SCP-052-PT
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Item nº: SCP-052-PT

Classe do Objeto: Seguro

Nível de Ameaça: Branco

Procedimentos Especiais de Contenção: Não é permitida a entrada ou saída de pessoas de SCP-052-PT, exceto de funcionários da Fundação. Esse isolamento de SCP-052-PT é realizado pela Força Tarefa Estacionária PT-52δ ("Alfândega interuniversal"), atualmente situada na Área PT21 e no Sítio PT52, que opera sob disfarces de policiais militares de Minas Gerais e proibirão a saída de habitantes da anomalia. As regiões ao redor de SCP-052-PT-1 a -5 no Universo basal serão cercadas como propriedade privada.

Caso sejam encontradas anomalias em SCP-052-PT de classes Seguro ou Euclídeo, elas poderão ser contidas no Sítio PT52, uma antiga instalação da extinta Superintendência Brasileira do Paranormal localizada em SCP-052-PT. Anomalias classe Keter devem ser movidas para a Área PT21.

Descrição: SCP-052-PT, nomeado Nihunlucar por seus habitantes, é um universo bolha conectado ao Universo basal por cinco portais (denominados SCP-052-PT-1 a SCP-052-PT-5), cada um com uma das extremidades localizadas na região central de Minas Gerais formando um pentágono equilátero convexo. As outras extremidades formam a mesma figura geométrica em uma região de 2700 km² (SCP-052-PT-A) dentro da anomalia, cercada por uma cadeia de montanhas cujas faces possuem inclinação de 89° 32' e estima-se que tenham 55 Mm1 de altura; apesar de seu tamanho, essa cadeia de montanhas não aparenta interagir gravitacionalmente, pois a gravidade em SCP-052-PT-A é uniforme e paralela às faces das montanhas em todos os pontos que foi medida. Até o presente momento não foi possível explorar SCP-052-PT além dos limites de SCP-052-PT-A, pois não foi encontrado método viável que não resulte em um cenário de Disfarce Quebrado.

SCP-052-PT-A é iluminado por algum astro (semelhante a uma estrela) durante 12 minutos e 39,2 segundos a cada 1 hora e 42 minutos, há 18 astros diferentes em SCP-052-PT que iluminam a região2, sendo o ângulo entre duas estrelas consecutivas com vértice em SCP-052-PT-A congruente para todas. O relevo de SCP-052-PT-A é mais irregular que o de Minas Gerais e o clima é semelhante a um inverno mineiro mais úmido, chuvas e neblina são comuns e na maior parte do tempo há a formação de nuvens à altitude de 100 a 300 metros.

O solo possui vários tipos de metais em pequenas quantidades, apesar de ouro ser muito raro atualmente acredita-se que no século XVIII havia mais próximo à superfície, o que incentivou a colonização da anomalia. A vegetação presente é de menor porte quando comparada à encontrada fora de SCP-052-PT e tem folhas mais escuras, cujas cores são de comprimento de onda maiores (normalmente amarelo ou vermelho) e em maior quantidade que a vegetação basal.

Cerca de 7 500 pessoas vivem em SCP-052-PT-A (o último censo realizado registra 7 563 habitantes)3 e nenhuma anomalia foi descoberta nessa população. A população é etnicamente homogênea, um terço dela vive numa vila próxima de SCP-052-PT-2 e o restante da população é uniformemente distribuída no espaço restante e produz os alimentos para a região. A agricultura em SCP-052-PT-A é inteiramente realizada com plantas nativas exclusivamente à anomalia, essas plantas provavelmente foram domesticadas por indígenas que moravam na anomalia antes de ela ser colonizada.

A tecnologia utilizada em SCP-052-PT por seus habitantes é predominantemente igual à humana do século XVIII, pois nos séculos seguintes a anomalia passou a ser isolada por organizações que estudavam ou continham o sobrenatural; exceções são em grande parte objetos de agentes da SBP roubados ou descartados e réplicas artesanais desses objetos.

Atualização: Desde o retorno da anomalia ao controle da Fundação foram encontradas construções no subsolo da anomalia, ver adendos para mais informações.

Anexo: História
Não se sabe ao certo a partir de quando SCP-052-PT-A passou a ser habitado, mas os moradores da região afirmam que a cidade foi fundada por volta de 1730. Folclore de Nihunlucar relata que os bandeirantes que descobriram a região se depararam com uma tribo de indígenas hostil, desconhecida pelas tribos de fora de SCP-052-PT e com aparência significativamente dos demais indígenas brasileiros, após uma série de conflitos essa tribo se rendeu. Até a anomalia ser descoberta pelo governo português, Nihunlucar era de facto independente de Portugal e abrigava alguns dos mais conhecidos falsificadores de ouro quintado.

Quando chegou a Vila Rica (atual Ouro Preto) a notícia que a Inconfidência Mineira fora denunciada às autoridades, os inconfidentes e alguns apoiadores fugiram para Nihunlucar e formaram resistência armada em SCP-052-PT-A, com pouco apoio da população local. Os revoltosos conseguiram anexar território no Universo basal, mas foram derrotados na Terceira Batalha de Nihunlucar, metade dos revoltosos foram mortos em combate e os demais foram exilados para as colônias portuguesas na África; as autoridades passam a veicular a falsa história de que os inconfidentes foram capturados em Vila Rica ou fugindo para o Rio de Janeiro para acobertar as duas derrotas.

A partir de então, foi fundada a divisão brasileira da [DADOS CORROMPIDOS], o braço do governo português que lidava com o anormal, passou a monitorar a anomalia, ela proibiu todo fluxo de mercadorias e pessoas entre a região e o Universo basal. Essa organização coletava os impostos dos moradores de SCP-052-PT-A, operavam a força policial local e isolavam a anomalia.

Durante a guerra de independência, após perderem boa parte do território mineiro para o exército brasileiro, as tropas portuguesas estabeleceram uma base de operações em SCP-052-PT-A e adotaram táticas de guerrilha, dessa forma conseguiram manter controle de algumas cidades próximas por vários meses. No fim de 1823, os habitantes da anomalia se revoltaram contra os militares portugueses e os expulsaram de SCP-052-PT, em menos de um mês o exército brasileiro conquistou o restante do território mineiro.

Durante 3 anos SCP-052-PT foi administrado por seus habitantes, sem ser conhecida pelo governo brasileiro, nessa época os habitantes raramente saíam da anomalia para realizar comércio com cidades próximas, sabendo que sua independência dependia de a anomalia se manter desconhecida; mas em 1826 uma expedição do exército encontrou a anomalia. O Imperador do Brasil D. Pedro I criara a Ordem do Sobrenatural do Império do Brasil, uma subdivisão do Exército Brasileiro criada para monitorar e conter anomalias no Brasil, pouco após a independência, essa organização encontrou SCP-052-PT e manteve a região fechada. Posteriormente D. Pedro II reestruturou a Ordem, a separou do Exército, e reduziu as restrições à região anômala, permitindo o comércio entre Nihunlucar e cidades vizinhas mediada por empresas de fachada da Ordem.

Durante a declaração da República, ficou decidido que a Ordem do Sobrenatural do Império do Brasil, renomeada para Ordem do Sobrenatural do Brasil, obedeceria diretamente às ordens do presidente e apenas ele saberia da existência da organização. Entretanto, antes de abdicar do cargo, o Marechal Deodoro da Fonseca ordenou que a Ordem deveria operar independentemente do Estado brasileiro e que nem o presidente deveria saber de sua existência, mas continuava sendo financiada pelo Estado. A partir de então, a OSB deixou de operar em SCP-052-PT e passou a apenas isolar a anomalia.

Em 1935 Getúlio Vargas reestabeleceu controle da organização após mandar um batalhão do exército cercar a sede da Ordem, após a reestruturação feita por Vargas para assegurar seu poder sobre ela, a OSB passou a ser mais submissa ao Presidente do que era ao Imperador durante o Segundo Reinado, e SCP-052-PT voltou a ser completamente isolada. Entretanto, como parte do tratado de paz do final da Segunda Guerra Mundial, várias organizações que lidavam com anomalias ligadas a governos nacionais, incluindo a Ordem do Sobrenatural Brasileiro, foram incorporadas à Coalisão Oculta Global. Em 1948, algumas anomalias classificadas como não-ameaças e como ameaças em potencial que não puderam ser liquidadas pela COG foram transferidas para a Fundação, dentre elas SCP-052-PT.

A partir do final de 1964, alguns artefatos anômalos em solo brasileiro desapareceram antes de serem assegurados pela Fundação ou por outra organização conhecida. Em setembro de 1968 a Superintendência Brasileira do Paranormal entrou em conflito direto com a Fundação para tomar o controle de SCP-052-PT, a SBP saiu vitoriosa desse conflito devido aos funcionários da Fundação presentes no local serem suficientes apenas para impedir a saída ou entrada de pessoas de SCP-052-PT.

A conquista de SCP-052-PT pela SBP, diferentemente de quando Vargas subjulgou a OSB, não aparentou ter como objetivo principal a centralização do poder ou o reestabelecimento da soberania nacional; mas era motivada por um medo de guerrilhas que aproveitavam das anomalias para combater o governo.

Por ser uma Região Isolada4 com poucos pontos de acesso, essa anormalidade pode facilmente abrigar elementos subversivos e milícias de setores contrários à revolução, a eficácia de táticas de guerrilha se aproveitando da anormalidade da região foi provada várias vezes na história de Nihunlucar. Durante a Inconfidência Mineira, por exemplo, foram necessárias 3 tropas portuguesas para cada inconfidente para derrotá-los.

O reestabelecimento do controle da SBP sob SCP-052-PT também significou o fim da autonomia de Nihunlucar, pois a organização passou a realizar o policiamento da região. Para estabelecer uma central de operações na anomalia a organização detonou explosivos nas montanhas acima de SCP-052-PT-5, escolhido por ser o portal mais próximo do perímetro de SCP-052-PT-A, durante uma tempestade e a terra deslocada cobriu completamente o portal, após isso foi construído o atual Sítio PT52 dentro das montanhas, acessível via SCP-052-PT-5.

No começo do que ficou conhecido pelos habitantes como a "ocupação brasileira" houve algumas revoltas da população da vila contra a SBP, dentre elas a mais notável ocorreu em 1967, após SCP-052-PT-A ser dividida em dois municípios e os prefeitos serem escolhidos sem consulta da população local e o prefeito de Nihunlucar Urbana restringir alguns direitos dos habitantes, a revolta foi liderada por um indivíduo (PdI-1634-PT, nomeado como Inimigo de Estado 103 em documentos da SBP) que, apesar de aparecer em registros prévios da população da anomalia como não anômalo5, apresentava poderes fracos de dobra de realidade6; alguns registros sugerem que a SBP utilizou taumaturgia para conter essa revolta após quase serem expulsos de SCP-052-PT. Durante essa revolta cerca de 40 habitantes de SCP-052-PT foram mortos, incluindo PdI-1634-PT, e em sequência ocorreu uma onda de desaparecimentos, durante a qual desapareceu toda a família de PdI-1634-PT.

Após alguns anos a população se rendeu ao domínio da SBP e não houveram mais conflitos, com isso, as detenções arbitrárias de civis pela SBP se tornaram menos frequentes e houve significativamente menos casos relatados de tortura. No começo do governo de José Sarney, a SBP permaneceu em SCP-052-PT, agora não mais detendo civis aleatoriamente e sem realizarem violações dos direitos humanos, ao perceberem o alívio da pressão do governo sobre a população, esta exigiu a troca dos funcionários da organização que trabalhavam na anomalia e a punição das violações dos direitos humanos ocorridas durante a Ditadura Militar, a troca de funcionários foi realizada, mas os funcionários antigos foram anistiados.

Com a dissolução da SBP, SCP-052-PT voltou a ser administrado pela Fundação. Agentes da Fundação assumiram o disfarce de policiais militares de Minas Gerais para informarem à população da anomalia sobre o fim da SBP e que poderiam decidir se funcionários da Fundação fariam o policiamento sob o disfarce; foi decidido que a Fundação apenas realizaria o isolamento da região e os habitantes da anomalia comemoraram a reobtenção de sua independência. Atualmente (██/██/████), a Fundação, sob a fachada da empresa Silva e Correa Pesquisas, está em negociações com o governo de Nihunlucar para obter permissão para estudar a anomalia.

Adendo I (██/██/████): Após conseguir permissão do governo da anomalia, investigações num terreno onde PdI-1634-PT morava, localizada numa região incomumente plana de SCP-052-PT-A, foram encontradas 7 simulacros de armas de fogo e um objeto não identificado enterrados juntos, o objeto está danificado no topo, o que sugere que um pedaço do artefato foi removido. Acredita-se que a localização próxima das armas e do outro objeto seja coincidência.

Adendo II (██/██/████): O objeto desconhecido encontrado anteriormente era parte de uma construção de dois andares feita de pedra e traços de um material biológico não conhecido. O interior da construção estava completamente preenchida por terra.

Amostras das pedras que compunham a construção possuíam partículas de terra incrustadas, subsequentes análises da terra encontrada no interior da construção e próxima às paredes revelavam materiais (tais como madeira e o material orgânico desconhecido mencionado acima) sobrepostos, da mesma forma que a terra nas pedras, e muito bem conservados; a proporção de carbono-14 nesses materiais indica que a construção existia há cerca de 13 mil anos. Leituras indicam níveis de Humes maiores no topo da construção do que na sua base (variação pouco acima da margem de erro do equipamento), provavelmente devido a um artefato retirado por PdI-1634.

Adendo III (██/██/████): Mais escavações no terreno revelaram mais 8 construções semelhantes à primeira encontrada, sendo algumas localizadas na extremidade do terreno, datações pelo mesmo método mencionado no segundo adendo em todas as construções indicam a mesma data (13,2 mil anos atrás); entretanto, análise do material biológico encontrado nas paredes revelam datas entre 13,2 mil anos e 13,5 mil anos.

Devido às construções encontradas no limite da propriedade, foi realizado um pedido para a prefeitura de Nihunlucar para expandir a área de escavação arqueológica para incluir mais da região plana.

Adendo IV (██/██/████): Apesar de normalmente nada ser encontrado na terra entre as construções, nos limites do terreno, madeira nativa de SCP-052-PT foi encontrada sobreposta à terra em uma região contínua considerável, até o momento esse é o objeto mais recente encontrado (13,18 mil anos atrás).

Adendo V (██/██/████): Dentro das construções de pedra de madeira foram encontradas várias células incrustadas à terra com DNA de uma espécie do gênero Homo, provavelmente de SCP-1000. A distribuição das células no solo indicam que a maioria dos espécimes morreu de pé e a proporção de carbono-14 nas células encontradas datam todas as mortes na mesma década que a construção do objeto de madeira detalhado no adendo IV e que a data do Dia das Flores indicada pelas Crianças do Sol.

A hipótese mais aceita é que durante o Dia das Flores vários espécimes de SCP-1000 fugiram para SCP-052-PT e utilizavam o artefato que deu a PdI-1634 poderes de dobra de realidade para se defenderem dos humanos, após certo tempo de se defenderem com sucesso, toda a vila de SCP-1000 junto com seus habitantes foi deslocada para dentro do solo. Humanos também começaram a entrar na região e habitá-la próximo ao acontecimento desses eventos e, após milênios de isolamento na anomalia, seus descendentes seriam os indígenas que se renderam aos bandeirantes em cerca de 1730.

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