| Item n°: SCP-144-BR | Nível 1/144-BR |
| Classe de Objeto: Keter | Irrestrito |
Procedimentos Especiais de Contenção: A Força-Tarefa Móvel BR05-Omicron “Ministério da Verdade”1 está atualmente engajada em uma campanha de divulgação de informação e combate a teorias pseudo-históricas responsáveis pela manifestação de SCP-144-BR. Estas consistem em auxílio a divulgação científica na forma de palestras, criação de conteúdo e esforços que busquem refutar a teoria da presença fenícia no Brasil, assim como ativamente minar a propagação de tal tese para a população geral.
Indivíduos afetados por SCP-144-BR devem ser localizados, fichados e movidos para confinamento pela FTM BR07-Lambda “Cego, Surdo e Mudo”.2 Os detalhes específicos da manifestação da anomalia no sujeito (ou grupo) devem ser registrados e arquivados. O material produzido por infectados, divulgando informações provenientes de SCP-144-BR, deve ser combatido e confiscado, ao fim movido para o acervo para fins de fichamento e registro. Após o fim da circulação do material proveniente dos afetados, estes devem ser taxados como materiais fraudulentos.
Operativos da FTM BR07-Lambda são orientados a intervir em reuniões entre estes sujeitos. Deve-se usar de força não-letal para incapacitar e mover estes indivíduos sob custódia. Uma vez detidos, afetados por SCP-144-BR devem ser movidos para contenção humanoide e tratamento por profissionais em psiquiatria. Mediante melhoria da condição, estes devem ser movidos para o Retiro São Carvalho da Penha para estadia permanente. A alta será concedida para indivíduos que deixem de manifestar SCP-144-BR, sendo então dosados com amnésticos.
Caso um sujeito afetado por SCP-144-BR venha a desenvolver capacidades anômalas acessórias, este deve ser capturado com apoio da FTM BR01-Sigma “Rifle Menor de Salomão”3 e mantido em coma induzido indefinidamente. Em caso de necessidade durante a operação, em transporte ou posteriormente, neutralizar o sujeito em questão é autorizado pelo Comitê de Ética.
Pedra da Gávea. Segundo infectados por SCP-144-BR se trata de uma escultura do rosto do Rei Badezir.
Descrição: SCP-144-BR é a capacidade de reconhecer padrões inexistentes,4 que faz com que o afetado encontre conexões históricas, geográficas etc., que comprovem a presença de populações Fenícias no Brasil durante a Antiguidade Clássica. Afetados por SCP-144-BR irão se tornar ativistas desta tese independente de quaisquer concepções prévias. Adicionalmente, tais sujeitos podem vir a desenvolver propriedades anômalas acessórias.
A anomalia irá fazer com que indivíduos identifiquem escritas fenícias em erosão; estátuas e esculturas em formações geográficas; conexões filológicas, culturais e iconográficas entre o Brasil e populações Fenícias; e relações históricas entre Fenícios e o território moderno do Brasil através de saltos de lógica na interpretação de fontes. SCP-144-BR suplanta quaisquer concepções anteriores, de modo a reescrever as crenças do sujeito para aceitar a tese, já tendo afetado desde sujeitos sem bagagem acadêmica até pesquisadores conceituados, como Bernardo Silva Ramos.5 Até o presente momento, a historiografia não possui qualquer entendimento que essa proposta seja verdadeira ou possua qualquer base em evidência documental.
SCP-144-BR muitas vezes acaba por fazer com que os afetados se sintam compelidos a – segundo uma visão de um sujeito normal – produzir provas que comprovam a tese defendida, principalmente através da localização e divulgação de tais evidências. Quando questionados, estes não entendem estarem falsificando evidências, mas sim revelando uma informação já existente. Essas falsificações tomam formas variadas, incluindo textos, inscrições em pedra e demais formas de vestígios arqueológicos ou fontes históricas. Adicionalmente, não é incomum que infectados por SCP-144-BR percam a habilidade de medir riscos à própria segurança e se tornem descuidados mediante perigo enquanto buscam por tais provas.
Quando confrontados sobre a invalidade da tese da presença fenícia no hoje território brasileiro, afetados irão expressar desconforto. Respostas na forma de violência verbal são comuns no caso de insistência, com violência física já tendo sido registrada. Infectados por SCP-144-BR, então, tendem a se alienar de seus círculos sociais e relações, geralmente priorizando a sua participação entre grupos onde a tese é circulada.
As habilidades anômalas acessórias desenvolvidas por afetados envolvem principalmente o ontocinetismo. Após tais se isolarem do restante da sociedade não-afetada pela anomalia, estas características podem vir a surgir, com demais gatilhos sendo desconhecidos. Estes irão utilizar suas recém-adquiridas capacidades anômalas para realizar ações de extremismo buscando manifestar de forma forçada aspectos da realidade fenícia no cenário Brasileiro, como manifestar estruturas fenícias ou figuras mitológicas.
Bernado Silva Ramos, data desconhecida.
Nas décadas de 1640 e 1650, certos historiadores e arqueólogos começaram a estabelecer hipóteses sobre viagens ordenadas pelo rei Hirão de Tiro para regiões do Rio Amazonas no século X a.C., também afirmando que populações da Judeia fizeram o mesmo trajeto sob ordens do Rei Salomão. Apesar da falta de evidências e consideráveis extrapolações envolvidas nessa conclusão, o caso considerado emblemático para como se entende SCP-144-BR atualmente se deu com os historiadores Bernardo Silva Ramos e Ludwig Schwennhagen,6 com Silva Ramos em particular interpretando diversas formações naturais resultantes de erosão como sendo na realidade escritos fenícios.
SCP-144-BR foi identificado em 1952, quando incidentes causados pela anomalia foram localizados por Dra. Cleni Mendonça enquanto fazia uma pesquisa bibliográfica para ser utilizada de referência na contenção de SCP-███-BR. A pesquisadora identificou esta série de incidentes relacionados à produção acadêmica no Brasil, onde diversos intelectuais engajaram na teoria da presença fenícia no território nacional, sendo facilmente convencidos mesmo com grandes pulos de lógica nos artigos em questão. Estes eventos inevitavelmente terminaram com a produção de diversos artigos e documentação acadêmica com direito a reconhecimento externo e interno.
Estes dados foram repassados para Dr. Rodrigo Bittencourt, especialista em anomalias cognitivas, que identificou a anomalia e iniciou sua catalogação após uma bateria de entrevistas e análises comportamentais dos afetados. Estes três incidentes anteriores de SCP-144-BR foram identificados e catalogados, junto com um quarto incidente sendo observado enquanto as tentativas de contenção da anomalia já estavam em progresso. Esses incidentes iniciais, que ocorreram até o momento,7 foram alvo de campanhas de desinformação.
O incidente que levou à descoberta de SCP-144-BR envolveu uma série de eventos no cenário acadêmico brasileiro. Um total de 16 pesquisadores começaram de forma conjunta a defender e escrever sob efeito da anomalia. Estes identificaram erosões em pedras encontradas em Touros, Rio Grande do Norte, como escrituras e gravuras marcando um mapa de uma suposta colônia fenícia que se estendia até o atual estado do Amazonas.
“Tiro, Fenícia, Badezir, primogênito de Jethbaal”.
Defendiam também que a cidade de Touros era a capital desta colônia, tendo sido batizada em homenagem a Tiro.8 Assim o nome de “Touros” seria uma corruptela do nome original da cidade, que sobreviveu desde a Antiguidade Clássica. Nenhum dos infectados por SCP-144-BR apresentou provas para esta afirmação além de semelhança entre as duas palavras.
Os acadêmicos entraram em debate com diversos outros que não estavam afetados, sendo incapazes de serem convencidos mesmo mediante de uma evidência irrefutável. O efeito se manifestou de tal forma que todo o departamento de história da instituição de ██████ ██ ██████ se alinhou com a tese. Tal infecção começou a se espalhar para outros órgãos acadêmicos após 2 semanas de circulação no meio intelectual.
Eventualmente estes decidiram ir até a Amazônia para localizar o único outro assentamento bem representado no mapa. Angariaram fundos e se moveram pela floresta, se perdendo e eventualmente chegando no estado de Roraima. A expedição fracassou não só com os envolvidos tendo se perdido, mas com todos os membros da equipe vindo a falecer dentro da floresta amazônica. É sabido pelo post mortem do evento que todas as medidas de precaução e segurança foram tomadas pelos indivíduos.
Um segundo evento ocorreu quando populares em Bombinhas, Santa Catarina, identificaram um conjunto de pedras como restos de uma estátua do Rei Badezir. Estes, de forma autônoma, desenterraram as diversas pedras e planejavam transportá-las via caminhão até o Museu Nacional no Rio de Janeiro, capital. Começou-se um movimento neste grupo, cerca de 20 infectados, que afirmavam ser “neo-fenícios” (sic.) e advogaram a respeito da integração desta suposta herança cultural à tradição brasileira.
A Fundação Brasileira descobriu sobre essa manifestação de SCP-144-BR devido a projeção regional do evento. Agentes foram despachados e capturaram os afetados, entretanto, parte do grupo já estava transportando a suposta estátua do Rei Badezir até o Rio, sendo eventualmente interceptados após um acidente causado pela falta de cuidado dos infectados ao transportar as pedras na caçamba de uma caminhonete.
O terceiro incidente notável ocorreu em 12/03/1952, sendo o evento mais drástico de SCP-144-BR até o momento. Olavo de Oliveira Meller, residente de Touros e arqueólogo autodidata, começou uma marcha até o Rio de Janeiro, capital, angariando seguidores durante o caminho via infecção por SCP-144-BR. Olavo, segundo si próprio e seus seguidores, acreditava que os Fenícios haviam construído uma grande colônia que se estendia do atual Nordeste até o Centro-Oeste brasileiro.
Ao chegarem na Pedra da Gávea, Olavo orientou a organização de um rito em homenagem a divindades fenícias. A localização escolhida por ser o “túmulo do Rei Badezir, filho de Jethbaal” (sic.), sendo então entendida pelos populares como ponto ideal para o rito.
Hadad.
O rito consistiu em uma tentativa de invocar a entidade mitológica Baal Hadad9 para a realidade basal. A tentativa obteve sucesso, invocando a entidade relevante, sob o comando de Olavo. Tal entidade se manifestou ao topo da Pedra da Gávea e deslizou para baixo, chegando até os afetados por SCP-144-BR, onde foi celebrada e o céu acima da cidade do Rio de Janeiro se fechou.
Então, o perpetrador comandou a divindade que iniciasse um ataque a cidade do Rio de Janeiro, o que foi feito, resultando na morte de ~████ civis e na destruição parcial do Sítio BR2 graças a uma inundação e chuvas extremamente destrutivas provadas pelo Baal Hadad. A FTM BR01-Sigma foi despachada para neutralizar a ameaça assim que identificada, iniciando um combate nos restos da cidade com a divindade. Hadad foi eventualmente forçado a retroceder novamente até a Pedra da Gávea durante o combate.
Olavo foi atingido na cabeça a distância com um tiro de rifle, e a partir deste momento a FTM BR01-Sigma assumiu o controle da situação. Utilizando feitiços para conter a destruição e iniciar uma expulsão da divindade. Baal Hadad foi abatido minutos após a queda de seu invocador, e seu corpo desintegrou-se. Todos os outros civis envolvidos foram capturados e Olavo permanece em coma sob os cuidados da equipe de contenção de SCP-144-BR.
Campanhas de desinformação, juntamente com a reconstrução da cidade do Rio de Janeiro, estão atualmente em andamento.
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