Procedimentos Especiais de Contenção: Dada a natureza intrínseca do fenômeno, a neutralização ou reversão de SCP-108-PT é considerada inviável. Os protocolos de contenção atuais concentram-se na minimização de fatalidades e na prevenção de acesso não autorizado à área afetada.
Para dissuadir a entrada de civis, foi estabelecida uma área de proteção ambiental estadual dedicada à conservação de lobos-guará. Oficiais da Fundação patrulham um perímetro fora dos limites da zona anômala. Indivíduos não autorizados que adentrarem esta área deverão ser detidos, escoltados para fora do perímetro e submetidos à administração de amnésticos Classe B.
Indivíduos externos à cidade que possuíam conhecimento prévio sobre sua existência — como pesquisadores, comerciantes e colaboradores técnicos — foram localizados e submetidos à administração de amnésticos, conforme o nível de envolvimento e risco informacional. Prorrogação protocolar foram feitas apenas para indivíduos considerados altamente relevantes pela Fundação e que colaboraram no desenvolvimento de protocolos de contenção ou fornecimento de informações contextuais precisas sobre a cidade, os quais permanecem sob monitoramento constante.
Todas as vias de comunicação e transporte terrestre com cidades vizinhas foram permanentemente interrompidas, visando impedir o crescimento da população de SCP-108-PT-B e, consequentemente, o aumento de indivíduos afetados. A autossuficiência da cidade é mantida através da exploração sustentável de recursos naturais locais, incluindo solo fértil e fontes de água potável.
Indivíduos classificados como SCP-108-PT-B são proibidos de deixar o perímetro urbano antes, durante e após a manifestação de SCP-108-PT. A ausência resulta em severos efeitos debilitantes irreversíveis à saúde dos indivíduos afetados.
As entidades designadas SCP-108-PT-A que se manifestarem durante os eventos de SCP-108-PT devem ser estritamente evitadas. Oficiais da Fundação no perímetro devem manter distância segura e abster-se de qualquer provocação, focando na observação e na contenção externa. Nenhum tipo de provocação, ataque ou tentativa de contenção é permitido, dada a exacerbação da agressividade das entidades e o aumento na frequência dos eventos resultante de tais interações.
A entrada de quaisquer indivíduos externos na área afetada após a cessação de um ciclo do fenômeno resultará na impossibilidade permanente de remoção do sujeito da cidade.
Descrição: SCP-108-PT está circunscrito a uma área urbana situada na região central do Brasil, abrangendo aproximadamente 8 km². Esta área é naturalmente isolada por uma zona florestal com um raio de 2,5 km. SCP-108-PT é um fenômeno anômalo recorrente que se manifesta exclusivamente em uma cidade localizada no estado de Goiás. O evento ocorre em intervalos irregulares, variando entre três e cinco meses, com uma duração aproximada de 25 minutos. A manifestação inicial é caracterizada por uma súbita alteração no espectro luminoso da área, que adquire uma tonalidade esverdeada atípica, cessando de forma espontânea ao final do período. A cidade encontra-se inexplicavelmente ausente de todos os sistemas de mapeamento convencionais, incluindo GPS e imagens de satélite.
Durante a atividade de SCP-108-PT, todas as formas de comunicação eletrônica (incluindo rádio, sinais de telefonia móvel e internet) são completamente interrompidas devido a uma interferência eletromagnética de origem indeterminada.
A Fundação executou um protocolo de isolamento informacional total, que incluiu a destruição de documentos históricos, registros cartográficos, civis e administrativos que mencionassem ou identificassem a cidade afetada. Esses procedimentos visaram remover qualquer vestígio oficial de sua existência nos bancos de dados públicos, arquivos estaduais, censos e mapas nacionais.
Durante a manifestação de SCP-108-PT, entidades humanoides designadas SCP-108-PT-A emergem da vegetação que circunda a cidade. Estas entidades apresentam características morfológicas peculiares, incluindo cabeças semelhantes a de um lobo-guará, olhos negros intensamente brilhantes, ausência de vestimentas e pele de coloração pálida. Adicionalmente, portam adornos cerimoniais de aparente origem tribal. As instâncias de SCP-108-PT-A demonstram consistentemente comportamento agressivo, utilizando armamento rudimentar e aplicando técnicas de caça contra os residentes da cidade, designados como SCP-108-PT-B.
Interações entre SCP-108-PT-A e SCP-108-PT-B frequentemente resultam na captura e subsequente consumo dos últimos. Em incidentes documentados, restos mortais das vítimas foram posteriormente localizados. Surpreendentemente, após um período de aproximadamente 96 horas, estes restos demonstram regeneração completa de tecido mole, acompanhada da recuperação das memórias pré-morte do indivíduo. Acredita-se que este processo seja facilitado pelas propriedades anômalas inerentes ao fenômeno de SCP-108-PT.
Os indivíduos designados como SCP-108-PT-B constituem a população permanente da cidade afetada. Estes indivíduos exibem imunidade aparente aos processos naturais de envelhecimento biológico e à morte por causas naturais enquanto permanecem dentro dos limites da área anômala. Análises de relógios epigenéticos e exames médicos extensivos indicam uma ausência significativa de degeneração celular em indivíduos com uma idade aparente estimada em até 70 anos. Contudo, ao se afastarem do perímetro da cidade por um período superior a 36 horas, SCP-108-PT-B desenvolvem sintomas graves, incluindo arritmia cardíaca, fadiga extrema e colapso orgânico progressivo. A reversão completa destes sintomas só é observada com o retorno imediato ao perímetro urbano.
Antes da intervenção da Fundação, a cidade mantinha relacionamentos diplomáticos, comerciais e técnicos com cidades vizinhas, principalmente durante os séculos XVIII ao XX. Tais relações possibilitaram a construção de uma sociedade organizada, resiliente e complexa, moldada por influências externas e por sua própria história de isolamento.
A cidade implementou um modelo democrático rotativo no ano de 1832, inspirado em princípios republicanos observados em colônias portuguesas e comunidades autônomas flamengas. Desde então, eleições quadrienais elegem um “Conselho Cívico” composto por um prefeito, cinco conselheiros eleitos e três representantes por mérito. Esse modelo foi adaptado progressivamente conforme as interações com representantes externos, incluindo sociólogos, advogados e urbanistas, sempre com retorno garantido antes da manifestação do fenômeno.
O sistema educacional foi formalizado em 1775 com a criação do Colégio Geral de Santerém1. Em 1898, após uma série de intercâmbios com universidades brasileiras e europeias, a cidade introduziu um sistema de ensino por níveis, com etapas semelhantes ao ensino fundamental, médio e técnico.
A educação tem caráter compulsório até os 16 anos e forte ênfase em disciplinas como filosofia, línguas, português europeu, espanhol e neerlandês arcaico, botânica medicinal, engenharia artesanal e história.
Culturalmente, a cidade é marcada por uma fusão de tradições ibéricas, flamengas e indígenas locais, refletidas em sua arquitetura colonial mista, festividades e práticas espirituais. O uso do português europeu como idioma principal coexiste com variantes do espanhol do século XVII e dialetos neerlandeses que sofreram arcaização isolada. Rituais e cerimônias civis incluem elementos tribais misturados a simbologias cristãs sincréticas e crenças próprias sobre o ciclo de morte e regeneração.
Economicamente, a cidade prosperou por séculos com uma estrutura baseada em economia agrícola sustentável, manufatura artesanal e trocas culturais com comunidades externas. Entre 1910 e 1960, a cidade manteve acordos comerciais com até nove cidades da região central do Brasil, utilizando rotas florestais e sistemas de transporte lacustre improvisado para exportação de ervas medicinais, objetos cerimoniais e tecidos artesanais.
O próprio conselho político da cidade sancionava leis rigorosas para impedir a permanência acidental ou forçada de visitantes, visando preservar o equilíbrio populacional.
A taxa de natalidade da cidade permanece estática desde aproximadamente 1690, e qualquer tentativa de reprodução humana dentro dos limites da cidade é estritamente proibida por legislação local sancionada pelo governo interno. O número populacional estável de SCP-108-PT-B é atualmente de 825 indivíduos. O monitoramento da área é realizado remotamente através de drones de alta altitude e estações de escuta de baixa frequência. Comunicações diretas com SCP-108-PT-B são conduzidas esporadicamente. Os prefeitos e representantes legais indicados por estes, demonstram cooperação parcial com a Fundação, mediante acordos de não intervenção.
Adendo SCP-108-PT-1: Em decorrência de tentativas prévias de comunicação com SCP-108-PT-B, toda a comunicação protocolar com a população foi temporariamente suspensa por precaução. No entanto, este período coincidiu com uma escalada significativa na agressividade de SCP-108-PT-A. As entidades invadiram a residência de D. Manuel Fonseca, destruindo todos os dispositivos eletrônicos de comunicação presentes. O D. Manuel, que buscava refúgio, foi capturado por entidades que transpuseram as barricadas defensivas. Em um desvio do comportamento previamente observado, SCP-108-PT-A consumiu o D. Manuel e seus familiares in loco, sem realizar o transporte dos indivíduos para a área florestal adjacente. A aparente correlação temporal entre a tentativa de comunicação com SCP-108-PT-B e o aumento da hostilidade demonstrada por SCP-108-PT-A sugere uma possível relação de causalidade ou influência. Isso exige uma análise aprofundada para o desenvolvimento de futuras interações e protocolos de contenção.
Adendo SCP-108-PT-2: Dois dias após o incidente com D. Manuel Fonseca, e o consequente aumento da hostilidade de SCP-108-PT-A, um evento imprevisto ocorreu às 17h26 na data de 14/06/1998. Estudos subsequentes confirmaram que o raio de atividade de SCP-108-PT se expandiu em 5 metros, agora abrangendo uma área maior do que o inicialmente contido.









