SCP-047-PT

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Item n°: SCP-047-PT Nível 1/047-PT
Classe de Objeto: Euclídeo Restrito

Nível de Ameaça: Branco

Procedimentos Especiais de Contenção: SCP-047-PT deve ser contido em uma unidade de contenção no Sítio PT10, adaptada para animais de pequeno porte. Brinquedos destinados a uso por gatos domésticos foram instalados na unidade após negociações feitas com SCP-047-PT por Dr. Cezar, como forma de recompensa pela cooperação da entidade. Comida, na forma de 3 Mus musculus1 vivos e ração, deve ser fornecida para a anomalia duas vezes ao dia. Lanches adicionais podem ser fornecidos baseados no comportamento da entidade, a critério da equipe do Projeto de Contenção De SCP-047-PT.

Acesso ao item é regulado pelo zootécnico da equipe de contenção, Dr. Alencar. Análises conduzidas no corpo da entidade são permitidas, mas esforços de engenharia-reversa nos mecanismos internos de SCP-047-PT devem ser previamente autorizadas por determinação de um ou mais membros do Comitê de Ética do Sítio. Caso tal tentativa for autorizada e seja necessário um procedimento cirúrgico, SCP-047-PT deve ser anestesiado sem seu conhecimento para evitar uma resposta hostil por parte da entidade.

A equipe do Projeto de Contenção de SCP-047-PT deve operar com mais de 50% de seus membros ativos sendo taumaturgos ou especialistas em taumaturgia não-praticantes, para fins de facilitar o esforço de contenção. PdI-455 deve ser mantido em contato com a Fundação para fins de auxílio em casos de necessidade.

PdI-455 deve ter suas atividades monitoradas pela Fundação para fins de preservação da Máscara. Atividade irregular da Pessoa de Interesse deve ser registrada e, em caso de necessidade, um time deve interferir. O sujeito não deve sofrer impedimentos em suas operações fora destes parâmetros, com o restante dos protocolos de interação seguindo o padrão estipulado para membros de GdI-015 (Tecnotaumaturgos).

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SCP-047-PT.

Descrição: SCP-047-PT é uma fêmea da espécie Felis silvestris catus2 com uma série de implementos taumatúrgicos em seu corpo. Exames físicos revelaram que a anomalia possui uma série de cicatrizes remanescentes de procedimentos cirúrgicos invasivos, a qual acredita-se ter sido feitos por PdI-455,3 o dono de SCP-047-PT anteriormente a sua recuperação pela Fundação. SCP-047-PT demonstra um comportamento influenciado por instintos característicos de sua espécie.

Internamente, SCP-047-PT, possui uma série de implementos tecnotaumatúrgicos. Os ossos da entidade possuem inscrições de runas táumicas e diversos de seus órgãos foram substituídos por contrapartes mecânicas com implementos de Feitiçaria, projetadas para ampliar o funcionamento de tais dispositivos.

Notavelmente, o coração de SCP-047-PT foi substituído por um artefato na forma de uma esfera de mesma proporção que o órgão original, segundo leituras, a esfera é um meio de contenção para uma entidade taumatúrgica de capacidades indeterminadas. Devido a esses implementos, a entidade emite uma grande quantidade de Energia Taumatúrgica e é capaz de feitos táumicos, como sapiência e fala. Práticas feitas por SCP-047-PT são limitadas pela sua incapacidade de uso de gestos complexos e demonstra um comportamento influenciado por instintos característicos de sua espécie.

O item possui conhecimento sobre diversos aspectos contemporâneos ao período do início da Idade Moderna,4 e Idade Média.5 Foi determinado que as informações que SCP-047-PT possui sobre o mundo após a década de 1560 são limitadas. A anomalia é capaz de fala e leitura em um dialeto de grego antigo e múltiplos dialetos de copta.6 A entidade foi ensinada a falar e ler na língua portuguesa por PdI-455.

SCP-047-PT possui um comportamento territorialista. A entidade comumente designa uma região do espaço onde habita,7 e passa a proteger a região de invasores. Caso não exista uma edificação na área, o item tenta construir um abrigo rudimentar para si, usando materiais disponíveis, como caixas de papelão. Uma vez que um animal, em especial animais predados por gatos domésticos, entre na área designada este será atacado por SCP-047-PT. Caso uma entidade sapiente entre no território da anomalia, SCP-047-PT apresenta uma charada para o visitante e em caso de erro na resolução ou ignorância ao enigma a entidade visitante é atacada e em caso de resolução SCP-047-PT interage normalmente com o sujeito.

As charadas e enigmas de SCP-047-PT são construídos usando metáforas para fatos, eventos históricos e objetos considerados como senso comum pela população geral. Nota-se que muitas vezes a anomalia se baseia em conhecimentos do início da Idade Moderna ou anterior para elaborar enigmas, quando não usando algo existente na natureza. SCP-047-PT tenta primeiramente introduzir charadas em copta ou grego antigo e caso o sujeito alvo não seja fluente em tais línguas a entidade utiliza a língua portuguesa.

Adendo 047-PT.1: Descoberta

SCP-047-PT foi originalmente descoberto pela Fundação em 12/09/2014, em Brasília, Distrito Federal, Brasil. A entidade havia sido encontrada por um grupo de crianças, próxima a uma escola, após o término das aulas. SCP-047-PT havia estabelecido seu território em algum momento anterior em um beco, tendo apresentado uma charada para as crianças quando descoberto. Os sujeitos tentaram deixar o local ao perceber a anomalia, mas foram atacados por SCP-047-PT.

Algumas das crianças receberam ferimentos leves do ataque, mas conseguiram retornar às suas casas após evadir SCP-047-PT. Os pais inicialmente duvidaram das afirmações de seus filhos, acreditando que a situação havia sido inventada. Isso incentivou as crianças a produzir provas da existência de SCP-047-PT, o que resultou em um vídeo de um encontro com a anomalia exibindo seu comportamento característico.

O vídeo foi postado na internet e se tornou viral rapidamente. Isso resultou em outros moradores de Brasília tentando documentar SCP-047-PT, o que chamou a atenção da Fundação. Após a comprovação que os vídeos eram verídicos, um time de contenção foi enviado para recuperar SCP-047-PT, que foi temporariamente movido para o Sítio PT7 até que catalogação adequada fosse feita.

Os vídeos em circulação foram removidos e testemunhas imediatas foram dosadas com amnésticos adequados ao nível de exposição ao fenômeno. Uma campanha de desinformação foi iniciada, colocando a credibilidade da mídia produzida em questionamento. Isso foi feito principalmente através de reportagens influenciadas por times de desinformação da Fundação alegando que os vídeos de SCP-047-PT se tratavam de uma pegadinha elaborada.

Adendo 047-PT.2: Registro de Entrevista 13.09.2014

SÍTIO PT7

DIRETORIA DE ARQUIVOS E ACERVOS
COORDENADORIA DE LAUDOS E REGISTROS TÉCNICOS


REGISTRO DE ENTREVISTA


Entrevistador: Dra. Catarina de Carvalho Canmore

Entrevistado: SCP-047-PT

Prefácio: Primeira entrevista conduzida com SCP-047-PT.


SCP-047-PT: (Em copta) Mortal! Sou a guardiã desse local, responda meu enigma ou te devoro.

Dra. Catarina: O quê?

SCP-047-PT: (Em português) Ah, desculpe-me, mortal. Foi um reflexo, ainda não me acostumei com isso. Ou você responde meu enigma ou te devoro. O que é muito leve mas ninguém consegue segurar?

Dra. Catarina: Eu não acho que você consiga fazer muito atrás desse vidro.

Após 6 segundos de silêncio, SCP-047-PT se joga contra o vidro que separa as partes da sala em uma tentativa de ataque. Isso resulta na entidade batendo diretamente com o vidro e caindo.

Dra. Catarina: Você está bem aí?

SCP-047-PT permanecesse deitado.

SCP-047-PT: Droga.

Dra. Catarina: Eu só precisava te fazer algumas perguntas, nada muito complicado. Colabore.

Silêncio.

Dra. Catarina: Bem, se você não for colaborar eu vou indo–

SCP-047-PT: Calma! Responde minha charada que eu respondo.

Dra. Catarina: O que era mesmo?

SCP-047-PT: O que é muito leve mas ninguém consegue segurar? Era isso.

Dra. Catarina:Hm, deixa eu pensar.

Silêncio por 1 minuto e 45 segundos.

Dra. Catarina: Respiração? Sei lá.

SCP-047-PT: É, isso… Tá certo.

Dra. Catarina: Ah, ótimo!

SCP-047-PT: Faz suas perguntas logo.

Dra. Catarina: O que exatamente é você? Não é muito comum um gato falante, sabe?

SCP-047-PT: Eu não sou uma gata, isso é apenas uma… uma forma desagradável. Eu costumava ser uma linda esfinge, entende? Mas algum dia um taumaturgo imbecil encontrou meus ossos e teve a brilhante ideia de tentar me colocar em um familiar.

Dra. Catarina: Isso é muita informação para processar. Vamos por partes. Então você afirma ser uma esfinge?

SCP-047-PT: Eu sou sim, mortal. Eu sou.

Dra. Catarina: Então de qual tipo? Grega? Egípcia? Heh, ou talvez você seja uma francesa?8

SCP-047-PT: Voce é meio burra, né? Pra começar, as esfinges egípcias são todas homens, tanto é que nós os chamamos de androesfinges.9 Eu, seu ignorante, sou uma ginoesfinge.10

Dra. Catarina: Estou interessado, me conte mais sobre você.

SCP-047-PT: Isso é algum tipo de piada?

Dra. Catarina: Eu não era burra? Me explique então.

SCP-047-PT: Se você resolver mais um enigma eu continuo minha explicação.

Dra. Catarina: Sinceramente não entendo esse vício em enigmas por algum motivo–

SCP-047-PT: Quer respostas ou não? Esse é o preço. Existem duas irmãs, uma dá a luz a outra, mas nunca estão no mesmo lugar.

Dra. Catarina: Deixa eu pensar… Hm…

1 minuto e 13 segundos de silêncio.

Dra. Catarina: Tem certeza que não podemos resolver isso de outro jeito? Você estava brincando com a comida outro dia, podíamos arrumar uns brinquedos de verdade.

SCP-047-PT: Eu tinha alguma coisa na casa do meu dono— Não! Tem que ser um enigma, mortal. Não existe outro jeito.

Dra. Catarina: Bem, acho que vou ficar sem respostas por agora e você sem nada pra fazer. As unidades de contenção do PT7 são bem chatas depois da primeira hora que você fica nelas.

Dra. Catarina começa a deixar a sala.

SCP-047-PT: Espera! Espera! Ah… Podemos negociar algo, sim.

Dra. Catarina: Que tipo de brinquedos você quer, então?

SCP-047-PT: Alguns ratos, talvez. Seria bom ter algo para comandar. Eh, e aquelas… aquelas coisas de subir.

Dra. Catarina: Ratos vivos?

SCP-047-PT: Sim!

Dra. Catarina retorna.

Dra. Catarina: Bem, ótimo. Podemos ver os detalhes depois. Mas agora: respostas.

SCP-047-PT: Eu nasci na Grécia e morri no Egito. Eu não vejo tempo como vocês, não morri de velhice, fui morta por um mortal após resolver um dos meus enigmas. Eu não lembro de muitos detalhes, foi lá pelo…

13 segundos de silêncio.

SCP-047-PT: Eu sei lá que ano. Eu sei que os tais dos otomanos estavam lá um tempo antes de eu morrer. Eu acho que eles me mataram? Não faço a menor ideia.

Dra. Catarina: Hm, justo. E como exatamente você virou um gato?

SCP-047-PT: Olha, eu não faço a mínima ideia de como. Mas foi aquele taumaturgo tolo. Eu não consigo enfatizar o quanto odeio aquele protótipo de artífice.

Dra. Catarina: Artífice?

SCP-047-PT: Ele era um taumaturgo com algumas coisas que ele chama de… máquinas?

Dra. Catarina: Eh, um Tecnotaumaturgo, provavelmente.

SCP-047-PT: O quê?

Dra. Catarina: Nada, nada. Mas tem o nome dele?

SCP-047-PT: José Barbosa, algo assim.

Dra. Catarina: Obrigado. Inclusive, você tem um nome?

SCP-047-PT: Nome? Eh… Não realmente.

Dra. Catarina: Como assim?

SCP-047-PT: Nós somos algo tão… raro? É essa palavra. Você só precisa de um nome se precisa diferenciar as coisas. Não precisamos disso se existe uma ou duas por região.

Dra. Catarina: Certo. Vamos terminar por aqui, obrigado pelas respostas. Falamos mais em breve.

Adendo 047-PT.3: Registro de Entrevista 14.09.2014

SÍTIO PT7

DIRETORIA DE ARQUIVOS E ACERVOS
COORDENADORIA DE LAUDOS E REGISTROS TÉCNICOS


REGISTRO DE ENTREVISTA


Entrevistador: Dr. Jean Evangelista Cezar

Entrevistado: PdI-455

Prefácio: Após as informações obtidas de SCP-047-PT, PdI-455 foi catalogado como Pessoa de Interesse e rastreado. O sujeito foi convidado a fazer esclarecimentos sobre a anomalia. Dr. Cezar foi chamado para conduzir a entrevista.


PdI-455: Eu gostaria de esclarecer que eu não fiz nada de errado nesses últimos anos! Os– Os últimos dias foram os mais tranquilos, inclusive! Eu não sei o que acham que eu fiz ma–

Dr. Cezar: Calma, Sr. José. Não vamos te ameaçar com nada, fica tranquilo. Só queremos esclarecer algumas coisas sobre uma das suas invenções que foi descoberta por alguns civis.

PdI-455: Não, espera! Nada do que eu fiz já caiu nas mãos do público geral– Isso deve ser um engano.

Dr. Cezar: Em algum momento recente você fez um ritual, feitiço, algum processo, não realmente importa o quê. O importante é que a partir disso você criou uma entidade na forma de um gato para ser seu familiar. Isso está correto?

5 segundos de silêncio.

PdI-455: Como vocês sabem disso?

Dr. Cezar: Seu familiar foi encontrado por algumas crianças, depois disso foi uma questão de tempo até acharmos a anomalia.

PdI-455: Ah– Desculpa! Desculpa!

PdI-455. começa a chorar.

Dr. Cezar: Olha, nós não vamos te machucar, prender ou apagar sua memória. Se é isso que está te preocupando. Só queremos alguns esclarecimentos.

PdI-455: Jura?

Dr. Cezar: Sim, se quiser se acalmar pode ir pegar um copo d’água.

Nesse ponto a entrevista é colocada em pausa até o retorno de PdI-455, escoltado pela segurança do Sítio.

Dr. Cezar: Melhor agora?

PdI-455: Sim, sim. Desculpa por aquilo.

Dr. Cezar: Tudo bem.

PdI-455: Pode fazer as perguntas…

Dr. Cezar: Como exatamente você obteve o conhecimento e materiais para criar a anomalia?

PdI-455: Minha família é de Tecnotaumaturgos há muito tempo. Minha avó tinha alguns manuscritos velhos sobre invocação de criaturas taumatúrgicas. Trabalhando um pouco naquilo com algumas outras invenções, eu fiz aquilo.

Dr. Cezar: E quanto aos materiais?

PdI-455: Ah! Claro! Eu passei um bom tempo escolhendo que tipo de criatura eu queria. Passei um tempo procurando, algumas alternativas que eu queria eram muito além do meu alcance. Procurando algumas coisas velhas da minha família, tinha alguns objetos de quando eles moravam no Egito. Entre eles estava a ossada de esfinge que eu usei.

Dr. Cezar: Eu tenho uma dúvida, por que usou um gato? Eu imagino que deve ser difícil recriar o corpo original de algo daquele calibre, mas não entendo isso. Pra que você precisava disso?

PdI-455: Bem, é uma história complicada.

Dr. Cezar: Sou todo ouvidos.

PdI-455: Eu já fui roubado algumas vezes, na verdade. Nunca nada tão significativo, mas eu sempre perdia algum dinheiro, móvel ou eletrônico da casa. Eu já estava cansado e eu pensei que seria bom ter um guardião, mas não deu muito certo.

Dr. Cezar: Não deu certo como?

PdI-455: Eu errei um pouco minhas pesquisas. Eu achei que a gata se transformaria em algo próximo da esfinge, graças à magia e os aparelhos nela. Mas aparentemente eu devo ter entendido as coisas errado. Eu tinha feito até um detonador para explodir a Neve se ela não me obedecesse.

Dr. Cezar: Espera, existe um explosivo no gato?

PdI-455: Não ativo. Eu desativei depois que percebi que aquilo não mudaria de forma ou era uma ameaça para mim. Sim, aquilo ainda é uma entidade táumica, mas era obediente graças ao processo do ritual. Eu não tinha coragem de explodir um gato, sinceramente.

Dr. Cezar: Mas você teve coragem de modificar cirurgicamente um gato.

PdI-455: Eu só melhorei ela. Aquela bola de pelos era muito preguiçosa.

Dr. Cezar: Justo. Mas o que aconteceu?

PdI-455: Como assim?

Dr. Cezar: Por que o seu familiar estava solto por aí?

PdI-455: O ritual não deu muito certo, como você sabe. Eu fui roubado mais algumas vezes, já que o bicho era inútil e ficava enchendo o saco fazendo charadas o dia todo, sempre me arranhava se eu não fazia nada. Eu ainda mantive ela como um bicho de estimação mesmo, mas eu já estava ficando cansado, aquele bicho é muito chato de se viver com. Eu tolerei aquilo até algum ladrão roubar algumas das minhas invenções, quase todo o dinheiro que eu guardava debaixo do colchão e vários manuscritos. Foi o roubo mais completo que eu já sofri.

Dr. Cezar: E o que você fez com a anomalia depois disso?

PdI-455: Bem… Eu não realmente tinha coragem de matar um gato. Então eu joguei ela para fora de casa e a avisei que ela não era mais bem vinda.

Dr. Cezar: É, no final das contas parece que você fez algo errado.

PdI-455: Não enche. Duvido vocês conseguirem suportar ela por mais de uma semana.

Dr. Cezar suspira.

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