Peripécias de Ficção-Científica
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Ato I - Cena V

Ao ar livre, em frente ao Sítio-96. No centro do palco está uma plataforma elevada com um pódio, no qual a equipe de Relações Públicos em sua totalidade está de pé, com espaço suficiente para quase todos ficarem ao mesmo tempo. Abaixo no palco, e espalhado da direita para a esquerda do palco, um grande grupo de repórteres está de pé, de frente para o pódio.

MICHAEL
Olá a todos, obrigado por terem vindo à coletiva de imprensa hoje, uhh… Eu não tenho muita experiência com isso, mas quero apenas lembrar a todos que ainda somos… meio que uma organização do governo… mais ou menos… portanto, não podemos compartilhar tudo, mas podemos compartilhar coisas preliminares e qualquer coisa que vocês precisem saber que seja… não confidencial. Então, eu acho… perguntas?


Os repórteres levantam as mãos e começam a gritar pedindo a chance de serem chamados. Michael fica supreso com isso, enquanto sua cabeça se move para frente e para trás, sem saber quem escolher.

MICHAEL
Oh jesus uhhh… uhh…


Michael recua devido ao estresse. Evelyn rapidamente entra e aponta para o Repórter A.

EVELYN
Você! Vá em frente, qual é a sua dúvida?

REPÓRTER A
Oi, eu sou Bertrand Gumpel aqui do The Typewriter Dot AOL, quão grande é o escopo do que sua fundação faz? Ouvimos trechos aqui e ali de que ela é um grupo em grande escala para parar e conter monstros, embora a palavra que ouvimos continuamente seja "seres anômalos", então até que ponto essas coisas existem naturalmente em nossa vida cotidiana, e é algo com que devemos nos preocupar?

EVELYN
(anormalmente alegre)
Ah, bem, essa é uma ótima pergunta, definitivamente. Então, essencialmente, nosso mundo é muito mais louco do que todos foram levados a acreditar, mas fizemos isso para que vocês não se preocupassem com todas as coisas que estão acontecendo! Monstros é meio que… uma pequena subseção do que realmente fazemos, que é, como você mencionou, fenômenos anômalos. Ele é meio que esse mundo selvagem cheio de peripécias de ficção científica… tipo, às vezes literalmente parece com um livro ou filme. Honestamente, nomeie qualquer tropo da ficção científica e ele provavelmente existirá. Vá em frente, diga um.

REPORTER A
Eu… Eu não sei, Viagem no Tempo?


Evelyn ri e tenta responder, mas se depara com um início intenso e repentino de PTSD causado por seus anos presa em loops temporais como parte de seu trabalho. Ela congela, completamente, parando no meio do movimento e com uma expressão que beira a surpresa e a preocupação.

HENRY
(sussurrando)
Evelyn? Evel… meu deus, certo.


Henry agarra os ombros de Evelyn e a "leva" para fora do pódio, tomando seu lugar.

HENRY
É… é complicado. Como Sr. Handler disse antes, muita coisa é confidencial e, para ser honesto, não está claro o quanto podemos revelar, então por enquanto vamos só… vamos deixar isso em "peripécias de ficção-científica". Certo, ok, próxima pergunta, alguém?


Como antes, os repórteres levantam as mãos e começam a gritar pedindo a chance de serem chamados. Henry aponta para Repórter B.

HENRY
Sim, vá em frente.

REPÓRTER B
Sou Sasha Bloom, do Today Weekly. Dr. Ozid, relatos de todo o país e, de fato, em todos os continentes sugerem que a logo da Fundação SCP foi vista em vários locais, incluindo em caixas indo para fábricas e hospitais, assim como em roupas e itens usados por outras pessoas que caso contrário seriam inconspícuas. Se devemos acreditar que sua organização é tão secreta quanto é, mas faz tanto quanto faz, como sabemos onde é seguro? Quantos sítios e operações secretas estão sendo realizadas pelo país?

HENRY
Bem… bastante. Eu não vou mentir pra você, vários edifícios, tanto abandonados quanto funcionais, são administrados secretamente por nossa Fundação, mas, novamente, é uma forma de proteger o público de-

REPÓRTER B
De fenômenos anômalos, certo? Dos tão chamados "meméticos" e "riscoscognitivos" e outras grandes palavras novas que foram lançadas sobre nós ao longo desta semana. Mas não estou perguntando sobre isso. As pessoas querem respostas, e vocês precisam estar preparados para dá-las.


Chandler acena para Henry deixá-lo subir ao pódio. Henry concorda relutantemente.

CHANDLER
Oi, Chandler Wentworth aqui, eu trabalho para a Fundação SCP e, a fim de dissipar quaisquer rumores ou equívocos que vocês possam ter sobre nossas operações, nós gostaríamos de convidar alguns repórteres e assessores de imprensa para se juntar a nós em um tour guiado do Sítio-96, o edifício na frente do qual estamos agora.


Sr. Handler parece extremamente preocupado, assim como Henry.

HENRY
Uhhh… Chandler, não tenho certeza se deveríamos-

CHANDLER

Henry, por favor, essas pessoas merecem respostas e, além disso, não temos nada a esconder.

MICHAEL
(parecendo derrotado)
Sim, nada a esconder, correto. E portanto o tour, que será guiado por mim, será na… quarta-feira às 9:00 da manhã.


Michael lança um olhar para Chandler que transmite raiva, confusão e aborrecimento, tudo de uma vez. Chandler parece genuinamente confuso quanto à reação de Michael.

MICHAEL
Acho que isso é o suficiente para o evento de hoje, obrigado a todos por-


Os repórteres explodem em barulho, tentando desesperadamente serem chamados apenas mais uma vez. Michael fica legitimamente surpreso com isso, pulando para trás em choque.

MICHAEL
Eu… ok certo, CERTO! Você!


Michael aponta para Natasha Fliers, que avança com confiança.

NATASHA
Natasha Fliers, notícias do Canal 12. Sr. Handler, um país inteiro sumiu.


O ar está parado por um momento. Natasha parece estar esperando a resposta de Michael, e Michael parece estar esperando a resposta de Natasha. Durante esse tempo, as luzes diminuem ligeiramente. Dana entra das portas da casa e anda em frente ao palco, segurando o telefone no ouvido.

DANA
Vamos… vamos… atenda…


A luz vai de Dana para o pódio.

MICHAEL
Sim… isso está… correto…

NATASHA
Um país. Inteiro. Sumiu.

MICHAEL


A luz vai de volta para Dana.

DANA
Atenda atenda atenda…

JAZZ GRAVAÇÃO
Oi, aqui é Jazz Korbachev, por favor deixe um recado e vejo você quando te ver.

DANA
Jazz, aqui é o Dana, ouça, não te vi no trabalho hoje, mas você tem que me ouvir, eu ia te mostrar isto hoje mas não posso esperar mais. Havia um membro extra em sua equipe. Vocês deveriam ter apenas cinco membros, mas vocês tinham seis, e tem algumas outras coisas estranhas nos relatórios também. Leituras muito altas, motores não funcionando apesar de múltiplas verificações. Eu acho que algo estranho estava acontecendo, e não acho que tenha sido culpa sua. Só… não faça nada maluco, ok? Isso não é culpa sua!


A luz volta ao pódio.

MICHAEL
Eu… Eu entendo que um país inteiro sumiu… mas, tem alguma pergunta?

NATASHA
O que vocês vão fazer a respeito disso? O que a Fundação SCP fará em relação à Coreia do Norte? Nós não sabemos se ela foi destruída ou está desaparecida ou se todo mundo nela está morto, não sabemos absolutamente nada. E pelo que sua empresa mostrou, vocês não estão fazendo absolutamente nada a respeito disso. Pelo menos me diga - por quê? Por que isso aconteceu e quem deve ser responsabilizado?

MICHAEL
Bem… ninguém na verdade… isso fazia parte de… bem…

JAZZ
(de fora do palco)
Eu!


Jazz sobe no palco e sobe ao pódio. Ela empurra Michael suavemente para fora do caminho e olha intensamente para Natasha.

JAZZ
Eu sou Jazz Korbachev, engenheira-chefe do projeto da Coreia do Norte que transformou o país em um buraco no chão. Foram meus erros que causaram o mau funcionamento do maquinário envolvido, e eu sou a única responsável.


Todo mundo está em silêncio. Os membros da equipe de Relações Públicos se entreolham nervosamente. Finalmente, Natasha fala.

NATASHA
Se isso for verdade, você deveria estar sob custódia. Você deveria ser presa imediatamente.

JAZZ
Concordo. Eu já chamei a polícia.

MICHAEL
Espere, Jazz, o quê? Você fez o que?

JAZZ
(parecendo irritada/determinada através de lágrimas)
Eu disse que chamei a polícia, Michael. Eu sou um monstro. Eu matei vinte e cinco… MILHÕES de pessoas.

HENRY
Jazz, isso não é verdade! Você estava apenas fazendo seu trab-

JAZZ
(soluçando)
Meu trabalho era manter essas máquinas sob controle e falhei, Henry! Eu falhei em tudo e eu sou um fracasso e sou um fracasso e mereço morrer, porra!


Evelyn coloca a mão no ombro de Jazz, mas Jazz a joga fora.

JAZZ
Não tente me dar simpatia ou você só está me permitindo.


Dois policiais correm da esquerda do palco. Um aponta para Jazz e eles correm pela multidão de repórteres. Jazz anda até eles e cai de joelhos. A polícia a algema e a leva para fora do palco enquanto a equipe de Relações Públicas olha horrorizada e os repórteres tiram fotos maravilhados. As luzes se apagam no palco enquanto um holofote vai para Dana, ainda gravando a mesma mensagem telefônica.

DANA
Por favor, não desista, Jazz. Eu sei que isso parece o fim do mundo, mas não é. Isso é tudo. Falo com você em breve, eu prometo.


Dana fecha o telefone e coloca a testa na palma da mão, suspirando. Ele fecha os olhos por um momento pensando antes de abri-lhos e colocar o telefone no bolso. Apagão.

Fim Da Cena

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