SCP-6666



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/* Converting middle divider from box-shadow to ::before pseudo-element */
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/* DIVIDER */
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/* CLASSIFIED LEVEL BARS */
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/* TOP TEXT */
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/*-----------------------------------*/
/*-----------------------------------*/
 
/* CONTAINMENT, DISRUPTION, RISK CLASSES */
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 /* BOTTOM TEXT */
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/*-----------------------------------*/
/*-----------------------------------*/
 
/* DIAMOND */
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div.top-icon, div.right-icon, div.left-icon, div.bottom-icon {
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/* MOBILE QUERY */
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/*--- Motion Accessibility ---*/
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/*-------------------------*/
 
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avaliação: +9+x
paragon2.png
Item nº: 6666
Nível5
Classe de COntenção:
esotérica
Classe Secundária:
thaumiel
Classe de Disrupção:
ekhi
Classe de Risco:
critical

titania2.png

SCP-6666


Sítio Designado Diretora do Sítio Chefe de Pesquisa Força-Tarefa Designada
PARAGON SAFOS Dirª. Shannon Lancaster Dr. Osmon Iles FTA 𐤇-1 "Lança de Longino"


lance.png

Força-Tarefa Aplicada Hēt-1 "Lança de Longino"

Procedimentos Especiais de Contenção: A contenção de SCP-6666, bem como a de SCP-2254, SCP-4812 e SCP-4840, está sob a expressa supervisão do Projeto PARAGON e da Força-Tarefa Aplicada Hēt-1, "Lança de Longino". Devido às potenciais ramificações escatológicas de SCP-6666, precauções especiais devem ser tomadas a fim de assegurar a não exposição de SCP-6666 a outras entidades contidas pelo Projeto PARAGON.

O Sítio Sul-Americano de Operações Avançadas (SAFOS) foi construído ao redor da cavidade de acesso que leva a SCP-6666. Sob nenhuma circunstância deve ser permitido o acesso de funcionários não autorizados ao SAFOS, e é concedido o uso de força letal contra qualquer funcionário ou grupo que tente violar a área de exclusão de 1km ao redor de SCP-6666.

Periodicamente, equipes de lança-chamas devem entrar na área de superexclusão nas imediações de SCP-6666 e utilizar dispositivos incendiários a fim de retardar o crescimento da estrutura radicular de SCP-6666. Funcionários pertencentes a essas equipes são permitidos somente 15 minutos de exposição contínua ao sistema radicular de SCP-6666. Qualquer funcionário observando SCP-6666 diretamente deve fazê-lo de um veículo aéreo ou das Torres de Observação Alfa, Bravo ou Charlie. A Torre Delta é destinada somente ao lançamento de veículos aéreos.

Memorando de Contenção: Não é permitido a nenhum funcionário aproximar-se menos de 1km de SCP-6666 em nenhum momento. Todas as observações de SCP-6666-A devem ser realizadas remotamente.

Principais Encarregados do SAFOS PARAGON:

Dirª. Sophia Light - Diretora, Comando Ocidental Regional

Dir. Kain Pathos Crow - Diretor, Tecnologia da Fundação

Dirª. Shannon Lancaster - Diretora de Projeto, PARAGON

Dir. Coryn Malthus - Diretor, Departamento de Pesquisa Antediluviana

Dr. Osmon Iles - Pesquisador-Chefe, SCP-6666

Com. Alexandro Freitas - Chefe do Sítio Sul-Americano de Operações Avançadas PARAGON

Com. Cecilia Aestrei - Comandante da Hēt-1

titania3.png

Drone Mk. VII "Ulisses" inspecionando SCP-6666.

Descrição: SCP-6666 é uma enorme entidade botânica localizada próxima a 4°51'29.4"S 67°44'12.6"W na floresta amazônica. SCP-6666 possui um vasto tronco e milhares de galhos arqueados que partem de seu centro de massa como em uma árvore, apesar de SCP-6666 não se assemelhar a nenhuma espécie conhecida de estruturas biológicas similares. O tronco de SCP-6666 possui aproximadamente 380m de diâmetro, tendo a estrutura completa uma altura de quase 9,2km. SCP-6666 não demonstra sinais de vida a nível celular.

SCP-6666 se encontra de ponta-cabeça, em suspensão pelo seu considerável sistema de raízes do topo de um imenso vazio litosférico na crosta terrestre. Esse espaço, que se estende por 52km em seu ponto mais largo e com seu ponto mais baixo a quase 43km do topo (o ponto "Terminal Zero"), formou-se, ao que tudo indica, naturalmente entre 450 a 560 milhões de anos atrás. As paredes da caverna estão praticamente cobertas pelas supracitadas raízes de SCP-6666, levando pesquisadores a crerem que, em algum momento, a estrutura radicular de SCP-6666 estendia-se para o interior da Terra, e não para cima, como é agora.

O piso da caverna está coberto por uma densa camada de névoa tóxica de 200m de espessura, que flui de uma abertura cortada na lateral de SCP-6666. A composição dessa névoa é desconhecida - Criaturas vivas que inalam a substância sofrem de uma perda quase imediata das funções neurológicas1, tendo as análises espectrográficas da substância sido inconclusivas.

Ainda que as raízes mais antigas de SCP-6666 sejam imóveis, e apesar do fato de SCP-6666 estar biologicamente inerte, seções de crescimento recente são móveis e hostis. Raízes expostas tentarão puxar qualquer coisa em suas proximidades - homem, animal, máquina e afins- até a caverna abaixo através do solo. Esse efeito pode ser momentaneamente atenuado interrompendo totalmente qualquer movimento. Funcionários que se encontrem enclausurados em uma seção do sistema radicular podem deitar rapidamente e permanecer o mais imóvel possível até que as equipes de lança-chamas cheguem e afugentem as raízes. Contudo - devido ao rápido crescimento dessas raízes, é provável que uma pessoa tentando evitar ser capturada pelo sistema radicular seja engolida e sufocada pela massa de raízes crescendo ao seu redor, caso não seja socorrida pelas equipes rápido o suficiente.

SCP-6666 é acessível via uma ampla cavidade de acesso cilíndrica feita de pedra e localizada a, aproximadamente, 7,5km da base invertida da entidade. Há uma escadaria na lateral da cavidade que termina logo após alcançar o topo da caverna, de uma maneira que indica que, originalmente, continuava além daquele ponto2. Imageamentos por Radar da superfície da caverna indicam que a maior parte de seu piso está coberto por uma vasta floresta de árvores altas, espessas e escuras. Circundando a borda leste da floresta e escalando parcialmente as paredes da caverna há uma extensa rede de antigas ruínas parcialmente envoltas na névoa tóxica.

hector.png
SCP-6666-A. Imagem editada para nitidez

SCP-6666-A é uma entidade vagamente humanoide emergindo parcialmente da lateral de SCP-6666. Acredita-se que a criatura tenha, aproximadamente, 23m de altura3, com seis braços e seis olhos dispostos em duas colunas de três cada. A entidade aparenta possuir inúmeras cicatrizes e queimaduras em sua pele. Um de seus braços é significativamente maior do que os outros cinco e está parcialmente fundido pelo punho a uma grande lança de ferro com cerca de 18m de comprimento, aparentando ter sido utilizada como alavanca para perfurar e abrir a lateral de SCP-6666.

SCP-6666-A não possui orelhas, nariz ou boca, mas é capaz de se comunicar4, vocalizando em uma língua até então desconhecida. SCP-6666-A reagirá a estímulos, mas raramente se distrairá de seu aparente estado de permanente tormento. SCP-6666-A aparenta ser capaz de regeneração biológica limitada, colocando-o em um constante fluxo entre a destruição ambiente de seu corpo como resultado da exposição à abertura em SCP-6666 e sua própria reconstituição. Embora SCP-6666-A tenha respondido à estímulos provenientes da Fundação, não tentou, até o momento, se comunicar com quaisquer funcionários ou veículos da Fundação. É desconhecido se SCP-6666-A sequer está ciente dessas tentativas de comunicação.

SCP-6666-A é, de acordo com as informações recebidas de entrevistas com SCP-4840-A, o "Demônio Hector", uma das entidades primevas originadas de uma sociedade quase-humana há muito perdida. SCP-6666-A, bem como SCP-4840-B6, SCP-22547 e uma quarta entidade8 até então não descoberta têm, potencialmente, milhões de anos de idade, se não mais. SCP-6666-A, assim como SCP-6666 propriamente dito, precedem qualquer civilização humana conhecida e, possivelmente, a própria existência de grande parte da Terra.

Adendo 6666.1: Descoberta

Registros pré-históricos concernindo SCP-6666 são extremamente escassos. Informações colhidas de diversas fontes indicam a existência de populações humanas nos arredores do ponto de acesso de SCP-6666, mas restam poucos artefatos relacionados especificamente a algum grupo da área. Em sua proposta à liderança sênior do Projeto PARAGON detalhando a atual compreensão da Fundação acerca de tais grupos, o pesquisador sênior Dr. Osmon Iles descreve os achados de sua equipe da seguinte maneira:

A existência de SCP-4008, a anomalia Artemísia, levantou dúvidas sobre tudo que sabíamos acerca de nossa história. Sendo uma arma desenvolvida por uma civilização pré-histórica de SCP-1000, a Artemísia era capaz de aniquilar grupos étnicos inteiros, suas cidades, sua história e muito além - essencialmente, apagando essas civilizações do registro histórico. Nosso estudo da anomalia SCP-4008 continuava nos levando de volta a uma fonte - um buraco negro histórico, algo de que não poderíamos nem ao menos encontrar vestígios enterrados.

A Amazônia não é particularmente conhecida por sua gentileza aos registros dos que lá viveram. O solo e a umidade pulverizam pedra e osso, mas em um lugar em específico, não achamos nada - nenhum vestígio de civilização humana, nenhum registro de habitação humana, nada. E era nesse buraco negro que sabíamos que a encontraríamos — a raiz da qual nasce a Artemísia.

ATLAS, o esforço predecessor de PARAGON, passou a mapear essas florestas quarenta anos atrás, pondo início à espiral de mistérios que viríamos a desenterrar. Perdido na escuridão sob as copas das árvores estava um vácuo, que nos impelia com uma força inabalável. Cada metro de terra que encontrávamos desprovido de qualquer traço de humanidade era outra migalha na trilha que nos trouxe às portas de nosso achado — um furo sombrio no meio da história.

Nós nos perguntávamos de qual árvore nascera o fruto de Artemísia, e agora nós sabemos — de uma árvore morta.

Contenção formal de SCP-6666 começou com a criação do Projeto PARAGON, após informações colhidas pela já extinta Operação ATLAS, bem como informações tiradas de SCP-4840 e 4840-A, levarem à descoberta da cavidade vertical de acesso que leva ao vazio contendo SCP-6666.

Adendo 6666.2: Transcrição da 1ª Reunião de Liderança PARAGON

A seguir está um trecho de uma reunião com a Diretora do Projeto PARAGON, Shannon Lancaster, o Diretor de Pesquisa Antediluviana, Coryn Malthus, e o Chefe de Equipe do SAFOS, Alexandro Freitas, realizada em 23 de abril de 2019.

Transcrição da Gravação de Áudio Interna

Presentes:

  • Shannon Lancaster, Diretora do Projeto PARAGON
  • Coryn Malthus, Diretor do Depto. de Pesquisa Antediluviana
  • Alexandro Freitas, Chefe do SAFOS

lancaster.png

Diretora do Projeto PARAGON, Shannon Lancaster

Dirª. Lancaster: Gostaria de agradecê-lo, antes de mais nada, por sua prontidão no nosso problema de perímetro. Não se sinta na obrigação de contatar meu escritório se precisarmos fazer aquilo de novo.

Freitas: A situação pedia por isso. Está cada vez mais difícil parar o avanço das raízes. Estamos trabalhando dia e noite em turnos, o que está ajudando — mas muito pouco.

Dirª. Lancaster: Em quanto tempo você imagina que tenhamos que movê-lo de novo?

Freitas: Eu chutaria que… duas semanas?

Dirª. Lancaster: Isso não é bom. E quanto a nossa proposta de acesso alternado?

Freitas: Aguardando avaliação. Todos os nossos sítios de teste atolaram quase imediatamente. Lá embaixo é uma teia de raízes, e são raízes resistentes. Se você quisesse, não seria difícil me convencer que são feitas de pedra.

Dirª. Lancaster: Certo. Vamos rever essa questão quando Crow e seu time estiverem no sítio. Desculpe fazê-la esperar, Coryn.

Dir. Malthus: Tudo certo.

Dirª. Lancaster: Eu tive a oportunidade de ler seu relatório. O que você acha?

Dir. Malthus: No geral? Tudo naquele poço é velho. Centenas de milhares de anos, se não milhões. Nossos drones estiveram lá por pouco tempo, mas o mapeamento que fizeram já é alguma coisa.

Dirª. Lancaster: E sobre o nível térreo? Debaixo da névoa?

Dir. Malthus: Difícil dizer. Até o momento, só conseguimos fragmentos e retornos de radar distorcidos das estruturas ao redor. Nada disso diz muita coisa, mas tem algo que você vai achar interessante — nenhuma delas é sul-americana.

Dirª. Lancaster: Como assim?

Dir. Malthus: Você se lembra de que estávamos cogitando procurar pelas civilizações perdidas por aqui? Quando chegamos lá embaixo pela primeira vez, achamos que as encontraríamos sob aquela neblina, mas o que vimos não se compara a nada construído por mãos humanas nos últimos dez mil anos. O que quer que seja, é mais antigo do que a humanidade que conhecemos atualmente. Sobre o que tem naquela floresta, seu palpite é tão bom quanto o meu.

Dirª. Lancaster: É um começo. Qual o próximo passo?

Dir. Malthus: Precisamos de mais informações. Construir mais deques de observação e olhar para aquela coisa o dia todo não vai ajudar em nada. Tem algo acontecendo lá embaixo, e nós precisamos de mais recursos se quisermos entender o que é.

Dirª. Lancaster: Por onde você quer começar?

Dir. Malthus: O arquivo de SCP-1000 seria ótimo. Está familiarizada com SCP-2932?

Dir. Lancaster: Sei o básico. Por que a pergunta?

Dir. Malthus: Alexandro provavelmente poderá te explicar melhor — imagino que o SAFOS tenha recuperado muitas coisas de lá há algum tempo. Resumindo, tem alguma entidade lá embaixo que diz que SCP-1000, os Filhos da Noite, ou o Pé-grande, por assim dizer, usava aquele lugar como prisão. Não tenho autorização suficiente para saber de tudo que eles mantêm em segredo, mas eu sei que o núcleo mágico que deixa as luzes acesas é essa grande gema vermelha. O gremlin que fica lá embaixo diz que é o coração de Titânia, uma deusa que arrancou o próprio coração para manter a salvo os Filhos da Noite. Mas, e eu tenho noção que isso vai contra tudo o que somos ensinados como pesquisadores, eu li Shakespeare o suficiente para saber que Titânia não é uma deusa do Pé-grande. É uma divindade das fadas.

Dirª. Lancaster: Você não está errado. E sobre a árvore? O que acha?

Dir. Malthus: Está morta. E, pelo jeito, esteve morta por muito tempo. Tudo nela aparenta estar morto, até a nível celular, coisa que surpreenderia nossos amigos da Hēt-1, ou qualquer um que tenha acabado preso nas raízes e puxado para dentro da terra. Não encontramos atividade biológica em nenhuma de nossas amostras, mas aquela fumaça tem que estar vindo de algum lugar e as raízes ainda são móveis, então o seu palpite é tão bom quanto o meu.

Dirª. Lancaster: Fale mais sobre a fumaça.

Freitas: Não é exatamente uma fumaça, apesar de parecer com uma. É mais como um pólen bem fino. O motivo de estarmos tendo tantos problemas com ele é sua potente neurotoxina. Se qualquer resquício dela, mesmo que só uma partícula, entrar em contato com você, todo o seu sistema nervoso desliga em segundos. Não temos como curar pessoas da depressão SNC a longo prazo e, apesar de possuirmos trajes pressurizados que poderiam colocar nosso pessoal lá, a menor exposição seria fatal se não tratada imediatamente. Ainda estamos conduzindo testes de materiais para ver se a toxina consegue penetrar as camadas de proteção dos nossos trajes.

Dirª. Lancaster: Mas você acredita que poderemos enviar pessoal ao local?

Freitas: Estamos trabalhando na logística, no momento. O Dir. Malthus insiste que não saberemos toda a história até atravessarmos aquela névoa.

Dirª. Lancaster: Eu entendo. E até lá? Existe algum lugar que nós podemos ir?

Freitas: Estou trabalhando nisso. Quando tivermos as imediações mapeadas, eu devo ser capaz de pensar em algo. Aquelas raízes têm puxado estruturas dessa área por eras, ao que parece. Conseguiremos algumas pistas por lá.

Dirª. Lancaster: Certo, mantenha-me informada. Dir. Malthus, eu posso solicitar a permissão que você procura. Precisa de mais alguma coisa?

Dir. Malthus: Precisamos de alguém da equipe Eshu.

Dirª. Lancaster: Coryn, você sabe que não podemos fazer isso.

Dir. Malthus: Eu sei que você acha que não podemos, mas eu não sei mais o que te dizer, Diretora. Tem um limite para o que eu posso fazer - simplesmente não existe uma história escrita sobre tudo isso. O pessoal da Europa tem sorte de possuírem registros escritos sobre o que quer que seja que encontraram por lá, mas aqui? O melhor que temos são relatos em primeira mão. Temos que falar com uma daquelas coisas, tirar o que pudermos delas. Elas saberão muito mais sobre o que aconteceu aqui do que a gente sabe agora, que no caso é um punhado de chutes. Se dependesse de mim, já teríamos entrevistado uma dúzia de fadas, mas eu não tenho os recursos para fazer isso acontecer.

Dirª. Lancaster: (suspiro) Certo. Eu vou ver o que posso fazer. Mais alguma coisa?

Dir. Malthus: Precisamos falar com Caim.

Dirª. Lancaster: Você só pode estar de brincadeira.

Freitas: Caim?

Dir. Malthus: Eu não estou. Abel não é muito de falar e Set ficou sentado na sua pedra pelos últimos milhões de anos. Precisamos de alguém que tenha relatos em primeira mão das coisas que aconteceram antes dos seres-humanos sequer considerarem escrever sua própria história, e só tem uma pessoa que eu conheço que estava viva na época e tem uma memória fotográfica.

(pausa)

Dirª. Lancaster: Certo. Também verei o que posso fazer. Isso é tudo?

Freitas: Tem mais uma coisa que você precisa saber. Os agentes que mantínhamos estacionados nas plataformas de observação têm recentemente retornado com leves sintomas psicológicos. Insegurança geral, desconfortos. Alguns tiveram problemas de sono. Dr. Reece perguntou sobre o rodízio de funcionários outro dia. Provavelmente, teremos que adiantar nossa próxima mobilização de pessoal.

Dirª. Lancaster: Vamos fazer isso. O Diretor Crow virá ao sítio semana que vem. Precisamos que tudo esteja organizado até lá.

Dir. Malthus: Justo. Eu me certificarei de manter as coisas em ordem para quando o diretor chegar.

Freitas: Também ficaremos encarregados da questão dos funcionários, Diretora.

Dirª. Lancaster: Obrigada. Mantenham-me atualizada.

Adendo 6666.3: Entrevista com Entidade Eshu

Nota: certos elementos dessa entrevista estão redigidos ou alterados em função do Protocolo 4000-ESHU.

A seguir está a entrevista com um honorável representante emplumado de dentro da velha floresta. A entrevista foi conduzida pelo Dr. Park Daesung durante o cumprimento anual da Ordem O5-4000-F26.

Dr. Park: Obrigado por dedicar seu tempo a essa conversa. Não vou demorar muito.

bird.png

Uma entidade humanoide nativa.

"Claro, claro. Não há problema algum, não para mim. Não é sempre que encontro viajantes tão longe da estrada. É uma surpresa agradável. Gostaria de uma xícara de chá? Quem sabe um pouco de fumo? Não há muito por aqui, sabe, mas eu tenho um estoque guardado para tal ocasião."

Dr. Park: Não, obrigado. Infelizmente hoje são apenas negócios.

"Muito bem, como queira. Sobra mais para mim! Agora, o que posso fazer por você?"

Dr. Park: Há algum tempo atrás, nossos agentes descobriram uma estranha estrutura, nas profundezas de uma enorme floresta no sul. Ficou abandonada por muito tempo, mas acreditamos que tenha sido uma espécie de prisão. Algumas das inscrições de lá são semelhantes às que encontramos neste lugar. Soa familiar?

O entrevistado aviário endireita-se nervosamente.

"Ah. Bem, sim. Nós sempre ouvimos histórias, sabe. Eu nunca a vi em pessoa, mas ouvi histórias. Altos muros de fétidas pedras negras. Gritos. Eu achava que estaria praticamente reduzida a destroços hoje em dia, porém. Passou-se algum tempo."

Dr. Park: Quem eram os Filhos da Noite?

Os olhos do colaborador alado se dilatam. Ele se levanta bruscamente e fecha as cortinas de uma janela próxima.

Dr. Park: Desculpe-me se falei algo errado.

"Não, não… você não fez nada de errado. Só não é algo que se é conversado, pelo menos não com uma companhia agradável."

Dr. Park: O que eram eles?

"Bem… à primeira vista eles são como vocês, como nós. Crianças, como todos somos. Eles acordaram nos bosques, como nós, mas não nos galhos das árvores. De lá de cima podíamos vislumbrar as estrelas, mas de lá debaixo os Filhos da Noite estavam em quase completa escuridão. Nós… eles permaneceram lá embaixo. Entendemos que eles preferiam daquele jeito."

Dr. Park: De onde eles vieram?

"E-eu não sei ao certo. Foi há muito tempo, mas deve ter alguém por aqui que saiba mais, ou melhor. Eu tentei não me envolver. Eu tinha uma lojinha na velha cidade alva nos tempos passados. Eles estavam nos bosques sombrios, no sul. Mas eu conhecia as histórias."

Dr. Park: Eles possuem um artefato pendurado naquela prisão. O carcereiro o chama de Coração de Titânia. Você sabe alguma coisa sobre-

O calmo amigo não-voador sobressalta-se levemente e então produz um pingente de seu bolso. Ele encara-o brevemente.

Dr. Park: O que você pode me dizer sobre essa Titânia.

"Nós a chamávamos de Iýa… ah. A sonhadora nas estrelas. Numa noite escura, diziam, você poderia sentir seu suspiro em qualquer lugar do mundo. Ela era a deusa da luz estelar, mais bela do que tudo sobre a Terra."

O companheiro bicudo guarda o pingente.

"Nós amávamos Titânia mais do que qualquer outra, mais até do que a própria Gaia. Ela era tão linda.

Dr. Park: A entidade nessa prisão, chama-se Caspan. Você sabe de algo sobre ela?

Ele treme.

"Sim. Caspan, o Artífice de Sonhos, é como era chamado. Caspan fora um artista. Era capaz de contar histórias em sonhos e dá-los vida. Quando vieram atrás dele, implorou para que poupassem sua vida e seu nome, e os andarilhos da noite permitiram que… ficasse com ambos."

Dr. Park: Andarilhos da Noite? Você quer dizer os Filhos da Noite? Por que eles iriam atrás dele?

"Eles… os Filhos da Noite eram criaturas curiosas. Eles sentavam-se na escuridão profunda sob as altas árvores e, juntos em círculos, entoavam essas tristes cantigas, dançando em uníssono. Nós - em nossa arrogância - eu presumo, não os víamos como nada além do que queríamos; pequenos e tristes habitantes da terra, limpando as sobras e esgueirando-se pela escuridão sob as copas das árvores. Quando cantavam suas miseráveis cantigas para as plantas, nós não nos importávamos a ponto de notar que elas se moviam conforme a música. Nós nos recusávamos a ver os corpos nos galhos, e por isso não os vimos. Primeiro os viajantes e depois os nossos começaram a desaparecer. Ignoramo-los por muito tempo que, quando começamos a prestar atenção, eles haviam se… corrompido."

Dr. Park: E quanto ao Caspan?

"Acredito que estava assustado. Eles o levaram à escuridão e obrigaram-no a ensinar-lhes coisas… terríveis. Eles eram curiosos, os Filhos da Noite, e no decorrer dos anos essa curiosidade tomou um - um momento, desculpe-me."

Dr. Park: Tudo bem, não é minha intenção estressá-lo.

"Não, não é nada. Ninguém fala mais disso aqui, e tanto se perdeu com o tempo."

Pausa

"No começo, a curiosidade deles era como a nossa, mas, enquanto nos encantávamos com as estrelas do céu, os Filhos da Noite só tinham as sombras para confortá-los, e logo sua curiosidade tomou um rumo cruel. Eles não eram capazes de sonhar, sabe, não como você ou eu, mas eles queriam, então raptaram Caspan, o Artífice de Sonhos e, na escuridão, forçaram-no a ensiná-los como. Mas eles não conseguiam, entende, eles não eram como nós, então quando Caspan tentou ensiná-los, ele… o que quer que ele tenha visto lá, naquela escuridão, que horror por eles descoberto enquanto cantavam suas estranhas cantigas… eu não posso nem imaginar. Quando, mais tarde, eles o mandaram trair-nos, ele o fez sem excitação."

Dr. Park: Qual foi a traição?

"Eles queriam realizar um desejo. Ele os guiou até Titânia e deixou que fizessem seu pedido."

Silêncio.

"Eles… dizem que quando os andarilhos da noite vieram, vieram em longas fileiras, filas únicas, arrastando-se pela escura floresta. Eles encontraram nossa abençoada Titânia, exatamente onde ele contou-lhes que ela estaria, e com essa ajuda eles… eles realizaram seu desejo."

Silêncio.

Dr. Park: Qual foi o desejo?

[DADOS CONFIDENCIAIS EXPURGADOS. VER ADENDO 6666.13 PARA MAIS INFORMAÇÕES]

Dr. Park: Nós podemos terminar por aqui, se você quiser.

"E-eu acho que isso foi para o melhor. Perdão, é que… é simplesmente imperdoável."

Pausa.

"Ó, Iýa. O que fizemos a você?"

Fim da entrevista.

Adendo 6666.4: Entrevista com SCP-073

A seguir está uma entrevista com SCP-073. A entrevista foi conduzida pela Diretora do Comando Regional Ocidental SCPF Sophia Light.

SCP-073: Diretora Light, que surpresa agradável. E eu aqui pensando que você não tinha mais tempo para Classes 3 insignificantes como eu.

caim.png

Foto original do arquivo de SCP-073.

Dirª. Light: Engraçado, Caim, mas me chame de Sophia, por favor. Diretor Light era meu pai.

SCP-073: Muito bem, Sophia. Este é um lugar estranho para um dos nossos encontros. Qual a circunstância?

Dirª. Light: Você está familiarizado com o Projeto PARAGON?

SCP-073: Ah, só o que eles me contam - o que é bem pouco, nesse caso. São muitos segredos. Tantos quantos vocês me fizeram guardar, e mais alguns outros.

Dirª. Light: É, você sabe como são as coisas. De qualquer forma, nós estamos acompanhando algumas atividades anômalas que têm se intensificado nesses últimos anos, e eu espero que você possa responder algumas perguntas sobre isso.

SCP-073: Hmmmm. Sabe, acabei de pensar uma coisa - com o tanto de "atividades anômalas" que você tem que lidar diariamente, depois de um tempo você não começa a sentir que elas são só… atividades?

Dirª. Light: Você não faz ideia.

SCP-073: Talvez não. Mas eu vou dar o meu melhor para responder suas perguntas, apesar de temer quais perguntas você possa ter se tem que vir até mim para respondê-las.

Dirª. Light: Eu preciso do que você sabe sobre os Filhos da Noite.

Silêncio.

SCP-073: Os Filhos… da Noite. Eu não ouvia esse nome por muito, muito tempo. (pausa) Esse é um velho segredo, Sophia. Como você se deparou com ele?

Dirª. Light: Nós os tínhamos classificados por muito tempo, os poucos que sobraram. Um vídeo curto de um deles avistados nos Estados Unidos é uma espécie de obsessão para criptozoologistas amadores e, apesar de termos eles nos registros, falhamos em capturá-los até hoje. Suas intenções e origens continuam um mistério para nós — é como se toda a sua história tivesse sido engolida.

SCP-073: Sim… sim, esse era o objetivo, provavelmente.

Dirª. Light: Prossiga, por favor.

SCP-073: Por onde começar? Os Filhos da Noite - antes de mais nada, para deixar claro, eu nunca os encontrei pessoalmente. Eles só vieram uma vez para o meu lado do mundo, há muito tempo, mas eu estava… ocupado à época. Eles vieram a mando de seus mestres, procurando por alguém que havia cometido um pecado terrível. O primeiro pecado, na verdade.

Dir. Light: Isso está relacionado à entidade chamada "Asem"?

SCP-073: Diretora Light. Você sabe mais do que aparenta.

Dirª. Light: Eu normalmente sei. Continue.

SCP-073: Sim. Adão el Asem era… meu pai, e Lilith nossa mãe. Asem foi o primeiro homem, então, tecnicamente, somos todos seus filhos, mas meus irmãos e eu viemos primeiro. Eu era o mais velho, e então Abel, e então nosso irmão… (pausa) Perdão, já se passou algum tempo. O pecado que Asem cometeu, sim - ele pegou algo de um lugar onde ele não deveria ter ido, e em resposta, os Filhos da Noite vieram pelo mar para julgá-lo por isso.

Dirª. Light: O que aconteceu com ele?

SCP-073: Não sei dizer ao certo. Asem tirou uma estrela do céu e colocou em sua coroa, e o que aconteceu depois… minha família não foi a mesma depois. Eu fui banido, Abel morto, e nosso irmão mais novo desapareceu. Seu reino estava abandonado, exceto por Asem, e tudo o que ouvi foi que os Filhos da Noite vieram até ele, e quando foram embora ele tinha sumido.

Dirª. Light: Por que são chamados de Filhos da Noite?

SCP-073: Em contraponto a nós, eu imagino. Nós - a humanidade como um todo, nasceu sob o brilhante sol de meu pai. Nós éramos diferentes - criaturas radiantes, brilhando naquela luz magnífica. Nós… enfraquecemos, ligeiramente, desde que nos separamos dela - (aponta para seu corpo) mas ainda somos o que éramos, mesmo que - como um todo - não usufruamos mais da mesma longevidade de antes. Nós éramos os Filhos do Sol.


Dirª. Light: Todos em Audapaupadopolis eram Filhos do Sol?

Silêncio.

SCP-073: O que você disse?

Dirª. Light: Audapaupadopolis. Sabe do que se trata?

SCP-073: Aquela cidade… eu sei que talvez você achasse que eu ficaria surpreso ao saber que você sabe de tudo isso - e eu estou - mas…

Pausa

SCP-073: Não, nem todos eram como nós. Outras criaturas também viviam lá, muito mais grandiosas e terríveis do que eu, mas nenhuma mais grandiosa ou magnífica do que meu pai. Era sob sua proteção que nosso povo e os segredos estavam protegidos. Quando ele se foi, a cidade entrou em decadência, e aqueles segredos estavam vulneráveis. Houve aqueles que ficaram e trabalharam duro para achar um jeito de protegê-los, e maquinações a postos para mantê-los ocultos, mas se eles se tornaram expostos novamente… sim. Agora eu vejo porque você veio a mim.

Dirª. Light: Eu não sei se entendi bem.

SCP-073: Você tem que entender; os Filhos da Noite não são como você, ou eu, ou até mesmo o povo das fadas do outro lado do mar.

Dir. Light: Como assim?

SCP-073: Eu só sei daquilo que ouvi — como eu disse, eu não estava presente quando muito disso aconteceu. Eles dizem que quando os Filhos da Noite nasceram, tinham a curiosidade de crianças, e quando a luz estelar de seus mestres não era suficiente para satisfazer seus curiosos desejos, eles passaram a rezar para deuses sombrios. Esses deuses exigiam o seu quinhão de carne em troca dos poderes necessários para atender os desejos dos Filhos da Noite, e esse quinhão viria da história da humanidade. Quando conquistassem uma civilização e sepultassem-na sob a terra, todos os registros de sua existência seriam apagados — e esse seria seu pagamento.

Dirª. Light: Você mencionou isso antes, também. Quem eram os mestres deles?

SCP-073: Ah… bem, foram as fadas que os criaram. Ou melhor, que desejaram por eles - pelo que me disseram. As fadas veneravam Titânia, a deusa da luz estelar e dos desejos, e quando meu pai… (pausa) meu pai era… belo e magnífico, sem dúvida, mas um pedido despretensioso de uma criança plantou a semente da inveja em seu coração, e sua luz se voltou a um único desejo, um que provocou o primeiro pecado. Esse pecado era tão profano que as fadas não tiveram escolha a não ser revidar.

Dirª. Light: Então as fadas os trouxeram à existência para matar seu pai?

SCP-073: Talvez, ou talvez para se protegerem. Os Filhos das Estrelas viram a luz de meu pai nascendo no Leste e rezaram para Titânia por salvação. Eu não sei para o que eles rezaram, ou o que isso custou a eles, mas não demorou muito até histórias de viajantes se espalharem sobre figuras altas escondidas atrás das árvores negras daquelas costas distantes. Em pouco tempo, eles vieram até o mundo dos homens - mas não antes de traírem seus mestres. Eles são destruidores, e se ganharem protagonismo neste mundo mais uma vez, eles não descansarão até nos arrastarem às profundezas da Terra. Eles não são algo que você pode simplesmente matar com tanques e armas - eles são aberrações divinas.

Dirª. Light: O que aconteceu com eles?

SCP-073: Você ouviu falar do Dia das Flores? Talvez não. Eu estava longe das terras dos homens naquela época, mas todas as flores no planeta desabrocharam de uma vez, e então as chuvas caíram. E quando a inundação acabou, anos mais tarde, pouco restou - e os Filhos da Noite desapareceram.

Dirª. Light: É muita coisa para processar, mas é informação útil. Obrigada.

SCP-073: Eu gostaria de ter mais para oferecer, mas enfim - minha ausência durante muito da história antiga do homem me coloca em uma nítida desvantagem aqui.

Dirª. Light: Eu entendo. (pausa) Quão velho você é, Caim?

SCP-073: Ha. Sophia, honestamente, eu não posso dizer. Eu há muito perdi a conta. Os anos passam e cada existência torna-se só mais uma gota no cada vez maior oceano de memórias. Em eras passadas eu vivi incontáveis vidas - com outros nomes, em outros lugares. É impossível dizer.

Dirª. Light: Você viverá para sempre?

SCP-073: Minha longevidade permanece como uma bênção de meu pai, mas não irá durar para sempre. O que eu espero conseguir fazer é corrigir os nossos erros, tal como são, antes de também deslizar silenciosamente à escuridão.

Dirª. Light: Bem, se você se lembrar de mais alguma coisa, por favor me-

SCP-073: Espere.

Dirª. Light: Perdão?

SCP-073: Isso… certo. Isso pode soar como um tiro no escuro, mas pode haver mais alguém com quem você possa conversar.

Dirª. Light: Quem?

SCP-073: Havia esse velho feiticeiro que serviu na antiga Casa Devita de Malidraug. Eu presumo que, se vocês encontraram Audapaupadopolis, vocês sem dúvida descobriram algumas verdades sobre os velhos reinos dos homens mortais.

Dirª. Light: Nós descobrimos.

SCP-073: Bom. Matusalém era o nome desse feiticeiro. Ele aprendeu de uma rainha Deva moribunda como prolongar sua vida com magia. Ele tem se metido na história desde então - aparecendo em posições de poder, ou próximo a elas. Eu não sei se ele, em algum momento, foi aceito na Casa de Apoliom, onde os verdadeiros segredos do tempo eram discutidos, mas eu não duvido nem por um segundo que ele tentou andar com eles, vendendo suas mercadorias. Ele tinha ilusões de grandeza, mas ele certamente era capaz de realizar magias bem reais.

Dirª. Light: Onde você acha que essa pessoa estaria?

SCP-073: Eu não tenho certeza… ele estaria bem velho hoje em dia. Centenas de milhares de anos, certamente. Eu não sei o efeito que isso traria a sua mente, mas… ele estaria lá. Ele pode saber mais dos Filhos da Noite.

Dirª. Light: Entendo. (pausa) Caim, sua memória é fotográfica, não?

SCP-073: Ela é.

Dirª. Light: Você acha que conseguiria reconhecer esse Matusalém se visse seu rosto?

SCP-073: Claro.

Diretora Light acessa seu terminal móvel. Logo depois, ela o vira para mostrar a SCP-073.

Dirª. Light: Esse é ele?

SCP-073: É. De onde você conseguiu essa foto?

Dirª. Light: Por incrível que pareça, ele está em outra ala deste sítio.

SCP-073: (risos) Sorte a sua, Sophia. Sim, eu falaria com esse homem se eu fosse você. Ele não é tão velho quanto eu, mas ele presenciou coisas que eu não vi. Seu parecer seria imprescindível para você.

Dirª. Light: Acho que vale a pena te perguntar se Abel iria ou não…

SCP-073: (levanta uma das mãos) É melhor parar por aí. Meu irmão… meu irmão tem sofrido, por todos esses anos. Ele está com raiva, como você deve saber, e estaria totalmente desinteressado em questões de história, mesmo que ele as tenha presenciado. Além do mais, meu irmão esteve preso naquele sarcófago por tanto, tanto tempo. Mesmo que ele estivesse disposto a te dar informações, eu não acho que ele teria alguma a oferecer.

Dirª. Light: Obrigada, Caim. Isso foi de muita ajuda.

SCP-073: Não tem de quê. Mas…

Dirª. Light: Sim?

SCP-073: Se não for pedir muito, em Audapaupadopolis você deve ter encontrado um… um homem. Talvez somente um homem, ou até mesmo… até mesmo seus restos mortais. Se você… se você tiver encontrado esse homem, você me deixaria saber? Eu só - tinha eu, e Abel, e nosso irmão mais novo… é que passou tanto tempo, e eu não consigo parar de pensar se eu poderia…

Dirª. Light: Perdão, Caim. Você sabe que eu não poderia te contar, mesmo se eu quisesse.

SCP-073: Ah, sim. Claro, eu- eu entendo. (pausa) Eu gostaria bastante de ter, de ter me desculpado para ele, meu irmãozinho. Ah, mas todos temos arrependimentos, não?

Adendo 6666.5: Excerto do Diário de Winston J. Connington

O excerto a seguir foi retirado do Diário de Winston J. Connington, um pararqueologista e ocultista inglês do século XVIII que compilou um número de itens e manuscritos que fazem referência a pessoas ou eventos antediluvianos em uma coleção conhecida como o "Acervo de Connington". Excertos adicionais desse documento estão disponíveis no Adendo 4812.1.


Em meu intenso esforço de análise daqueles muito arcaicos e esquecidos locais de nossa história, deparei-me com numerosas referências a um antigo reino dos homens, um que existiu muito antes dos reinos da Europa ou dos Árabes, quiçá mais velhos que Noé e o próprio Dilúvio. Muitas dessas eu narrei em outras ocasiões, mas talvez a mais ardilosa delas seja uma parábola escrita por um indivíduo que se intitulava "Gom de Nod", que, acredito eu, detalhe eventos ocorridos próximo ao fim do regime daqueles antigos Reis do Céu. Detalhei, noutra parte de meus escritos, os contos dos quatro cavaleiros da Casa de Apoliom, mas sua origem nunca se fez evidente a mim.

E assim mesmo! Adquiri agora um fragmento de pergaminho, preservado em sal, dado a mim pelo Sultão Mustafa III dos Otomanos. O texto, que ele descreveu como legível, é escrito com a mesma cifra rústica que os outros fragmentos que descobri em antigos manuscritos semelhantes. As palavras na página estavam desbotadas pelo tempo, mas com o auxílio de meu criado Gerhard, acreditamos tê-las transcrito corretamente, a única recriação da parábola de Gom de Nod restante nesta Terra.


As palavras de Gom, filho de Nod. Profiro, pois, esses contos do velho mundo.

Houve um guerreiro, justo e firme, com verdes olhos e cabelos esbraseados. Seu riso era como as fortes ondas e sua ira como a trovoada. Por todos os lados era ele amado, e aqueles que o vislumbravam maravilhavam-se com sua habilidade, dizendo "esse é, certamente, aquele que primeiro descendeu de Asem, que viveu em eras passadas."

Sobre todos os outros era adorado, mas sobretudo por seu rei, o senhor das hostes e soberano dos céus. No momento de maior necessidade do rei, ele clamou pelo guerreiro e seu poder, e o guerreiro respondeu pela espada ou [TEXTO DANIFICADO], até serem os inimigos do rei reduzidos a pó ou seu [TEXTO DANIFICADO]. Em retribuição por seus serviços, o rei ofereceu a seu campeão um único favor, dizendo:

"Para ti, campeão dos campeões, que minha voz seja clara - céu e terra não são uma barreira, nem vida ou morte um obstáculo. O que quiseres será teu."

E disse o guerreiro:

"Senhor das Hostes, adorado entre soberanos - só clamo por teu serviço, que eu te sirva deste dia até o último dia dos homens, e dar-te-ei meu coração, sem ressalvas, para manter-me em sua presença até que o sol se apague."

Disse o rei:

"Então eterno será - Tu servirás-me, mais nobre e leal dos cavaleiros. Tua lança será minha lança, e tua voz será minha voz. Teu coração será meu para sempre, e quando findarem teus serviços, descansarás ao meu lado nos salões de meus pais."

E, então, aquele grande guerreiro serviu seu rei, através [TEXTO DANIFICADO]

Sucedeu, então, que o rei, ancião porém maduro, voltou suas atenções a uma derradeira conquista além-mar. Depois [TEXTO DANIFICADO]

[TEXTO DANIFICADO]

…uma doença proliferou-se por aqueles cavaleiros do rei, e uma profanidade adentrou seus corpos. Conduzidos pela insânia e agonia, um por um eles suplicaram para sombrios deuses caídos por alento para suas aflições, e um por um sucumbiu ao mal dentro de si.

Todos, isto é, menos o grande campeão. Ele dera seu coração a seu rei, e apesar de seu rei agora repousar no mais escuro lodaçal do mar, sua lealdade não vacilou. Ele veio diante do filho do rei, disforme e transformado, e implorou a ele, dizendo:

"Meu senhor, meu senhor! Salva-me, por favor. Tenha piedade da minha condição, em memória do serviço que generosamente prestei a teu pai e a tua casa por tantos anos. Liberta-me deste mal e poderei servir-te uma vez mais."

E disse o último filho do rei:

"Cavaleiro, dignamente serviste a minha casa - mas essa abominação que tornastes lesa a nobreza dos salões de meu pai. Enquanto essa doença possuir-te, não habitarás neste lugar sagrado, nem considerar-te-ás guerreiro de minha casa. Afasta-te do deus maligno de nosso inimigo e encontra a escura raiz da qual floresce tal terror. Corta-a, veja seus funestos jardineiros caindo perante ti, e não sucumba a essas vis aberrações. Faze-o, e os salões de minha casa estarão abertos para ti uma vez mais. Se a lealdade que tinhas a meu pai persiste em teu pobre coração, então não percas tempo — vai e procura tua salvação nas negras florestas além-mar, onde meu pai selou nossa perdição, pois a nós não resta outra salvação que desenraizar essa Temível Titânia de seu solo — Faze-o e recupera tua honra."

Maldizendo e lamentando tal tragédia, o guerreiro partiu daqueles altos salões tal qual uma besta contorcida, um tufão de tormenta e terror, e o povo de seu senhor, em prantos, rangeu os dentes quando vislumbrou em que se transformou aquele que outrora lutava ao lado de seu rei. O guerreiro, então, desapareceu, da vista e da mente, e seu nome nunca foi proferido outra vez naquelas terras longevas. Quando o filho do rei se despedaçou sob a arma de seu oponente e desceu à escuridão, sua coroa perdida, ele amaldiçoou seus inimigos e os cavaleiros de seu pai, mas guardou sua mais vil reprimenda àquele grande campeão de sua casa e a escuridão que ele havia [TEXTO DANIFICADO]

Adendo 6666.6: Registro de Reconhecimento Remoto

O vídeo a seguir é a transcrição de uma tentativa de exploração não tripulada na caverna sob SCP-6666. O drone em questão, um octocóptero Mk. VII de 4.5kg da Fundação, codinome "Herói", possuía uma bateria de 8 horas e era capaz de operar em distâncias de até 23km. Herói era capaz de operar de maneira autônoma fora de seu alcance de controle usando um módulo modificado de um conscrito artificialmente inteligente, ou AIC, de codinome "Valor". O módulo Valor não é, por si só, considerado senciente, mas é capaz de solução básica de problemas e contenção de crises, bem como objetivos de missão mais complexos.

O drone Herói também estava equipado com um pequeno quadricóptero remoto, codinome "Campeão", para exploração de áreas que Herói não conseguiria acessar, dado o seu tamanho considerável.

Projeto PARAGON

Sítio Sul-Americano de Operações Avançadas

Registro de Reconhecimento do Veículo de Exploração


O drone Mk. VII "Herói" repousa na plataforma de observação da Torre Delta, anteriormente à decolagem. Engenheiros realizam uma inspeção pré-voo em Herói antes do início da missão. Após um breve período, é dada a luz verde para Herói, que decola da plataforma. Virando para o norte, Herói vai na direção de SCP-6666.

Conforme os sensores de Herói entram em operação, SCP-6666 é visível no centro do quadro. Á medida que Herói se aproxima de SCP-6666, uma lâmpada de inundação acoplada à fuselagem aciona. Herói continua se aproximando até SCP-6666 cobrir todo o quadro, e então começa a descida aos poucos. O som distante de SCP-6666-A se debatendo e rosnando pode ser ouvido sobre o ruído dos rotores de Herói.

Após 20 minutos, SCP-6666-A aparece no quadro. A entidade está presa, mergulhada até a cintura no corpo de SCP-6666. Como havia feito em todas as missões de exploração anteriores, SCP-6666-A ignora o drone completamente, aparentemente focado por inteiro em tentar se libertar de SCP-6666. Nuvens grossas de fumaça verde saem de SCP-6666, queimando e ferindo a pele de SCP-6666-A. A entidade aparenta estar sob imensa aflição, e continua a atacar SCP-6666 com a longa lança metálica presa à parte superior do seu braço direito.

Após trinta minutos de observação, Herói começa a descer, afastando-se de SCP-6666-A e SCP-6666. A câmera se inclina para observar o solo abaixo, que está fora do alcance dos holofotes da torre de observação e em completa escuridão. Câmeras de visão noturna acopladas a Herói retornam gravações inconclusivas. Herói aciona vários outros holofotes acoplados a sua fuselagem e continua sua descida. Chegando à elevação prevista, Herói vira a Leste em direção à parede mais próxima da caverna e continua em frente.

Após outros 21 minutos de voo, Herói se move para fora do alcance de seu controlador, e o módulo Valor toma controle do veículo. Pouco depois, a parede norte da caverna pode ser vista. A superfície consiste, majoritariamente, de pedra e solo, com as grandes raízes serpenteantes de SCP-6666 cobrindo porções consideráveis da parede. Grande parte da parede está obscurecida pela névoa esverdeada que emana de SCP-6666, mas, conforme herói se aproxima, a fumaça é soprada para longe e as estruturas ficam visíveis na escuridão.

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Imagem retirada do vídeo gravado pelo drone remoto "Herói".

Imediatamente em frente de Herói está uma grande estrutura de pedra em considerável estado de ruína. Escombros e destroços cobrem o chão ao redor da estrutura principal e duas grande ruínas cilíndricas de pedra, que supostamente seriam torres, encontram-se não muito longe. A disposição dos destroços e a condição da construção indicam que, em algum momento do passado, toda a estrutura desabou de uma altura considerável e então se assentou, mas não com uma velocidade que obliteraria as paredes de pedra. Herói vira para o centro da caverna, e, conforme a fumaça se dissipa nas imediações, outras estruturas aparecem.

As ruínas na área ao redor de Herói são uma incomum mistura de construções, monumentos, equipamentos e outros itens sem um ponto de origem definido. Estão presentes as ruínas de uma grande estrutura religiosa de pedra portando um simbolismo incomum no exterior, longas casas geminadas de madeira com telhado de palha e estranhas membranas carnosas, firmemente esticadas sobre grandes suportes arqueados que aparentam ser ossos. O chão está coberto com ferramentas, utensílios de cozinha, carroças, armas e papéis. Uma leve brisa começa a soprar, e muitos dos itens no chão escorregam pelo talude de pedra até o fundo da caverna.

Herói ganha um pouco de altitude e segue o declive de pedra mais abaixo. Embaixo, casas destruídas e desabadas são visíveis, assim como um rústico armazém e um moinho colapsado. Apesar da aparente idade da arquitetura, as ruínas estão, normalmente, em boa condição. Herói desce o suficiente para registrar a imagem de um pedaço de couro enrolado, com palavras escritas em tinta em seu exterior - o texto não aparenta estar desbotado.

O drone vira para o leste e começa a descer ainda mais pelo declive em direção a uma seção de terreno limpa. A câmera infravermelha de Herói é ativada e vira em direção à parede da caverna, onde agora está claro que toda a parede e o declive da caverna estão cobertos por dezenas de milhares de construções até onde os olhos podem ver. Muitas dessas estruturas, incluindo uma grande estátua de pedra de um cervo sem cabeça, estão envoltas nas raízes de SCP-6666 e estão, aparentemente, sendo enterradas aos poucos.

Herói passa sobre outras inúmeras estruturas e, quando atravessa uma casa desmoronada, o alarme de identificação de formas de vida aciona. Valor aproxima Herói da casa e do terreno, lançando Campeão, o quadricóptero leve de reconhecimento, para investigar o espaço. Campeão se separa de Herói e adentra a casa desmoronada, desviando cuidadosamente dos destroços. Ao se aproximar dos fundos da construção, que Herói conseguia ver através de um telhado parcialmente colapsado, Campeão pode observar o corpo extremamente esquálido de uma pequena figura humanoide. A figura está encolhida em posição fetal, suas mãos cobrindo o rosto e todo o seu corpo virado para um canto. Campeão executa escaneamentos termais e eletroquímicos na figura, que só está coberta com um fino vestido de pano, e determina que ela está morta, não demonstrando nenhum sinal de vida. Campeão rapidamente analisa o restante da construção em ruínas e, então, sai por uma abertura no telhado.

Em vez de retornar a Herói, Campeão adentra diversas outras estruturas próximas, a fim de avaliar seus interiores. Em uma construção que aparenta ter servido como estábulo para animais de tração, Campeão descobre os corpos igualmente esquálidos de vários cavalos, muitos dos quais cobertos por amplas lesões puntiformes. Os rostos dos animais, distorcidos como estão pela condição de seus corpos, estão claramente torcidos com uma expressão de terror ou pânico. Nos fundos da estrutura encontra-se o corpo de um único canídeo - suas unhas e patas desgastadas quase até o osso e marcas desesperadas no revestimento de madeira da porta traseira da estrutura.

Campeão sai da estrutura e reacopla-se a Herói. Herói decola novamente e vira para oeste, distanciando-se da parede de pedra da caverna e aproximando-se de SCP-6666 - a luz das torres de observação quase que totalmente bloqueada pela névoa sobre e ao redor de Herói. O drone desce seguindo o declive da caverna, passando por numerosas estruturas individuais em ruína, até atingir um ponto onde os escombros param abruptamente. A encosta de pedra continua para baixo, mas nenhuma outra estrutura pode ser vista através da fumaça. Herói prossegue em sua aproximação, até o alarme de identificação de formas de vida acionar novamente.

A câmera principal de Herói foca em outra figura humanoide, maior que a anterior, prostrada no chão de pedra mais abaixo. Tal figura está também esquálida, e aparenta estar escalando o declive quando pereceu. Conforme Herói paira sobre a figura, e mais fumaça é soprada para longe por seus rotores, alarmes adicionais ativam à medida que Valor detecta outras formas de vida. A câmera principal de Herói desloca-se para enquadrar dezenas de outras figuras humanoides similares, seus rostos voltados para baixo em direção ao declive e imóveis, todos aparentando estarem tentando escalá-lo. Conforme Herói se move sobre os demais corpos, mais abaixo, a extensão total do número de corpos é revelada.

Embora a contagem interna realizada por Valor foi dificultada pela iluminação extremamente reduzida e pela grossa névoa, Herói observa centenas de milhares de corpos humanoides esquálidos, todos aparentando estarem escalando para longe de algo no sopé da encosta. Os corpos variam em tamanho, desde crianças até adultos, com uma mistura de características masculinas e femininas, bem como alguns animais e outras formas de vida distintas, com características humanoides e animalescas.

Conforme Herói continua contando os corpos sobre o vasto e desolado declive, Campeão se desacopla do drone principal e vai em direção às figuras. À medida que se aproxima, torna-se clara a condição dos corpos; cada um está coberto por uma fina camada de resíduo verde pálido da névoa, e todos demonstram sinais de estarem se arrastando ou correndo para longe de algo atrás deles, com ferimentos de autodefesa infligidos naqueles ao redor de si em uma aparente tentativa desesperada de fugir. A face de todos aqueles visíveis demonstra sinais de choque e pânico, embora muitos estejam deitados em posição fetal, cobrindo seus rostos com as mãos.

Campeão retorna a Herói, que contou aproximadamente 283824 corpos em uma área de aproximadamente 0,87km². Conforme Herói prossegue descendo pela encosta, a densidade dos corpos aumenta, até o drone alcançar o chão da caverna, onde o número e a densidade de corpos começam a diminuir. Herói continua em frente até o centro da caverna, mas é parado por um alarme de proximidade. Todos os holofotes viram para frente, onde uma linha de imensas árvores negras, com cem metros de altura, estende-se para longe de Herói em ambas as direções a, aproximadamente, 14m a frente do drone. A subcamada de árvores, embora menor e mais fina que os corpos maiores, cria uma densa e, aparentemente, impenetrável camada de vida vegetal que Herói não consegue penetrar.

Campeão, mais uma vez, é desacoplado de Herói, decolando lentamente e adentrando cuidadosamente a floresta. Embora Campeão esteja equipado com seus próprios holofotes, as árvores incrivelmente densas anulam muito de sua utilidade. Conforme Campeão segue adentrando a floresta, Herói aterrissa do lado de fora a fim de conservar bateria, que caiu para 62%. Visto que diminuir para menos que 55% resultaria em um retorno imediato à base, Valor ajusta o plano de missão para retornar à Torre Delta assim que Campeão finalizar o reconhecimento.

campeão.jpg
Imagem retirada do vídeo gravado pelo drone remoto "Campeão".

Após três minutos navegando na floresta densa, Campeão reporta um defeito instrumental. Embora o drone não tenha realizado nenhuma correção de curso incomum, ele agora acredita que está voando de ponta cabeça e movendo-se lateralmente para o sul em rápida velocidade. O drone tenta corrigir sua rota, mas colide em uma árvore e cai. Um uivo alto e agudo pode ser ouvido, e então Campeão se imobiliza. Embora os instrumentos continuem funcionando, sua câmera principal foi destruída no impacto. Campeão começa a soar seu sinal de resgate, que é ouvido pelo microfone interno de Herói. No decorrer dos próximos cinco minutos, Herói continua a recuperar os dados enquanto o sinal de resgate de Campeão continua soando.

Cinco minutos e dezesseis segundos após colidir com o solo, o sinal de resgate de Campeão começa a ficar cada vez mais fraco, como se estivesse se movendo para longe de Herói. Contudo, os sensores internos do drone não reportam movimento algum. Isso continua por mais outros oito minutos e quarenta e sete segundos, até o sinal de resgate de Campeão não poder mais ser detectado por Herói.

Herói aguarda os trinta minutos predeterminados para o resgate de Campeão. Após o fim do período, com Campeão agora reportando somente dados de telemetria, Herói começa a subir novamente até a Torre Delta. Conforme Herói sobe mais de 6km, ultrapassa o intervalo de atraso de dados de Campeão e o quadricóptero não pode mais ser detectado. Uma hora e nove minutos depois, após duas breves paradas para colher dados adicionais de telemetria, Herói aterrissa na plataforma da Torre Delta.

Adendo 6666.7: Transcrição da 2ª Reunião de Liderança PARAGON.

A seguir está um excerto da gravação de uma reunião da Liderança do Projeto PARAGON realizada em 2 de maio de 2019.

Transcrição da Gravação de Áudio Interna

Presentes:

  • Shannon Lancaster, Diretora do Projeto PARAGON
  • Kain Pathos Crow, Diretor de Tecnologia da Fundação
  • Coryn Malthus, Diretor do Departamento de Pesquisa Antediluviana
  • Osmon Iles, Pesquisador-Chefe de SCP-6666
  • Cecilia Aestrei, Comandante da Hēt-1

Presentes Remotamente:

  • Toby Mills - Administração PARAGON
  • Rodney Gutierrez - Administração PARAGON
  • Corey Peters - Administração PARAGON
  • Josef Wahl - Administração PARAGON
  • Lindsey Frazier - Administração PARAGON
  • Hiroko Ledoux - Finanças PARAGON
  • Janice Mendez - Finanças PARAGON
  • Earl Mccarthy - Logística PARAGON
  • Zhao Qingzhao - Ciências PARAGON
  • Dr. Brent Grant - Ciências PARAGON
  • Dominga Rainey - Pesquisa PARAGON
  • Len Rosser - Pesquisa PARAGON
  • Dr. Megan Wiles - Administração do Comando Regional Ocidental
  • Dr. Jean Van Blank - Administração do Comando Regional Ocidental
  • Ilene Torre - Administração do Comando Regional Ocidental
  • Asst. Director Xu Xiaoling - Tecnologia
  • Dr. Cameron St. Pierre - Contato do Comitê de Ética
  • Dr. Loman Hall - Comitê de Ética
  • Dr. Jin Zhen - Comitê de Ética
  • Dr. Patricia Dane - Comitê de Ética
  • Dr. Sam Olawe - Comitê de Ética
  • Dr. John German - Comitê de Ética
  • Dir. Karlyle Aktus - Comitê de Ética
  • Quinton Paige - Contato do Comitê Overseer
  • O5-1
  • O5-3
  • O5-12

malthus.png

Diretor do Departamento de Pesquisa Antediluviana, Coryn Malthus

Dirª. Lancaster: Bom dia a todos, obrigada por virem até aqui. Dr. Crow, obrigada por fazer a viagem.

Dir. Pathos Crow: Claro, agradeço o convite.

Dirª. Lancaster: Certo, então, cedo a palavra ao Dr. Malthus

Dir. Malthus: Obrigado, Diretora Lancaster, e obrigado senhoras, senhores e estimados funcionários do Projeto PARAGON e da Fundação, por se juntarem a nós. Caso não me conheçam, meu nome é Coryn Malthus, e sou o Diretor do mais novo velho departamento da Fundação, (pausa para risada) o Departamento de Pesquisa Antediluviana. Somos historiadores, colecionadores de informações há muito enterradas nas areias do tempo, e fizemos de nosso objetivo catalogar e identificar o quanto pudermos dessa história, antes que tudo se perca.

Dir. Malthus aponta para a tela de projeção, onde uma lista de datas é visível.

Dir. Malthus: Apesar do que tenham aprendido, é sabido agora que, enquanto a história humana moderna esteve em andamento somente pelos últimos trezentos mil anos, a verdadeira narrativa de nossa história se estende por muitos e muitos milhares de anos antes, senão mais. O que aconteceu há trezentos mil anos atrás foi uma grande migração de nossos ancestrais da África e do crescente fértil, onde se assentaram após o retrocesso das águas do dilúvio.

Dir. Malthus: Dilúvio? - vocês devem estar se perguntando, ele disse dilúvio? Como muitos de vocês já devem ter reparado, o "diluviano" de "antediluviano" realmente faz referência ao Grande Dilúvio, um desastre natural mundial anômalo que se acredita que tenha ocorrido em algum momento entre quatrocentos e quinhentos anos atrás, devastando qualquer sociedade remanescente que existia à época e criando uma enorme perturbação na ordem de dominância natural neste planeta. Muitas das evidências de lugares, eventos e pessoas que estudamos no DdPA se perderam nesse evento, que durou, acredita-se, por centenas de anos, ou mais. Aqueles que não fugiram para lugares elevados ou construíram algum tipo de embarcação apropriada foram, como esperado, levados embora quando as águas caíram, bem como qualquer registro de suas existências.

Dir. Malthus: Contudo, nossa pesquisa vai ainda mais além — até o início do mundo. SCP-4840 - A Cidade Flutuante de Audapaupadopolis — é um fragmento quebrado da primeira cidade construída neste planeta, milhões e milhões de anos atrás. Um proto-humano conhecido como "Asem", dito ser seu primeiro rei, e a humanidade como um todo nasceram lá. Esses humanos primitivos - que nós, agora, chamamos de "Eternos", embora seja motivo de debate se são realmente eternos — eram estruturalmente semelhantes a você e eu, embora fundamentalmente diferentes em alguns aspectos, mais do que somente sua longevidade. SCP-073 e SCP-076, por exemplo, são dois desses humanos primitivos, que perduraram, a suas maneiras, por muitos e muitos milhões de anos.

Dir. Malthus: Mas espera, vocês devem estar pensando, o que aconteceu antes disso? A resposta curta é: nós não sabemos. Seres humanos são a única criatura neste planeta que possui um registro escrito da sua história que podemos traduzir através de longos períodos de tempo, então qualquer coisa que tenha existido antes está perdida para nós, de uma forma ou de outra. Mas existiram outras criaturas naqueles tempos, e é agora que eu peço para que segurem minha mão e deem um salto no escuro, porque temos que ter uma discussão sobre deuses. Sim, deuses existem - caso trabalhar com a Fundação não tenha os convencido disso, acreditem nas minhas palavras. Eles existem, e são poderosos, suas ações podendo ser sentidas em nosso cotidiano até hoje. Ah, sim - Srta. Torre, você tem uma pergunta?

Ilene Torre: Obrigada, Doutor. Quando você diz "deuses", a qual tipo de entidade está se referindo, especificamente?

Dir. Malthus: Ótima pergunta. Há um número de entidades de grande poder que poderiam ser consideradas "deuses" por grande parte das pessoas, mas as entidades a que me refiro são de um tipo mais fundamental. (pausa para ajustar o slide) Certo, dos deuses que habitavam Audapaupadopolis naquela época, conhecemos alguns - muito graças a SCP-4840-A, ele próprio um dos Eternos. Sabemos de Mekhane, o "deus quebrado", cujos resquícios são, hoje, objetos de adoração à igreja de Bumaro. Também sabemos de Yaldabaoth, reverenciado sobre todos pelos Devitas e cujos poderes são, agora, absorvidos pelos cultos Sarquicistas. Ambos esses deuses estão conectados em textos antigos da humanidade - contudo, também havia outras entidades vivendo ao mesmo tempo que nós, que precedem a humanidade por incalculáveis milhões de anos. Essas eram as fadas, os povos estranhos. Eles se parecem conosco em sua senciência e corpo geralmente humanoide, mas, além disso, não poderiam ser mais diferentes. Mas eles cultuavam deuses, muitos deles vocês nunca ouviram falar - um deus da noite, um deus do dia, um deus do nascer e do pôr do sol e Gaia - a deusa da Terra. Mas acima de todos, eles cultuavam a deusa da luz estelar e desejos, Iýa.

Dir. Malthus: Iýa, em uma lenda antiga, era uma deusa que andava sobre as copas das árvores das grandes florestas das fadas, realizando seus desejos e cantando para eles no crepúsculo do mundo. Ela era a mais bela deusa das fadas, e a que mais amavam. Grande parte das imagens de Iýa, chamada, posteriormente, de Titânia pelo primeiro homem a se encontrar com as fadas, são de uma criatura não muito diferente das fadas, mas outras representam-na como uma estrela, ou como um raio de luz da lua, e outros representam-na, até mesmo, como uma espécie de árvore mãe no coração da floresta negra das fadas.

Dir. Malthus: E isso nos leva aonde estamos agora. Acreditamos que a temível árvore pendurada de ponta cabeça na caverna sob nós é, ou pelo menos era, a deusa das fadas Titânia. Amostras retiradas do artefato no centro de SCP-2932, embora ainda inconclusivas, compartilham inegáveis semelhanças com SCP-6666, e SCP-2932-A aparenta ter certeza que o artefato se origina da mesma deusa cultuada pelas fadas. Sem trazer para cá alguma entidade Eshu que possa confirmar isso com os próprios olhos, não há como termos certeza absoluta, e, francamente, nossa pesquisa mostrou que eles são, no mínimo, desconfiados ao falar sobre a deusa, mas sentimos que estamos certos que sabemos com o que estamos lidando aqui. Sim, Sr. Gutierrez?

Rodney Guttierez: Também estamos presumindo que essa deusa árvore está morta?

Dr. Iles: É o que acreditamos, sim.

Dr. Van Blank: Sabemos o que causou sua morte?

Dir. Malthus: Temo que só especulações, no momento. A remoção do artefato SCP-2932 de dentro de SCP-6666 foi, provavelmente, a causa, embora tenhamos motivos para crer que esse artefato foi removido depois da morte de SCP-6666.

Hiroko Ledoux: Mas a entidade ainda é móvel, correto? Seus esquadrões de lança-chamas não tiveram que queimar novos crescimentos?

Com. Hēt-1 Aestrei: Correto.

Dir. Malthus: Também temos algumas especulações do porquê disso, mas basta dizer que aquela árvore é o corpo de uma deusa — qualquer compreensão tradicional do que é ou não capaz de fazer deve ser encarada com alguma reserva.

Dir. Aktus: E a entidade dentro de SCP-6666, a criatura humanoide, o que sabemos sobre sua origem?

Dir. Malthus: Sim, bem, nós estávamos chegando lá. Dr. Iles, faça as honras.

Dr. Iles: Obrigado, Diretor. Acredita-se que a criatura na árvore seja uma das quatro antigas e poderosas entidades que passamos a chamar de "Demônios Primevos". Antes do Grande Dilúvio, havia inúmeras civilizações humanas no decorrer de dezenas de milhares de anos, mas a mais longeva delas era chamada de os "Reis do Céu de Apoliom". Usando informações obtidas durante a investigação das entidades SCP-4812, viemos a aprender que as quatro entidades eram guerreiros que viveram nesse reino na mesma época, cada uma acometida por um evento taumatológico desconhecido próximo ao colapso dessa civilização, o que alterou sua natureza e transformou-os nas criaturas que vemos hoje. Os quatro — La Hire, Lancelot, Hector e Ogier — eram figuras de tamanha importância na história desse povo antigo que seus nomes sobreviveram por milhares de anos e acabaram inseridos no folclore moderno.

Dir. Malthus: Desde a descoberta de SCP-4840-B, temos auxiliado a Diretora Lancaster e o Projeto PARAGON com o estudo e contenção dessas entidades. A Fundação conteve SCP-2254, o Demônio La Hire, sem saber o que realmente era, por um tempo. Como de costume, informações colhidas de SCP-4840 trouxeram luz a muitas coisas, incluindo a origem de 2254 e 4840-B, o Demônio Lancelot. Cada um deles, de acordo com os textos antigos, foi acometido por uma maldição diferente conjurada pela princesa das fadas - luxúria para La Hire, Ira para Lancelot, desespero para Ogier e, para o nosso amigo Hector — agonia.

Dirª. Lancaster: O motivo pelo qual fundamos o Projeto PARAGON foi para mitigar os efeitos dessas entidades emergentes. A Coalizão Oculta Global abriu uma tumba antiga em 2002, que acreditamos que continha… uma entidade, de alguma forma relacionada com as maldições conjuradas nos quatro demônios, eles próprios relacionados com as três entidades SCP-4812. Todos estão conectados ao mesmo evento, descrito no texto como a profanação de uma princesa fada. Se não me engano, e o Dir. Malthus pode dizer se estou enganada, nós acreditamos que a entidade EROS que a Coalizão encontrou naquela tumba é a mesma princesa fada que criou SCP-4812, SCP-2254, SCP-4840-B, SCP-6666-A e o último demônio ainda não descoberto, Ogier.

Dir. Malthus: Está correto.

O5-1: Portanto, qual o nosso próximo passo?

Dir. Malthus: Ainda bem que perguntou, Overseer. Sob SCP-6666 existe uma grande floresta que acreditamos conter ruínas de origem antediluviana, puxadas para a caverna por SCP-6666. Há um potencial tesouro de informações lá embaixo, preservado por meios aparentemente anômalos, que poderiam ser inconcebivelmente úteis para os nossos esforços futuros.

Dirª. Lancaster: O Projeto PARAGON está trabalhando para mitigar os possíveis efeitos das entidades 4812, bem como qualquer dano que possa ser causado por esses quatro demônios. Foram dezessete anos desde que a GOC desenterrou EROS, e 4812-K tem ficado cada vez mais agressivo com o passar do tempo. Temos motivos para crer que esses eventos estão nos levando a algo grande, e quanto mais dados tivermos disponíveis, mais preparados estaremos para lidar com essas ameaças.

Dir. Malthus: Então, o que eu gostaria de propor é uma expedição tripulada à floresta. Nossos drones não são capazes de atravessá-la, mas um destacamento armado da Hēt-1, bem como vários de nossos próprios pesquisadores e funcionários de suporte, poderiam conseguir fazer progresso suficiente para confirmar se encontraremos ou não o que estamos procurando por lá.

O5-3: Quais os fatores limitantes?

Dir. Pathos Crow: A distância entre a plataforma de lançamento da Torre Delta e o chão da caverna é de mais de 35km. Atualmente, nosso plano é descer a equipe por teleférico. Nossos modelos mais rápidos de viagem a uma velocidade segura, para mover todo o contingente e equipamentos necessários, podem levar a equipe ao local de aterrissagem em pouco mais de seis horas. O outro problema é a pressão — o ar no fundo da caverna é muito rico. Acreditamos que seja respirável, mas a viagem de volta será longa se quisermos evitar doença de descompressão - pouco mais de 24 horas.

Dr. Iles: O maior problema é a fumaça. SCP-6666 cria uma substância particulada de dentro daquele flanco aberto, e essa substância é uma neurotoxina extremamente potente. Exposição a curto prazo leva a um desligamento completo da maior parte dos processos neurológicos, e a longo prazo leva a depressão SNC e morte.

Dir. Pathos Crow: Nossos trajes de inserção conseguem filtrar a substância do ar, mas a preocupação é que mesmo a menor exposição ao resíduo no exterior dos trajes durante o transporte poderia ser fatal, então desenvolvemos um plano para mitigar os efeitos dessa substância - pelo menos a curto prazo. Então, — (Dir. Crow aponta para um novo slide) nós implementamos um plano em duas etapas para limitar o risco. Dois membros da Hēt-1 irão portar consigo lança-chamas leves para auxiliá-los a limpar o caminho e limitar a quantidade de "pólen" no ar. Nós também - uh, nós planejamos colocar uma vedação de espuma sobre a abertura em SCP-6666.

O5-12: Como planejam concretizar isso?

Dir. Pathos Crow: Com ajuda da divisão de Plásticos da Fundação, desenvolvemos uma espuma de polietileno de alta densidade que pode ser borrifada à distância de qualquer um de nossos veículos Mk VII. Ela assenta completamente em alguns minutos e, uma vez que tivermos a abertura selada, precisaremos apenas esperar vinte horas para a poeira remanescente no ar abaixar e nossas equipes poderão avançar como planejado. Isso é o que minha equipe tem trabalhado pelos últimos meses sob a Operação Cauterize. Isso não deverá deixar nenhuma ferida permanente na anomalia, e se degradará em um período de, aproximadamente, cinco semanas, mas a vedação é rígida enquanto estiver em pé.

O5-1: Presume que SCP-6666-A irá causar algum problema?

Com. Hēt-1 Aestrei: Especificamente, não. Podemos tentar dar usar um sedativo se a entidade tentar interferir e, caso não seja o suficiente, podemos prender a entidade usando lançadores de cabos acoplados à Torre Charlie.

Dir. Pathos Crow: Sendo realista, só precisamos manter 6666-A ocupado até a espuma assentar. Ela é dura como pedra assim que se firma, e deve selar-se mecanicamente na abertura irregular.

O5-1: Muito bem. Diretora Lancaster, por favor, mantenha meu escritório informado. Quero estar ciente no momento em que tivermos agentes no local.

Dir. Lancaster: Sim, senhor, claro.

Dir. Malthus: Responderemos perguntas num instante, mas se ninguém mais quiser falar, então dispensarei a todos - eu sei que o Dir. Crow e a Comandante Aestrei têm que colocar mais algumas coisas no lugar. (pausa) Muito bem, obrigado pelo tempo de vocês, nos reuniremos novamente após a operação.

Adendo 6666.8: Relatório Psicológico de Funcionários

Nota: A seguir está um registro compilado pelo psicólogo Dr. Rich Arnold de queixas psicológicas de funcionários PARAGON entre janeiro de 2018 e maio de 2019.

Nome Data Sintomas Notas
Simon Cantrell 13.2.2018 Ansiedade, Depressão Acredita-se que os sintomas sejam resultados da condição de trabalho - sujeito tem medo de altura. Mudança para outro sítio recomendada.
Ricardo Barros 24.3.2018 Depressão Sujeito está, de modo geral, infeliz sobre sua atribuição prolongada.
Natália Bezerra 26.3.2018 Paranoia Sujeito relata sentir-se como se estivesse sendo observada enquanto trabalha na caverna de SCP-6666.
Leonardo Neves 4.6.2018 Depressão Sujeito relata um sentimento geral de indisposição.
Sam Allison 13.7.2018 Ansiedade Sujeito relata um sentimento generalizado de ansiedade após acordar.
Victor Cross 9.9.2018 Pesadelos, Ansiedade Sujeito relata ansiedade generalizada e pesadelos.
Vivian Delgado 23.9.2018 Pensamentos Suicidas Sujeito demonstra sentimentos de desespero, encaminhada a um especialista.
César Lourenço 2.10.2018 Depressão, Pesadelos Sujeito relata depressão, sonhos perturbadores.
Antonio Ruis 14.11.2018 Ansiedade, Pesadelos Sujeito relata pesadelos.
Benício Chaves 18.11.2018 Ansiedade, Pesadelos Sujeito relata um sonho vívido de um monstro matando sua mãe.
Janice de Campos 28.11.2018 Ansiedade Sujeito relata um sentimento de desconforto após acordar.
Kléber Antunes 28.12.2018 Ansiedade, Pesadelos Sujeito relata um sonho vívido onde um monstro com seis olhos mata sua filha.
Antonio Cordeiro 3.1.2019 Ansiedade, Pesadelos Sujeito relata um sonho vívido onde um monstro de seis olhos mata sua esposa.
Anita Wells 4.1.2019 Ansiedade, Pesadelos Sujeito relata um sonho vívido onde um monstro de seis olhos mata seu irmão.
Paloma Meireles 15.1.2019 Ansiedade, Pesadelos Sujeito relata um sonho vívido onde um monstro de seis olhos mata sua filha.
Geraldo Hamamura 23.1.2019 Medo, Pesadelos Sujeito relata um sonho vívido onde um monstro de seis olhos o mata.
Lee Winslow 3.2.2019 Ansiedade, Pesadelos Sujeito relata um sonho vívido onde um monstro de seis olhos mata seu filho.
Arnoldo Esteves 12.2.2019 Ansiedade, Pesadelos Sujeito relata um sonho vívido onde tenta gritar, mas não consegue.
Daniel de Assunção 15.3.2019 Ansiedade, Pesadelos Sujeito relata um sonho vívido onde um monstro de seis olhos devora todos os indivíduos no SAFOS.
Kyle Williamson 23.3.2019 Ansiedade, Pesadelos Sujeito relata um sonho vívido onde um monstro de seis olhos o devora.
Lucas Oliveira 28.4.2019 Pânico, Ansiedade, Pesadelos Sujeito relata sentir extremo desconforto a todo momento quando trabalha e relata vivenciar sonhos vívidos onde um monstro de seis olhos consome sua família.
Augusto Braga 3.5.2019 Pânico, Pesadelos Sujeito relata sentir pânico extremo, demonstrando sinais de automutilação e relata sonhos vívidos onde um monstro de seis olhos come seu coração.
Diego da Costa 11.5.2019 Pânico, Pesadelos, Pensamentos Suicidas Sujeito relata sentimentos generalizados de pânico completo, com tentativas recentes de tirar a própria vida e relata sonhos vívidos onde está preso em um buraco enquanto um monstro de seis olhos devora sua mãe.

Adendo 6666.9: Registro Pós-Ação da Operação Cauterize

24/5/2019 11:45:54 AMT — Drones Mk. VII "Ulisses", "Herói" e "Astor" são equipados cada com 45kg da espuma de polipropileno de alta densidade em spray.

24/5/2019 12:00:04 AMT — Ulisses, Herói e Astor decolam da Torre Delta em direção a SCP-6666.

24/5/2019 12:16:21 AMT — Drones chegam a SCP-6666

24/5/2019 12:23:55 AMT — Drones relatam estarem a postos na abertura de SCP-6666. SCP-6666-A não demonstra sinais de comportamento anormal.

24/5/2019 12:26:42 AMT — Drones começam a borrifar a espuma sobre a abertura em SCP-6666. Nenhuma atividade incomum detectada.

24/5/2019 12:27:52 AMT — SCP-6666-A vira o rosto para o drone Ulisses. O drone é instruído a metralhar SCP-6666-A, a fim de confirmar o reconhecimento.

24/5/2019 12:28:15 AMT — SCP-6666-A segue o drone Ulisses com os olhos.

24/5/2019 12:30:49 AMT — Primeira aplicação da espuma começa a assentar.

24/5/2019 12:31:03 AMT — SCP-6666-A toca na espuma endurecida. Depois de um tempo, a entidade começa a tentar afastar a espuma de seu corpo.

24/5/2019 12:32:00 AMT — Hēt-1 autorizada a realizar a tranquilização. O drone Ulisses atira três dardos tranquilizantes no tórax de SCP-6666-A.

24/5/2019 12:32:01 AMT — SCP-6666-A destrói o drone Ulisses com sua lança antes de o drone conseguir reagir. Os drones Herói e Astor se afastam para uma distância segura.

24/5/2019 12:32:15 AMT — SCP-6666-A continua tentando remover a espuma ao redor de sua cintura.

24/5/2019 12:32:52 AMT — Hēt-1 lança três cabos de aço da Torre Charlie. O primeiro cabo acerta o braço-lança de SCP-6666-A e enrola-se por todo o corpo da entidade. O segundo e terceiro cabo atravessam os flancos da entidade, prendendo-a a SCP-6666.

24/5/2019 12:33:12 AMT — SCP-6666-A começa a puxar para se livrar da imobilização. Nota-se que o cabo começa a ceder.

24/5/2019 12:33:21 AMT — O segundo cabo se rompe, quase acertando o drone Astor.

24/5/2019 12:33:44 AMT — A equipe da Hēt-1 lança um cabo de sustentação revestido com 8cm de kevlar em SCP-6666-A.

24/5/2019 12:33:48 AMT — O cabo de sustentação de kevlar acerta SCP-6666-A, prendendo totalmente a entidade a SCP-6666. SCP-6666-A continua tentando agarrar os cabos com seus dois braços menores.

24/5/2019 12:34:12 AMT — Hēt-1 lança dois outros cabos de aço. O primeiro acerta o braço do meio de SCP-6666-A, prendendo-o de lado. O segundo atinge SCP-6666-A no espaço entre seu braço médio e superior, ancorando a entidade de lado em SCP-6666.

24/5/2019 12:35:05 AMT — Os drones Astor e Herói reaproximam-se de SCP-6666. SCP-6666-A se debate contra as amarras, mas é incapaz de se mover. SCP-6666 vocaliza alto, mas não se move.

24/5/2019 12:35:36 AMT — Astor e Herói continuam aplicando o spray de espuma em SCP-6666. Periodicamente, ambos os drones retornam à Torre Charlie para trocar os cilindros conforme se esvaziam.

24/5/2019 12:52:58 AMT — Ambos Astor e Herói confirmam o esvaziamento de seus últimos cilindros. Considera-se a abertura no lado de SCP-6666 completamente selada. Drones de vigilância próximos relatam uma completa interrupção da fumaça expelida pela abertura.

24/5/2019 12:53:12 AMT — Astor e Herói se dirigem à Torre Delta.

24/5/2019 13:06:54 AMT — Astor e Herói chegam à Torre Delta.

Adendo 6666.10: Entrevista com SCP-343

Segue-se a transcrição de uma entrevista conduzida pelo Funcionário Sênior da Fundação, Dr. Alto Clef, com SCP-343. Dr. Clef recebeu a aprovação para realizar a entrevista devido a sua resistência natural contra alterações anômalas.

deus.png

Foto original do arquivo de SCP-343.

SCP-343: Ah, sim. Jovem Alto, meu filho. Venha, por favor. Sente-se! Ou eu deveria fazer um assento para você?

SCP-343 manifesta uma cadeira ao lado de Dr. Clef, que permanece em pé.

Dr. Clef: Não, obrigado. Olha, nós dois sabemos que eu só estou aqui porque precisamos ter certeza de que você não vai tentar foder essa entrevista. Eu odeio fazer isso, então eu quero que você seja bem direto comigo, porque eu não perder o meu dia aqui.

SCP-343: Vá lá, Alto. Eu sempre apreciei as nossas conversas.

Dr. Clef: Eu não. Enfim, nós aprendemos algumas coisas interessantes sobre você, recentemente.

SCP-343: (risos) Bem, quem pode dizer que sabe os mistérios da natureza de Deus?

Dr. Clef: Eu sei a sua idade, para começo de conversa, que é-

SCP-343: Atemporal como o universo.

Dr. Clef: -nada disso, e eu sei seu nome. Você é Matusalém o Arcanista? Real-Vizir da antiga Casa de Malidraug?

SCP-343: Eu- (pausa) -perdão?

Dr. Clef: É uma pergunta bem simples, só sim ou-

SCP-343: Eu não, o quê? Como você sabe disso?

Dr. Clef: Caim contou. Disse que se soubesse que você estava aqui ele teria nos avisado há muito tempo. Além disso, ele disse que você era um lendário vigarista e golpista com delírios de grandeza.

SCP-343: Quer dizer, delírio é um pouco demais. Meu deus, //Caim. Caim, o andarilho. vagante das planícies. Canalha.

Dr. Clef: Então, isso é um sim ou um não.

SCP-343: Ah, quer dizer… sim, eu acho, mas ninguém me chama por esse nome desde… Cristo, muito, muito tempo. Honestamente, estou meio incomodado que ele sabia quem eu era - eu dei duro tentando manter distância dele e da sua laia. Velhos esquisitões empoeirados das eras passadas que deveriam ter feito um favor para nós e morrido junto com o primeiro homem.

Dr. Clef: De onde você vem, então.

SCP-343: Olha, eu… certo, muito bem. Eu vou cooperar, mas saiba de uma coisa! Até a minha grande mente não é infalível, querido Alto. Caim pode se lembrar de tudo, mas eu uh - eu não, não do mesmo jeito. Eu guardei algumas memórias, entretanto, e elas podem ser… podem ser úteis para você, de algum jeito.

Dr. Clef: De onde você vem.

SCP-343: Meu deus, calma aí. Ok, de onde eu vim. É engraçado, sabe, como as coisas se repetem. O mundo era mais um lugar mais mágico naquele tempo, mas, apesar de toda aquela energia arcana, tudo parecia como é agora. Não agora, tipo, neste minuto, mas agora nestes últimos milênios. Eu nasci há muito tempo atrás, num lugar que não existe desde que o mar subiu. Meu nome era Mateus, ou melhor… você sabe quais foram as primeiras línguas?

Dr. Clef: Egípcio?

SCP-343: Ah, é o que você acharia, mas está errado. Eram a línguas canaanitas - literalmente nomeadas em homenagem a Caim, aquele crápula, porque ele foi a primeira pessoa a escrever alguma coisa. Não tínhamos a menor noção das diferenças naquela época, mas era parecida com o fenício, pelo menos o alfabeto era. Nós só a chamávamos de "língua Caiana". Enfim, meu nome era Mateus, e o nome da minha mãe era Myra. Meu pai era… na verdade, eu não lembro o seu nome. (pausa) peculiar. Ele era um oficial real do Rei do Vale, 𐤀𐤋𐤌 - Ulem. Eu cresci na corte daquela casa. (risos) engraçado o quão fácil eu lembrei disso. Você tem noção de quanto tempo eu fiquei sem falar a língua de Caim? Que estranho.

Dr. Clef: O que era a Casa de Apoliom?

SCP-343: Ah, eles eram os Reis do Céu. Intitulavam-se o mais poderoso e mais antigo reino dos homens. O povo contava histórias de como o Rei Apoliom roubara um grande tesouro da corte dos deuses, o que deu a ele domínio sobre os reinos. Eu não sei se tudo é verdade, mas é o que o povo dizia.

Dr. Clef: O que aconteceu com eles?

SCP-343: Com a Casa de Apoliom? Oh, bem… é difícil dizer, eu acho. Eles eram a maior força do mundo, até o momento em que… não eram mais. Houve uma ofensiva, eu acho… Apoliom convocava os homens jovens para servir em seu exército e todas as grandes casas tinham que responder, sabe, e eu lembro especificamente de ter havido algum tipo de ofensiva. Então… o rei morreu, ou foi morto, e seu filho também, eu acho… deixe-me pensar um minuto.

Pausa.

SCP-343: Oh, sim, desculpe-me. Eu lembro melhor em parábolas, acho. Essa é a história dos quatro cavaleiros. Três o traíram, um o amava e andou em direção a sua perdição tentando agradá-lo. Quais eram seus nomes?

Pausa.

SCP-343: Não posso afirmar que eu sei como traduzir os seus nomes, mas era lehire, lancelt, ajier e hekter, se não me engano. Os primeiros três eram os traidores, e o último o cavaleiro que ele amava. Algo assim. Eu acho que teve uma maldição, também. De qualquer forma, sobre o que aconteceu com eles, eu não sei. Um dia as mensagens pararam de chegar e, no dia seguinte, havia fumaça sobre as montanhas de Apoliona. Dava para saber uma coisa ou outra do que os viajantes contavam, sobre um monstro com muitos rostos e uma criatura que mataria qualquer um que olhasse para ela.

Pausa.

Dr. Clef: O que foi?

SCP-343: Só que, conversando sobre isso agora, eu lembrei de algumas coisas. Na época eu não era… deus, talvez um garoto, ou até mesmo um jovem. Tinha esse… como eu descreveria, esse terror turbulento, um demônio de seis olhos - do tamanho de uma montanha. Destruindo e gritando e rastejando para o norte, para longe do mar. Horrível de se ver. Eu lembro de um homem dizer para mim que o monstro era uma criatura do velho mundo, algo de origem estranha. Eu não fazia ideia do que isso significava na época, mas o timing estava certo, eu acho. Aquilo tinha que ter vindo de Apoliona. Tinha essas horríveis correntes de aço ao redor dos seus braços, eu acho, e… sim. Com certeza alguma desgraça se abateu sobre Apoliom, embora eu não lembre ao certo de sua natureza.

Dr. Clef: Certo. O que você sabe sobre os Filhos da Noite, então?

Silêncio.

Dr. Clef: Jesus, está tudo bem?

SCP-343: Eu…

Dr. Clef: Ei, controle-se, eu posso chamar ajuda médica ou-

SCP-343: Não, não, não, desculpe-me. Está tudo certo. Eu… elas os chamavam disso. As fadas os chamavam disso, quer dizer. Para tornar mais tolerável, talvez, qualquer blasfêmia que eles tenham cometido para conjurá-los. (pausa) Desculpe-me, Alto, eu… faz tanto tempo. Tem muita coisa que eu esqueci com o passar dos anos. Acho que eu não pensei nisso quando coloquei aquele sangue em mim para- para prolongar a minha vida, sabe, (riso nervoso) mas você realmente se esquece das coisas, por bem ou por mal, mas… eu não… eu não esqueço daquilo. Não esqueço deles.

Dr. Clef: O que eles eram?

SCP-343: Eles… eu era um jovem mago na época, não mais que sessenta ou setenta anos, nos primeiros anos da minha vida. Eu saí de Ulem alguns anos depois que minha mãe adoeceu e morreu, e viajei ao deserto para estudar com o feiticeiro Relivine, dos Deva, em Malidraug. Nós estávamos tão longe do mar, eu acho que ninguém jamais esperaria…

Dr. Clef: O que aconteceu?

SCP-343: Eu não… sei porque eles existiam. Havia histórias — sempre há histórias. O povo falava sobre como um rei das fadas rezou para que um cavaleiro o salvasse de um dragão, e o cavaleiro era um homem sem alma, ou algo assim. Nós sabíamos da existência das fadas, mesmo que a maioria das pessoas nunca tenha visto uma antes. Elas viviam do outro lado do mar, e tinha essa… essa cidade branca na costa, eu não me lembro o nome, mas você poderia ir lá e, em uma noite estrelada, as fadas viriam e você conseguiria negociar com elas. Mas os intrometidos… eles viviam com as fadas, nas florestas além do mar — ou é como contam as histórias. Eles eram monstros de contos de fada, Alto, como o bicho-papão ou um fantasma. Algo que as mães alertariam às crianças antes de dormir. Algo que você lembraria toda vez que ouvisse um farfalhar na escuridão. Um horror perdido no tempo.

Pausa.

SCP-343: Eu lembro da primeira vez que os vi. Era uma noite de verão, e tinha uma duna que subia sobre nossa cidadela no Oeste. Dava para vê-los daquela distância - eram essas coisas enormes, muito mais altas que qualquer homem, coberto em pelos pretos e cinzas emaranhados por todo o corpo. Eles eram como… como se alguém que nunca viu um homem descrevesse um para você. Seus olhos brilhavam no escuro, e eles só… ficaram parados lá, enfileirados, talvez cinquenta deles em sequência. Nós tentamos nos aproximar e comunicar, mas eles só nos observavam. Eles fizeram esse… esse som horroroso, como uma criança gargalhando, essa risada inumana, e cantavam essas… essas estranhas canções, com vozes agudas. Meu mestre era o Grão-Magistrado, uma figura extremamente poderosa, e ele foi dispersá-los, e eles…

Dr. Clef: O que eles fizeram?

SCP-343: Eles só… desmembraram ele. Como se fosse um brinquedo, eles só o pegaram, bem devagar, e eles não eram… não eram nem um pouco afetados por sua magia. Eles só começaram a puxá-lo, rindo, e então o desmembraram. Agora, esse foi o momento que eu decidi fugir, mas ninguém seria capaz de correr deles, também. Eram mais rápidos e mais fortes que qualquer homem. Eles não podiam ser atravessados por uma lança, nem eram perturbados por magia arcana. Eles pareciam não gostar de fogo, mas não eram feridos por ele. Eles nos cercaram e nos prenderam nessas correntes negras, e então nos arrastaram até seus barcos na costa. Eu… eu só sobrevivi porque deitei em cima do corpo de um velho fazendeiro, que implorou e chorou por três dias seguidos. No momento que chegamos, ele já estava imóvel, e quando eu o virei, tudo o que sobrou de dentro do seu corpo caiu - a terra tinha reduzido ele pela metade, como um pedaço de madeira sobre uma lixa.

Silêncio.

SCP-343: Eles nos levaram em seus longos barcos, e tinha tantos de nós que não podíamos nem deitar. Depois da primeira semana, as coisas estavam melhores - muitas pessoas já tinham morrido e caído que havia espaço suficiente para sentar em cima delas. Os intrometidos não pareciam saber o que nos dar de comer - ganhamos carne crua e água do mar, que eu, pelo menos, pude fazer ficar potável. Depois de um mês nós chegamos nas costas da velha floresta das fadas, mas era diferente daquilo que ouvimos nas histórias. Eles nos arrastaram pelas correntes, vivos e mortos, para a escuridão e nós… eu…

Silêncio.

SCP-343: Eu só me lembro do quão escuro era lá, e como dava para sentir o pelo podre deles tocando em você, como se estivessem logo atrás de você, observando. Você sentia um deles passar, silenciosamente na escuridão, e se perguntava se era a sua vez. Eles penduraram nossas correntes nas árvores, e vinham tirar alguém das algemas, como se pegassem uma maçã podre, e eles só começavam a… brincar com você. Eles podiam cutucar um homem tão forte que seus dedos varavam por ele, ou apertar alguém com tanta força que seus olhos sairiam das órbitas. Tinha uma… meu deus… uma mulher, eu me lembro agora, que estava grávida - sobreviveu no barco comendo o corpo morto da própria mãe, e ela… eles a puxaram para baixo e começaram os trabalhos, e então eles… eles a rasgaram no meio. Alto, era como se estivessem abrindo um pacote de batatas, não era… não era nada, eles mal reagiam, só soltavam sua horrível gargalhada e brincavam com o sangue. Eles a puxaram… e só esmagaram… eles…

Silêncio.

SCP-343: Eles nunca dormiam. Nunca. Você poderia tentar dormir, mas eles estariam lá, com os olhos vidrados em você enquanto dormia… era pior. Eles estavam limitados pela realidade no que podiam fazer enquanto você estava acordado, mas eles estavam em nossos sonhos. Depois de um tempo, nós… nós determinamos que esse era o jeito que eles se comunicavam. Eles falavam uns com os outros em pesadelos, e é por isso que nos mantinham lá, para que tivéssemos pesadelos e eles pudessem conversar. Eles registraram toda a sua história naqueles pesadelos, onde dava para ver… nós sempre tínhamos esse com uma mulher, uma fada, e várias outras fadas ao redor dela, e quando nos virávamos, víamos uma fileira desses intrometidos até onde a vista alcança, só a observando. Eles sempre pareceram tão… miseráveis, tristes, e você nunca sentia que eles realmente te odiavam, só que não pensavam como nós.

Dr. Clef: Como você escapou?

SCP-343: Escapar? Hah. Ninguém escapou. Você escapava quando morria, e se morresse, eles levariam seu corpo até sua… sua divindade, e te lançavam num poço. Nós… nós dizíamos que, quando você entrava no poço, você se tornava parte do pesadelo. Às vezes, enquanto dormíamos, conseguíamos ver os rostos dos nossos amigos - mas suas faces estavam sempre distorcidas, como uma… uma caricatura do que eram. Mas os olhos — os olhos, Alto, dava para vê-los lá. Atrás da máscara da ilusão, eles estavam com medo. (pausa) Nós não estávamos sozinhos, contudo. Havia outros lá, fadas daquela floresta presas no mesmo ferro negro que nós. Elas estavam transtornadas, de alguma forma - eu não lembro ao certo como, mas tinha algo nelas que não dava para descrever, mesmo que estivesse na ponta da língua. Estavam todas em choque, sabe, elas não… elas não foram feitas para esse tipo de coisa. Quer dizer, nós também não, mas havia aqueles entre nós que estavam fazendo planos, tramando esquemas. Aqueles que queriam sair do pesadelo, entende? Mas as fadas, elas só estavam quebradas.

Pausa.

SCP-343: Mas… nós conseguimos escapar, eu acho. Havia esse feiticeiro, Noé, da velha Casa do Lamento. Ele que planejou tudo. Os intrometidos, eles precisavam de nós - precisavam criar horrores para nós, porque toda a sua cultura dependia disso. Eles não conseguiam nem ao menos falar uns com os outros sem nossos pesadelos. O velho Noé sempre disse que tinha um plano, que nos tiraria de lá, e… bem, e então ele desapareceu. Achamos que ele havia sido capturado pelos intrometidos, arrastado para encontrar seu fim cruel, mas… um dia, o sol apareceu através das copas das árvores, e todas as flores desabrocharam de uma vez, em todo lugar.

Pausa.

No dia seguinte, choveu, e no dia seguinte a esse também. Continuou a chover por uma semana, e então um mês, e quando finalmente encontramos o corpo do velho Noé, era só um cadáver queimado, coberto com símbolos arcanos e completamente exausto. Mas continuou chovendo, e os vales começaram a inundar. Eu lembro da primeira vez que nós, da primeira vez que nós vimos um deles morrer… o miserável escorregou em um buraco que tinha começado a inundar e, enquanto aqueles no buraco só nadaram quando as águas subiram, o intrometido só ficou lá, no fundo da vala. Ele não flutuou, só observou as águas subirem. Os outros intrometidos se juntaram em volta e só ficaram olhando para ele, cantando suas canções e balbuciando, e então nós percebemos que eles… eles não conseguiam escutá-lo, porque nenhum de nós estava dormindo, e ele só… bem, ele se debateu um pouco no fim das contas, mas nunca saiu do buraco, e as águas continuaram subindo.

Dr. Clef: Como você escapou?

SCP-343: Perto do fim, quando o mar começou a engolir a costa, eles começaram a reunir muitos de nós - milhões, talvez, por toda a floresta, e nos arrastavam mais afundo na mata. Aí é onde sua divindade estava. Mas eles foram descuidados, ou… ou talvez não perceberam, e nós conseguimos fugir. Não fomos sozinhos - as fadas, as que ainda tinham sanidade, vieram conosco. Corremos para as montanhas do sul, e tivemos que… do caminho que percorremos, podíamos ver a floresta por quilômetros, quando saímos do meio das árvores, era como se ela se estendesse infinitamente, e foi quando nós a avistamos.

Dr. Clef: O que?

SCP-343: Sua temível divindade, Alto. Monstruosa, apodrecida, inchada como um cadáver sob o sol. Estava tão escuro, o céu era só nuvens negras e chuva, mas ainda dava para ver. Luzes vermelhas ao redor a base e pessoas penduradas nos galhos. As fadas, as que estavam conosco, teve algumas que - quando viram aquilo - começaram a chorar, e correram de volta à floresta. Dava para ouvir, também - lamentos e rangidos e gritos. Mas o resto de nós continuou correndo, e chegou o dia em que o mundo estava debaixo d'água. Vivemos nas montanhas por cem anos, se eu tivesse que apostar, e quando as águas desceram, o mundo tinha mudado. Os intrometidos tinham ido embora, as fadas voltaram à velha floresta, e o resto de nós só… continuamos tocando nossas vidas.

Pausa.

SCP-343: Alto, eu tenho que falar extremamente sério com você. Eu percebi agora que se você perguntou todas essas coisas para mim, você deve ter um bom motivo para querer essas respostas. Minha… minha esperança e… minha convicção foi, por muito tempo, que os intrometidos se afogaram no fundo do Grande Dilúvio, junto com todas aquelas pobres pessoas amarradas a sua divindade cadáver. Mas se vocês… se vocês encontraram evidências de que isso não é verdade… que talvez eles… eles tenham sobrevivido… Alto… Eu não vou conseguir fazer aquilo de novo. Não depois de tanto tempo. Se vier a acontecer, eu vou… eu vou sumir daqui. Eu preciso que você seja verdadeiro comigo. Por favor, Alto. Eu preciso saber. Eu não posso fazer aquilo de novo. Eu não posso voltar à escuridão.

Dr. Clef: Não se preocupe, não temos motivos para acreditar nisso.

SCP-343: Eu gostaria de poder acreditar em você, Alto, mas eu vejo as mentiras nos seus olhos - não precisa alterar a realidade para ver isso. Por favor, escute - você não deve procurar por essas criaturas. Se você ver alguma, corra, e saiba que a sua corrida pode não ser o suficiente. A civilização delas depende do nosso terror, Alto. Você entende? Se eles foram enterrados, eles devem continuar enterrados. Por favor, por favor entenda. Eles devem continuar enterrados.

Adendo 6666.11: Registro de Exploração

O arquivo a seguir é uma transcrição de áudio e vídeo coletada durante uma iniciativa de exploração à floresta no fundo da caverna contendo SCP-6666. Alcançar o piso da caverna foi possível por meio de um módulo de habitação modificado abaixado por 34km, do topo da Torre Alfa até o sítio de acesso, a aproximadamente 1.2km da entrada da floresta.

Membros da equipe de exploração foram equipados com trajes de inserção de policamadas Classe C positivamente pressurizados com respiradores de filtro. Sistemas de monitoramento de ar internos foram acoplados a cada traje, e um tanque de emergência de oxigênio estava disponível caso os sistemas relatassem níveis perigosos da neurotoxina de SCP-6666.

Transcrição do Registro de Vídeo da Exploração
Data: 5/26/2019
Equipe de Apoio: Força-Tarefa Móvel Hēt-1, "Lança de Longino"
Objeto: SCP-6666
Líder da Equipe: 1-𐤇 Com. Aestrei
Equipe de Lança-chamas: 1-𐤇 Mensageiro / 1-𐤇 Horizonte / 1-𐤇 Tríplice / 1-𐤇 Pressão / 1-𐤇 Vidro
Equipe de Pesquisa: Drª. Bishop, Dr. Moore, Dr. Gutierrez, Dr. Xi


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N/A

[INÍCIO DO REGISTRO]

1-𐤇 Aestrei: Comunicações entrando em operação. (pausa) Controle, pode me ouvir?

Controle SAFOS: Ouvimos, Comandante. Seu vídeo está conectando, agora.

Transmissão de vídeo entra em operação. 1-𐤇 Comandante Aestrei está na borda da floresta, ao lado de 1-𐤇 Mensageiro, Horizonte, Tríplice, Pressão e Vidro. Drª. Bishop e sua equipe de supervisão, Drs. Moore, Gutierrez e Xi estão próximos.

Controle SAFOS: Comandante, podemos vê-la claramente. O sinal está bom. Podemos ter um teste de sinal dos demais?

1-𐤇 Aestrei: Claro, vamos um por um.

1-𐤇 Horizonte: Horizonte, confere.

1-𐤇 Vidro: Vidro, confere.

1-𐤇 Mensageiro: Mensageiro, confere

1-𐤇 Pressão: Pressão, confere.

1-𐤇 Tríplice: Tríplice, confere.

Bishop: Aqui é Bishop, confere.

Gutierrez: Gutierrez, uh, confere.

Controle SAFOS: Gutierrez, de novo.

Gutierrez: Confere, Controle. Aqui é Gutierrez.

Controle SAFOS: Ouvimos você, câmbio.

Xi: Xi, confere, confere.

Controle SAFOS: Entendido, todos soam bem. Confirmar posição?

1-𐤇 Aestrei: A, aproximadamente, um quilômetro do elevador, quase duzentos metros da floresta.

Controle SAFOS: Entendido, Comandante. Pode confirmar a qualidade do ar?

1-𐤇 Aestrei: Vidro.

1-𐤇 Vidro: Marcando entre 2.3 e 6.1 ppm na atual localização, Controle.

Controle SAFOS: Entendido, Vidro - vemos a mesma coisa. Equipe, esteja avisada que não temos certeza se conseguiremos rastreá-los precisamente quando entrarem na floresta - nossas câmeras tiveram dificuldade fazendo leitura térmica entre as árvores, então, se precisarem de apoio balístico, não hesitem em ativar sinalizadores ou queimar a folhagem.

1-𐤇 Aestrei: Entendido, Controle. Não precisa dar ideias para eles. Os rapazes parecem bastante animados com os lança-chamas.

1-𐤇 Mensageiro: Ignore isso, Controle, nós estamos bem aqui, preparados para ligar as luzes ao primeiro sinal de problema.

Controle SAFOS: Entendido, Comandante. Tente deixá-los na linha.

1-𐤇 Aestrei: Entendido, Controle. (pausa) Ok, acho que estamos prontos. Todos prontos? (pausa) Certo. Em frente.

A equipe se aproxima da floresta. 1-𐤇 Aestrei gesticula em direção ao ponto de inserção descoberto, e a equipe adentra a floresta.

O interior da floresta é excessivamente escuro, mais do que o próprio interior da caverna, iluminado pelos holofotes das torres de observação e pela luz do sol que penetra pelo poço de acesso. Embora haja algumas clareiras pelas quais a equipe pode manobrar, a maior parte do espaço da floresta é coberto com uma densa e escura folhagem.

1-𐤇 Pressão: Então, o que você acha que vamos encontrar aqui, Drª. Bishop?

Bishop: Difícil dizer. Têm, literalmente, mais de mil coisas diferentes que podemos encontrar que o Dr. Malthus consideraria importante para nossa pesquisa. Tanta coisa foi puxada aqui para baixo, tanto pelas Artemísias quanto pela própria árvore. Efetivamente, qualquer coisa que pudermos coletar e traduzir seria benéfica.

1-𐤇 Mensageiro: Eu ouvi alguém mencionar isso antes, também - Artemísia. O que é Artemísia?

Bishop: É uma - Na verdade, Xi, você estava naquela equipe, não?

Xi: Sim, eu estava. Era minha designação antes da última. As Artemísias são… bem, é uma arma Devita, para começo de conversa. Os Devitas são outra raça de antediluvianos, mas diferentes dos Reis do Céu ou dos Zha Zhateri - eles eram magos de sangue. Em algum momento de sua história, eles aprenderam que os Filhos da Noite possuíam uma arma que eles poderiam usar para dizimar civilizações inteiras. Os Deva a queriam para si, pense como se fosse um equivalente a uma bomba atômica primitiva, e então eles vieram do outro lado do mar até essa… hã. Provavelmente até essa floresta, não?

Bishop: Eu estava pensando a mesma coisa.

Xi: De qualquer forma, centenas de milhares de Deva morreram, mas conseguiram ter em mãos essas sementes. Você planta uma no solo do seu inimigo e, conforme cresce em segredo, ela desloca a terra sob si até que, um dia, eles são engolidos e destruídos. Os Deva chegaram a encantá-las com sua própria feitiçaria - uma vez que um lugar é engolido, as pessoas esquecem imediatamente que ele existiu.

1-𐤇 Mensageiro: E as sementes vieram da grande árvore.

Xi: É o que acreditamos, sim. Não produz mais muita coisa agora, a não ser raízes, mas pode-se dizer que existem mais dessas sementes por aqui, em algum lugar.

1-𐤇 Tríplice: Eu me pergunto o porquê de eles terem tentado arrastar tanta coisa aqui para baixo.

Moore: Bem… 073 diz que os Filhos da Noite foram criados para matarem o primeiro homem. Talvez não soubessem fazer outra coisa?

1-𐤇 Horizonte: Isso é bem maluco.

A equipe continua pela floresta por outras duas horas. Diálogo irrelevante removido.

**Controle SAFOS: Comandante Aestrei, esteja avisada - estamos tendo alguns problemas com nossa geolocalização no momento e as marcações vindas de vocês estão ficando mais esporádicas. Pensamos ser um problema técnico, mas, até segunda ordem, não temos uma maneira consistente de rastrear suas localizações

1-𐤇 Aestrei: Entendido, Controle. Avise-me caso queira que fiquemos parados.

Controle SAFOS: Estão autorizados a prosseguir, Comandante. Só nos alerte se algo mudar.

1-𐤇 Aestrei: Entendido.

Uma hora de diálogo irrelevante removida.

Gutierrez: Está tão calmo aqui.

1-𐤇 Pressão: Sim.

Moore: Normalmente, em uma floresta, você esperaria ouvir pássaros ou insetos ou… qualquer coisa. Aqui não tem nada.

1-𐤇 Tríplice: Parece vivo, logo em frente.

1-𐤇 Aestrei: Eu vejo.

A equipe se aproxima de uma árvore no fundo de uma pequena clareira em frente. Empalada por um galho baixo está uma pequena e esquálida figura humanoide, com longas orelhas pontudas e grandes globos oculares.

1-𐤇 Mensageiro: O que é aquela coisa?

Bishop: É uma fada. Olhe-

Drª. Bishop se aproxima da figura e retira o resíduo tóxico da cabeça dela com sua mão. Sob a luz das tochas acopladas nos ombros da equipe, o cabelo na cabeça da figura é evidentemente prateado.

Xi: Bishop, olhe - lá atrás.

Bishop vai até as costas da figura, onde uma pequena bolsa está presa entre a figura e a árvore. Ela desprende a bolsa e a puxa, revelando um pequeno saco de tecido. Ela o abre e retira um pequeno amontoado de galhos e folhas.

1-𐤇 Vidro: O que é isso?

Bishop: Acho que é… oh. É uma boneca.

1-𐤇 Vidro: Oh.

Bishop: Só têm… sim. Só têm brinquedos aqui. Pedrinhas entalhadas e bugigangas.

1-𐤇 Aestrei: Precisamos coletar mais alguma coisa?

Bishop: Gutierrez, tire algumas fotos disso. Nós, uh, não precisamos ficar aqui parados. Podemos continuar.

A equipe prossegue. Uma hora de diálogo irrelevante removida.

1-𐤇 Aestrei: Vamos tentar uma checagem de localização. Controle, está me ouvindo?

Controle SAFOS: Ouvimos, Comandante.

1-𐤇 Aestrei: Pode me arranjar uma checagem de localização? Devemos estar sob a Torre Alfa no momento, pelas minhas contas.

Controle SAFOS: Entendido, um momento.

Silêncio.

Controle SAFOS: Comandante Aestrei, comunicamos que estamos enfrentando problemas técnicos no momento e não possuímos os marcadores de localização de nenhum dos membros da equipe.

1-𐤇 Pressão: Isso não é bom.

1-𐤇 Aestrei: Entendido, Controle. Iremos acampar aqui por enquanto, até vocês conseguirem resolver o problema.

Controle SAFOS: Entendido. Manteremos vocês informados.

1-𐤇 Aestrei: Armem a barraca HAB entre essas duas árvores, Pressão e Tríplice. Vamos retirar os ionizadores e esfregar os trajes, vamos ficar aqui por um tempo e esperar que consertem os problemas.

A equipe de exploração levanta o acampamento usando a barraca de habitação inflável de pressão positiva (HAB) e ionizadores de ar. Diálogo irrelevante removido. Após várias horas de espera, a equipe estabelece turnos de observação e começam a dormir.

O tempo passa. Diálogo irrelevante removido.

0351 horas, horário local. 1-𐤇 Horizonte está no turno. Dr. Moore acorda abruptamente com um grito.

1-𐤇 Horizonte: O que foi isso? Qual o problema?

Moore: Eu- eu… eu vi (respiração pesada)

1-𐤇 Aestrei: (acordando) O que está acontecendo?

Moore: Perdão, eu… (respiração pesada) eu tive um sonho, agora mesmo. Eu juro - eu juro que era real, era como seu estivesse sentado aqui neste instante, só…

Bishop: O que você viu, Alister?

Moore: Tinha um… tinha um caminho pelas árvores, e eu estava andando por ele, e eu vi… eu vi a fada que encontramos naquela árvore, e outra que não vimos em uma vala perto dela e… dava para ver além da escuridão, como se fosse dia, mas estava tudo terrivelmente vermelho, e então eu passei por aqui, e vi a HAB… e então eu continuei andando até me deparar com essa… eu não sei, essa folhagem com um buraco no meio, e eu ouvi alguma voz dizendo "o diabo está a 30 quilômetros, mas o que há mais afundo?" Eu olhei pela borda do buraco, e então eu estava caindo, e então… mas eu juro para você Bishop, não era diferente do que estar sentado aqui com você agora — eu não consigo explicar.

Bishop: Está tudo certo, você está bem. Eu também não estava dormindo bem.

1-𐤇 Aestrei: Controle, aqui é Aestrei. Conseguem me ouvir?

Controle SAFOS: Conseguimos, Comandante, vá em frente.

1-𐤇 Aestrei: Moore está enfrentando alguns dos efeitos psicológicos detalhados no relatório do Dr. Arnold, pode confirmar alguma medida de precaução que possamos tomar?

Controle SAFOS: Entendido, Comandante, um momento enquanto conferimos.

Moore: Comandante, desculpe-me, eu estou bem, não precisa se preocupar.

1-𐤇 Aestrei: Está tudo bem, Doutor Moore, só não queremos arriscar.

Controle SAFOS: Comandante Aestrei, temos motivos para acreditar que quaisquer problemas psicológicos relevantes devem se tornar cada vez mais presentes conforme se aproximam do centro da floresta.

1-𐤇 Aestrei: Tínhamos conhecimento prévio disso? Estou curiosa do porquê não fui informada disso antes, Controle.

Controle SAFOS: Não podemos confirmar isso no momento, Comandante.

1-𐤇 Aestrei: Entendido, Controle. Se tiver mais alguma coisa que eu precise saber, eu gostaria de saber o quanto antes, por favor.

Controle SAFOS: Entendido, Comandante.

1-𐤇 Aestrei: Vamos embrulhar as coisas. Não quero perder nem mais um minuto aqui.

A equipe de exploração desmonta o módulo HAB e deixa o acampamento em direção ao sudoeste. Duas horas de diálogo irrelevante removidas.

Conforme a equipe prossegue pela floresta, 1-𐤇 Tríplice acena para pararem.

1-𐤇 Tríplice: Comandante, olhe isso. Drª. Bishop, o que acha que é?

1-𐤇 Aestrei: São… escadas?

1-𐤇 Tríplice aponta em direção a uma grande árvore próxima, onde uma escadaria é claramente visível emergindo do tronco e espiralando para cima.

Bishop: São.

1-𐤇 Horizonte: Sou só eu, ou elas parecem ter crescido do tronco dessa porra?

1-𐤇 Vidro: Comandante, Drª. Bishop. Lá em cima.

1-𐤇 Vidro aponta para cima, e o resto da equipe ajusta seus holofotes para a mesma direção. Nas copas das árvores sobre eles, estranhas estruturas contorcidas são visíveis, aparentando serem formadas da madeira e galhos dessas árvores. O formato das estruturas é inconsistente com a própria floresta, como se fossem uma reprodução das construções em ruína do lado de fora da floresta manifestadas no topo das árvores.

Conforme a equipe examinar os arredores, Dr. Xi gesticula para todos ficarem em silêncio.

Xi: Shhhh… escutem.

Silêncio.

1-𐤇 Mensageiro: Eu consigo escutar. O que é isso?

Xi: É o vento?

1-𐤇 Vidro: Não tem vento - tem que ser outra coisa. De onde está vindo?

1-𐤇 Aestrei: Dali. Sigam-me.

A equipe prossegue pela floresta, que fica cada vez mais cheia de estruturas e estranhos caminhos serpenteantes por entre as árvores que não parecem ter um fim lógico. O som do ar em movimento se torna cada vez mais perceptível.

1-𐤇 Aestrei: Controle, aqui é Aestrei. Podem confirmar nossa localização, por favor?

Silêncio.

1-𐤇 Aestrei: Controle, me ouve?

Silêncio.

1-𐤇 Aestrei: Vidro, temos um link de comunicação? O que está acontecendo lá

Gutierrez: Lá, daquele lado, vejam. Uma clareira.

Bishop: Tem alguma coisa no centro.

1-𐤇 Aestrei: Vamos. Vidro, por favor, se puder-

1-𐤇 Vidro: Estou trabalhando nisso, Comandante, aguenta firme.

A equipe segue Dr. Gutierrez em direção à lacuna entre as densas árvores. Após um instante, eles atravessam a lacuna e chegam a uma clareira mais ampla.

Moore: Aqui estamos. Ai meu deus.

1-𐤇 Pressão: Que porra é essa?

A equipe chega à clareira, um círculo quase perfeito coberto por uma espessa grama baixa. Árvores estão arqueadas por cima, muito maiores que as da floresta circundante, atraídas uma em direção a outra a fim de criar um enorme domo sobre a floresta. Pendurados nas árvores arqueadas estão milhares de corpos humanoides, alguns claramente humanos e outros se assemelhando à figura anteriormente encontrada pela equipe empalada em um galho. Essas figuras estão presas em grossas correntes negras, amarradas ao topo do domo.

O nível do solo da clareira inclina para baixo e, no fundo da descida, a aproximadamente 110m em frente à equipe, está um enorme bloco de pedra sem traços característicos, medindo, aproximadamente, 30m por 50m e 2m de espessura.

Moore: É… é a clareira do meu sonho, mas tinha um buraco ali, não… aquilo.

1-𐤇 Horizonte: Oh, eu não estou gostando nem um pouco disso.

1-𐤇 Aestrei: Apertem os cintos, pessoal. Bishop, é isso que procurávamos?

Bishop: Acredito que é, sim.

Xi: Acha que esse é o buraco negro do Osmon?

Bishop: Sim. As respostas que procuramos estão lá embaixo

1-𐤇 Pressão: Tudo isso é muito bacana, mas eu não faço ideia de como vocês planejam ir para baixo daquela coisa. Deve pesar umas seis mil toneladas.

1-𐤇 Vidro: Nós não precisamos, olha lá. Tem uma abertura.

1-𐤇 Vidro se move até uma seção do bloco próxima ao canto mais distante, onde uma porção considerável da laje está quebrada. O pedaço de pedra quebrado está a meio metro de distância, no gramado próximo.

1-𐤇 Aestrei: Vamos.

A equipe se aproxima da seção quebrada do bloco. 1-𐤇 Aestrei se aproxima da abertura e olha para baixo.

1-𐤇 Aestrei: Bem fundo. Horizonte, passe-me o sinalizador.

1-𐤇 Horizonte retira um sinalizador de sua mochila e entrega-o para 1-𐤇 Aestrei, que o acende e joga na abertura. Ele cai por aproximados 12m e para na pedra mais abaixo.

1-𐤇 Aestrei: Huh. Nem é tão profundo. Vamos colocar uma escada aqui, apoie ela nessa pedra.

1-𐤇 Mensageiro: (inspecionando a pedra quebrada) Afinal, esse pedaço sozinho deve pesar duas ou três toneladas, certo? Como isso chegou aqui?

Gutierrez: Aquele barulho de vento, ouvem? Está vindo lá debaixo.

1-𐤇 Aestrei: Sim, eu escuto. Drª. Bishop, você terá uns trinta minutos lá embaixo antes de nos puxarem de volta. Entendido? Não temos comunicações, estamos a, pelo menos, seis horas de caminhada até o elevador e eu não quero ficar por aqui esperando pelo que quer que seja que tenha aberto esse buraco.

Bishop: Entendido, está bem.

1-𐤇 Aestrei: Certo. Mensageiro, Vidro, vocês vêm comigo. Horizonte, Pressão, Tríplice - fiquem aqui e monitorem a área.

Bishop: Alister, Pablo, fiquem aqui com a equipe de campo. Vejam o que podem conseguir nesta clareira.

Moore: Sim, senhora.

Gutierrez: Sim, claro.

Bishop: Xi, você vem comigo.

Xi: Entendido.

1-𐤇 Aestrei, 1-𐤇 Mensageiro, 1-𐤇 Vidro e os Drs. Bishop e Xi descem a escada em direção ao espaço sob o bloco de pedra. O som de ar em movimento é audível na caverna abaixo.

1-𐤇 Aestrei: Vamos ligar os holofotes aqui - de algum jeito, é mais escuro aqui do que lá em cima.

Todos os cinco membros do grupo da caverna ligam seus holofotes, iluminando por completo a área ao redor. As paredes da câmara são de uma pedra lisa cinza, e a câmara em si tem, aproximadamente, cinco metros de cada lado, estendendo-se verticalmente até o bloco acima. Existem aberturas na rocha das paredes, muitas das quais estão vazias, mas algumas contêm caixas de madeira acorrentadas. Ancorados às paredes existem espessos ganchos de metal, e mais correntes penduradas no teto. Há uma única porta na parede norte.

Bishop: Certo, é isso. Vamos.

A equipe passa pelo pórtico e adentra um longo corredor. O corredor possui mais aberturas, algumas das quais contêm caixas de madeira, mas outras contêm diversos ossos humanoides e animais. Algumas aberturas foram seladas usando algum tipo de cera grossa e cristalina. 1-𐤇 Mensageiro aponta para uma abertura, onde um mural está presente, entalhado na pedra. O mural ilustra centenas de figuras escuras em pé sob a grande árvore, com um artefato vermelho no centro.

Conforme continuam em frente, eles passam por passagens seladas, cobertos de vegetação, e mais murais ilustrando várias cenas de figuras humanoides presas em correntes, jogadas em poços cheios de corpos ou queimadas. Presente em praticamente todos os murais está a ilustração da mesma árvore e do mesmo artefato vermelho. O corredor serpenteia para o oeste, e 1-𐤇 Aestrei gesticula para seguirem a curva. Conforme o corredor se endireita, a equipe avista uma grande porta de pedra, com outro mural através de toda a sua superfície. O mural ilustra uma multidão de figuras escuras com olhos amarelos amontoadas em círculo na base de uma grande figura encolhida, vagamente feminina, com vários braços envoltos em si, enquanto nuvens negras se reúnem no céu. 1-𐤇 Aestrei aproxima-se da porta e puxa-a para trás, abrindo-a facilmente. Virando-se rapidamente para o resto da equipe, 1-𐤇 Aestrei acena com a cabeça e adentra a passagem.

Eles saem em uma sala circular contendo duas escadarias, uma subindo para a esquerda e outra descendo para a direita. A escadaria que sobre está completamente bloqueada, coberta com pedras e destroços, como se tivessem caído de um local mais elevado. 1-𐤇 Vidro confere imediatamente seu monitor de ar, que aponta níveis elevados de partículas tóxicas na câmara. Drª. Bishop se aproxima da escadaria que desce e gesticula para a equipe a seguir para baixo. Eles descem por, aproximadamente, 20m antes alcançarem um patamar e, então, continuam a descer outros 20m. No fim da escadaria estão duas largas aberturas arqueadas. Drª. Bishop adentra a passagem, mas para abruptamente e levanta as mãos. 1-𐤇 Aestrei vem ao seu lado.

À sua frente há uma enorme câmara entendendo-se até onde os olhos alcançam em cada direção, embora o teto seja baixo. Em um círculo ao redor da arcada, e em círculos concêntricos ao redor, estão grandes figuras humanoides imóveis, completamente cobertas em pelo liso e escuro, sentadas no chão de pedra em posição fetal. Cada uma está coberta com a poeira tóxica expelida de SCP-6666. 1-𐤇 Vidro vai até lá e toca sua orelha, e os outros acenam - essa é a origem do som de ar em movimento, uma vez que o número incontável de figuras encolhidas respira lentamente e em uníssono.

Acima, na clareira sob o domo, Dr. Gutierrez e Dr. Moore inspecionam o exterior do bloco, enquanto Horizonte, Pressão e Tríplice examinam as árvores. Repentinamente, escuta-se o som de algo de movendo entre as árvores, fazendo Pressão olhar em direção à ponta leste da clareira.

1-𐤇 Horizonte: O que foi isso?

1-𐤇 Pressão: Tem alguma coisa nas árvores, Escute.

Moore: O que é?

1-𐤇 Pressão: Shhhhh, escute.

Silêncio.

Repentinamente, todos os cinco membros da equipe na clareira escutam um som incomum. É uma risada, aparentando originar-se de uma criança, mas anormalmente estendida e ecoando de muito longe. Ambos Moore e Gutierrez se afastam da laje e vão até Pressão e Horizonte, enquanto Tríplice avança a um local na beirada da clareira. O som é ouvido novamente, dessa vez atrás deles, no lado oeste. Todos os cinco membros se viram para o lado oeste da clareira, quando o som é ouvido mais uma vez, sobre eles.

Moore: Ali! Na árvore! Tem alguma coisa se movendo nas árvores! Ali!

A equipe se vira para olhar e vislumbram um grande objeto se movendo rapidamente entre as árvores escuras antes de desaparecer. Outra vez eles escutam o som de um estranho riso, que para abruptamente.

1-𐤇 Horizonte: Para onde foi?

De repente, outro som é ouvido, diferente do primeiro. Um longo lamento agudo, em um tom crepitante e anormal, aparentemente originando-se de algum lugar sobre eles. O som continua por outros quinze segundo, e então para abruptamente.

1-𐤇 Pressão: O que diabos é isso?

De repente, o solo sob eles treme, e o som de movimento geológico pode ser escutado por toda a câmara. As árvores arqueadas começam a balançar e então, com o som de madeira rangendo, começam a se afastar umas das outras, revelando uma negritude profunda acima. Na distância, a luz difusa dos potentes holofotes de uma torre de observação pode ser observada na escuridão. Conforme as árvores se separam e endireitam-se, o rádio reproduz estalidos.

Controle SAFOS: Comandante Aestrei, está escutando? Equipe Hēt-1, algum de vocês escuta?

1-𐤇 Pressão: Aqui é Pressão, vá em frente.

Controle SAFOS: Onde está Aestrei?

1-𐤇 Pressão: Ela desceu com Bishop e metade da equipe - tem algum tipo de abertura na terra até embaixo.

Controle SAFOS: Pressão, esteja ciente, há outra entidade na sua localização que não conseguimos identificar.

1-𐤇 Pressão: Controle, nós-

O som de lamento agudo corta a gravação, e a caverna treme novamente por seis segundos antes de parar.

1-𐤇 Tríplice: Que porra está acontecendo-

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SCP-6666 durante evento de ativação. Imagem tirada da Torre Charlie.

De repente, toda a câmara é iluminada com uma vibrante luz vermelha. A equipe olha para o céu, onde SCP-6666 mais acima está brilhando, com uma luz vermelha emanando da base do objeto. O time escuta a risada novamente.

Ao mesmo tempo, na câmara abaixo, a equipe se protege, enquanto o estrondo para. Quando a terra se assenta, 1-𐤇 Aestrei pergunta pelos outros.

1-𐤇 Aestrei: Todos bem?

Bishop: Tudo certo, obrigada.

1-𐤇 Mensageiro: Sim, estou bem.

1-𐤇 Aestrei: Bom. Acho que está na hora de sairmos, Drª. Bishop.

Bishop: Sim, vamos-

Xi: O que aconteceu com o vento?

1-𐤇 Aestrei: Tem razão, é-

1-𐤇 Aestrei é interrompida quando Drª. Bishop se sobressalta. Ela está olhando para trás em direção à câmara além da arcada, onde todas as figuras curvadas estão agora olhando para a porta com seus olhos brilhantes e amarelos. Ouve-se um alto estalo, e uma das figuras na quinta fileira começa a se mover abruptamente, erguendo seu braço esquerdo, seguido por outro estalo enquanto levanta seu braço direito. Ela se curva como se fosse se levantar e, subitamente, toda a câmara está cheia com o barulho de movimento.

1-𐤇 Aestrei: Corram. (virando-se para os outros) Corram!

A equipe sobe as escadarias correndo, apoiando-se quando a terra treme mais uma vez. Eles retornam ao corredor, em direção à porta que leva à câmara com a escada de saída.

1-𐤇 Horizonte: Comandante Aestrei, consegue me escutar? Onde vocês estão?

1-𐤇 Aestrei: Estamos chegando, Horizonte. Tire seu pessoal daí, temos que ir.

1-𐤇 Horizonte: Comandante, você precisa se apressar.

1-𐤇 Aestrei: Entendido, Horizonte. Vamos, corram!

A equipe adentra a câmara lateral e começa a subir a escada, rapidamente. O som de ar se movendo pode ser ouvido sobre eles e, abruptamente, o ar fica denso com a poeira tóxica que sopra para fora da abertura na laje. A equipe segura na escada e nas aberturas da pedra, mas Dr. Xi - que estava no topo da escada - é jogado cinco metros no ar, atingindo com força o bloco de pedra. Quando ele aterrissa, a máscara de acrílico de seu capacete racha, e os alarmes de vazamento do traje acionam e o traje de inserção começa a despejar oxigênio na tentativa de manter a pressão positiva.

1-𐤇 Aestrei: Vamos, andem! Vamos! Horizonte, ajude ele! Nós temos que ir!

Mais abaixo, passos pesados podem ser ouvidos. O resto da equipe sai da laje, enquanto Horizonte e Mensageiro carregam Xi, que olha para eles, aterrorizado.

Xi: Espera, espera, eu sinto-

O corpo de Xi convulsiona e amolece completamente.

Bishop: Chao, não!

1-𐤇 Aestrei: Puta merda, puta merda! Temos que deixá-lo, Bishop, ele já se foi.

Bishop: Não! Não, não podemos - ele ainda pode-

1-𐤇 Aestrei: Bishop, escuta o que eu digo. Nós temos que ir. Desculpa, mas nós temos que ir.

Bishop: Eu… meu deus.

1-𐤇 Aestrei: Vamos. Vamos!

A equipe volta para dentro da floresta, seguindo o mesmo caminho da ida. Mais risadas podem ser ouvidas nos arredores.

1-𐤇 Aestrei: Controle, aqui é Aestrei. Eu preciso da porra do marcador de geolocalização agora, caralho, eu preciso saber o caminho mais rápido para dar o fora daqui.

Controle SAFOS: Entendido, Comandante, um momento.

1-𐤇 Aestrei: Controle, agora, caralho, por favor!

Controle SAFOS: Conseguimos te ver, Comandante. A rota de saída mais rápida é de uns 14 quilômetros nordeste da sua posição.

1-𐤇 Aestrei: Certo, vamos, temos que acelerar. Mensageiro, Horizonte, nos deem cobertura.

1-𐤇 Mensageiro: Entendido.

Mensageiro e Horizonte viram e ligam os lança-chamas em direção às árvores ao redor. Quando a floresta começa a queimar, sons de madeira estalando podem ser escutados por cima, conforme as estruturas sustentando as enormes estruturas construídas sobre as árvores começam a crepitar e desmoronar. Quando os dois homens se viram para seguir o resto do grupo, Horizonte é, subitamente, puxado para trás. Mensageiro para e vira para trás.

1-𐤇 Mensageiro: Comandante!

Momentos depois, Mensageiro ouve o Horizonte gritar, antes de ser interrompido. Há um som molhado de laceração, seguido de uma massa molhada e enegrecida voando em direção a Mensageiro. Ele desvia e vira-se para ver o tronco superior de Horizonte, separado de sua parte inferior como se partido ao meio. Os olhos de Horizonte piscam rapidamente, enquanto pronuncia palavras inaudíveis. Mensageiro grita novamente, antes de sacar sua pistola e atirar em Horizonte duas vezes pela máscara. O capacete de Horizonte enche de sangue, e ela para de se mover.

1-𐤇 Aestrei: Mensageiro?

1-𐤇 Mensageiro: Comandante, o que quer que esteja por aqui pegou o Horizonte - eu tive que… puta merda!

1-𐤇 Aestrei: Vamos, Mensageiro. Vamos, rápido!

Mensageiro olha para Horizonte novamente, antes de correr até o resto da equipe.

Os membros remanescentes da equipe Hēt-1, junto aos Drs. Bishop, Gutierrez e Moore, continuam correndo sem outros transtornos, parando brevemente em quatro ocasiões diferentes para recuperar o fôlego. Após uma hora e trinta e quatro minutos, a equipe emerge da floresta no campo de restos humanoides previamente mapeado por Herói. A equipe se direciona ao norte por 2km, retornando ao elevador em, aproximadamente, uma hora e quarenta e seis minutos.


Devido aos eventos detalhados no Adendo 6666.12, nenhum dos membros da Hēt-1 ou da equipe de pesquisa perceberam que o transmissor de áudio e vídeo do Dr. Xi, embora danificado, começou a transmitir novamente uma hora após a fuga.

Xi tosse violentamente e rola de costas. Sobre ele, SCP-6666 é visível, agora brilhando com uma luz vermelha. Xi respira fundo várias vezes e olha ao redor. Ele se levanta, tremendo, e se apoia na laje. Ouvindo o oxigênio escapando pelo buraco em seu capacete, ele coloca uma luva para tapá-lo.

De algum lugar próximo, Xi escuta a mesma risada estendida que os demais membros da equipe de exploração ouviram. Ele começa a andar vagarosamente para longe da laje, em direção à floresta. Ele esbarra nas árvores e tropeça, enquanto sua respiração fica cada vez mais pesada. Ele dá mais vários passos antes de parar. O som de risos é captado por seu microfone, e ele vira em direção à clareira.

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Desconhecido

Conforme vira, seu equipamento de áudio e vídeo começa a agir de maneira instável. É desconhecido se esse comportamento é um resultado de um defeito técnico ou de mudanças no espaço imediatamente ao redor de Xi. Apesar disso, sua câmera registra vário frames distorcidos de uma figura de, aproximadamente, 6m de altura, parada em uma brecha entre duas árvores, iluminada por trás pela luz vermelha vindo de SCP-6666. Depois de dois segundos, a câmera de Xi para de funcionar por completo e desliga.

Xi pode ser ouvido andando rapidamente pela floresta, sua respiração cada vez mais ofegante. Ouve-se outra risada logo atrás delem e então um zumbido grave toma conta da câmara. O som vem de cima, de SCP-6666. [Esse som, e os eventos que ocorreram depois, também foram captados nos microfones da equipe Hēt-1 durante sua fuga pela floresta. Mais risadas são ouvidas e Xi começa a correr, e outro zumbido pode ser escutado. Um terceiro zumbido é ouvido, seguido por um grito alto, e o equipamento de gravação de Xi desliga completamente.

O transmissor de Xi continua marcando sua localização por outros dezesseis minutos. Ele é arrastado 100m para trás antes de parar. Depois disso, a comunicação com o transmissor é interrompida devido à forte interferência atmosférica.

Os últimos 38 segundos da transmissão de áudio de xi estão disponíveis abaixo.

[FIM DO REGISTRO]

Adendo 6666.12: Reação de SCP-6666-A

Durante a tentativa de exploração detalhada no Adendo 6666.11, SCP-6666 passou a exibir comportamentos incomuns. Os crescimentos radiculares sobre o solo começaram a se expandir rapidamente, fazendo com que equipes de lança-chamas tivessem que recuar com o perímetro de segurança SAFOS. SCP-6666 propriamente dito começou a emitir uma luz vermelha por veios do tronco de sua superestrutura, e bulbos luminescentes esféricos passaram a aparecer por todo o seu sistema caulinar lateral. Durante esse período, fenômenos geológicos também foram registrados, originando-se em alguma parte do subsolo da caverna.

Contudo, ao mesmo tempo em que SCP-6666 entrava em seu estado de ativação, SCP-6666-A começou a debater-se contra suas amarras. Torre Charlie relatou observar o grande cabo de sustentação de kevlar começando a avariar, antes de romper completamente quando SCP-6666-A separou o cabo no meio. Solto de suas amarras, SCP-6666-A começa a vocalizar, primeiramente em gritos, e depois falando. Embora as gravações de áudio do evento mostram claramente SCP-6666-A falando em uma língua desconhecida, aqueles presentes na caverna no momento relatam serem capazes de compreender claramente SCP-6666-A em suas línguas maternas. Como isso foi concretizado, tendo em vista que SCP-6666-A não havia demonstrado nenhum efeito memético anteriormente, é desconhecido.

Dr. Iles, reconhecendo a natureza do evento enquanto estava ocorrendo, utilizou um software de conversão de voz para texto para transcrever todo o monólogo enquanto ocorria. A transcrição completa das vocalizações de SCP-6666-A estão disponíveis abaixo.

OUVE-ME

OUVE-ME

SOU HECTOR, FILHO DE HOLAS, A LANÇA CLAMOROSA DO CÉU SETENTRIONAL, ÚLTIMO FILHO DE VELHA EUROP, ETERNO SERVIÇAL DO REI DO CÉU, SARRUS VON APOLIOM, SENHOR DOS DOMÍNIOS DO MUNDO DOS HOMENS, HERDEIRO DA COROA FÉRREA DE ASEM.

OUVE-ME, TEMÍVEL TITÂNIA, OUVE-ME AGORA E ESTREMECE.

ESTREMECE AGORA COMO FIZESTE TANTOS ANOS ATRÁS, QUANDO ATRAVESSEI O MAR ASCENDENTE PARA ENCONTRAR-TE. ESTREMECE AGORA COMO FIZESTE QUANDO ATRAVESSEI MINHA LANÇA EM TEU PEITO ENSANGUENTADO E ESTREMECE AGORA COMO FIZESTE QUANDO ENXERGUEI QUE TINHAS JÁ TRAÍDO TEU PROPÓSITO.

SOBREPUJEI-TE, DEMÔNIO DE OUTRORA. RASGUEI-TE O PEITO E DESPEDACEI-TE.

TRAÍSTE TEUS SENHORES, TEMÍVEL TITÂNIA, MAS NÃO TRAIRÁS A MIM.

TEREI TUA OBEDIÊNCIA. HONRARÁS MEU DESEJO E PORÁS TEU VENENO NESTE SEPULCRO. SUFOCARÁS A CIDADE-CADÁVER DE TEUS INTRUSOS E ENTERRÁ-LOS-ÁS.

FARÁS TAL, DEMÔNIO, PORQUE EXIGI-O DE TI.

SOU HECTOR, A CHAMA DIVINA DA VONTADE PERFEITA DE MEU SENHOR. RESPONDE-ME AGORA, TEMÍVEL TITÂNIA.

OUVE-ME E ESTREMECE.

Imediatamente após essa vocalização, SCP-6666-A começou a atacar furiosamente tanto a vedação de poliespuma na abertura de SCP-6666 quanto SCP-6666 em si. SCP-6666-A se apoiou contra a massa de SCP-6666 e, com grande esforço, livrou seus três outros braços do interior da árvore. SCP-6666-A, usando todos cinco dos seus braços livres e sua lança como alavanca, agarrou ambos os lados da abertura e afastou um do outro. Acompanhado de um alto som crepitante, o tronco de SCP-6666 se partiu e voltou a liberar a densa nuvem de partículas tóxicas na caverna abaixo. Ao mesmo tempo, a luz vermelha que estava emanando de SCP-6666 começou a enfraquecer e desapareceu completamente em catorze minutos.

SCP-6666-A continuou a atacar o flanco de SCP-6666 por outras seis horas. Posteriormente, SCP-6666-A se apoiou contra o flanco de SCP-6666 com sua lança e ficou dormente.

Adendo 6666.13: REDIGIDO

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