reações se manifestavam, embora o dano que isso poderia causar era maginal em comparação com o que o skip já havia causado. O barulho — e as reações — continuaram por quase um minuto inteiro. O universo estava objetando vigorosamente seu violento ataque à realidade.

Florence deixou a mão cair para seu lado. Estava tudo quieto agora, exceto pelo gotejamento ocasional de água e o estalar de fogo do corpo carbonizado do skip.

Foi demais para a re-contenção.

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