SCP-059-PT
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Item nº: 059-PT
Nível 3
Classe de Contenção:
seguro
Classe Secundária:
none
Classe de Disrupção:
dark
Classe de Risco:
notice

Procedimentos Especiais de Contenção: SCP-059-PT está atualmente armazenado no Sítio PT10, e deve ser enclausurado no interior de uma Unidade de Suspensão Biológica1. A USB, por sua vez, deve ser mantida dentro de uma câmara de contenção padrão de 10m², equipada com monitoramento infravermelho e internamente climatizada à temperatura de 2º C. Em caso de malfuncionamento ou indisponibilidade da USB, a Dra. Cervaes deve ser notificada imediatamente. Embutido no sistema de climatização ou instalado paralelamente, a cela também deve conter um dispositivo desumidificador. Qualquer matéria líquida originada do funcionamento do dispositivo deve ser coletada e enviada para análise laboratorial e, posteriormente, descartada segundo o Protocolo de Descarte de Líquidos Anômalos 0053/PT10 remanejada para o Armazém de Químicos de Baixa Periculosidade, onde será processada pelo Departamento de Parcerias Institucionais. A entrada da câmara deve conter um túnel de desinfecção humana, a ser acionado em caso de qualquer entrada e saída de biocontaminantes em potencial. A iluminação no interior da contenção deve permanecer desligada, exceto para a manutenção rotineira do ambiente ou mediante permissão dos pesquisadores diretamente ligados ao estudo da anomalia.

Devido ao interesse de organizações externas na obtenção de SCP-059-PT, quaisquer atividades conduzidas no interior da cela devem ser acompanhadas por um agente de segurança com liberação Nível-3, e seu perímetro externo imediato deve ser patrulhado por, no mínimo, 2 (dois) agentes de segurança Nível-3. Acessos não autorizados à câmara de contenção são passíveis de detenção e sanções administrativas perante o Departamento de Segurança Interna.

Descrição: SCP-059-PT é o cadáver de Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, popularmente conhecida como Irmã Dulce. Ao longo de uma hora, SCP-059-PT materializará em suas imediações cerca de 150 (cento e cinquenta) gramas de um vapor anômalo, doravante denominado SCP-059-PT-1. As propriedades anômalas de SCP-059-PT também se manifestam no seu processo de putrefação: apesar do óbito de Irmã Dulce ter acontecido em 1992, a anomalia não apresenta sinais de putrefação avançada. No momento da redação deste documento (██/██/20██), o corpo se encontra em um estado semelhante à 3 semanas de decomposição em um cadáver embalsamado2.

salvador059

Primeiro lugar de sepultamento de SCP-059-PT.

SCP-059-PT-1, em condições normais de temperatura e pressão, é um líquido incolor de propriedades curativas. Indivíduos em contato com SCP-059-PT-1, por vias oral ou aérea, gradativamente são curados de quaisquer condições médicas relativas à sua capacidade de visão. Isso inclui desde danos físicos ao globo ocular e sua conexão neural até condições que afetem o funcionamento correto do lobo occipital ou do córtex cerebral. Os mecanismos de ação de SCP-059-PT-1 não são explicados pela bioquímica disponível atualmente.

Irmã Dulce foi uma religiosa católica brasileira conhecida pelas suas obras sociais e devoção ao amparo dos pobres. Após sua morte, um processo de beatificação foi aberto e concluído em 2010, com reconhecimento do primeiro milagre da Santa3. Em 2019, o Vaticano reconheceu o segundo milagre de Irmã Dulce, iniciando seu processo de canonização e dando-lhe o título canônico de Santa Dulce dos Pobres. Por intercessão de Santa Dulce, um homem cego teria adquirido visão plena durante o sono. Devido à similaridade entre a natureza do segundo milagre e de SCP-059-PT-1, uma investigação está sendo conduzida para esclarecer se as propriedades anômalas de SCP-059-PT estavam presentes durante a vida.

Desde a canonização de Santa Dulce, SCP-059-PT é considerado uma relíquia católica de primeiro grau. Em cooperação com agentes da Fundação Italiana, uma investigação foi conduzida para determinar se a segunda relíquia ex corpore da Santa, localizada na Capela das Relíquias no Vaticano, possuiria propriedades anômalas semelhantes à SCP-059-PT, com resultados negativos.

Descoberta: O Departamento de Inteligência tomou conhecimento de SCP-059-PT após a emergência de rumores nas redes sociais sobre suas capacidades curativas. Um esquadrão de reconhecimento liderado pelo Cap. ██████ foi enviado para a Capela das Relíquias de Irmã Dulce, em Salvador, com o intuito de realizar examinações primárias para confirmar o comportamento anômalo. Análises espectrométricas do condensado nas imediações do sepulcro não foram bem sucedidas, e leituras dos níveis hume da mesma área indicaram leves alterações na realidade local. Dada a natureza publicamente exposta da capela e o nível de risco aparentemente inexistente da anomalia, uma tentativa de recuperação só aconteceria após a exumação de SCP-059-PT, feita no final de 2019 com fins de ratificar a canonização de Irmã Dulce. No dia ██/██/2019, a FTM PT05-ζ "Caiçara-jaci" foi acionada para realizar a operação. Para substituir o cadáver, foi construída uma réplica de material biodegradável modelada com base nas dimensões da estrutura óssea de Santa Dulce e uma estimativa do estado de decomposição do corpo. Ao contrário do que se esperava, o corpo não havia atingido estágios avançados de decomposição, o que causou atrito com a narrativa dos eclesiásticos que primeiramente exumaram SCP-059-PT. A missão foi conduzida com sucesso, e campanhas de desinformação sobre o estado de conservação de SCP-059-PT foram acionadas, com grande efeito.

Adendo 059PT-1: Seguem abaixo os registros dos experimentos realizados com SCP-059-PT e SCP-059-PT-1.

Registro de Experimento 059-PT-A
Indivíduo: D-3542 (mulher, 37 anos, hipermetropia)
Método: 100ml de SCP-059-PT-1 foram administrados por via oral.
Resultado: Um exame de refração conduzido 60 minutos após ingestão da amostra revelou melhora significativa no quadro de hipermetropia de D-3542.
Análise: Confirmou-se a capacidade curativa de SCP-056-PT-1. A descrição do documento foi consequentemente atualizada.

Registro de Experimento 059-PT-B
Indivíduo: D-3542 (mulher, 37 anos, hipermetropia)
Método: 700ml de SCP-059-PT-1 foram administrados por via oral ao longo de sete dias.
Resultado: Ao final do experimento, a refração ocular de D-3542 havia sido completamente corrigida.
Análise: Continuar acompanhamento médico com D-3542 para confirmar permanência dos efeitos de SCP-056-PT-1. — Dra. Cervaes

Registro de Experimento 059-PT-C
Indivíduo: D-9303 (homem, 70 anos, catarata senil); D-0025 (homem, 46 anos, catarata traumática)
Método: 350ml de SCP-059-PT-1 foram incorporados em cápsulas e administrados para D-9303 via oral durante 30 dias; D-0025 recebeu 350ml administrados durante 7 dias via nebulização.
Resultado: Melhora parcial do quadro de catarata de ambos os cobaias.
Análise: O composto mantém suas propriedades anômalas mesmo quando administrado de maneiras diversas. A regressão dos quadros médicos são proporcionais à quantidade de SCP-056-PT-1 administrada.

Registro de Experimento 059-PT-D
Indivíduo: D-6761 (homem, 22 anos, cegueira cortical congênita)
Método: 700ml de SCP-059-PT-1 foram administrados por via oral ao longo de sete dias.
Resultado: Escaneamentos de ressonância magnética no paciente revelam profunda reestruturação das pontes neurais no lobo occipital. Cobaia apresenta reflexos optocinéticos considerados normais.
Análise: As propriedades anômalas do composto se extendem à deficiências visuais de origem não-ocular. Deve ter sido um ótimo investimento para a [REDIGIDO] pagar pelos equipamentos do Sítio. — Dra. Cervaes

AVISO DO DEPARTAMENTO DE PARCERIAS INSTITUCIONAIS E SUSTENTABILIDADE OPERACIONAL

Estabelecida a baixa periculosidade de SCP-059-PT-1, experimentos posteriores serão conduzidos em parceria com a [REDIGIDO], empresa bioquímica parceira da Fundação. Os testes estão sob supervisão da Dra. Cervaes, e serão feitos primariamente com o fim de determinar a possibilidade de sua produção em massa, além de maneiras de otimizar sua lucratividade. O DPISO agradece à Dra. por cooperar com o estabelecimento de uma Fundação financeiramente sustentável.

— Dionísio Mourão, Diretor, DPISO


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