Segundo Contato
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Rosas são vermelhas
Violetas são azuis
Açúcar é doce
E assim é você

Orion sorriu para o cartão. Sua caligrafia desleixada do que parecia anos atrás contrastava fortemente entre o garoto que ele era e o homem que era agora.

"O que você está fazendo?" Zhetsvan perguntou. O cérebro de Orion demorou um momento para reconhecer que ela estava perguntando a ele em Ortothan. Quando ele registrou a questão, ele riu e levantou o cartão velho em resposta. Zhetsvan apertou os olhos. "Você está olhando para aquela coisa velha? Por Rakmou-leusan você era um idiota."

"Você manteve ele," Orion respondeu. "Idiotinha."

"Você me deu um cartão escrito em linguagem humana para um feriado humano com referência a duas espécies de flores terráqueas separadas e um composto encontrado naturalmente apenas em comida humana."

"Mas eu queria deixar você sabendo que você era doce como açúcar!"

"Nós temos opiniões vastamente diferentes sobre gostos agradáveis. E pare de tentar me distrair. Você está pronto para fazer isso ou não?"

Ele considerou por um segundo. "Não. Decididamente não. Podemos adiar?"

"Não. De fato, já estamos ficando suspeitos. Precisamos falar para eles agora."

"Então por quê você me perguntou se eu estava pronto?"

"Foi um aparelho retórico para te preparar," Zhetsvan disse. Orion continuou olhando para o cartão, sem piscar, usando aquele olhar severo que Zhetsvan conhecia muito bem. Ela suspirou e se sentou próxima a ele. "Olhe, eu entendo o porquê de você estar assustado. Para ser honesta, eu também estou assustada. Mas esta é a melhor opção. Nós não podemos esconder isso deles para sempre. Meus pais já consideram você como família, e seus pais me amam."

"Eles te amam como minha amiga. Como minha parceira… eles podem pensar diferentemente."

"Você disse que nós contaríamos a eles depois da sua décima revolução Marciana. Então depois da minha. Meu aniversário foi três meses atrás. Pelos costumes de sua espécie, você tem sido legalmente independente há meses antes de seu décimo ano aqui. Nós precisamos contar a eles. Pior cenário, eles vão desaprovar e a gente só vai embora, legalmente tem nada que eles podem fazer sobre isso."

"Huh. Mais fácil dito do que feito."

Zhetsvan gentilmente virou o rosto dele para olhar para ela.

"Rion… nós temos que fazer isso. Você é meu melhor amigo e eu odiaria o pensamento de esconder qualquer parte de meu relacionamento com você de meus pais, e eu já vi como você interage com seus pais. Eles vão te amar não importa o que aconteça.

"Zhet…" Ele fechou seus olhos, abaixando sua cabeça. Zhetsvan espelhou isso, gentilmente se movendo até que suas testas se tocassem, um momento serene que era como se eles tivessem começado a sair do olho do furacão. "Ok. Eu estou pronto." Orion pegou as mãos de Zhetsvan, uma última fortificação contra o desconhecido que eles enfrentariam logo, então soltou elas assim que os dois se levantaram e saíram do quarte de Zhetsvan e foram até a cozinha onde os adultos estavam conversando.

"Ai estão vocês dois!" Jess disse ao ver os dois. "Venha aqui, Rion, ajude seu pai a consertar a janta."

"Jess, eu já te disse um milhão de vezes, eu tenho tudo sob controle!" Daniel disse, visivelmente tendo dificuldades com a panela que ele estava segurando. Orion não pôde deixar de rir, mas os pais de Zhet pareciam um pouco mais preocupados.

"Por quê vocês dois sempre desaparecem assim que nós começamos a trabalhar?" Exiald perguntou aos adolescentes.

"Porque nós sabemos quando evitar aquilo," Zhetsvan respondeu, apontando para o Daniel.

"Afaste-se Daniel, eu cuido disso," Yttilier disse, se aproximando para pegar a panela do pai de Orion. "Você sempre diz que pode fazer isso e então dez minutos depois sua esposa está indo pegar o extintor de incêndio."

"Isso não é forma de tratar nossos convidados," Exiald repreendeu seu companheiro.

"Convidados? Nós já conhecemos eles há muito tempo agora. Eles são vadios a essa altura. Aqui," ele disse, pegando a panela do fogão. "Tudo sob controle."

"Se tudo daquilo é sob controle," Zhetsvan disse, olhando para Orion, "nós temos algo para contar para vocês." Orion lançou a ela um olhar de pânico.

"Ok, notícias sérias," Jess brincou, se virando para olhar para eles.

"Seriam elas que vocês decidiram ter aulas de culinário do Daniel? Porque eu não acho que eu suporto isso," Yttlier disse secamente.

"Ei, eu seria um professor fantástico!" Daniel respondeu.

"Deixem as crianças falarem," Exiald disse, voltando o foco para Zhetsvan e Orion outra vez. "O que vocês querem nos contar?"

Orion engoliu em seco. "Bem, você sabe. Nós não somos mais crianças. Tendo completado nossos décimos anos Marcianos, ambos de nós já passamos da idade adulta. Em ambas as culturas, devo adicionar. Nós somos… maduros. Teoricamente."

Zhetsvan suspirou. "Se lembram da celebração de maturação de Rion de algum momento antes de sua décima festa de aniversário?"

"Seu décimo oitavo aniversário terráqueo," disse Daniel

"Quando Rion me levou para casa, eu pedi para ele ir a um evento comigo. Um convite de namoro."

"E eu disse sim," Rion disse nervosamente. "E… a gente esteve junto desde então." Ele riu, dessa vez mais por nervosismo do que humor. Nenhum dos adultos falava, e a sala ficou em silêncio por alguns segundos.

"Eu sinto que esta seja a parte em que você segura minha mão. Ou coloca seu braço em volta do meu ombro," Zhetsvan disse para Rion. Ele bufou em resposta.

"Você esteve assistindo muitos filmes de romance da terra, nerd."

"Idiotinha."

"Nerd."

"Eu não acredito que você diria algo assim, este relacionamento acabou." Os adultos olhavam de um lado para o outro entre as crianças, sem saber o que fazer com a cena diante deles.

"…Isso é algum tipo de piada?" Jess perguntou, incerta.

"Não. Bem, a coisa de terminar é. Eu espero," Rion explicou desajeitadamente.

"Claro que é, seu idiota," Zhetsvan respondeu.

"Nerd," Rion retrucou. "Mas nós estamos, hum… saindo juntos? Indo em encontros? Namo…rando?" Ele disse, sem saber como chamar isso.

"Bem, eu não posso falar por mais ninguém, mas eu não estou muito surpreso," Yttilier finalmente admitiu.

"Estou feliz de ouvir isso," Exiald disse. "Vocês dois sempre tem sido tão próximos, seria apenas natural que daria caminho para o romance. E Rion é uma criança tão doce. Desde que ele não machuque Zhetsvan…" Exiald olhava para Orion com essa afirmação. Ele abriu seus olhos em surpresa.

"Oh, eu nunca–" ele respondeu, talvez muito entusiasticamente. Ele respirou antes de continuar. "Eu só quero deixar Zhet feliz."

"Então estou nada além de feliz por você," Exiald disse, se movendo para abraçar os dois.

"Nenhuma reclamação minha," Yttilier adicionou.

Orion olhou para seus pais, que permaneceram em silêncio durante tudo isso.

"Mãe? Pai?" Ele disse, hesitantemente. Ele segurou sua respiração, temendo que esse momento fosse definir o resto de sua vida.

Os dois pais olharam um para o outro, incertos de como reagir.

"Bem…" Daniel finalmente disse, "vocês conhecem um ao outro há tanto tempo. E nós passamos a amar Zhetsvan como se ela fosse nossa própria filha…" Jess acenou com a cabeça quando ele falou isso, embora um tanto hesitantemente. "Venham aqui, vocês dois."

Os dois o fizeram como lhes foi dito. Daniel abraçou ambos.

"Cuidem um do outro, ok?" Os dois acenaram com a cabeça para o conselho de Daniel. "Se vocês continuarem juntos, vocês podem superar qualquer dificuldade." Orion olhou para sua mãe, ainda preocupado que ela não disse nada. Ela apenas sorria e acenava com a cabeça para os dois. Orion sorriu de volta.

"Vamos comer," Zhetsvan disse.

"Sim, o que meu Pai queimou dessa vez?"

"Ei, eu quase queimei!"


"…e então nós só jantamos. Quase como se nada tivesse acontecido," Orion explicou. Ele encolheu os ombros. "Acho que tudo foi bem."

Beetle acenou com a cabeça. "Então, você e Zhets são tipo… algo agora?"

"Estamos de fato namorando, se é isso que você está perguntando."

"Então… você já destruiu aquela vagina alienígena?"

Orion parou e olhou para Beetle, confundido e enojado.

"O que? Não. Por quê?"

"Espere, por acaso a Zhet tem uma vagina alienígena? Ou um–?"

"Não, pare, por quê você– Ela é sua amiga também, por quê você iria se referir a ela como– Que saber, não tem uma boa resposta para aquela questão. Pelo bem da nossa amizade, eu vou fingir que você não disse isso."

"Espere, não para a vagina alienígena ou não para destruir ela?" Beetle perguntou, curioso.

"Não para todas as partes de sua existência."

"O que vocês idiotas estão fazendo?" Stella perguntou enquanto ela andava até eles.

"Stella! Graças a deus, por favor mude o tópico para qualquer coisa," Orion disse rapidamente.

"Em oposição ao tópico de…?" Ela perguntou, confusa.

"Sobre como Rion e Zhet tem namorado por meses sem falar pra ninguém."

"O que?!" ela gritou, tanto surpresa como encantada. Ela se virou para Orion para confirmação. Orion, por sua vez, olhava para Beetle.

"Foi um belo tapete que você puxou de baixo de mim, Beetle."

"Você soa como o meu avô," Stella comentou na virada da frase.

"Aparentemente eles ainda não tiveram sexo," Beetle continuou, ignorando claramente a raiva de Orion nele.

"O que?!" ela gritou, mais alto que antes. Ela pegou os ombros de Orion. "Vocês tem namorado em segredo por meses e vocês não–"

"Shhhhhh!" Orion rapidamente a silenciou. "Conte para todo mundo logo, por quê não. E enquanto você estiver fazendo isso, você pode falar que eu sou um virgem e a porra de um grande perdedor também."

"Nós já falamos isso para o povo pelas suas costas," Beetle respondeu.

"Nós não somos mais amigos," Orion rapidamente disse.

"Ok, ok, só… quando isso começou?"

"Se lembra daquela pequena festa de aniversário para o décimo oitavo ano terráqueo dele? Zhet convidou ele para sair depois," Beetle disse, recontando o que Orion acabara de falar a ele.

"Silêncio, demônio!" Orion gritou, uma fúria exagerada em sua voz. Beetle abafou uma risada.

"E você ainda não fez sua jogada?" Stella perguntou. "Demorou literalmente uma semana antes da gente começar a fazer isso."

"Bem, nem todos nós podemos ser tão tesudos quanto o Beetle!" Orion disse, conseguindo uma risada de seu amigo.

"Ignorando a tesão perpétua do Beetle, eu só estou falando, vocês nunca… brincaram ou algo assim?"

"Brincaram, Stella? Agora quem soa que nem os avós?" Stella olhou para ele, com expectativa. Ele suspirou, incapaz de esconder a verdade de seus amigos. "Nós estamos indo lento, sabe? Digo, nós temos biologias reprodutivas completamente diferentes, e ela não é tão intensa sobre este tipo de coisa quanto humanos pelo que consigo ver. Digo, eu não quero ir rápido de mais e assustar ela." Ele olhou ao redor e abaixou sua voz. "E se ela ver meu pau e… Sei lá, achar que ele parece estranho?"

"Todos os paus parecem estranhos, Rion," Stella respondeu.

"O meu não," Beetle protestou.

"O seu em especial, Beetle. Digo, quando foi a última vez que você olhou para um pênis, Rion?" Stella continuou.

"Eu não vou responder a isso."

"O meu ponto é, eles só parecem estranhos, e isto é algo a que você se acostuma. E eu não acho que você está sendo totalmente honesto com a gente. Eu sei que você tem ansiedade mas, tipo, esta é a primeira vez que eu vejo você preocupado sobre sua aparência. Ou sua sexualidade."

"Falando de sexualidade, isto faria de você gay? Ou tipo, pan? Beetle entrou na conversa.

"Hush, Beetle, os adultos estão falando," Stella rapidamente respondeu. "Rion, nos diga. Você sabe que nós não vamos te jugar. Bem, Beetle vai, mas ele não conta."

Rion desviou o olhar, pegando a parte de trás de seu pescoço nervosamente. "Nossas biologias são tão diferentes."

"Então só diga isso a ela. Diga que você quer levar as coisas pro próximo nível, mas que você quer maximizar o conforto dela–"

"Sim, e quem se importa se ela achar que seu pau parece estranho?" Beetle interrompeu.

"Não, é que tipo…" Rion suspirou. "Digo, eu não sei de nada sobre sexo, e meus pais não me contaram nada porque eu não queria saber mas agora eu quero saber mas ninguém pode explicar e eu não se se a gente vai… se encaixar," ele disse, tendo dificuldade para explicar.

"Oh, se tem algo que eu aprendi sobre sexo, é que humanos são muito adeptos em se encaixar," Beetle disse, mexendo as sobrancelhas. "E eu posso te contar tudo que você precisa saber sobre sexo."

"Nojento, e pelo amor de deus não," Orion continuou. "Eu só quero dizer que… quem sabe o que vai acontecer, e como isso vai funcionar, e como nossos corpos vão reagir e…" Ele sacudiu sua cabeça. "Eu não quero machucar ela."

"Bem é só assim," Beetle disse, "no sexo e amor, não tem garantia de que você não vai ferir Zhetsvan. Mas o mesmo seria verdade se ela fosse humana." Beetle colocou uma mão no ombro de seu amigo. "Cara, é ok ficar nervoso sobre isso. Mas acho que você está colocando esses medos no lugar errado e isso poderia realmente ferir seu relacionamento com Zhet se você não tomar cuidado. Vá na sua própria velocidade e se comunique com sua parceira. Comunicação é a chave em qualquer relacionamento saudável."

"Wow, Beetle. Isso foi… na verdade meio perspicaz," Rion admitiu.

"Stella não fica comigo pela minha aparência," Beetle disse. Rion riu disso. "Isso significar que eu posso ser seu amigo de novo?"

"Ooh! Por favorzinho, Rion, podemos ficar com ele?" Stella implorou brincando.

Rion suspirou, aceitando a piada. "Certo, mas eu não vou alimentar ele."

"Você não vai se arrepender!" Beetle disse com uma piscadela.

"Oh, mas eu já estou me arrependendo." Stella riu da interação.

"Mas sério, você é gay agora?" Beetle perguntou, continuando a discussão enquanto Stella e Orion andavam.


"Obrigado por nos receber novamente," Jess disse para Exiald e Yttilier.

"Não tem problema, nós gostamos de falar com vocês. E ainda isso dá às crianças algum tempo para ficar sozinhas longe da gente," Exiald disse.

"Sim, bem, é exatamente sobre isso que queremos falar com você," Jess disse, com um pouco de severidade em sua voz. O casal olhou para ela, como se quisesse saber aonde ela quer chegar. Daniel riu e sacudiu a cabeça, tentando acalmar a situação.

"Sabe Jess, ela só está preocupada sobre as crianças ficarem juntas."

"De que maneira?" Yttilier perguntou.

"Preocupada é uma palavra forte, e eu apenas… eu queria sua opinião no relacionamento deles. Se você acha que ele era saudável e… outros tópicos."

Exiald considerou Jess, curiosa. "E se nós descobríssemos que o relacionamento deles não fosse saudável, o que você sugeriria que fizéssemos? Forçássemos eles a se separarem?"

"Whoa," Daniel disse tentando entrar na conversa. "Bora não entrar nesse tópico. Digo, afinal, legalmente não temos voz no que eles fazem quando adultos. E afinal não é isso que queremos para eles, certo?" Ele olhou para Jess, que permaneceu em silêncio. Seu sorriso jovial rapidamente se transformou em uma expressão preocupada. "Não é isso que você quer, não é, Jess?"

"Não, não, claro que não, é só que… Eu suponho que eu tinha um futuro diferente para o Rion planejado na minha cabeça. Não que Zhetsvan não seja amável, claro, você sabe que eu adoro ela. Eu só esperava que… quando Rion chegasse na idade de namoro ele estaria interessado em garotas humanas. Que seu pai falaria com ele sobre problemas com garotas."

Daniel sorriu. "E se ele estivesse interessado em garotos?"

"Então eu poderia ajudar ele com problemas com garotos."

"E se ele decidisse que ele fosse na verdade uma garota?"

"Então eu poderia ajudar ele com problemas-de-ser-uma-garota, você viu como eu sou com Luke– Aonde exatamente você quer chegar?"

"O que eu acho que Daniel está dizendo," Yttilier interpretou, "é que nenhum desses cenários hipotéticos mudam como você se sente sobre Orion e seu relacionamento potencial. Então por quê este deveria?"

Jess acenou com a cabeça. "Eu suponho… que de fato não deveria. Se alguém devesse aproximar mais as nossas espécies. Este alguém seria Orion." Ela riu para si mesma. "Eu já expliquei o porquê de nomearmos ele assim? Digo, nós sabíamos que ele seria uma das primeiras crianças a crescer totalmente em Marte. E claro, Daniel e eu estávamos interessados em nomes com temática espacial."

"Eu ainda digo que Astro seria um nome perfeito!" Daniel disse em um protesto falso, fazendo todos os adultos rirem.

"Mas eventualmente decidimos por Orion. O nome que parecia melhor. O nome em si vem de uma cultura antiga da Terra, o conto de um caçador ousado. Quando aquela civilização olhava para as estrelas, eles achavam que podiam ver sua imagem colocada lá pelos próprios deuses. E o nome ficou para essa constelação. E quando nós descobrimos que estávamos expandindo para as estrelas, parecia que podíamos ir a qualquer lugar. Fazer qualquer coisa. Até mesmo viajar para as estrelas que formam o antigo caçador. E que nossas crianças seriam capazes de ir lá." Exiald acenou com a cabeça.

"Nós te contamos o que o nome de Zhetsvan significa em nossa linguagem, correto?"

"Significa horizonte, certo?" Daniel disse confirmando.

"Exiald e eu tivemos nossos próprios problemas em nosso namoro," Yttilier explicou. "Sendo de diferentes regiões, muitos tentaram nos impedir de ficar juntos. Mas nós perseveramos. E nós desejamos a mesma vontade de perseverar a nossa filha."

"Em nossa língua, tem um ditado, 'quando você chega ao horizonte, você deve continuar andando para ver o sol nascer.' Significa que quando parece ter nada a se ganhar, ou apenas dificuldades à frente, você deve perseverar para atingir a realização pessoal."

"O caminho afrente de nossos filhos será difícil. Mas eu acredito que eles vão perseverar e criar algo bonito, não apenas com nossas espécies, mas com um e o outro,"

Daniel riu. "Ver nossos filhos nessa luz realmente mostra como o universo está mudando. Rion é praticamente um tipo diferente de humano de Jess e eu. Digo, eu ainda estou preocupado sobre pronunciar o nome de Zhetsvan corretamente, e Rion simplesmente faz isso. Eu não acho que ele sequer pensa sobre isso. Ele só faz isso."

"E zhetsvan tem tanto interesse na cultura humana, quem sabe de onde ele veio," Exiald disse, rindo com ele. "Nossos filhos vão ajudar a mudar a relação entre nossas espécies para sempre. Desde que nós os deixemos."

"Bem, Jess?" Yttilier perguntou. Jess lentamente acenou com a cabeça.

"Você está certa. Desculpe, estou ficando preocupada… por nada."

"Bem, não nada. Eu acho que é justo dizer que nós estamos todos preocupados por razões diferentes." Exiald explicou. "Mas nós temos que confiar que nossos filhos entendem. Nós precisamos confiar que nós ensinamos a eles tudo que eles precisam saber."

Jess acenou com a cabeça, contente, antes de olhar para Daniel. Mas foi a vez dele de se preocupar.

"Bem, merda. Nós não ensinamos nada ao Rion."


"Cheguei!" Orion gritou pela casa. Ele tirou seus sapatos e subiu as escadas parando na porta de seu irmão por um segundo. "Ei Lu."

Lucifer estava, como sempre, digitando em seu computador. Orion não conseguia entender nada na tela nem que sua vida dependesse disso. Poderia muito bem estar em hieróglifos. Ele não fazia ideia de onde Lucifer tirou sua aptidão por programação; certamente não veio de seus pais, e Orion apenas sabia como mudar as cores de fóruns da internet.

"Você sabe, você é o único que me chamar assim. Todo mundo encurta o meu nome para Luke," ele disse, não tirando os olhos da tela.

"Bem, você sabe o porquê. E você não escolheu o nome Lucas, você escolheu Lucifer."

"Um erro do qual eu me arrependo a cada sol."

"Você pode sempre me dizer se você não quer ser chamado assim."

"Eu não disse isso," Lucifer disse, um pouco defensivamente. Orion hesitou na porta por alguns segundos, tentando decidir o que fazer.

"Ei, você tem falado com Seong-Jin ultimamente?" Rion finalmente perguntou.

"Um pouco. Ele me mandou uma mensagem enquanto eu estava na festa do Esther… ou coisa assim. Ele ainda pode ajudar se você precisar."

"Bom saber. Como foi o negócio do Esther?"

"Foi ok, eu acho." Ele encolheu os ombros. "Eu não fiz muito. Conversar com Seong-Jin foi provavelmente a coisa mais interessante que aconteceu naquela tarde. Ainda assim, foi bom fazer algo diferente do que apenas jantar na casa da Zhet novamente. Falando disso, nossos pais foram lá de tarde. Eles querem falar com você quando voltarem." Ele lentamente se virou para olhar para ele. "Algo que eu deveria me preocupar?"

"Provavelmente não. Zhet e eu falamos para eles na noite passada, então eles provavelmente só querem falar sobre aquilo um pouco."

Lucifer parou de digitar com isso, girando sua cadeira. "Whoa, serio? Zhet te pressionou a contar?"

"Sim, realmente, e sim, claro que ela me pressionou, como se eu fosse fazer essa decisão eu mesmo."

"Você tem que superar essa ansiedade, cara."

"Wow, e simples assim eu estou curado."

"Você sabe o que eu quero dizer, idiota. Faça seu exercício terapêutico e continue tomando sua medicação. Você sabe que você e Zhet vão ficar bem desde que você se cuide e se comunique claramente."

"Sim," Rion suspirou. "Eu sei." Lucifer se virou, retornando para seu trabalho no computador. "Ei, há quanto tempo você está usando seu binder?"

"Não muito tempo," ele mentiu. Orion olhou para ele, cético.

"Tire ela logo. Eu não quero que você cause dano permanente a si mesmo só porque sua disforia é uma puta carente."

"Ok, mãe, eu vou fazer isso."

Os dois ouviram a porta da frente abrir. Do corredor da frente, eles ouviram a voz da mãe deles.

"Rion, você já chegou? Nós queremos falar com você." Rion suspirou, incerto de como ele vai lidar com a conversa.

"Eu vou te ver depois disso. É melhor que você já tenha tirado o binder até lá." Ele anda de volta para o corredor, confuso ao encontrar seu pai sentado na sala de estar.

"Bom, você está aqui," ele disse. Orion olhou para a sala vazia em confusão.

"Pensei que vocês dois queriam falar," ele disse, confuso.

"Bem, sua mãe achou que eu poderia lidar com isso melhor sozinho." Ele gesticulou para a cadeira em frente a eles. "Por favor, se sente." Ele olhou entre seu pai e a cadeira, confuso.

"Hum… ok? Digo, por acaso algo de ruim aconteceu, por acaso eu fiz algo de errado?"

"Não, garoto," seu pai disse. "Eu só quero conversar com você sobre o seu relacionamento com a Zhetsvan."

"Oh," ele disse, coração rapidamente acelerando. "Digo, eu imaginava. Tem algo errado? Você vai tentar nos separar? Espera, a Zhet está terminando comigo? Por acaso isso foi alguma piada elaborada e só agora que estão me falando?"

"Rion, respire," seu pai rapidamente disse. Rion inspirou e expirou, assim como seu terapeuta havia lhe ensinado. "Nada disso está acontecendo," Daniel o tranquilizou. "Nós só percebemos que… você está crescendo. Você é um adulto, por mais que desejássemos que não fosse o caso. E ocorreu à sua mãe e eu que nós nunca te ensinamos propriamente algumas coisas porque achávamos que você não precisaria delas na hora."

"O…k?" Orion disse, ainda confuso.

"E… bem, é só que, agora que você está namorando, provavelmente tem algumas coisas que você vai querer saber sobre." Daniel continuou.

A realização atingiu Rion como uma pilha de tijolos. "Oh meu deus. Você está tentando me dar a conversa?"

"Eu sei que quando você estava na idade normal para aprender sobre esse tipo de coisa, você não estava tão interessado em sexo," seu pai disse.

"Não, não, não. Não, não, não, este é meu pesadelo, não não não…"

"Nós queremos te ensinar formas de praticar sexo seguro,"

"Não, não, não, não, não, não…"

"Digo, nós não podemos exatamente esperar abstinência de você agora que você é um adulto e… bem, namorando."

"Não, não, não, não, não, não, não, não, não…"

"Eu quero te dar algo," seu pai disse, gesticulando para Orion (ainda protestante) estender a mão. Orion o fez com relutância, fechando os olhos quando sentiu vários invólucros de plástico tocarem sua mão. Orion deu uma olhada rápida e teve seus piores medos confirmados.

"Pai! Por quê você tem tudo isso?"

"Camisinhas ainda são a maneira mais efetiva de prevenir gravidez, DSTs, e só ficar seguro. O sexo pode ser uma experiência realmente maravilhosa, e eu só quero ter certeza de que você a experimentará de uma maneira que não represente um risco para você ou sua parceira."

"Oh meu deus, poderia este inferno pessoal que é essa conversa acabar se eu te dizer que Zhetsvan e eu não fizemos sexo?"

"Bem, camisinhas ainda são uma ferramenta útil em outras atividades sexuais e nas práticas que vem antes do sexo. Claro, há outros componentes importantes, como lubrificante–"

"Não, eu quero dizer que nós não fizemos nada disso. Nós nos beijamos e nos abraçamos mas nós não… nós não fazemos isso." Daniel olhou para seu filho por alguns segundos, como se incerto sobre como continuar.

"Bem, isso é…" Orion sabia exatamente o que vinha depois da pausa de seu pai. Ótimo. Ótimo Rion. Outra coisa pressionando ele a não fazer nada. Por que ele não termina logo e diz isso. "…uma razão ainda melhor para ter essa conversa agora." a cara de Rion caiu.

"Que."

"Aqui, deixe me te mostrar como colocar elas. No ensino médio, meu professor demonstrou isso com uma banana," seu pai explicou se levantando.

"Estou indo pro meu quarto. Se você pensar em aparecer em algum lugar próximo ao meu quarto com uma banana, eu perco a cabeça, juro por Deus." Orion se levantou, enfiou as camisinhas recém-adquiridas no bolso e foi embora. Assim que ele passou pelo quarto do Lucifer, ele deu uma olhada, desapontado mas não surpreso. Ele enfiou a mão no bolso e jogou a primeira coisa que podê pegar em seu irmão.

"Ow!" Lucife disse, rapidamente se virando.

"Tire o seu binder, espertinho."

"Ugh, certo!" Orion se virou para andar para seu próprio quarto. "Calma ai, você jogou uma camisinha na minha cabeça? Esquisitão." Orion ignorou isso enquanto ele andava de volta para seu quarto. Ele fechou a porta atrás de si, caindo em sua cama. Ele desejava que esse negócio de relacionamento não fosse tão complicado. As coisas eram muito melhores quando ninguém sabia sobre isso. Bem, Lu percebeu do inicio, mas ele não se importou.

Orion precisava distrair sua mente de tudo isso. Ele rapidamente pegou seus fones de ouvido, virando de costas para deitar em cima da cama.

"Toque a playlist 'Pós-Pânico'." Ele fechou seus olhos quando a música começou, deixando o som tomar conta dele. Ele limpou sua mente, focando em nada mas na música, e deixando o tempo passar. Seus batimentos cardíacos desaceleraram, permitindo a ele alguns momentos preciosos onde a ansiedade o deixava em paz. Ele não estava preocupado sobre quem ele era, o que ele deveria estar fazendo, como ele deveria viver sua vida, todas as coisas que ele deveria estar fazendo, ou todos os problemas que pareciam segura-lo na vida. Ele simplesmente existia, presente no momento e focando em nada.

Até que ele ouviu uma batida na porta.

Seus olhos se abriram e suas sobrancelhas rapidamente franziram em aborrecimento.

"Pai, se você adentrar um pé aqui com aquela banana–!"

"Sou eu," A voz de Zhetsvan veio do outro lado, as palavras em inglês parecendo um tanto hesitantes.

"Oh," Orion disse, de repente envergonhado. "Pode entrar," ele disse em Ortothan enquanto se sentava em sua cama. Ela entrou no quarto, fechando a porta atrás de si.

"Desculpe, seus pais me deixaram entrar. Eles estavam saindo com o Luke para fazer… alguma coisa. Eu não estava prestando muita atenção."

"Consulta médica, provavelmente."

Zhetsvan acenou com a cabeça. "Você está tendo uma briga com seu pai ou algo assim?" Ela perguntou, curiosa, enquanto ela andava para se sentar próxima a ele. Orion riu.

"Não, só… algo que aconteceu mais cedo. Você tinha que estar aqui. E confie em mim, você não iria querer estar aqui." Ele olhava para suas mãos, incapaz de se encontrar com os olhos de Zhets.

"Ok então. Bem, o que está acontecendo com você?"

"Não muito." Zhetsvan olhou para ele, esperando uma elaboração. Seus olhos permaneceram olhando para baixo. Ela ficou intrigada com suas ações.

"Eu ouvi dizer que você viu Beetle e Stella mais cedo," ela disse, tentando sonda-lo.

"Oh, sim." Suas respostas permaneceram curtas e separadas.

"Bem? Como estão eles?"

"Bem, eu acho." Ele encolheu os ombros. "Você sabe."

"Eu realmente não sei, Rion." Zhets olhou para ele e suspirou, gentilmente pegando sua mão. "O que esta acontecendo? Você está muito mais quieto do que o normal, e isso está me assustando. Tem algo de errado?"

Rion finalmente olhou para Zhetsvan. Ela estava certa, ele estava agindo retraido. Apenas um momento atrás, sua mente estava limpa e ele sentia como se ele entendesse o que estava acontecendo. Agora, tudo parecia incerto novamente.

"Me desculpe, Zhet… Eu só estive preocupado sobre… coisas tão banais." Ele respirou profundamente. Comunicação, foi o que Beetle disse. "A verdade é que… tem aspectos do nosso relacionamento que eu gostaria de explorar. Eu, hum… eu não quero te pressionar nem nada, mas como um humano eu estive experienciando certas, uh, mudanças nos últimos anos, e desde que começamos a namorar eu quero… fazer… certas coisas. Com você." Zhet olhou para ele, preocupada. Orion engoliu em seco. "Eu quero, hum… levar nosso relacionamento ao próximo nível?"

"Oh. Você está dizendo que quer ter relações sexuais?" Zhet perguntou claramente. Orion sentiu-se corar com isso.

"Hum… sim. Mas eu sei que as coisas são diferentes para a sua espécie e eu não quero pedir pra você fazer algo que você não quer fazer."

"Bem, para ser honesta, eu estava começando a me perguntar se isso era uma coisa que você não queria fazer."

"O que?"

"É verdade que minha espécie tende a ser muito menos intensa sobre relações sexuais, mas eu tenho me sentido próxima a você por um bom tempo agora, e eu queria explorar outras áreas de relacionamentos típicos. Mas você sempre parecia hesitante em o fazer. De fato, parece-me que você se ressente totalmente da sua sexualidade."

"Me desculpa, eu estou ressentido com a minha sexualidade agora?" Orion desafiou.

"Bem, pelo que posso observar. Você parece ressentido por achar não apenas eu, mas qualquer um atraente. Quando seu corpo funciona como o esperado em situações estimulantes você fica muito desconfortável."

"Ok, isso não–"

"Eu vi e experimentei coisas que você preferiria que eu não tivesse com você, e você fica facilmente envergonhado com essas coisas,"

"Bem eu fico facilmente envergonhado por tudo, então não sei aonde você quer chegar." Zhet riu com isso, e depois de um tempo Orion também. Os dois finalmente olharam um para o outro. "Eu não ressinto minha sexualidade. Eu não estou tenho vergonha dela. Eu não tenho vergonha de você," ele disse.

Os dois se inclinaram na direção do outro para se beijarem. Eles abraçaram um ao outro, se aproximando um do outro. Com seus corpos tão próximos um do outro, parecia natural que isso devesse acontecer. Eles sempre foram próximos assim em mente e espirito, então simplesmente fazia sentido que eles devessem preencher a lacuna física também. Os dois começaram a se mover para deitar na cama. Parecia que eles estavam sozinhos e tinham tempo. Talvez fosse finalmente a hora.

E então Orion caiu no chão.

"Rion" Você está bem?" Zhet se esforçou muito para não rir. Rion resmungou.

"Sim, estou bem," ele respondeu, claramente não tão bem.

"O que é isso?" Zhet disse, olhando para o chão próximo de Rion. Ele seguiu seu olhar, percebendo que as camisinhas que seu pai lhe deu caíram de seu bolso.

"Claro que isso está acontecendo. Claro que está." Orion riu, auto-depreciativamente. "Claro que isso daria errado, também."

E então, eles ouviram a porta da frente abrir.

"Não acredito que esquecemos a carteira de identidade," A voz de Jess veio do corredor.

"Merda!" Rion sussurrou para Zhet. Ele rapidamente enfiou as camisinhas de baixo de sua cama. Zhet se levantou, olhando ao redor para ver se ela podia ajudar.

"Talvez Rion saiba…" A voz de Daniel rapidamente aproximou-se deles. Assim que Rion enfiou a última camisinha em baixo da cama, ele rapidamente se levantou.

"Ei Rion," a porta abriu para revelar Daniel, "você sabe onde– Oh, oi Zhetsvan," ele disse, mudando para Ortothan sem esforço. "Eu me esqueci que você estava aqui." Orion e Zhets olharam um para o outro incertos. "Estou interrompendo algo?" Daniel perguntou inocentemente.

"Na verdade eu já estava saindo," Zhetsvan rapidamente disse, indo para a porta. "Te encontro mais tarde, Rion, ok?" Rion acenou com a cabeça, olhando para o chão. Zhetsvan olhou uma última vez para Rion antes de sair do quarto.

"Ok, tchau Zhetsvan!" Daniel disse jovialmente. Ele se virou para seu filho. "Você tem alguma ideia de onde as carteiras de identidade sua e do seu irmão estariam?"

"Você já conferiu a agenda na despensa?" ele perguntou, não olhando para cima.

"Ah! Claro, obrigado Rion." Ele deu um passo para fora da porta antes de hesitar. Ele entrou de novo, um olhar de desculpas em seu rosto. "Ei, me desculpe, nós queríamos dar a vocês algum tempo sozinhos mas a carteira de identidade, você sabe. Digo, eu não quis–"

"Por favor só feche a porta ao sair," ele disse, se recusando a olhar para cima.

"Ok," seu pai disse, não querendo ofender. "Desculpe." A porta fechou atrás dele. E de repente, simplesmente assim, todos os pensamentos de Rion voltaram para assombra-lo. Ele colocou seus fones de ouvido e se deitou na cama de novo.

"Toque a playlist 'Canções para uma espiral'." Era muito mais difícil focar na música desta vez.


"…Então eu tenho quase certeza que o Rion me odeia agora," Daniel concluiu conforme o carro os levava para a cidade.

"Eu tenho certeza de que isso não é verdade," Jess o tranquilizou.

"Ele ficou em seu quarto a noite inteira só ouvindo a música. Ele definitivamente não é um fã de mim agora."

"Bem, ele é um adolescente, eles sempre odeiam seus pais nesta idade."

"Bem, não Rion, não normalmente. E ele não é um adolescente, não mais. Ele é um adulto, é hora de começarmos a tratar ele como um. É minha culpa de qualquer jeito, eu entrei durante um momento íntimo sem pensar."

"Então ele deveria ir atrás da solução adulta e tentar encontrar seu próprio lugar para viver para que nós não tenhamos o risco de entrar nesses momentos de qualquer jeito."

Daniel suspirou. Esta era uma conversa que eles deveriam estar tendo cara a cara. Eles deveriam estar olhando um para o outro, assegurando um ao outro que eles ainda estavam nesta juntos mesmo que eles tenham opiniões diferentes. Porém, o veículo tornava quase impossível para um olhar ao outro cara a cara. E esta conversa não era em um ambiente seguro, onde eles se sentissem bem para expressar seus sentimentos, eles estavam indo para uma reunião sobre a qual eles sabiam nada. A coisa toda era menos do que ideal.

"Por quê você se opõe tanto à ideia dele namorando?" Daniel perguntou, quebrando a trégua silenciosa que haviam feito.

"Eu não me oponho!" Jess protestou.

"Bem, você não está bem com ele namorando Zhetsvan pelo menos e eu gostaria de saber o porquê ao invés de ficar de enrolação para sempre." Jess sacudiu sua cabeça nisso, recusando-se a responder. "Teria isso algo a ver com a coisa de interespécies? Porque, sim, ok, aquilo me jogou em um looping também, mas o Rion é um homem esperto, e ele pensa em tudo. Você não está ajudando ele fazendo ele se lembrar de coisas que a ansiedade dele já sabe."

"E você não está me ajudando tentando me fazer me sentir má por ter sentimentos complexos sobre isso!" Jess retrucou.

"Eu não estou tentando fazer você se sentir má–"

"Eu só não acho que deveríamos encorajar este comportamento."

"Que comportamento? Namoro? Tratar outras espécies com a mesma dignidade e respeito que humanos?"

"Sexo!" Jess gritou para ele. Ela suspirou e desviou o olhar novamente. "Ele nunca esteve interessado nisto antes. Eu não acho que deveríamos pressionar ele a ter sexo. Nós não deveríamos pressionar ele a crescer."

"Jess, ele é um adulto. E nós precisamos lidar com isso. E eu não estou tentando 'encorajar' ou 'pressionar' nada. Eu sei que ele não estava interessado nisso no passado, mas as coisas mudam, e eu vi o jeito que ele olha para Zhetsvan. Eu não quero pressionar ele a fazer nada, mas se ele quer fazer algo com sua parceira, como seus pais nós devemos dar-lhe a informação em como ficar seguro enquanto fazendo isso."

"Mas isto nunca foi documentado antes. Nós não sabemos se é possível ficar seguro, não entre espécies."

"Então sua solução é fingir que não há precauções que ele pode tomar?"

Daniel parou assim que o carro parou. Eles olharam para o edifício à sua direita, uma grande torre com uma logo familiar nela. O edifício os fazia se sentirem inquietos, especialmente com as circunstâncias misteriosas ao redor de seu destino improvável.

"Certo, aquilo é propriedade da Fundação," Daniel disse. "Um mistério a menos, mais um milhão restantes."

"Então estamos realmente nos encontrando com funcionários da Fundação…" Jess disse, tanto curiosa como ansiosa.

Os dois saíram do carro e ele se dirigiu para o estacionamento mais próximo, nervosamente entrando no edifício.

A recepção parecia pequena. Parecia entrar na parede cedo demais, a única indicação de que o térreo era maior sendo uma pequena porta cercada por guardas fortemente armados e a janela atrás da recepção. Os dois hesitaram na atmosfera confusa, aproximando-se cautelosamente da mesa da frente.

"Oi," Disse Daniel para o homem sentado lá. "Nós fomos pedidos para vir aqui para uma reunião. Sétimo andar, eu acredito, Jess e Daniel Hodge?" O homem rapidamente digitou em seu computador, olhando para o casal diante dele antes de olhar de volta para a tela.

"Passe pela segurança, sétimo andar, escritório no final do corredor. O comitê estará pronto para ver vocês em um momento."

"Comitê?" Jess repetiu.

"Obrigado," Daniel disse, rapidamente levando eles para a segurança. Após passarem por três scanners de segurança, cada um mais rigoroso que o anterior, eles tiveram permissão para entrar no elevador. Eles permaneceram em silêncio enquanto chegavam ao sétimo andar e entravam na grande sala no final do corredor. Eles rapidamente descobriram que não eram os únicos ali.

"Exiald? Yttilier?" Daniel, perguntou, mudando para Ortothan. "O que vocês estão fazendo aqui?"

"Fomos convidados a nos encontrar com funcionários da Fundação," Ytillier explicou com clareza.

"Por quê?"

"Eles não falaram."

Jess franziu a testa. "Eu tenho um mau pressentimento sobre isso."

"Não vamos tirar conclusões baseadas em informações limitadas," Exiald disse, percebendo a tensão.

"Sobre o que mais isso poderia ser sobre?" Jess disse, recebendo uma cara confusa dos outros pais. Eles só tiveram um momento para reagir antes de uma voz soar acima deles.

"Agora que vocês estão todos aqui, Sra. Ebner verá vocês." A voz perturbou a todos eles. Não era bem orgânica, e não era robótica, mas algo estranhamente entre os dois. A porta no outro lado da sala quietamente abriu, e os quatro adultos reuniram sua coragem para entrar.

O escritório parecia quase impossivelmente grande, cheio de espaço e ainda assim tudo na sala conseguia fazer sua presença parecer grande. Uma mulher estava parada na janela, olhando a cidade.

"Obrigada por se encontrarem comigo. Por favor, sentem," ela disse gesticulando para quatro cadeiras que os adultos poderiam jurar que não estavam ali antes. Cautelosamente eles se sentaram enquanto a mulher andava de volta para sua mesa. "Me permitam me introduzir. Meu nome é Valentina Ebner. Eu sou a chefe da filial Marciana do Comitê de Éticas da Fundação."

"Eu estava sob a impressão de que nos encontraríamos com o comitê inteiro," Jess disse, a pergunta não dita pairando no ar.

"Como a chefe, eu represento o Comitê de Éticas Marciano," ela disse, andando de um lado para o outro atrás da mesa. "Para você, eu sou o Comitê de Éticas da Fundação. Nada neste planeta acontece sem que eu diga, e em assuntos complicados como este eu falo em nome de meus colegas."

"De que assuntos complicados você fala?" Yttilier perguntou. Ela parou de andar, olhando pela janela que eles a viram em frente quando entraram.

"Eu entendo que seus filhos são próximos," ela disse com um tom baixo perturbador em sua voz que nenhum deles conseguia identificar.

"Sim, Zhetsvan se dá bem com ambos os filhos dos Hodge," Exiald disse, desafiando Valentina a falar o que pensava.

"Eu estou falando de seu relacionamento com o filho mais velho. Orion seria o nome dele?"

"Como você sabe disso?" Ytillier perguntou bruscamente antes que os outros pais tivessem a chance. Daniel e Jess estavam impressionados e de certo modo tocados pelo simples ato de agressão.

"Como eu disse, nada acontece neste planeta sem eu saber," ela disse enquanto ela andava de volta para sua mesa. "E eu sei que eles recentemente contaram a outros sobre seu relacionamento. Isso está rapidamente se tornando conhecimento público."

"Mas aonde você quer chegar?" Jess perguntou. Valentina se inclinou sobre sua mesa.

"De que atividades consistem suas atividades juntos?" Ela perguntou severamente.

"Elas consistem de coisas que não são de seu interesse," Exiald disse, olhos se estreitando em aborrecimento.

"Então deixe-me ser mais direta. Os dois tiveram relações sexuais?"

"Whoa, whoa, whoa, mas que porra?" Daniel disse, rapidamente se levantando. "Isso não é nada de nossa conta, e definitivamente nada de sua conta!" Ele apontou para Valentina ao falar isso, sua voz tremendo com raiva mal escondida.

"Mas é, Sr. Hodge. Veja, quando a Fundação ouviu falar de seu relacionamento, nós imediatamente tivemos motivos para nos preocupar. Enquanto nós sabemos que ambas as nossas espécies tem biologias similares o suficiente para coabitar as mesmas biosferas, nós não sabemos muito dos efeitos que temos uns sobre os outros, e muita pesquisa precisa ser feita. Relações sexuais neste ponto no tempo poderiam ser perigosas para ambos Zhetsvan e Orion. Como tal, seu relacionamento deve ser suspenso até o momento em que possamos realizar pesquisas adequadas sobre a interação entre nossas espécies."

"E quanto tempo dita pesquisa demoraria? Meses? Anos? Yttilier se inclinou para frente, pronto para se levantar com Daniel.

"Eu espero que você perdoe minha interrupção," Exiald disse, sua voz calma difundindo a situação, "mas eu tenho uma questão sobre isto."

Valentina rapidamente se levantou, tentando recuperar a compostura. "Mas claro."

"A Igreja do Segundo Hytoth existe entre sua espécie há quanto tempo exatamente? Dez mil anos?" Exiald disse.

"Nós acreditamos que mais próximo de treze mil anos."

"Tanto tempo assim," Exiald disse, tomando seu tempo. "Estou sob a presunção que seu primeiro contato com vida extraterrestre ocorreu dentro da igreja, vários milhares de anos antes de sua espécie abandonar o planeta."

"Correto."

"E presumidamente estas espécies, a nossa inclusa, teriam que se adaptar e se misturar à população terrestre em geral, se envolvendo em amizades e outros relacionamentos com outros humanos? Mesmo relacionamentos românticos e sexuais?"

"O que você está tentando perguntar?" Valentina disse, impaciente.

"Eu estou simplesmente dizendo que certamente a essa altura sua Fundação teria vários anos de relatórios de união entre nossas espécies, ou pelo menos dos resultados prejudiciais se eles existissem. Então por quê precisaríamos de mais pesquisa?" Exiald finalizou.

"Bem, como o primeiro casal interespécies público, o público geral provavelmente não vai acreditar nos relatórios da antiga e sombria Fundação–"

"Eu entendi," Yttilier disse. "Isto é um impulso para relações regressivas entre nossas espécies com base no nojo, encobertas pelo mais fino véu de preocupação por nossos filhos." Ela se levantou para sair, Exiald seguindo logo atrás.

"Tudo que estou perguntando é se seus filhos tiveram relações sexuais."

"E nós estamos te falando," Daniel disse, levantando sua voz, "que não precisamos dignificar isso com uma resposta!"

"Não, eles não tiveram!" Jess finalmente gritou. Os outros três pais olharam para ela em surpresa. "O que? É tudo que ela quer saber! Qual é o sentido de esconder isso dela?"

Daniel sacudiu sua cabeça. "Estamos indo."

"Muito bem, Sr. Hodge," Valentina disse, "mas eu farei uma sugestão antes de você sair."

"Nós não queremos ouvir," ele disse confiante.

"Mantenham seus filhos separados," ela disse rapidamente. "Previnam aquilo de acontecer."

"Nós não podemos. Eles não são crianças mais, eles são adultos," Yttilier disse, não se virando para olhar para Valentina.

"E nós odiaríamos processá-los como tal," ela disse, forçando os três que estavam saindo a pararem. Ela suspirou. "Olhe, a Fundação trata isto como um desastre esperando para acontecer. O primeiro relacionamento público interespécies. Segundo contato. Seus filhos seriam atacados de cada ângulo, e a Fundação seria forçada a agir por conta própria." Ela olhou para Jess, que ainda estava sentada. "Sra. Hodge, certamente você entende. Nós não entendemos os riscos de uma união interespécies, e se seus filhos forem a público, eles estarão no centro de uma tempestade de imprensa que só vai ferir a ambos. Por favor, pela segurança de todos os seus filhos, cuidem disso. Caso contrário eu serei forçada a o fazer. E eu realmente não quero ter que cuidar disso."

Daniel olhou olhou de volta para Jess. Jess olhava entre Daniel e Valentina, incerta do que fazer. Ele sacudiu sua cabeça e sem uma palavra saiu do escritório com Exiald e Yttilier, enquanto Jess olhava para ele, estupefata e confusa com o que acabara de acontecer.


"Sério, cara," Beetle disse enquanto os amigos entravam na casa de Orion, "Se passaram vários sóis e eu não vejo você e Zhet conversando, tipo, de maneira alguma."

"Eu disse que eu não queria conversar sobre isso," Rion disse monotonamente enquanto ele os levava para seu quarto.

"Bem, claramente você precisa falar," Stella disse, seguindo logo atrás. "Você tem andado deprimido por sóis e você sequer vai nos dizer o que aconteceu." Assim que eles passaram pelo quarto de Lucifer, ele apareceu.

"A gente vai embeber o Rion?" ele disse, cara vazia.

"Não agora, Lu," Rion disse, passando por ele.

"Ele não tem falado com a Zhet em sóis, Luke. Sóis," Stella explicou.

"Sério?" Lu disse, sua descrença quase aparecendo como aborrecimento. "Literalmente semana passada você tinha um plano para fugir com ela, você estava tão nervoso, e agora você está muito nervoso para falar com ela."

"Espera ai, ele tinha um plano para fazer o que?" Stella disse, confusa. "Por quê? Como você sabe?"

Lucifer ignorou essas questões. "Vamos lá, não deixe que um caso de coito interrompido de cortesia do nosso pai arruíne seu relacionamento."

"Espere, que?" Beetle disse chocado.

"Nós não fizemos nada," Rion rapidamente disse. "…Porque meu pai nos interrompeu."

"Então deixe-me ver se eu entendi, você foi interrompido enquanto você estava prestes a ter sexo, e então você ignora ela por literais sóis?" Beetle suspirou e beliscou a ponta do nariz. "Eu te disse uma coisa. Tinha só um passo: comunicação!"

"Você sabe o que?" Rion disse, se virando e jogando seus braços para cima em derrota. "Fracassei no primeiro passo! E agora a Zhet provavelmente me odeia."

"Eu tenho certeza de que isso não é verdade," Stella o tranquilizou.

"Como você saberia?" Rion disse desanimado.

"Como você disse, cara," Beetle respondeu, estranhamente quieto, "Zhet é nossa amiga, também."

"Rion, você poderia vir aqui?" a voz de seu pai veio da cozinha. Rion suspirou.

"Eu já volto. Vocês sabem onde meu quarto fica, vocês podem iniciar o jogo." Ele gentilmente empurrou Lucifer de volta para seu quarto enquanto passava. "Não use seu binder por muito tempo, panaca." Ele caminhou em direção à cozinha até ver seu pai. Rion achou que seu sorriso estava um pouco mais contido que o normal. Mais triste, por algum motivo.

"Ei Rion."

"Que é?"

"Eu, sabe, eu só queria ver se seus amigos precisavam de alguma coisa enquanto estão aqui. Um lanche, bebidas."

Rion sacudiu a cabeça, confuso. "Não. Nós só vamos ficar no meu quarto por um tempo, até eu sentir que estou segurando vela, ai eu expulso eles. Você sabe. Mesmo de sempre." Rion deu um joinha hesitante e começou a se virar.

"Na verdade. Eu queria falar sobre algo." Rion lentamente se virou de volta, olhando para o balcão. Seu pai pigarreou. "Eu, uh, eu queria me desculpar pelo outro dia. Quando eu invadi seu quarto." Rion sentiu seu rosto corar-se. "Eu não queria interromper nada, se algo foi…" Seu pai foi incapaz de completar a frase. Rion suspirou.

"Não é culpa sua." Ele pensou sobre isso por um segundo. "Bem, foi meio que indiretamente. As camisinhas que você me deu cairam do meu bolso e isso meio que estragou o clima."

Daniel fez uma careta. "Me desculpe. Eu nunca quis ferir o que vocês dois tem, ou interferir de qualquer jeito."

Rion encolheu os ombros. "É minha culpa. Eu só não tenho falado com Zhets desde então. Tudo tem sido estranho desde que contei para vocês, e minha mãe continua falando que é ok esperar, e eu só… Eu não sei o que eu estava pensando."

"Você estava pensando que vocês poderiam ficar felizes juntos, E eu sei que vocês ficam. Olhe, Rion, não," Daniel sacudiu sua cabeça, "não me ouça, ou sua mãe, ou ninguém além de si. As pessoas que te amam tem os melhores interesses no coração, mas eles nem sempre sabem o que é melhor. Ok?" Rion lentamente acenou com a cabeça. "Mas, se eu puder falar uma última coisa como seu velho, é pegar ou largar, eu nunca quis que você se sentisse pressionado a fazer coisas que você não queria fazer. Mas se você quer fazer elas, eu quero que você tenha o conhecimento, senso comum, e as ferramentas que você precisa para fazer elas em segurança. Ok?"

Rion acenou com a cabeça novamente. "Ok. Obrigado, Pai."

"Não tem de quer. Diga à Stella e ao Beetle que eu disse oi," ele disse com uma piscadela enquanto ia para a próxima sala. Rion se levantou na cozinha, incerto. Lentamente, ele pegou seu telefone e digitou uma mensagem.

Rosas são vermelhas
Violetas são azuis
Eu realmente fiz merda
Podemos conversar?

Com uma respiração profunda, ele apertou enviar.


Orion estava fazendo o que ele fazia de melhor: pensando demais nas coisas. Talvez isso tenha sido um erro. Ele enviou outro poema para a Zhet em inglês, uma linguagem terrestre, e centrada em seus próprios problemas. Talvez ele devesse se virar antes de–

A porta se abriu, Zhet de pé diante dele.

"Oi." Zhet disse claramente.

"Oi," Rion conseguiu dizer. Ele manteve suas mãos nos bolsos, se perguntando se era tarde demais para correr.

"Você pode entrar se quiser," Zhet disse, indo pro lado. Rion acenou com a cabeça, rapidamente entrando enquanto Zhet fechava a porta atrás dele.

"Obrigado," ele resmungou. Por quê sua garganta estava tão seca? Ele engoliu. "Onde estão seus pais?"

"Não estão aqui até tarde da noite. Reunião fora da cidade para o trabalho deles ou algo assim."

"Oh. Legal." Ele não tinha certeza do que falar por alguma razão. Zhet olhou para ele e gentilmente pegou seu braço.

"Vamos pro meu quarto e falar sobre coisas." Rion acenou com a cabeça e seguiu Zhet enquanto ela o levava para o quarto que se tornou tão familiar. Era o mesmo de sempre. A única coisa que ele percebeu foi um cartão de dia dos Namorados velho largado na mesa de cabeceira dela. Rion sorriu enquanto Zhet se virava para olhar para ele. "Então, o que você queria falar sobre."

Rion respirou profundamente. Era essa a hora.

"Bem, primeiro de tudo, eu só queria dizer que eu realmente, realmente, gosto de você, e eu sei que talvez não pareça mais, mas é verdade. Eu gosto de você… muito e eu só… Me desculpe, pelos encontros fracassados e as conversas desajeitadas e especialmente o silêncio. A verdade é… que você me deixa nervoso. E tipo, tudo me deixa nervoso, mas este é um bom tipo de nervoso. E eu não me importo que você me deixe nervoso. O que é estranho, mas, hum, sim. Eu gosto de você. Muito."

Zhet sorriu. "Eu gosto de você também, seu idiotinha. Eu só queria te dar espaço, com a reunião e tudo ficando complicado."

Rion franziu a testa. "Que reunião?"

"Aquela para a qual seus pais foram," Zhet continuou. Rion ainda deu nenhum sinal de que ele tinha entendido. "Eles não te contaram?" ela perguntou, franzindo a testa em preocupação. "Nossos pais foram convocados pelos membros de um comitê da Fundação. Eles não querem que a gente namore, supostamente porque eles não sabem como nossas biologias vão reagir durante a relação sexual. Eu assumi que seus pais contaram para você e que você precisava de tempo para pensar sobre as coisas antes de decidir algo, especialmente depois que seu pai nos interrompeu."

Ele sacudiu a cabeça. "Eu não fazia ideia. Eles não conversaram comigo na semana passada." Rion pensou um pouco. "Ou com o outro, realmente." Rion acenou com a cabeça, absorvendo tudo que Zhet havia dito. "Mas agora que eu sei, sabe, talvez a Fundação esteja certa! Digo, dois membros de nossas espécies tiveram sexo antes? Eu sinto que provavelmente não, mas a igreja é tão velha então quem sabe, mas mesmo assim como nossos corpos vão reagir? Quero dizer, e se eu tiver uma erupção estranha lá em baixo, ou e se meus fluídos reprodutivos te ferirem de algum modo? Quero dizer, isso sem entrar nos riscos normais do sexo–"

"Whoa, Orion, se acalme. Respire." Juntos, os dois inspiraram e expiraram, tomando um minuto para limpar seus pensamentos. "Rion, acho que isso é culpa minha. Eu tenho querido algo mais já faz um tempo, e eu não sei se era isso que você queria." Ela pegou as mãos de Rion. "Rion, nós não precisamos fazer nada que você não queira fazer, e eu gosto de você independente de se tivermos sexo ou não." Rion sorriu de volta para ela.

"Eu quero, acredite em mim. O momento não era… oportuno, aquela hora no meu quarto, especialmente quando nós fomos interrompidos."

"Bem… nós não vamos ser interrompidos agora." Rion sorriu para ela, sentindo o calor dentro de si crescer. "Toque a playlist 'Canções para o Orion'." Quando a música romântica começou, Rion se virou para a fonte, sorrindo.

"Essa é uma banda antiga da Terra," ele riu.

"Eu queria que você se sentisse confortável," ela disse como forma de explicação.

"E você tem uma obsessão com cultura da Terra," ele disse. "Idiotinha."

"Nerd."

Os dois se beijaram, apaixonados e confusos e se elevando com a música. Quando Zhet moveu Orion de lado para a cama, ele hesitou.

"Espere, eu não… Eu quero isso, eu realmente quero, mas eu não sei como isso vai funcionar," ele disse, rindo para si mesmo um pouco.

"Só me segue, e comece a improvisar quando você se sentir confortável. Ok?" Rion engoliu em seco e acenou com a cabeça.

"Ok." Os dois se beijaram de novo, de repente cientes da posição em que estavam, do que eles estavam prestes a fazer, e tudo que estava em seu caminho. Entre beijos bagunçados, Rion tirou sua camisa, e Zhet fez o mesmo. Conforme ficava mais intenso, ambos olharam para baixo. Zhet olhou para Orion, suas próprias mãos tremendo em antecipação antes de se moverem até sua cintura. Zhetsvan colocou suas mãos no cinto de Orion e com seu acenar da cabeça sem palavras ela rasgou as estrelas até que nada mais restasse das constelações, exceto pelo vasto, e decrescente espaço entre seus corpos.


O sol se levantava lentamente sobre a paisagem Marciana, a luz do sol gentilmente entrando no quarto de Zhetsvan. Na maioria das manhãs, seria isso que acordaria ela.

Mas esta manhã, seus braços estavam ao redor de um Rion muito nervoso.

"Merda!" ele sussurrou quando seus olhos se abriram. "Merda, merda, merda!" Zhet rapidamente acordou quando ele tentou escapar de seu aperto.

"O que tem de errado?" ela perguntou, sua voz cansada.

"Eu fiquei pela noite. Meus pais não fazem ideia de onde estou, e eu garanto que terei um milhão de mensagens de voz perdidas. Merda!"

"Nós pedimos ao Beetle para cobrir pela gente noite passada, se lembra?" Zhet disse, sorrindo para ele.

Ele tinha, de fato, se esquecido disso.

"Ainda assim, eu… eu não quero correr nenhum risco. Eu tenho que ir pra casa, eles poderiam perceber e…"

"Ok, ok. Vamos pegar suas roupas." Eles saíram da cama, se vestindo o mais rápido que podiam. Zhet quietamente abriu a porta, levando-o pelos fundos.

"Ola, Rion," A voz de Exiald veio do escritório. Ele se virou, mortificado, ao encontrar Exiald e Yttilier sentados na sala.

"Imagino que vocês dois tenham tido uma noite agradável," Yttilier disse, sem levantar os olhos do café.

"Sério, gente?" Zhet disse, escondendo sua cara. A mente de Rion a um milhão por hora.

"Por favor, vocês não podem dizer pros meus pais que eu passei a noite aqui," Rion implorou.

"Se acalme Rion, nós não temos intenção de fazer isso," Exiald disse, um sorriso em seu rosto.

"Nós gostamos de vocês dois juntos, se lembra?" Yttilier disse, ainda parecendo desinteressado. "Nós estamos felizes em ver que vocês dois resolveram as coisas."

"Vocês resolveram as coisas, certo?" Exiald perguntou.

Zhetsvan e Orion olharam um pro outro, e não puderam deixar de sorrir.

"Sim, nós resolvemos," Zhet respondeu. "Nós encaixamos." Rion deu a Zhet um beijo final.

"Eu vejo você depois, ok Zhet?" Zhet acenou com a cabeça enquanto quietamente abria a porta dos fundos para o Rion. O mais silenciosamente que pôde, Orion voltou para sua casa, mas logo encontrou um dilema. Ele podia entrar pelos fundos, mas isso não faria sentido se Beetle já cobriu por eles. Ele sacudiu sua cabeça. Ele não poderia viver sua vida em medo. Ele andou pela porta da frente.

"Mãe? Pai? Cheguei," Rion gentilmente falou, preocupado que ele talvez acorde Lucifer, o único dorminhoco da família. Ele ouviu barulhos de dentro da casa. "Eu passei a noite na casa do Beetle."

"Não, isso não é uma opção, eu não vou…" Esta era definitivamente a voz de seu pai. O que estava acontecendo? Ele andou pelo corredor principal para a sala de jantar.

"Mãe? Pai? O que está…" Ele viu seus pais sentados na mesa. Atrás de cada um deles havia um homem musculoso, vestido de preto. "…acontecendo?"

"Rion!" Seu pai disse. "Você tem que sair daqui! Rápido, vá!"

Rion sacudiu sua cabeça. "Eu não entendo…" ele disse, olhando para o salão da frente. Outro homem grande bloqueou seu caminho. Ele rapidamente correu para porta dos fundos apenas para ser bloqueado por outro homem.

"Rion," sua mãe disse, quase em lágrimas, "você tem que entender, eu não queria isso."

"Então você só deixou esses homem entrarem na nossa casa para uma brincadeirinha?" Daniel perguntou, com raiva.

"Não foi escolha minha!" Ela disse, pertubada.

"O que caralhos está acontecendo aqui?" Rion perguntou.

"Vá pegar suas coisas, criança. Você está indo para a EIP-17," disse o homem atrás de sua mãe.

"EIP… Estação Interplanetária… o que?"

"É um internato para garotos jovens como você," o homem explicou, mantendo uma cara séria.

"Você ouviu ele, pegue suas coisas," o homem pela porta dos fundos disse, empurrando-o em direção ao corredor.

"Ei!" Daniel gritou, rapidamente se levantando. "Não toquem a porra de um dedo no meu filho ou eu juro por–"

"Ok," Rion disse, rapidamente jogando suas mãos para cima. "Ok. Se vocês vão deixar minha família em paz, eu vou." Daniel olhou para ele, de boca aberta, como se ele não pudesse encontrar as palavras de que precisava. "É esse o negócio né? Vocês não vão parar de nos assediar até eu ir?" Teve um momento de silêncio enquanto os homens olhavam um para o outro. "Eu vou pegar minhas coisas. Eu vou com vocês. Só não machuquem eles. Me deêm um minuto para pegar tudo do meu quarto." Ele se virou para seus pais. "Pai, você poderia pegar minha carteira de identidade? E Mãe, você pode acordar o Lucifer? Eu quero dizer adeus pra ele." Os outros homens olharam para ele, suspeitando.

"Puta merda, se vocês vão sequestrar nosso filho pelo menos deixem ele dizer adeus para o irmão dele!" Daniel disse. Jess colocou sua cabeça em suas mãos, devastada.

Rion foi para seu quarto, rapidamente pegando sua mochila de viagem, artigos de higiene pessoal, roupas, documentos, e qualquer outra coisa que ele podia achar para enfiar na mochila. Parecia irônico que no momento exato em que ele decidiu parar de se preocupar, tudo foi à merda. Mas esta era a utilidade da ansiedade, e agora estava servindo bem para ele enquanto ele permanecia estranhamente calmo. Ele pegou a mochila e saiu de seu quarto onde seu pai estava esperando ele com sua carteira de identidade. Ele pegou a carteira e abraçou seu pai o quão forte podia.

"Te amo, Pai."

"Não se preocupe, nós vamos dar um jeito. Eles não vão te tirar de mim," seu pai disse, prometendo uma recuperação. Sua mãe veio do quarto de Lucifer, seguida de Lucifer em pessoa.

"Por quê você me acordou tão cedo?" Ele reclamou. Lucifer olhou para os homens, e então para sua mãe. "O que está acontecendo?"

Rion respirou profundamente. "Parece que eu vou embora por um tempo," ele disse, tentando manter uma voz firme. Lucifer se virou para ele em descrença. "Eu não sei quanto tempo vai demorar até eu poder ver você de novo. Desculpe por ter te acordado, eu sei que foi egoista. Mas eu tinha que dizer adeus."

"Não," Lucifer disse com horror crescente, "isso não pode ser real."

"Eu sei que você vai se lembrar de vestir sua camiseta, então não preciso te lembrar disso. Mas você precisa parar de usar aquele binder tanto, você vai se machucar."

"Mas é por isso que eu mantenho você por perto," Lucifer riu assim que ele disse isso. "Então eu não preciso me lembrar disto, para que você possa me lembrar."

Rion sacudiu sua cabeça. "Não mais. Diga ao Beetle e à Stella adeus por mim. E diga à Zhets que vou sentir falta dela tanto. Ok, Luke?"

Os olhos de Lucifer se arregalaram. Ele acenou com a cabeça lentamente. "Eu entendo."

Rion riu. "Eu amo você, panaca." Ele abraçou seu irmão mais novo, que rapidamente abraçou de volta.

"Você tem certeza?" Lucifer rapidamente sussurrou no ouvido de seu irmão.

"Eu tenho," Rion sussurrou de volta. Ele finalmente soltou Lucifer e se virou para sua mãe.

"Rion, você tem que acreditar em mim, eu não queria isso, eu não pedi por isso, eu não planejei isso, eles só entraram e…" ela disse entre lágrimas.

"Eu sei, Mãe, essa só tem sido uma semana maluca." Ele abraçou ela, pegou sua mochila, e sem nenhuma outra palavra, saiu de casa com os quatro homens. Os três membros restantes da família permaneceram lá em um silêncio chocado.

"Eu… Eu preciso descansar," Lucifer disse, fechando a porta de seu quarto. Os pais ouviram fecha-la por dentro.

"Era isso que você queria, Jess?" Daniel sussurrou.

"Dan, eu não… eles só entraram, o que eu deveria fazer?" ela disse.

"Você deveria ter lutado por eles," Daniel disse, se virando de costas para ela e indo para o quarto deles, batendo a porta atrás de si. Nenhum som podia ser ouvido pela casa, além das lágrimas de Jess batendo no chão enquanto ela ia em direção à sala de jantar para contemplar o que acabara de acontecer.

Lucifer removeu seu ouvido da parede. Nenhum dos pais podia ouvis suas atividades agora. Ele tinha que agir rápido. Ele pegou o telefone da mesa de cabeceira, discando rapidamente um número.

"Atende, atende," ele murmurou. De repente, a linha conectou. "Zhet? Aqui é o Lucifer. Ouça, você tem que sair dessa casa. Alguns caras grandes assustadores acabaram de levar o Orion." Teve uma pausa enquanto Zhet processava o que ouviu.

Lucifer respirou fundo.

"Ele ativou o protocolo Luke."


Exiald abriu a porta da frente.

"Jess! Que surpresa amável!" Ela disse, um sorriso em seu rosto. Mas Jess não olharia ela no rosto.

"Espero que você me perdoe por vir sem avisar. Eu esperava poder entrar?"

"Mas é claro!" Ela disse, gesticulando para ela entrar. "Gostaria de algo para beber?"

"Não, tudo bem."

"Um absurdo! Deixe-me te dar pelo menos um pouco de água. Me siga até a cozinha." Jess fez conforme lhe foi instruído, ainda não olhando para cima. Exiald conversava alegremente enquanto ela a levava de volta e pegava água para ela.

"Obrigada, Exiald. Olá, Yttilier."

"Olá, Jess. Como está você?"

"Já estive melhor," Jess admitiu. "Na verdade, eu estava me perguntando se Zhetsvan estava em casa?" Os dois pais olharam para ela, compartilhando uma conversa silenciosa com seus olhos. "Eu tenho certeza que ela ouviu sobre o que aconteceu com Orion, e eu só queria… bem, me explicar. O que realmente aconteceu antes dele ser levado."

"Jess," Yttilier disse, "Zhetsvan se foi."

Jess virou sua cabeça. "O que você quer dizer?"

"Ela fugiu," Exiald explicou. "Aparentemente, Zhets e Rion fizeram um plano para caso algo de ruim acontecesse. Ambos tinham dinheiro guardado e escolharam um local de reunião."

"Espere, um plano de fuga? Mas isso quer dizer…"

"Que Rion está bem," Yttilier disse, um sorriso raro cruzando seu rosto. "Da última vez que ouvimos de Zhet, ele se encontrou com ela em seu local de reunião. Eles estão vivendo na casa de um amigo mútuo, eles estiveram se comunicando com este amigo por meses caso algo como isso acontecesse."

"Oh… ele está bem… eles estão bem, juntos…" Jess sentia lágrimas em seus olhos.

"Jess, você está bem?" Exiald perguntou. De repente, Jess não aguentou mais, e ela começou a chorar com a força de uma emoção impossível de descrever. Exiald rapidamente colocou seu braço ao redor de Jess para confortá-la. "O que está errado?"

"Eu fiz isso a ele," Jess disse. "Eu fiz ele se sentir como se ele não pudesse ficar com a Zhet enquanto ele estava vivendo conosco, eu afastei ele!"

"Você não fez nada, Jess," Yttilier tranquilizou ela. "Você não chamou os homens que levaram Orion embora. Você não tentou levar ele para aquele internato. Você só foi pega no caos e confusão do relacionamento deles, a reunião, as ameaças, é difícil de te culpar por isso."

"Mas Daniel me culpa. Eu acho que ele vai me odiar pelo resto de minha vida."

"Não é verdade," Exiald disse. "Ele só está com raiva e triste por perder seu filho. Ele vai ter perdoar com o tempo. Mas você não pode controlar isso, você não pode fazer ele te perdoar."

"Então o que eu deveria fazer? Como eu devo parar de me sentir tão ruim?"

"Você vai descobrir como se perdoar," Yttilier disse, um sombrio sentimento de simpatia em sua voz. Exiald segurava Jess enquanto ela chorava até que ela não pudesse mais chorar.


"O plano deu certo sem problemas! Muito bem feito, Lu," Rion disse para o telefone. "Seong-Jin queria que eu falasse oi, por falar nisso."

"Diga a ele que eu disse oi de volta. Nós precisamos conversas logo. Já sobre dar certo sem problemas, eu não sei… Eu poderia trabalhado mais rápido, ou encontrado uma maneira mais sofisticada de tirar os guardas de você," Lucifer respondeu.

"Não, está brincando? Eles não fazem ideia do que atingiu eles, e eu já estava na nave para Nova Seul pelo tempo que eles perceberam que algo estava errado. Você é um gênio hacker."

"Bem, disso eu sabia." Lucifer pausou. "Ei, hum, me desculpe por aquilo que eu disse no outro dia sobre sua ansiedade. Eu só…" Ele suspirou. "Normalmente eu vejo sua ansiedade entrando no caminho. Prevenindo você de curtir sua vida. E eu só concordei em ajudar inicialmente porque eu nunca imaginaria que você realmente precisaria fugir de casa."

Rion olhou para baixo. "Sim. É uma merda quando seus piores medos se tornam reais. Mas quero dizer, este é o lado bom da ansiedade. O pior acontece, e você acha que vai ser o fim do mundo. Mas não é. E você fica agradavelmente surpreendido não importa o que aconteça, porque é sempre melhor do que você pensa que será."

"Eu acho. Ei, posso te perguntar uma coisa? Eu sei que Luke era o código, mas por quê você chamou isso de protocolo Luke? Eu tive quase nada a ver com isso."

Rion sorriu. "Não foi nomeado para você. Lunar Korea. L-u-K. Luke."

"Oh meu deus, você é um idiota maior do que eu imaginava," resmungou Lucifer. Teve uma curta pausa, e então uma inalação rápida. Lucifer abaixou sua voz. "Tenho que ir agora, Mãe e Pai. Promete que vamos conversar em breve?"

"Claro. Diga ao Beetle e à Stella que eu disse oi."

"Dou o meu melhor para a Zhets."

"Ok. Espere, eu quase esqueci!"

"O quê?"

"Não se esqueça de tirar seu binder!"

"Vá se foder, bundão." Lucifer disse, rindo enquanto ele desligava. Rion sacudiu sua cabeça, olhando para a metrópole lunar subterrânea. Era nada como a paisagem Marciana sobre a qual ele cresceu. E neste momento, era a coisa mais bonita que ele já viu.

"Eu acho que isso é tudo que você precisa saber," Seong-Jin disse, levando Zhet de volta para a sala principal. "Tem certeza que vocês dois vão ficar confortáveis aqui?"

"Está brincando? Isso é perfeito," Orion disse, maravilhado com a casa de hóspedes. "E a vista é linda." Ele olhou pela janela de novo. Seong-Jin sorriu.

"Bem, estou feliz que você ache isso."

"Realmente, Seong-Jin, você não faz ideia do quanto isto significa pra gente," Zhetsvan disse. "Não muitas pessoas seriam gentis o suficiente para deixar pessoas que eles nunca conheceram ficarem em casa indefinidamente."

"Sobre o que você está falando Zhet? Claro que já nos conhecemos. Só porque foi online não faz disso real," ele disse, sorrindo. Seu sorriso rapidamente se tornou hesitante. Sua voz abaixou em tom. "Eu sinto muito sobre o que aconteceu com vocês. Mas sob o risco de soar terrível, eu estou realmente feliz de ver vocês na vida real, mesmo se sob estas circunstâncias." Os dois sorriram para ele.

"Nós estamos felizes em te ver, também," Zhet respondeu.

"Eu prometo, nós vamos pagar aluguel assim que nós pudermos. Eu comecei a procurar por trabalhos aqui semanas atrás, e eu acho que tem algumas posições para pessoas com nossas habilidade," Rion disse, excessivamente grato.

"Nem pense em aluguel, ok? Eu só estou feliz de ter amigos realmente usando a casa de hóspedes. Foque em se levantar primeiro. Depois, porém, depois de vocês terem tempo para processar tudo," Ele sorriu para eles, um momento de conexão entre pessoas que nunca se encontraram mas que conhecem uma à outra já. "Bem, eu vou deixar vocês pombinhos descansarem um pouco. Foi uma semana maluca para vocês," ele disse, saindo da casa. "Mas vocês vão se juntar a mim para o jantar?"

"Claro," Rion disse.

"Obrigada, Seong-Jin," Zhet disse quando o homem saiu pela porta. Os dois ficaram lá no quarto vázio. Eles olharam um pro outro, então pela janela. "Estranho o quão rápido as coisas podem mudar."

"Sim," Rion concordou.

"Você se preocupa se isso foi um erro?" Zhet perguntou, mais por curiosidade do que qualquer outra coisa.

"Não," Rion respondeu, confiante. "Você e eu estamos juntos. Qualquer coisa que leva a isso não pode ser um erro." Zhet se virou para ele, vendo ele despreocupado possivelmente pela primeira vez. Ela puxou o rosto dele para perto do seu próprio, beijando ele suavemente. Rion beijou de volta com mais intensidade.

"Você sabe," Zhet disse entre beijos, "Eu não acho que eu conseguirei descansar."

"Oh?" Rion perguntou, indo até a cama. "O que você propõe que façamos então?

"Eu tenho algumas ideias," ela disse, sorrindo. Rion riu.

"Toque a playlist 'Segundo Contato'," Rion disse. A música romântica começou a tocar e Zhet riu.

"Segundo contato? Por Rakmou-leusan você é um idiota," ela disse, empurrando ele para a cama.

"Você sabe que você ama. Idiotinha."

Com um beijo, a música aumentou e, naquela noite, os dois formaram um vínculo entre suas espécies que jamais poderia ser quebrado.

Pela segunda vez.

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