SCP-400
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Item nº: SCP-400

Classe do Objeto: Euclídeo

Procedimentos Especiais de Contenção: A única colônia de SCP-400 sob custódia da Fundação (designada SCP-400-B) está atualmente contida em uma cela de contenção humanoide juvenil na ala de objetos Euclídeos do Sítio-77. Qualquer cela que contenha uma colônia ativa de SCP-400 deve ser contida com uma porta a vácuo sob precauções de Bio-segurança Nível 4. Qualquer abertura de ventilação deve ser coberta por uma rede metálica com vãos que não podem ser maiores do que 0,2 cm de diâmetro, seguida de um filtro aerosol 400-AF que deve ser trocado mensalmente e encaminhado para os pesquisadores químicos com autorização Nível 3/4 do local. Acesso para realização de experimentos requer aprovação tanto do Comitê de Ética quanto do supervisor RCMP ativo do objeto (atualmente o dr. Marshall Grant). Aqueles que manipularem SCP-400 devem usar trajes de risco biológico Nível 4 com pressão positiva, e devem ser descontaminados antes de voltarem. Em situações de emergência, a prevenção de contato olfatório com SCP-400 é suficiente para impedir exposição acidental na maior parte dos casos. Para instruções de cuidados, verificar o Documento 400-C rev 1.3.

Agentes operando na porção continental dos Estados Unidos devem relatar qualquer queda estatisticamente significativa de matrículas em creches, pré-escolas e escolas primárias de suas regiões designadas. Elementos da FTM Beta-7 (“Chapeleiros Malucos”) devem ficar a postos para identificação, pesquisa e eliminação de infestações ativas de SCP-400. Locais onde infestações forem identificadas devem entrar em quarentena usando a história de cobertura 139-B (‘peste negra’). Inquéritos da mídia devem ser categoricamente negados, e todos os indivíduos da mídia que demonstrarem interesse na área de quarentena devem ser detidos e administrados com um amnéstico Classe B antes de serem liberados.

Funcionários da Fundação afetados por SCP-400 estão sujeitos a quarentenas de até três (3) semanas. Se neste tempo os efeitos anômalos tiverem diminuído, o funcionário estará sujeito a avaliação psicológica antes do retorno ao trabalho. Se efeitos anômalos ainda estiverem presentes depois da administração de amnéstico Classe A, os funcionários restantes podem ser re-designados para pesquisas não-anômalas, setor administrativo e posições médicas. Civis expostos devem ser tratados com um amnéstico Classe A antes de serem liberados. Gentileza se referir ao Documento 400-1R para instruções de reintegração de acordo com a região geográfica. O controle de danos para infestações que afetem centros populacionais de 500 ou mais pessoas pode empregar o agente amnéstico Ennui-02 localmente se necessário.

Ao menos uma colônia ativa de SCP-400 deve ser coletada de todas as infestações subsequentes, que deve ser encaminhada a pesquisadores genéticos com autorização Nível 3/400.

Descrição: SCP-400 é a designação coletiva de uma espécie anômala de artrópode similar ao Armadillidium vulgare, o tatu-bolinha comum. Indivíduos SCP-400 são morfologicamente similares ao A. vulgare em aparência, mas podem ser distinguidos visualmente por conta de padrões de listras claras e vermelhas em suas carapaças dorsais. A identificação visual só é possível para indivíduos que não estejam sob influência dos efeitos anômalos de SCP-400. SCP-400 é um organismo parasitário que se alimenta das secreções mamárias do ser humano. Acesso a essa fonte de alimentação é conseguido através da habitação e manipulação de crianças humanas mortas.

Pessoas afetadas são atingidas por um risco cognitivo Tipo 3 através de um vetor de feromônios, que reaproveita os instintos presentes em todos os seres humanos de cuidar da alimentação e proteção das crianças. Pessoas sujeitadas a este efeito são incapazes de perceber SCP-400 ou o dano que causa a crianças. A exposição realizada em recursos Classe D determinou que o efeito não se aplica à vigilância por vídeo ou áudio, e que precauções Nível 4 de risco biológico são suficientes para evitar o surgimento dos efeitos. Funcionários informados dos efeitos de SCP-400 não exibem imunidade especial às percepções falsas criadas pela anomalia.

Desde 14/07/2005, o Comitê de Ética determinou que futuros experimentos com humanos de SCP-400 só serão permitidos em circunstâncias únicas e graves. Sendo assim, toda informação ligada ao relacionamento de SCP-400 com humanos e ao ciclo de vida foi compilada a partir de extensa supervisão e entrevistas conduzidas em █████████, ██, o local onde SCP-400 foi inicialmente descoberto. As conclusões são baseadas em um período observatório de agosto de 2003 a julho de 2005.

A infestação começa quando de vinte e cinco (25) a cinquenta (50) instâncias de SCP-400 selecionam uma criança1 e acessam o berço. Observações falharam em detectar qualquer instância de SCP-400 antes de aparecerem dentro do berço do alvo. Pais e empregados Classe D que estavam presentes foram incapazes de perceber SCP-400. Se qualquer pessoa ficar a menos de 0,5 m de distância da criança, instâncias de SCP-400 liberam coletivamente um spray que causa desorientação imediata e perda da consciência.

SCP-400 então começa a cavar através da pele da criança dormindo. Pontos preferidos de entrada incluem a boca, olhos, ânus, umbigo e axilas. A criança não reagirá à presença de SCP-400 de nenhuma forma, o que sugere o uso de anestésicos locais. A atividade cardiopulmonar da criança cessará nos primeiros quarenta (40) minutos desse procedimento, e em cerca de três (3) a cinco (5) horas o movimento resumirá, seguido de vocalizações torcidas. Neste ponto, a criança é considerada uma ‘colônia ativa’ de SCP-400. Os responsáveis incapacitados acordarão logo após a primeira vocalização e vão investigar. Pais ou outros adultos presentes onde der para ouvir também demonstrarão interesse, como é o normal para vocalizações angustiadas de crianças. Se a mãe original da colônia estiver presente neste momento, ela imediatamente começará a amamentar, independentemente da prática ou padrões de anteriormente.

Nas próximas cerca de dez (10) semanas, pais e outros adultos começarão a exibir afeição aumentada e superproteção da colônia. Durante este estágio, a observação direta feita por adultos e crianças presentes será incapaz de detectar qualquer anormalidade na fisiologia da colônia, apesar de várias perfurações na derme e movimentação irregular e anormal. A colônia é capaz de vocalizações básicas, e pode emular a alimentação, as excreções e performar comportamentos de crianças normais com cada vez mais habilidade. A decomposição ainda é visível sob observação durante este tempo, culminando na dessecação dos tecidos restantes da colônia2.

Ao fim da décima segunda (12a) semana, todas as colônias observadas apresentavam tamanho aumentado, ao ponto de que instâncias individuais de SCP-400 eram visíveis sob a pele. Tais colônias são consideradas ‘maduras’, e instâncias individuais vão engajar em comportamento reprodutório durante este período. Durante a alimentação, de sete (7) a doze (12) indivíduos SCP-400 irão sair da colônia através de uma das perfurações na derme, e segurarão em qualquer parte exposta da pele da mãe hospedeira por aproximadamente 10 minutos antes de voltarem. Mães hospedeiras estudadas durante este tempo começaram a mostrar produção aumentada de progesterona, assim como níveis elevados de gonadotropina coriônica humana, indicando uma gravidez induzida. Depois de um período de encubação de dois (2) a três (3) dias, mães hospedeiras ‘darão à luz’ entre vinte e cinco (25) a cinquenta (50) instâncias de SCP-400 na próxima vez que forem dormir. Não houve sucesso no rastreamento de instâncias de SCP-400 depois do nascimento. O intervalo máximo de dormência de SCP-400 antes de começar uma nova infestação é desconhecido. Após o comportamento de reprodução começar, o ciclo se repetirá semanalmente enquanto durar a infestação. Não foi observado nenhum limite natural na linha do tempo da infestação de SCP-400. (Ver Adendo 400-02)

De ███ infestações registradas até hoje, todas ocorreram no sudeste dos Estados Unidos, em áreas rurais ou montanhosas, e em alguns casos passaram despercebidas por até nove (9) meses. Detecção melhorada e extermínio de instâncias de SCP-400 são considerados de alta prioridade de pesquisa.

Adendo 400-01: Entrevista 400-25

Prefácio: Vigésima quinta de uma série de entrevistas conduzidas durante a infestação de 2003 em █████████, ██. Sra █████ ███ B██████ (daqui em diante ‘Sra B.’) entrevistada pelo dr. Marshall Grant, com Agente Fabian Pertucci observando. Sra B tem servido como mãe hospedeira de SCP-400-A e SCP-400-B simultaneamente. O estado avançado de decomposição sugere que as colônias estiveram ativas por mais de dois anos. Ela e seus gêmeos falecidos são considerados fortes candidatos a ‘Paciente SCP-400-0’. No período da entrevista, a Sra B foi isolada de SCP-400 por quinte (15) dias. Entrevista conduzida em 10/7/2005.

Dr. Grant: Boa tarde █████, como estamos hoje?

Sra B: Onde estão meus bebês? O que você fez com meus bebês?

Dr. Grant: Seus filhos estão sendo tratados devido a uma possível exposição à peste negra, senhora. Serão retornados a você o mais rápido possível.

Sra B: [entrevistada bate na mesa] Ah, porcaria nenhuma! Você não pode mantê-los longe de mim. Você não tem o direito de manter uma mãe longe dos filhos! Diga-me onde estão ou você verá quando os advogados do meu marido ouvirem disso…

Dr. Grant: Sra B██████, estamos do seu lado aqui. Queremos ajudar. Se você puder responder algumas perguntas para mim, faremos o possível para deixá-la vê-los esta tarde.

Sra B: Eu já te disse no formulário. Eles têm três meses de idade, sexo masculino, [NOMES REDIGIDOS], gêmeos idênticos, pesam cerca de 4,5 kg, não têm nenhuma alergia. O que mais você quer de mim?

Dr. Grant: Você disse três meses de idade? Quando eles nasceram?

Sra B: 5 de fevereiro de 2003. Agora você pode…! … Desculpe, eu só estou… Eu os amo tanto. Nunca pensei que seria uma grande mãe, mas eles têm dado tanta alegria! Depois que meu marido morreu… [entrevistada fica em silêncio por 15 segundos] …eles são meu mundo! Não sei o que faria sem eles. Não passa um dia em que não me sinta abençoada.

Dr. Grant: Imagino que sinta mesmo. A título de registro, você está ciente da data de hoje?

Sra B: É 10 de julho de dois mil e cin… Hm… Que engraçado. Eu podia jurar que eles só tinham três meses. Nossa, como o tempo voa! Devo ter uma foto deles em algum lugar, aqui. [entrevistada acessa objetos pessoais e fornece um retrato de SCP-400-A e SCP-400-B antes da infestação] Aqui está! Não são lindos?

Dr. Grant: Sim, senhora. Agora, notou algo peculiar sobre seus meninos?

Sra B: Bem, teve uma vez em maio quando aquele médico… Não, nada! Se qualquer coisa, é que estão indo até bem demais! Tão saudáveis e cheios de vida. Eu juro que o pequeno [REDIGIDO] disse ‘Mamãe’ logo ontem!

Dr. Grant: Desculpe, o que dizia sobre um médico?

Sra B: Sim, ele veio à minha casa depois que eles… [pausa de três segundos, entrevistada visivelmente confusa] Não falei nada de um médico! Deixe-me ver minhas crianças, por favor. Eles devem estar morrendo de fome agora; precisam ser alimentados.

Agente Pertucci (inaudível para a Sra B): Estamos perdendo ela; traga-a de volta.

Dr. Grant: Eu te garanto, senhora, estamos oferecendo o melhor cuidado possível.

Sra B: Com aquela fórmula horrível, aposto! [REDIGIDO] vomitou da última vez que tentei usá-la. Nenhum dos dois encostou nisso desde então. Não; é leite materno natural para eles, 100%. Meu ginecologista disse que eles precisam dele por pelo menos mais três meses, e não estou disposta a correr riscos.

Dr. Grant: Dois anos e meio não são tempo demais para continuar amamentando?

Sra B: Eles… Eles só têm três meses de idade!

Dr. Grant: Mas agora mesmo, você tinha dito…

Sra B: Eu sei o que eu falei! É sua culpa. Misturou tudo na minha cabeça!

Dr. Grant: Sinto muito se eu a confundi, senhora, é só que…

Sra B: Quem diabos são vocês, afinal de contas? Deixe-me ver meus bebês!

Nesse ponto da entrevista, a sra B se recusou a responder mais perguntas, e exibiu angústia emocional aumentada e ansiedade por separação. Exames médicos pós-entrevista relevaram extenso trauma ovário/uterino, maior do que em outras mães hospedeiras examinadas. A sra B foi dosada com um amnéstico Classe A quando as observações foram concluídas, e está atualmente sob vigilância da Fundação como uma Pessoa de Interesse.

Adendo 400-02: Desde 14/7/2010, SCP-400-A e SCP-400-B estiveram ativos sob custódia da Fundação por cinco (5) anos, indicando que as colônias podem sobreviver indefinidamente se alimento continuar sendo fornecido. Precauções de risco biológico Nível 4 têm tido sucesso em prevenir não só a reprodução de SCP-400 como também que se espalhem os efeitos de risco cognitivo dentro do Sítio-77. Acesso limitado para experimentação pode ser concedido com aprovação do Comitê de Ética e o supervisor RCMP de SCP-400 (atualmente o dr. Grant). Por favor, aguarde até trinta (30) dias para revisão antes de começar uma nova linha de experimentos.

Adendo 400-03: Em 5/10/2010, SCP-400-A cessou suas atividades durante a contenção depois de ingerir um suplemento nutricional experimental, permitindo que examinadores médicos dessecassem a colônia. Apesar da dessecação e decomposição, tecidos musculares continuavam responsivos a estímulos elétricos. As maiores concentrações de SCP-400 puderam ser vistas no estômago, boca, região cerebral e coluna espinhal. Particularmente deve-se apontar a periódica presença de espécimes individuais por importantes nervos motores nas extremidades, indicando um nível sem precedentes de intelecto comunitário que utiliza a arquitetura neural existente da criança.

Experimentação com os feromônios produzidos por instâncias individuais de SCP-400 revelou vários alucinógenos, amnésticos e compostos soporíficos que são capazes de reproduzir os efeitos de risco cognitivo de SCP-400. A análise de vários compostos revelou similaridades com amnésticos Classe B e C utilizados atualmente pela Fundação, o que indica uma possível violação de segurança (risco mínimo). Concentrações aerosóis da mistura abaixo de 50 ppm se provaram ineficazes em dar início ao efeito. É recomendada maior pesquisa sobre o sequenciamento genético de SCP-400.

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