SCP-114-PT

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Nível de Ameaça: Laranja


Procedimentos Especiais de Contenção: SCP-114-PT-A deve ser contido no interior de um contêiner de dimensões 3m x 5m x 3m revestido externamente com uma camada de Amálgama Denettiana de 2cm de espessura. Uma placa adicional de mesma espessura deve ser posta de maneira a bloquear a saída do feixe psiônico de SCP-114-PT-A. Sua remoção é apenas permitida para fins de pesquisa, sob permissão e supervisão do pesquisador-chefe responsável.
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SCP-114-PT-A aguardando triagem em um galpão da Área PT9.

Atualmente, as instâncias SCP-114-PT-B e SCP-114-PT-C se encontram fora de contenção, em movimento constante na órbita terrestre baixa. No caso de sua eventual recuperação, procedimentos semelhantes devem ser adotados para suas respectivas contenções. Enquanto isso, o Setor Aeroespacial do Departamento de Engenharia do Sítio PT4 está pesquisando maneiras de trazer as duas instâncias para dentro do alcance da Fundação.

As ligas mercuriais presentes no ambiente de contenção de SCP-114-PT são estáveis, mas podem promover danos biológicos a longo prazo. Funcionários realizando a manutenção da contenção do objeto são obrigados a utilizar equipamento de proteção individual nível C1.

Descrição: SCP-114-PT denomina o conjunto de três satélites militares com capacidades psiônicas produzidos pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Cada satélite está equipado com um gerador termoelétrico de radioisótopos abastecido a pelotas de plutônio-238, dois emissores psiônicos biocibernéticos, semelhantes a dois encéfalos, com cerca de 20kg de massa neural em cada um e um sistema de suporte vital capaz de sustentá-los através de um ritual taumatúrgico. O ritual é abastecido pela energia Vital-Elan dos bioemissores, realizando a manutenção da integridade estrutural do aparelho cerebral sem a necessidade de prover a nutrição ordinariamente requerida por organismos vivos.

A maior parte dos sistemas de SCP-114-PT estão enclausurados dentro de uma caixa retangular de 2,3m x 1,1m x 1,8m, feito de uma amálgama prata-mercúrio espumada e revestida com epóxi-grafite. Este invólucro é atravessado por um cilindro, envolto em isolamento multicamada, responsável por canalizar as emissões psiônicas de SCP-114-PT em um ponto determinado da superfície terrestre. O revestimento imperfeito permite que o satélite manifeste atividade psiônica em sua proximidade imediata, corrigindo imperfeições de curso e fornecendo proteção física adicional. No canto superior esquerdo de uma das faces do recipiente de SCP-114-PT, encontram-se emblemas de órgãos aeroespeciais estadunidenses.

Embora a Fundação só esteja em posse de um dos três satélites (denominado SCP-114-PT-A), documentos e diagramas obtidos e fornecidos em cooperação institucional com a Filial Anglófona insinuam que a descrição acima também se aplica às outras duas instâncias (denominadas SCP-114-PT-B e SCP-114-PT-C). Uma radiografia industrial computadorizada confirmou que o interior de SCP-114-PT-A corresponde ao que é descrito nos documentos, com exceção dos dois emissores, cujo formato é discrepante com aquele delineado nos diagramas. O volume total do aparelho ainda é idêntico ao valor documentado, sugerindo uma mudança de caráter estrutural2. Durante todo o período de contenção, SCP-114-PT-A vem demonstrando atividade neural intensa, mas raramente resultando em emissões psiônicas.

Dada a similaridade do material utilizado no invólucro de SCP-114-PT-A com revisões anteriores das tecnologias de contenção de objetos psiônicos desenvolvidas no Sítio PT4, o Departamento de Segurança do Sítio PT4 iniciou uma investigação para averiguar uma possível quebra de sigilo. O atual diretor do departamento emitiu uma nota afirmando que estará colaborando com o Comando Militar e de Segurança para reforçar as operações de contrainteligência do sítio.

Descoberta: Em 21/05/2017, três pontos distintos de atividade psiônica foram registrados pelo Sítio PT4 na exosfera, originando feixes de força psicocinética que convergiam-se em um ponto localizado ao sul do estado de Nevada, nos Estados Unidos. Esta atividade foi observada com certa regularidade nas semanas seguintes. Em 13/08/2017, registrou-se uma escalada de intensidade uma ordem de magnitude maior que as observadas previamente. Algumas horas depois, um dos focos psiônicos observados entrou em rota de colisão com a superfície terrestre, acabando por aterrissar em uma região remota do Oceano Pacífico. Uma frota da Área PT9 foi mobilizada para investigar a área e recuperar o objeto.

Passadas três semanas, o objeto foi encontrado e, mesmo após cair de uma altura de 2 mil quilômetros, não apresentava danos estruturais significativos. SCP-114-PT-A não exibiu propriedades psicocinéticas durante sua coleta, mas os agentes reportaram sentir profundas dores de cabeça durante a primeira metade do trajeto de retorno. Já na Área PT9, aguardando triagem, funcionários relataram o oposto, descrevendo sentimentos de satisfação incomum para com o trabalho realizado em proximidade do objeto. Não se sabe as implicações deste fato, visto que este efeito cessou após horas da chegada do objeto, sem ser repetido até o presente.

Uma vez retida na Área PT9, a anomalia foi enclausurada na sua contenção atual e remanejada para o Sítio PT4. A origem do objeto foi determinada e uma moção de cooperação internacional foi levantada para a Diretoria de Comunicação e Diplomacia. A moção foi aprovada e oficiais diplomáticos estabeleceram contato com a Fundação Anglófona para negociar medidas de apoio à pesquisa e contenção de SCP-114-PT. Uma Portaria Conjunta de Cooperação foi emitida em 14/02/2020.

Além de comunicações oficiais referentes ao objeto, uma série de desenhos e documentos técnicos detalhando a engenharia do objeto foram adquiridas a partir desta cooperação. Cópias autenticadas de cada documento recuperado estão disponível para consulta no Acervo Bibliográfico do Sítio PT4. Dentre as comunicações obtidas, destaca-se um correio eletrônico enviado às vésperas da queda de SCP-114-PT-A, disponível em anexo abaixo.

As irregularidades na redação da carta levantaram questões dentre o corpo de pesquisadores acerca da integridade dos documentos. O Departamento de Segurança do Sítio PT4 foi novamente notificado e todos os dados obtidos pela Portaria Conjunta nº 99/EN+PT/2020 estão sob investigação.

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