REGISTRO DE ÁUDIO-5952-A
[INÍCIO DO REGISTRO 1]
Um leve farfalhar pode ser ouvido.
Pesquisador Ford: Aqui é o Pesquisador Junior… Ford, Pesquisador de Campo da Theta-6, Caçadores de Bruxas, reportando às sete em ponto, 5 de Agosto de 2009. A Theta-6 foi trazida ontem para o assunto SCP-5952, e…
Ford interrompe a fala por um instante.
Ford: Tô fazendo isso direito?
Agente Schumer: Não se preocupe, Ford. Apenas coloque tudo no papel e você ficará bem.
Ford: Ah, beleza. Sim, senhora. Ou… seria "chefe"?
[DADOS EXTRAS OMITIDOS]
Ford: E de novo, obrigado, chefe. Certo, a Theta-6 está ajudando a Whitewater com medidas de contenção, assim como… a Igreja Unida de Dixieland, o Grupo de Interessante 5705-B. Recebemos autorização para inspecionar o campus e os prédios, embora a Whitewater tenha aparentemente bloqueado zonas especiais com faixas burocráticas. Se não me engano, cruzar isso é… é proibido pelo tratado. Então… não cruzem.
Ford: O contato da Theta-6 com o comando será limitado, já que a Whitewater está pouco conectada à rede de informações. Caramba, eles nem têm CCTV. Espero que, bem… espero que consigamos. Estou confiante.
Ford: Agentes Samson Whateley e Rene Belloso foram tomar café da manhã no refeitório dos professores. Acho que devo ir atrás deles.
Ford pausa.
Ford: Câmbio.
O gravador é desligado.
[FIM DO REGISTRO 1]
[INÍCIO DO REGISTRO 2.1]
O Registro 2 começa com o que parece ser um refeitório.
Agente Belloso: -mas eu não suporto suas piadas.
Agente Whateley: Qualé, você riu delas.
Belloso: Especialmente porque rio delas. E isso não vem ao caso. Ford?
Ford: Sim senhor.
Belloso: Agora que você tomou seu café da manhã, gostaria de falar o que causou essa expressão no seu rosto.
Ford: Poderia elaborar, senhor?
Belloso: Primeiro, me chame de “Oficial”. Segundo, a Theta-6 aprende a perceber quando algo está errado. Pode me dizer o que você encontrou no caminho que o fez deixar assim?
Ford: Senhor, é apenas nervosismo, na verdade. Eu…
Ford se interrompe, antes de continuar com um suspiro.
Ford: … bem aqui, uma das estudantes aproximou de mim e… puxou assunto. Ela, ah, sim, me desculpe, expressei mal, na verdade ela era professora, certo? Obrigado, chefe.
Ford: Então… ela veio até mim, e eu acho que a vestimenta JRF se parece com um uniforme, pois ela falou como se eu fosse um estudante. Ela falou sobre o quão estranho era um homem estar alí, me bombardeando com perguntas,você sabe. Nenhuma delas realmente me chamou a atenção, acho, todas típicas para um homem negro… em uma escola predominantemente feminina e branca. Mas…
Whateley: Ela estava rígida? Não piscava? Seus movimentos eram como os de um relógio ou como de um músculo?
Ford: Não, não era ela não. As questões…quer dizer, parecia algum tipo de pesquisa. Eu… eu gravei as perguntas, mas eram coisas como "com que frequência você chora?", "você tem alergia a frutos do mar?", "você acredita em um Deus?". Só… e às vezes, dependendo da minha resposta, ela balançava a cabeça, sorria ou me dizia para começar ou abandonar um hábito. É… quer dizer, eu gravei, e é muito difícil de descrever, sabe?
Belloso: Que estranho. Você acha que pode nos dar uma ouvida após o café da manhã?
[FIM DO REGISTRO 2.1]
[INÍCIO DO REGISTRO 4.1]
Ford: Pesquisador de Campo Junior Ford, aproximadamente 800 horas. A Theta-6 acaba de ser… informada?
Belloso: O Pesquisador Ford nos mostrou uma gravação. É… curioso, para dizer o mínimo. Entre isso e a declaração do Padre Warbler, parece que o corpo estudantil desempenha um papel nada passivo nas atividades sub-véu.
Whateley: Sério? Porque parece que essa escola é meio ruim.
Belloso: Sério.
Whateley: Sério! Isso se parece com um código, uma espécie de "aqui é como não fazer alguém te bater na bunda" pelo qual os professores não vão te bater na bunda.
Agente Belloso suspira.
Schumer: Eu não sei, Sammy. Algumas coisas que ela disse… ela perguntou ao Ford sobre ansiedade de castração. Ela sugeriu que ele bebesse menos água. E… bem, quem diz “vergonha vermelho não ser sua cor” do nada? Ele nem estava vestindo vermelho.
Schumer: E sinceramente? Acho que, independentemente de ser ou não um tipo de criança bruxa ou apenas uma criança maltratada, o momento em que você para um novato por quinze minutos para investigar sua história de vida não é o momento de inocência.
Whateley: Então, estão tramando alguma coisa. Como isso se relaciona com 5952?
Schumer: O pouco que sei, não muito. Mas se liga às suas vítimas.
Ford: Aqueles com quem não podemos falar? Porque…
Ford os interrompe. Todos permanecem em silêncio por vários segundos.
Belloso: … Ford, você acha que poderia nos dar um pouco de privacidade?
[FIM DO REGISTRO 4.1]
[INÍCIO DE REGISTRO 4.3]
O Pesquisador Ford parece estar vagando pelo campus, alternando entre cantarolar, assobiar e cantar melodias para si mesmo. Seus passos sugerem que ele está ao ar livre, embora dentro dos terrenos razoavelmente contidos.
Ford: (Cantando para si) “Quem vai negar que você e eu e cada n-//"
Homem Desconhecido: Prazer em conhecê-lo, jovem.
Ford se engasga, e para.
Homem Desconhecido: Relaxe, jovem. Na verdade, eu gostei bastante.
Ford: Uh… quem é você?
[DADOS PERDIDOS]
Ford: Certo, certo. Uh… meu nome é Ford.
Homem Desconhecido: Ford, Ford… é um nome bonito. Não conheci muitos Fords, mas é sempre um prazer quando encontro um. Quer vir comigo?
Ford: C-com certeza. E obrigado. [DADOS PERDIDOS] não é um mau nome também.
Um dos dois, provavelmente o Homem Desconhecido, retoma a caminhada e o outro segue.
Homem Desconhecido: Um monte de pessoas dirá a você que o verão de Mississipi é insuportável. Talvez elas fujam para Maine ou Minnessota durante o auge do calor. Eu? Eu amo esse pequeno pedaço de paraíso. Sentir o cheiro das flores, ouvir as árvores. Você sabe o que estou falando.
Ford: Aham.
Homem Desconhecido: Claro, eu não sou de ser estúpido. O verão é o tempo do bronzear, dos mosquitos, da insolação. Pessoas não foram feitas para suportar o peso do amor de Deus, por mais glorioso que o seja. Nós humanos, não somos divinos há… quatro mil anos, mais ou menos.
Homem Desconhecido: Deus sabe disso, é claro. Sabe de tudo. Então o mesmo dá seu amor, assim como o tira. Ele sabe o que é essa escuridão, aquele pequeno pouco de miséria, que nos deixa apreciar o amor. Que, às vezes, nos permite até mesmo demonstrar esse amor da maneira correta.
O som de rangidos e estalos sob os pés sugere que a dupla está caminhando em terrenos menos cuidados.
Homem Desconhecido: Você entende o que estou dizendo, certo? O calor, o Sol, isso é amor. Mas quando você está afogado naquele amor, 24 por 7, deixa de parecer amor. Parece mais ódio. Mas ainda é amor, um amor difícil. É um inferno.
Ford: Ehh… isso me parece apropriado, eu acho.
Homem Desconhecido: Então o verão é a estação do amor.
A dupla continua a andar por vários minutos. Eventualmente, ambos os passos se tornam menos frequentes, sugerindo dificuldade em navegar o terreno.
Ford: Você é bem estranho, em um bom sentido.
Homem Desconhecido: É bom ser estranho, jovem. É assim que se ganha inovadores.
Ford ri baixinho, e para. O Homem Desconhecido para pouco depois.
Homem Desconhecido: Vê algo?
Ford: Não, não, é que… cara, eu não sei se era pra eu estar aqui. Eu trabalho para… eu trabalho para a Carolina Pública do Sul, conhece? Eu preciso estar disponível caso precisem de mim. Como eles vão me chamar se eu estiver andando pela floresta, né?
Homem Desconhecido: Fique tranquilo, uma caminhada na natureza é a perfeita-
Um bipe repentino interrompe o Homem Desconhecido.
Homem Desconhecido: Droga. Espere aqui, certo, Ford?
O Homem Desconhecido é ouvido desaparecendo mata adentro.
Ford: … droga, cara.
[FIM DO REGISTRO 4.3]
[INÍCIO DO REGISTRO 4.5]
O Pesquisador Ford pode ser ouvido andando entre a vegetação rasteira. De repente, ele para.
Ford: … isso não tá certo.
Ford se aproxima de algo, lentamente, parando após doze passos.
Ford: … eu tiraria uma foto disso se eu tivesse uma câmera, então acho que preciso descrever. Certo… estou em frente de uma velha… porta de madeira antiga de porão? Não há nenhum prédio à vista, então presumo que isso leva a algum túnel de manutenção. Não sei o quão longe estou do campus, essa mata é fora do comum, mas mesmo assim esse lugar é ridiculamente rural. Algum tipo de usina elétrica, desativada ou não?
Ford: As portas são bem cuidadas, considerando o resto da mata. Madeira pintada de vermelho. Não diria que estão “impecáveis”, mas se me dissessem que havia uma festa acontecendo lá embaixo, talvez eu não chegasse à pior conclusão possível.
Ford: Tocando-as, são tão frias quanto eu pensava. A tinta está seca e o cabo é de madeira, então o frio pode estar vindo de dentro. Esse lugar ainda está ativo?
Ford tenta uma das portas, abrindo-a com algum esforço.
Ford: Eu acho que as dobradiças precisam de lubrificação, mas no geral, essas portas definitivamente funcionam. A parte de trás da porta é… bem, é toda em marrom, como sujeira. Colado nela está…
A voz de Ford se perde no ar. O som de algo se rasgando pode ser ouvido.
Ford: Isso entra como evidência. [DADOS PERDIDOS]
Ford: Bem, parece que o porão leva a uma escadaria. Um pouco íngreme, com corrimão na lateral. A luz não me permite ver muita coisa, então espere enquanto eu preparo minha lanterna.
Ford pode ser ouvido colocando sua bolsa no chão, vasculhando-a em busca da lanterna. Após meio minuto, Ford pode ser ouvido removendo algo da mochila, e clicando nisso.
Ford: … filho da mãe.
Ford suspira.
Ford: Não posso ir muito longe. Parece que o túnel foi isolado com fita pela Whitewater. Acho que isso explica tudo.
Resmungando entre si, Ford coloca sua mochila nas costas e sai andando.
[FIM DO REGISTRO 4.5]
[INÍCIO DO REGISTRO 4.6]
Ford pode ser ouvido andando por uma densa vegetação rasteira, assobiando melodias para si mesmo.
Onze minutos após o início do REGISTRO 4.6, um som de estalo distante pode ser ouvido. De repente,Ford para e fica em silêncio. Ele espera por vários segundos, antes de retomar a caminhada em silêncio, porém em um ritmo mais lento.
O ritmo de Ford se acelera gradualmente, embora ele tente permanecer em silêncio. À medida que a gravação prossegue, o cuidado para evitar galhos diminui.
Por fim, Ford se agarra em um galho, grita e começa a correr. O som de um estalo distante pode ser ouvido com mais clareza nesse momento. Próximo ao fim do registro, o estalo é acompanhado por uma série de suspiros de dor.
Aos dezesseis minutos do REGISTRO 4.6, Ford pode ser ouvido caindo no chão. Ele não aparenta se levantar, e a gravação permanece em silêncio por mais oito minutos, até que uma série de passos e vozes, presumidamente de estudantes, são ouvidas. As vozes tagarelam indistintamente por alguns segundos, até que uma Garota Desconhecida surge da multidão.
Garota Desconhecida: Oh Céus!
A Garota Desconhecida corre até Ford, possivelmente se ajoelhando. O gravador é desligado logo depois.
[FIM DO REGISTRO 4]
[INÍCIO DO REGISTRO 5]
O gravador é ligado.
Garota Desconhecida: Louvado seja o Pai, criador do universo, que… que permanece firme nos portões do Céu contra as hordas impuras. Louvado seja Jesus, minha luz na tempestade, que vela pelo bezerro no matadouro e pelo bode nas garras do açougueiro não batizado. Louvado seja o Espírito Santo, por meio do qual Seus milagres se manifestam. Louvado seja… não, não.
Garota Desconhecida: Pai, tenha misericórdia do viajante cananeu na terra de sangue e b-basalto. Que… droga, que não conhece os males de…
A Garota Desconhecida resmunga em frustração.
Garota Desconhecida: Jesus, imploro-te que tenha misericórdia deste homem, assim como… tens do meu rebanho. Envia-lhe a ele teu anjo de barro para combater a… a malevolência sem ossos que o rodeia. Que o Pai e seu anjo eunuco não o façam sofrer. Eu sei que não o abandonarás, pois por meio de Deus, todas as coisas são possíveis.
Garota Desconhecida: Amém.
A gravação é desligada.
[FIM DO REGISTRO 5]