SCP-117-PT em seu estado inativo.
Procedimentos Especiais de Contenção: SCP-117-PT está atualmente armazenado em uma caixa de polímero transparente de alta resistência para contenção de anomalias seguras de 0,5 x 0,5 x 0,5 metros com controle restrito e de entrada digital no Sítio PT5. O armário de contenção do objeto deve ser acolchoado para evitar danos estruturais à anomalia em caso de impacto.
A interação direta com SCP-117-PT só poderá ser realizada com a autorização expressa de Dr. Felipe Montenegro, responsável pela investigação e contenção do objeto. É estritamente proibido o contacto físico com a superfície de vidro da anomalia fora de sessões de teste autorizadas. Luvas de borracha eletrostáticas devem ser utilizadas durante qualquer manipulação física do objeto por pessoal autorizado, para evitar manifestações anômalas acidentais.
Todos os sujeitos Classe-D utilizados em testes devem ser avaliados psicologicamente antes e após o contacto com SCP-117-PT. Intervenção psicológica deve ser imediatamente fornecida em caso de reações emocionais graves.
Qualquer tentativa de captura, gravação ou replicação das imagens geradas por SCP-117-PT deve ser registrada e arquivada, mesmo que infrutífera, para revisão futura.
Descrição: SCP-117-PT é uma moldura retangular feita de madeira com entalhamentos circulares de coloração cinzenta, possuindo 23 centímetros de altura por 19 centímetros de largura. O painel frontal é composto por vidro, atrás do qual não existe qualquer papel fotográfico, películas ou outro suporte físico para imagens.
As capacidades anômalas de SCP-117-PT manifestam-se após um indivíduo humano tocar diretamente na superfície de vidro do objeto. Ao fazê-lo, o objeto produz uma imagem que aparece no lado interior do vidro, visível exclusivamente pelo interagente que iniciou o contacto. Observadores externos relatam ver apenas um papel fotográfico de coloração branca lisa, mesmo durante a manifestação ativa da anomalia. O papel fotográfico Kodak Endura Premier gerado possui 16 centímetros de altura por 9 de largura. As imagens criadas consistem em memórias pessoais esquecidas ou reprimidas pelo observador, tais incluem eventos traumáticos, momentos marcantes ou episódios de grande carga emocional.
Caso o contacto seja interrompido, a imagem desaparece gradualmente do papel fotográfico. Tentativas de registrar as imagens relatadas pelos interagentes foram realizadas com base nos relatos verbais destes. Ainda que o interagente afirme ver uma imagem durante o contacto, os registros fotográficos e digitais capturam apenas o fundo branco do papel fotográfico gerado pela anomalia. Isto sugere que a manifestação é cognitivamente restrita ao interagente, sendo invisível a qualquer sistema de registro externo.
SCP-117-PT não manifesta efeitos anômalos com todos os indivíduos que entram em contacto com a sua superfície de vidro. Esta variabilidade sugere um critério de seleção por parte do objeto, ainda que os fatores determinantes para tal resposta permaneçam desconhecidos.
As reações psicológicas observadas após o uso de SCP-117-PT resultam exclusivamente do conteúdo emocional das imagens evocadas. O objeto em si não demonstra qualquer tipo de consciência ou intenção emocional conhecida.
A natureza experiencial da manifestação impossibilita a verificação objetiva do conteúdo apresentado, tornando qualquer análise dependente do relato subjetivo do interagente. A realização de novos testes encontra-se suspensa por tempo indeterminado, dado o risco potencial de perturbações psicológicas e a ausência de dados verificáveis que justifiquem a continuidade de estudos experimentais.
Adendo-PT117.1 - Descoberta: SCP-117-PT foi descoberto num lar de idosos na região de Santarém, Portugal, após a visita de Oficial Paiva1 a seu tio, Valete Paiva, idoso de 94 anos e residente do lar. O Oficial relatou encontrar seu tio em estado de choque claro após ter "visto uma fotografia que não estava lá antes", o que resultou no acionamento rápido do Comando de Operações Especiais (COE) e, consequentemente, no despacho da Força-Tarefa Móvel PT1 – “Olhos Alados”. Um operador da FTM PT1 foi enviado para o local infiltrado como enfermeiro, localizando e realizando a investigação dos efeitos iniciais da anomalia e certificando a segurança para asseguração pessoal, que mais tarde foi efetuada. A ocorrência foi encoberta com uma narrativa de alucinação coletiva provocada por uma fuga de gás. Amnésticos Classe B foram administrados aos indivíduos que entraram em contacto direto com a anomalia.
Mais tarde foi confirmado que as habilidades anômalas de SCP-117-PT teriam se manifestado para pelo menos mais dois residentes, na qual um deles também se encontrava em estado de choque e com sinais de ansiedade intensa.
Uma carta foi deixada pelo Oficial Paiva, após o ocorrido.
Durante a minha visita rotineira ao meu tio, Valete Paiva, no Lar da Nossa Senhora da Luz, em Santarém, Portugal, reparei que, ao entrar, o meu tio estava sentado na cama a olhar para a sua mesa de cabeceira, sobre ela estava SCP-117-PT.
Ele tinha os olhos vermelhos e estava em um evidente estado de perturbação emocional. Perguntei o que estava a acontecer, e depois de uns momentos, ele disse:
”Ela voltou, como se nunca tivesse desaparecido.”
Hesitante, perguntei quem era “ela”. E o meu tio respondeu:
”A moldura, eu toquei na moldura e apareceu uma imagem da tua tia.”
O meu tio estava pela primeira vez a chorar no meu ombro. Tenho 34 anos.
”Sinto-me triste, mas tão leve ao mesmo tempo.”
Segundo ele, a moldura teria sido colocada por uma cuidadora do lar dois dias antes. Coincidiu com o recente diagnóstico inicial de Alzheimer.
“A moldura estava em circulação pelos dormitórios do lar”, acrescentou.
Contactei de imediato o Comando de Operações Especiais.
O que estava a acontecer naquele lar era algo que ultrapassava qualquer explicação comum.
– Oficial Paiva





