O Camponês e o Coelho
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Um camponês chinês saiu de sua vila faminta para buscar alimentos, ou qualquer um que possa ajudá-lo a encontrar. Ele viajou por horas, e quando chegou o momento de voltar ele caiu num buraco fundo, a queda foi dura, mas ele sobreviveu. O homem acordou em uma caverna escura, mas com uma fogueira acessa próxima a uma de suas paredes.

Ali haviam várias pequenas estátuas, cuja luz do fogo criava uma sombra em uma parede lisa de pedra. No chão sentava um robô, em formato de coelho, muito danificado e incapaz de se mover. O ser metálico olhava para as sombras fixamente e ininterruptamente, então disse:

— De onde você veio? Como veio parar aqui?

— Ó! Coelho, eu caí num buraco e vim para cá, estou perdido. — respondeu o homem.

— Claramente está, mas infelizmente eu não posso te apontar a saída. — disse continuando olhando para a parede.

— Mas por quê?

— Porque estou preso, não só não consigo me mexer, mas aqui é meu castigo.

— O que quer dizer?

— Eu era um cidadão da Lua, mas cometi demasiados pecados, alguns muito graves. Fui enviado para a Terra como expiação.

— Eu acho que posso te tirar daqui.

— Não pode, nem deve. A Terra é impura, e viver nesse jogo de sombras me salvará da loucura predominante lá fora. Como disse, estou sendo punido e aqui é minha cela.

— Eu entendo…

— Mas diga-me mortal impuro, o que te fez sair de sua casa e vir até o buraco que te jogou aqui?

— Eu saí do meu vilarejo para buscar comida, trouxe até algumas moedas para caso encontrasse algum comerciante, mas infelizmente voltarei para lá de mãos vazias.

— Nesse caso, eu posso te ajudar.

— Hm? Como?

— Nós lunáticos temos tecnologias e artifícios que vocês não têm. Eu tenho uma receita que te ajudará.

— Por favor, me diga!

— É um método que usamos para criar arroz, os principais ingredientes são água salgada e cascalho, estou certo que você conseguirá arrumá-los.

E assim o robô transmitiu o conhecimento culinário para o homem, o ensinando detalhadamente como fazer o prato. O camponês ficou muito entusiasmado e guardou a receita na memória dele como se fosse um tesouro. Procurou por uma saída e conseguiu escalar o buraco no qual caiu, as pedras eram soltas e perigosas, mas conseguiu chegar até a superfície.

Ele catou todos os ingredientes e os guardou eu sua mochila, foi até a vila e começou a preparar o prato o mais rápido possível. Se passou alguns dias e toneladas de arroz tinham sido feitas e distribuídas para a vila inteira. Houve festa e dança por causa da fartura de alimento e o homem foi adorado; foi um momento muito feliz.

O camponês, entretanto, notou algo estranho. Todos festejavam, mas ninguém voltava ao trabalho, o alimento era abundante, mas os outros recursos estavam em falta por negligência. Preocupado, ele conversou sobre isso com seus amigos e família, mas ninguém deu ouvidos, a vila inteira estava num transe enquanto comiam muito arroz.

Uma mistura de preocupação e raiva tomou conta dele, o coelho robô tinha o enganado, o arroz lunar era o causador disso tudo. O homem pegou uma corda no armazém, foi até o buraco e desceu para caverna para questioná-lo.

— O que você fez, coelho? Que diabos de receita é essa?

— Como eu disse, é uma receita que fará a fome do seu vilarejo se esvair.

— Todos estão viciados! Não conseguem nem ouvir uns aos outros.

— O arroz os salvou da morte, você deveria estar feliz.

O homem pegou uma pedra e com ódio bateu com ela várias vezes na cabeça do robô. O suficiente até a máquina parar completamente de funcionar. Aos prantos, o camponês se sentou no chão e olhou para as sombras projetadas na parede, eram simples, mas lindas. Sua beleza era inexplicável ao ponto de não o deixar desviar os olhos, nem por um segundo. E lá ficou imobilizado.

Se passou algumas horas, dias, talvez anos, sem ele nem sentir fome alguma ou precisar de uma única gota d'água; até que um garoto humilde chegou até ele, o questionou e por fim perguntou:

— Minha família passa fome, você pode me ajudar?

— É claro que eu posso, eu tenho uma receita que solucionará esse problema.

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