Desorientação do Impressor

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Operado em seu DreamWorld.

Prepare o roteiro, os boletins meteorológicos, as antenas e os cabos coaxiais do pessoal técnico…

O motor do ônibus zumbia monotonamente conforme o veículo cruzava o Túnel Quezon-Araneta. O relógio digital do ônibus indicava que já eram 20:30. Um velho vendedor ambulante, vendendo cigarros e garrafas de água purificada, estava andando de um lado para o outro no ônibus. Ele era ignorado pela maior parte dos passageiros. Uma das garrafas que este vendedor estava segurando acidentalmente caiu no colo de um Eduardo Domingo desorientado.

Sentindo a umidade, os sentidos de Eduardo Domingo voltaram à realidade. O vendedor tinha então pego a garrafa, se desculpando, "Desculpe po, manong, desculpe po de verdade chefia!" Massageando a testa, Domingo olhou para o vendedor que ainda não vendera a maioria de seus itens.

"Ano kaya…" murmurou Domingo assim que viu as caixas de cigarros Marlboro. No entanto, sua cabeça balançava para frente e para trás, e sua boca se recusava a se mover. Ele suspirou assim que o vendedor saiu no próximo ponto de ônibus.

Ele então percebeu que estava a três paradas de voltar para sua casa. Nesse ponto, seu smartphone apitou algumas vezes, o que reduziu seu estado de lerdeza. Outra mensagem, pensou ele, enquanto passava o dedo em sua interface.

"Eduardo, você será entrevistado por Mareng Winnie em seu segmento 'Heróis do Ano'. 10 horas amanhã," Ramirez, seu chefe na rede ABS-CBN, mandou para ele. Herói, certamente um herói do SimulaCe - essa palavras o perturbavam.

Dez minutos depois, ele saiu do ônibus. Embora a Manila 2035 estivesse mais ilumionada e energética do que 15 anos atrás, ele ainda estava em alerta para ladrões de bolsas, sequestradores e assaltantes atrás de seu nome. Ele geralmente cobria o rosto com uma máscara por precaução, mas de alguma forma ela foi enterrada dentro de sua bolsa hoje.

Um cartaz esfarrapado nas paredes do SM Megamall brevemente chamou sua atenção:

Salve o SimulaCe! Junte-se à luta contra a Aviatica!

Doe para www.escribo.org

Naquela hora, seu smartphone apitou novamente. Era uma mensagem do Escriter, um membro do alto escalão da Aviatica.

"Por favor, fique de olho no que está ao seu redor, Sr. Eduardo! Embora desejemos que -" Ele desligou o telefone antes de terminar a mensagem. Ele massageou a testa suada mais uma vez; as noites filipinas podem ser quentes, embora já fosse a estação das chuvas.

Com as aventuras de Domingo e da Aviatica no SimulaCe, ele e outros mundos virtuais estariam virtualmente mortos por pelo menos um ano, pensou ele. A perda do SimulaCe, em troca de seu título de 'herói', e o empoderamento do jornalismo - isso era interessantemente mórbido.

Ele chegou ao seu bangalô, indo direto para a cama. Ele estava sozinho nesta casa e tinha comido na Carinderia da Marcy e, protanto, sua pia da cozinha não estava cheia de pratos que teriam apelado a sua natureza cansada. Batendo palmas, ele desativou as luzes.

Ele havia se entregue a dormir por pelo menos seis horas em sua casa. Antes disso, porém, ele acessaria seu DreamWorld.

Seu DreamWorld - um mundo virtual moldado e hospedado em seu NeuraChip. Ele era capaz de ruminar silenciosamente nesse DreamWorld, simulando possíveis situaçõe para análise e entretenimento.

Domingo apareceu em uma réplica de seu escritório da ABS-CBN no DreamWorld. Ele podia ouvir cliques e bipes de máquinas de jornais sendo preparadas, e o ar condicionado zumbindo monotonamente.

Ele enfiou as mãos nos bolsos, mas logo percebeu que podia só manifestar um cigarro e um isqueiro por meio de seus pensamento. Franzindo a testa, ele acendeu um e lentamente examinou os arredores.

"…Um tanto cansativo, não é, Eduardo?" pensou ele, rindo monotonamente enquanto acendia o cigarro.

Ele então ativou várias funções de seu DreamWorld, uma das quais era reproduzir suas memórias do dia, capturadas por seu NeuraChip - era sua política melhorar a si mesmo revisando o que ele fazia.

Ele observou que o escritório da ABS-CBN na vida real era tão sombrio quanto o de seu DreamWorld, tirando os gritos ocasionais de Ramirez para sua equipe serem mais rápidos e Corteza acidentalmente derramando sua xícara de café em seu colo. O dia ficou animado quando finalmente chegou a hora de aparecer na TV. Antes de ir ao vivo, ele e os outros repórteres fariam piadas sobre suas roupas.

"Grabe eh… mesmo as grandes redes de mídia podem ser…" dizia Domingo, suas palavras devagando.

Trinta minutos depois, porém, ele sentiu uma forte dor na cabeça. Massageando as têmporas, ele viu as palavras "AVIATICA - ALERTA' sendo exibidas á sua frente. Seus olhos se arregalaram.

"Kung kailan pa naman ano eh!… Aqueles idiotas - eu disse que eu não ia me envolver de novo!" murmurou ele em voz baixa.

Uma garota de branco correu para perto dele, com uma pitada de pânico no rosto. O logotipo da Aviatica - um pássaro que simboliza a luta do jornalismo - flutuava acima dela, cujo nome ele tinha dificuldade de lembrar.

"Sr. Domingo - Sr. Herói," disse ela com uma leve pausa. "Sou Resea, enviada pelo Arqui-Editor da Aviatica, Escriter. Protocolo SAAVEDRA em relação a você foi iniciado."

Ele estremeceu com a menção do Protocolo SAAVEDRA. Isso significava apenas uma coisa - alguém invadiu seu NeuraChip e está planejando interceptar ou extrair dados de seu DreamWorld. Nesse caso, há um grande grupo que estaria planejando fazer isso.

"Teka, vá mais devagar por um momento. Tem certeza que a Fundação está atrás de mim?" disse ele, escolhendo cudiadosamente suas palavras. "Provas?"

A Fundação - um inimigo que eles fizeram após o ataque ao SimulaCe. Se passando iniciamente pela Seita dos Copistas do Pilar - S.C.P. - a Fundação estava envolta em mistério. Para uma organização jornalística como a Aviatica, não saber contra o que se luta é semelhante a apostar a vida.

"Aqui estão minhas credenciais e os registros de transmissão. Uma Inteligência Artificial chamada Cansigna da Fundação está em sua mente!" disse ela, inclinando-se para Domingo.

Domingo suspirou.

Em seu DreamWorld, a mente de Domingo era acelerada. Ele rapidamente navegou pelos documentos - eles tinham a assinatura digital de seu chefe Escriter - uma assinatura invencível que é sempre válida mesmo na vagueza e loucura de um DreamWorld. Ele fechou os olhos.

O DreamWorld - um mundo sagrado de sua privacidade - foi invadido. Até aí, ele conseguia ter certeza.

"Aa 'to. O que vamos fazer agora?"

"Hmmmm, Sr. Herói, ir ao seu LinqHub para nos conectarmos à Aviatica é nosso objetivo - vamos ser rápidos!"

Uma rajada de vento repentina passou por ele e Resea. Ele virou as costas e viu um avatar sombrio e bugado na forma de um homem, agachado perto de um edifício. De repente, ele lançou uma enxurrada de facas em Domingo e Resea, que conseguiram se esquivar da maioria.

"Aquela figura ali é Cansigna! Vou tentar mantê-lo ocupado, então não se preocupe!" Resea se virou e sorriu.

"Sige. O que faremos então?" disse Domingo, enxugando o suor da testa.

"Use o Jump!" Resea, que tinha criado uma barreira de concreto, gritou de volta, enquanto apontava em pânico para a Avenida Taft. Cansigna estava batendo na barreira como um aríete, com pedaços dela constantemente caindo e se transformando e pixels.

Usar o Jump - um DreamJump.

Ele se concentrou em se lançar do chão, e o fez, junto de Resea. Durante um DreamJump, a mente do usuário começa a mudar drasticamente a paisagem ao seu redor, transformando tudo em um novo nível dentro de seu sonho.

Mesmo que o DreamWorld de Domingo tivesse sido infiltrado e seus poderes do sonho fossem limitados, ele ainda conseguia realizar um poderoso DreamJump.

"Sr. Herói, me, me cubra!"

Com essa sugestão, a mente de Domingo fez vários pagodes de três andares erguerem-se do solo. Ele e Resea pousaram no chão e começaram a correr para o LinqHub, com Cansigna logo atrás.


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Use o Jump.

"Aggh! Seu DreamWorld é muito confuso! Estou ficando cansada de correr para sempre… pela eternidade… ou sem fim - tanto faz!" disse Resea, puxando seu cabelo levemente desgrenhado.

"Essa garota - !," disse ele em voz baixa. "Olha, não é minha culpa que eu não moldei este DreamWorld para combate e parkour! mesmo assim… o LinqHub está muito longe, eu admito," disse ele, ofegante.

"Ehhn… que humilde! Espera," Resea apontou para outro beco. "Veja, um atalho aqui!"

As ruas estavam mudando ao redor deles, com casas se movendo pela área. As ruas tinham textura de jornal e bandos de pássaros voavam nas alturas. Bipes e sons de digitação podiam ser ouvidos, enquanto uma multidão de homens em trajes formais, segurando câmeras e microfones, passava por eles.

"Isso é certamente interessante… Espero que você me diga algo sobre o seu trabalho do dia a dia se tivermos a - ahhh, desculpe, desculpe. Por falar frivolosamente! Con, Cansigna está!" Resea disse em pânico, arrastando-o. "Sr. Herói, pense em algo!"

"Certo, certo!" Ele estreitou as sobrancelhas e se inclinou para frente. Ele então apontou para uma esquina e uma luz amarela envolveu sua mão esquerda.

Ele gerou um triciclo (ele não era muito bom com uma motocicleta, mesmo em seu DreamWorld) e fez Resea subir nele. Domingo fez váiros arranha-céus caírem para serem usados como rampas. No entanto, uma dúzia de pingentes pretos, parecidos com canetas esferográficas, passou zunindo por eles. Um atingiu o triciclo, quebrando uma de suas rodas.

A colisão derrubou Domingo e Resea. Estremecendo de dor, Domingo conseguiu conjurar um escudo, embora sentisse seus nervos fritando. Ele e Resea continauram a correr, enquanto o escudo ricocheteava mais projéteis.

"Re, Resea, vamos para o topo daquele prédio. Vamos voar," gritou Domingo.

"Entendido!"

Quando eles chegaram ao topo do prédio, Domingo se lembrou das instruções para criar um planador que ele aprendeu enquanto entrevistava um entusiasta de planadores algum tempo atrás. Em, seu DreamWorld, um pouco de lógica do mundo real ainda podia ser encontrada, afinal.

Ele ainda estava ocupado construindo as asas curvas e suportes quando avistou a figura negra se lançando do topo de um prédio a vários quarteirões deles, se lançando como uma bala de canhão.

Resea se lançou contra a figura, girando seu peso para tentar um chute circular sobre ela. Poucos minutos depois, Domingo terminou o planador e acenava desesperadamente para uma Resea momentaneamente atordoada, que ainda conseguiu se esquivar de Cansigna e caminhar em sua direção.

Ela agora tinha dois cortes profundos nas costas, embora eles não jorrassem sangue nem entranhas. Sua cabeça estava levemente deformada, embora aos poucos voltasse à sua forma original.

"Teka… Me cubra enquanto voamos, Resea! Essa coisa vai pular na gente!" disse Domingo assim que terminara de fazer o planador.

"E, entendido, Sr. Herói!" disse Resea, ofegante.

Domingo fez força, manipulando os ventos em uma tentativa de estabilizar o planador. Olhando para trás, ele podia ver que a figura negra, usando uma engenhoca parecida com asas, estava perseguindo-os. O planador mergulhou na tentativa de despistar o perseguidor, enquanto Resea começava a manifestar projéteis em forma de lâmina.

Durante a troca de projéteis entre Resea e a figura negra, estilhaços perfuraram a perna e as coxas de Domingo. Ele gritou de dor e sua perna ficou dormente, embora, felizmente, o planador não tivesse sido fatalmente danificado. A lesão curaria rapidamente em um DreamWorld, mas a dor ainda estaria lá.

Resea conseguiu acertar um golpe de sorte, que partiu as asas da figura. Domingo respirou aliviado ao ver a figura girando em sua descida.

Enquanto tudo isso acontecia, Domingo pensou brevemente sobre a pergunta interrompida de Resea e seu apelido de 'Sr. Herói'. Isso era, afinal, o culminar do que pelo ele vem trabalhando duro há anos.

Um buscador da verdade - essa era a versão ideal de Domingo de um, 'herói do povo'. Com o objetivo de trabalhar como jornalista e repórter de campo, Domingo perseverou ao longo da faculdade, ganhando até o título do Editor Chefe do jornal. Ele ignorava críticas de que o jornalismo nunca foi sobre se tornar um nome familiar, embora elas o magoassem.

Entretanto, ele reafirmou sua decisão - ele não era mais um jovem escritor inseguro de óculos.

Essa mentalidade foi o que o levou a aceitar o convite da Aviatica, e participar de seus vários esquemas (duvidosos ou não). No ataque ao SimulaCe, ele foi colocado como um 'herói', que 'lutou' contra Aviatica, que fechou e marchou as botas sobre o SimulaCe.

Como recompensa por seus esforços, ele recebeu o título de 'Sr. Herói' de Escriter e dos outros, zombeteiramente ou genuinamente, e sua popularidade no mundo real foi enormemente aumentada. No entanto, ele foi seguido pela Fundação.

Ser um 'herói' não era o que ele esperava que seria. As expectativas, o estresse, os horários de trabalho mais apertados, a perseguição constante dos programas de entrevistas e dos editores de revistas - ele ficou bastante desiludido.

Ele fechou os olhos neste seu DreamWorld distorcido e suspirou.

"Devo dizer que não é tão divertido ser um herói quanto você pensa. Tipo como as revoluções da Aviatica são…" disse Domingo, franzindo as sobrancelhas. Ele podia sentir gotas de suor se formando em seu rosto virtual.

"Hmmnn… Escriter ficará muito feliz em ouvir isso…" disse Resea em um tom cantante. Ela riu em voz baixa enquanto cobria a boca.

"Esse -!"

Escriter ficando feliz em ouvir seu julgamento… ele coçou a cabeça pensando nisso. Apesar de toda a inanidade que Escriter mostra, ele sempre exibiu um 'ar de neutralidade' em suas conversas. Talvez Resea seja apenas uma péssima juíza de caráter?

Ele suspirou.

"Opa, ainda não chegamos?" disse ele,

"Hmmn, estamos um pouco mais perto agora, eu acho? Só um pouco mais. Se você for pra di-"

Vários edifícios que imitavam a fachada do Manila Hotel and Casino de Okada saíram do chão e, em seguida, uma chuva de facas atingiu seu planador, forçando Domingo a fazer um pouso forçado.

O avatar negro ainda os perseguia, embora a distância entre eles fosse grande. A perna de Domingo, no entanto, estava ferida, então ele precisava de Resea para apoiá-lo.

E então,

"Sr. Edua… me faça um favor… e se - abai - !" Ele podia ouvir a figura negra gritando em uma voz estridente e distoricda à distância. Essa voz - Domingo a reconhecia -

"Ahhh… que rápido! Mudança de planos! Vamos para a esquerda, depois pra direita e então…"

"Opa, devagar, tá? Eventualmente a gente chega lá!"

"O Sr. Herói está mostrando sua confiança de novo! Que fofo!" Resea deu uma risada, embora sua risada tenha sido interrompida por outra chuva de facas. Ela e Domingo conseguiram se esquivr novamente, embora uma das facas tenha cortado a mão direita de Domingo.

"Urggh… eu… tenho um plano. Vou descobrir como, como podemos passar por esses prédios, então confie um pouco mais em mim, tá?" disse Domingo, gemendo de dor.

"Hmm, entendi;"

Olhando para trás, ele achou que quase conseguia reconhecer a figura enegrecida aparentemente corrompida. Resea, apesar de ser uma Inteligência Artificial, tinha olhos de medo e incerteza.

Ele então manifestou uma máquina de escrever Smith and Corona imponente - uma das quais ele encontrou no depósito de seu escritório. Coma ajuda de Resea, eles conseguiram pular por ela e sobre o edifícios. Eles agora estavam se aproximando do LinqHub.


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Interessante… este é o centro de sua mente, Sr. Herói.

Eles chegaram ao centro do DreamWorld de Domingo; ele estava levemente entretido com a forma como o lugar é deformdo. Resea olhava para o centro, sorrindo e piscando várias vezes.

"Estamos finalmente aqui! Confirmando as coordenadas, protocolos de pacote de dados… certo, parece que está tudo bem!" disse Resea, com uma mão no ar. "Ah, Sr. Herói, não se preocupe com Cansigna. Eu iniciei as defesas do LinqHub."

"Sige, Bora dar o fora desse inferno agora. O que devo fazer?" disse Domingo, ainda segurando sua perna ferida. A dor já havia diminuído agora e ele conseguia andar sozinho.

Resea então apontou para uma enorme torre cinza e espiralada - que era o LinqHub do DreamWorld de Domingo. Eles entraram nela e Domingo se viu de volta no escritório da ABS-CBN - não, era o escritório dele de quando trabalhava para o Manila Tribune. Resea então o fez se sentar.

"Por favor, espere aí. Estarei realizando os cálculos necessários e os requisitos de protocolo agora."

"Você realmente é da Aviatica quando cê fala assim. O Escriter vai se orgulhar de você." Ele suspirou. Nesse ponto, ele decidira que cooperará totalmente com Resea e a Aviatica uma última vez.

Resea sorriu e se aproximou de Domingo, massageando sua testa. "Certo, conexão de transferência de dados estabelecida, protocolos TPR1 registrados… Por favor, feche os olhos."

"Mhmm… a mente dele é realmente…"

Domingo pôde sentir gradualmente seu cérebro queimando mais uma vez. Ele sentiu que seus nervos estavam sendo extraídos um por um - no entanto, ele só conseguia gritar futilmente.

Resea estava no meio da transferência de informações quando a figura negra de repente colidiu na área. Ela chutou Resea com a força de um cavalo, fazendo-a voar.

"Isso foi por muito, muito, muito pouco, não? Arqui-Escritor Eduardo, por favor, tenha mais consideração consigo mesmo e com seu título!"

Eduardo também se embolou com Resea quando foi chutado. Ele bateu em um canto, embora a dor de cabeça diminuísse um pouco o impacto em seu corpo.

"A inteligência artificial da Fundação que tem estado de olho em você tem sido rude, rude, bastante rude, o suficiente para colocar um filtro visual em meu avatar, então eu realmente peço desculpas por ter que tomar medidas drásticas. Mas, enfim, consegui quebrá-lo agora!"

A forma normal de Escriter - 'um cavalheiro radical com um corvo no lugar da cabeça', como Escriter sempre se descrevia - estava à sua frente.

"…Mhhmmn… que inconveniente. Eu tinha bem acabado com a transferência de dados, sabe? Ah, o pássaro está fora do saco… ou seria esse o gato? Além disso, tudo o que preparamos para o Sr. Herói aqui foi-se em vão…" suspirou Resea.

Resea então correu até Escriter e o atacou, lançando uma saraivada de chutes. Domingo ainda se recuperava do choque, embora tivesse conseguido se esquivar por pouco de um ataque de Resea.

"Opa… seu corvo desgraçado!" Ele gritou trêmulo para Escriter. "Me escute pra uma pergun -"

"A pergunta sobre quem sempre escreve com a caneta enquanto a lua observa? Claro, claro, claro, sou eu, Arqui-Editor Escriter!"

Esse pássaro orgulhoso! pelo menos, ele determinou que ele era de fato Escriter. Afinal, quem mis teria esse tipo de tom na hora de falar.

"…Isso é verdadeiramente inconveniente."

"…Que tenaz, minha perseverante inteligência artificial da Fundação! Pois bem, você ouviu, Sr. Eduardo, decida-se e lembre-se!" disse Escriter enquanto se esquivava dos ataques de Resea. Resea, no entanto, encontrou o ponto fraco de Escriter e conseguiu imobilizá-lo.

Domingo então então decidiu usar um DreamJump novamente - Vários arranha-céus tinham emergido da paisagem ao redor deles. Desdobrando-se do topo estavam as bandeiras e logotipos da Aviatica e lemas jornalísticos (ou 'propaganda', como Escriter às vezes brincava). Esforçando sua mente ao máximo, ele fez com que os arranha-céus se espatifassem sobre Resea.

No entanto, Resea conseguiu se esquivar rapidamente, arremessando o Escriter preso para o leste. Ela então pousou, de cara para Domingo com um grande sorriso.

O rosto de Domingo empalideceu.

"Resea… o que é você?"

"Mhhm… Peço desculpas por termos sido pegos no calor do momento durante a perseguição. Sou Resea, Inteligência Artificial de Infiltração Geração 7 da Fundação… prazer em conhecê-lo, Repórter Eduardo Domingos da ABS-CBN."

Domingo ficou em silêncio.

"Certo, certo, há uma razão para isso, Sr. Herói. A Aviatica se tornou bastante perigoso para a estabilidade do mundo, devo dizer."

"…Vamos direto ao ponto." As mãos de Domingo tremiam. Devido ao impacto do DreamJump em sua mente, ele não conseguia fazer muito mais.

"Considere as ações da Aviatica de uma perspectiva de terceira pessoa - da perspectiva de um jornalista? Você não acha que eles são um tanto inadequados para heróis?" disse Resea, sacudindo o cabelo para cima.

"…"

Certamente era verdade. Mesmo que fosse apenas por duas semanas, oprimir o jornalismo online e prender 100.000 usuários em um mundo virtual como reféns - isso não foi exatamente 'heroico'.

"Além disso, Sr. Herói, você não acha que sua ações, em geral… não levaram em conta as verdadeiras questões relativas ao jornalismo, e foram exageradas? Afinal, para alguém como você que deseja a paz…" Resea se virou e apontou para ele, "não é irônico?"

Ele cerrou os punhos e fechou os olhos novamente. Ele pensou mais a fundo, e a resposta veio a ele.


"Creio que não, Resea. Há uma razão pela qual a Aviatica é a Aviatica. É porque o mundo é hostil, hostil demais de tal forma que a liberdade de expressão e vontade não possam prosperar com eficiência. Portanto, temos que recorrer às medidas adequadas," disse ele, olhando para Resea.

"…Mesmo se você machucar as pessoas?"

"Sim, Resea."

"Este homem está perdido." Resea fechou os olhos e uma grande carranca apareceu em seu rosto.

"Também acredito que heróis não precisam ser necessariamente bons de todo modo. Isso é apenas idealismo se manifestando como uma doença. "Afinal, jornalistas, Resea, são o oposto de idealistas."

"Mhhmm… Vou admitir isso como um ponto justo, pois isso é consideravelmente verdadeiro. No entanto…"

Você parece com o Escriter, pensou Domingo.

"Você está sendo jornalista apenas para si mesmo, mas não para o povo. Bastante egoísta, se você me perguntar."

"É aí que você se engana. Conforme você cresce como jornalista, você percebe muitas coisas, não apenas para si mesmo."

Domingo fechou os olhos. Ele também estava se preparando para desviar de qualquer ataque que Resea pudesse lançar contra ele.

"Certo, é hora de perguntar. O que é a Fundação?"

"Hmmn… nós queremos que todos vivam vidas felizes e normais. Esse é o nosso lema principal, sabe," disse Resea, sorrindo.

Muitas coisas pela normalidade - essas palavras fizeram Domingo estremecer. Uma organização determinada pelo silêncio. Mesmo se ele estiver fora dos holofotes, ele seria rastreado e forçado a tomar uma bala deles.

Se as palavras de Resea estivessem certas, a Fundação irá ou destruir sua mente ou seus colegas. Como jornalista com sentido de camaradagem e visão de liberdade de expressão, ainda que originados pelo egoísmo, ele não podia deixar a Fundação fazer o que queria.

"…Parece que estamos na mesma área cinzenta depois de tudo que aconteceu. Olha só sua hipocrisia, Resea," disse ele, suando enquanto juntava suas palavras.

"Tsc. Bem, hora da carta na manga. A conexão de dados que estabelecemos não foi fechada, afinal," disse Resea, olhando para Domigo. Ela então levantou a mão, que ela transformou em um punho cerrado.

A mente de Domingo então começou a queimar. Seus nervos estavam à flor da pele - não com a bala de um gângster, como ele sempre pensara, mas por algo muito mais insidioso. Sua memória, que era protegida pelo que a Aviatica chamava de Memory PenCaps, estava aos poucos sendo torrada.

"…Como Cansigna disse, você deveria saber contra quem está lutando. No mínimo, conseguimos os dados sobre a Aviatica."

Sua mente continuou queimando; no entanto, um de seus últimos Memory PenCaps se ativou, permitindo que ele empurrasse Resea fisicamente enquanto permitia que sua mente se 'fechasse'. Isso foi seguido por Escriter, que conseguiu se libertar, chutando Resea para longe.

Os edifícios do DreamWorld estavam desabando e as estradas estavam dobrando de uma foram que normalmente não deveriam.

"Sr. Eduardo, assegurei-me de que em breve você e eu estaremos deixando este DreamWorld! Quando você acordar, desative seu NeuraChip e aguarde mais instruções!"


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O 'herói' está de volta, pensando.

Domingo acordou novamente. Ele verificou a si mesmo e seus arredores; Ele até usou um pião para garantir. Ele ligou sua TV antiga, que lhe foi dada por seu pai, e depois de alguns segundos assistindo ao noticiários em busca de questões envolvendo a Aviatica e a Fundação - e não encontrando nada, felizmente, desligou-a novamente.

Ele ficou tonto por alguns segundos, com vários buracos em sua memória. Quem era… a de branco? Ou o de preto? Algo foi forçado para fora de sua mente.

No entanto, ele consegue se lembrar claramente que depois de suas dificuldades no DreamWorld, ele solidificará sua determinação de lutar pela Aviatica mais uma vez.

"A Fundação estava mesmo séria com a Aviatica…" pensou ele. Uma organização determinada a manter o status quo é bastante contraditória com um mundo acelerado e moderno em que todos estão vivendo atualmente. Este é um problema que ele gostaria de resolver rapidamente e no qual se envolveria de bom grado.

Seu celular tocou. Verificando, ele viu uma mensagem de um remetente não identificado. Ele tinha quase certeza de que essa linha de comunicação estava bem protegida, de acordo com a política da Aviatica.

QUEBRA DA MÁSCARA PLANEJADA

Vários de nossos jornalistas e camaradas foram marcados na cabeça.

É a calmaria antes da tempestade. Ergam suas canetas contra a Fundação, inimiga da Aviatica e da liberdade de expressão!

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