Velocidade Terminal
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A sala gira em sua visão, colorida de roxo e rosa. A cama é luxuosa e cheira a sexo e más decisões. Um menino nu deitado à sua esquerda corre os dedos pelo seu peito.

"Ei. Rookie. Acorde!"

Você pisca e rola sonolenta, mas um par de mãos macias empurra você sobre suas costas. A irmã gêmea do menino se planta em seu peito e cutuca seu nariz. "Acorde! Algo grande está acontecendo."

"…algo grande?"

"grande como um roubo," o menino responde. "O trem chegou cedo. Eu não sei como perdi ele, mas perdi. Eu vou pegar suas ferramentas. Enquanto isso, vá pro chuveiro, rapidinho, cinco minutos. Você cheira a sexo e más decisões."

É muito cedo para pensar em qualquer coisa além no que a cama é melhor. Ela é dolorosamente convidativa, assim como a dupla descansando nela… mas a ganância vence a luxúria.

"…Ok."

Você tira a garota de cima de você, rola para fora da cama, anda desajeitadamente para o chuveiro e o deixa lavar a decadência da noite anterior. Você se seca, veste suas roupas, e verifica seus bolsos. Ainda há dois comprimidos no bolso desta jaqueta de motocicleta. Você bebe da torneira. Você engole as duas. A ressaca se foi, a visão está mais nítida, a mente dispara e tudo cheira a fumaça, mas é uma fumaça doce e enjoativa que te enche de euforia, então você sai da sala, salta sobre o corrimão -

- e aterrissa atrás do volante de um Trans Am amarelo. De onde ele veio? Como você arrumou as chaves? Quem colocou seu equipamento no assento da espingarda? A resposta, como sempre, é o Inside Man. Seu objetivo está firmemente fixado na linha de frente de seus pensamentos - provavelmente um feito dele também, ele sabe que você odeia quando ele faz isso, então deve ser hora de fazer ou morrer.

A chave desliza suavemente na ignição e você se deleita com o zumbido gutural do motor turbinado do Trans Am. Você sai rugindo do beco e o velocímetro atinge 100 km/h em apenas um segundo. Mas isso não te levará aonde você precisa ir. Ainda não.

Você desvia do transito. Abre sua bolsa. Retira os saquinhos de pó chartreuse. Retira o saquinho de tangerina em pó. Espalha eles em uma mistura no painel. Inala a mistura de demônios esmagados de uma só vez. Seu pé bate na embreagem. Sua mão envolve o bastão. Você engata uma marcha com um clique satisfatório e então bate com os dois pés no acelerador.

O motor uiva enquanto mistura e digere o coquetel de sexo, drogas e demônios dentro do seu cérebro. A transmissão se transforma de metal em osso e range ao mudar para um câmbio enriquecido com cálcio. O banco do motorista é uma coluna vertebral. O escapamento está gritando de dor. Os pneus estão sangrando. O volante está piscado. O Am está amaldiçoado.

Não há mais nada neste mundo além de sangue e vísceras, e sua carona quer mais. Ele pode sentir sua presa no ponto onde os horizontes se encontram. As garras metafóricas do Trans Am cortam a malha entre as realidades e ele se enfia no ponto fraco entre os mundos. Sua visão se enche com as cores do arco-íris e então elas desaparecem, substituídas pelas cores de uma estrada de aço rumo ao céu.

À distância, uma única ferrovia prateada corta a terra de aço. Nela, uma máquina cromada corta uma silhueta em forma de bala contra o céu laranja a centenas de quilômetros por hora. É o filho amoroso de um Rolls-Royce e de um caça a jato projetado por alguém com tesão por Júlio César. Tem até aletas no topo.

Este é o Phitransimun Combine, livre das restrições do tempo e da distância em qualquer universo. Ele é uma artéria entre o mundo da paraciência e o mundo da Alexylva, transportando homens, máquinas, metais preciosos e magia além dos sonhos mais selvagens.

Você quer o que ele tem. O Am quer o que ele é. E vocês dois vão se esforçar além do limite para se apoderarem dele.

Não há oxigênio no ponto fraco do universo. Mas isso não importa. O verdadeiro motor está em seu tórax, abaixo de seu pulmão esquerdo: uma esfera vermelho-sangue do tamanho de um punho bombeando gasolina em suas veias e regulando as substâncias diabolicamente tóxicas que você engole como doces. Ele abastece seu corpo e seu veículo. Você está funcionando com a força do inferno agora - o céu é o limite.

O vento golpeia seu casaco enquanto o Am anda pela planície, pneus guinchando para se firmar no metal liso. Você estica a mão em direção ao banco do passageiro e envolve seus dedos em torno de uma besta de repetição de fibra de carbono. Seu cartucho é translúcido e cheio de flechettes roxos. Tem um botão no topo dele.

O Am chega ao nível do trem e você se inclina para fora da janela, mirando no vagão de carga. O vento ameaça arrancar a besta de sua mão, então você terá que trabalhar rápido. Você esvazia o pente na lateral do vagão - há um recuo surpreendentemente pequeno, mas é o suficiente para arrancar a arma de suas mãos de qualquer maneira. Você reserva um momento para vê-la desaparecer bem atrás de você.

Por sorte, você ainda tem o cartucho em sua mão.

Você aperta o botão.

Os flechettes brilham com um violento brilho violeta e imediatamente cessam de ser afetadas por todo movimento neste plano de existência. Com um guincho violento, as paredes do trem se dobram e se despedaçam enquanto elas tentam em vão contornar as flechas presas no espaço.

O rugido de um motor de metal comum se faz ouvir acima dos rosnados guturais do Trans Am. Você os vê pelo retrovisor: um bando de jipes, cada um com uma insígnia romana. A Alexylva aparentemente atualizou sua cavalaria para a era moderna. Apesar dos melhores esforços do Am, a Cavalaria a alcança em pouco tempo.

Não há tempo para descobrir como - o jipe diretamente à sua direita tem uma torreta montada, e no espelho você pode ver algo subindo nela. No momento seguinte, seu cérebro estremece com o datdatdatdatdat de balas de meia polegada ansiosas por seu sangue. Você pisa no freio e desvia para a direita, esquivando-se de uma rajada de tiros enquanto busca no banco do passageiro por algo para retornar o favor.

Seus dedos sondadores envolvem o cano de uma espingarda - tem um MP3 player montado em uma doca acima da mira de ferro. Onde o cartucho de bateria deveria estar, tem um cérebro em uma jarra. Não há nenhuma maneira de você poder atirar isso com um braço, mas é para isso que servem as pílulas Atlach-Nacha. E então você se lembra de que você está totalmente sem pílulas.

Então você improvisa.

O Trans Am guincha enquanto as balas perfuram sua carne, mas ele continua andando. Você muda de marcha, pisa no freio e vira perpendicularmente em direção ao jipe com a torreta. O atirador não está esperando por isso e sua mira demora para acompanhar. A segundos de colidir com o jipe, você completa a curva, engata a ré e pisa no acelerador.

Com a torreta agora à sua esquerda, você solta o volante e se inclina para fora da janela, as duas mãos na espingarda. Você reserva um breve momento para escolher uma música e então dispara duas vezes. O atirador - um legionário cor de bronze em uma armadura de bronze bizarramente anacrônica - parece surpreso por um momento antes das lesmas psíquicas embutidas em seu subconsciente lhe dizerem que ele deveria ser um salmão. Ele solta a arma e começa a se mexer na torreta montada como um peixe fora d'água.

O motorista, vestindo a mesma armadura antiquada, parece surpreso quando o atirador para de atirar.

Então ele improvisa.

O jipe vira para a esquerda e se choca com o Trans Am, fazendo você girar e jogando a espingarda no banco de trás. Você sente um pneu estourar enquanto o Am gira fora de controle, seu guincho de dor ecoando em seu cérebro. O pneu seria um problema mesmo se o Am não estivesse vivo; do jeito que está agora, seus 305 cavalos demoníacos estão correndo com as pernas quebradas. Você é capaz de recuperar o controle, mas o Am está aleijado agora. Ele é a sua única passagem de volta para sair da terra de aço - se o Am morrer, você também morrerá.

Ninguém vive para sempre. Certamente não seus eus alternativos. Você enfia a mão na bolsa para pegar as coisas boas. No fundo, enterrado sob os saquinhos e as pílulas, está um autoinjetor modificado cheio de minúsculos gafanhotos de neon que se agitam contra o plástico. Não há tempo para nada sofisticado - você abre o autoinjetor e o enfia no pescoço.

Sua visão se torna quádrupla; seus membros se tornam um borrão. Com sorte isso significa que está funcionando, mas realmente não há motivo para se preocupar com isso agora. Ou isso funciona ou vocês todas estão mortas. À medida que o Expresso se afasta cada vez mais para longe, você enfia a mão no porta-luvas e pega um canivete.

Você corta sua própria garganta.

No momento em que a lâmina toca a carne, seu corpo se dividi em quatro Rookies simultaneamente ocupando o mesmo espaço, violando as mecânicas quânticas básicas por meio das vontades do inferno. Uma de vocês gargalha e espasma com sangue escorrendo de sua carótida - o resto de vocês força desesperadamente o corpo para fora do banco do motorista e para o banco da espingarda. Então você começa a trabalhar, forçando o braço dela na boca aberta do console central. O Am se anima quando sangue vaza para dentro de seu motor - não o suficiente para curar o pneu, mas suficiente para mantê-lo funcionando.

Você aciona a embreagem e luta com os freios e o volante, o tempo todo mantendo uma das mãos na porta e procurando a arma mais próxima - uma M1911 - que suas mãos conseguem encontrar. O Am fica no nível do jipe da frente e vocês três encaram o passageiro. Então você chuta a porta do Trans para abri-la e pula na direção dele. O vento bate em você como um martelo - mas você é capaz de agarrar o batente da porta e apoiar seus pés contra ele.

Você olha pela janela do passageiro e atira no rosto do ciborgue. Nada acontece.

O motorista olha para você por um momento e volta a se concentrar na estrada de aço. O passageiro olha para você, levanta um rifle e então começa a se contorcer. O bronze cai dele em flocos e pedaços. Em segundos, um homem pálido e nu está sentado perplexo no banco do passageiro. O rifle está a seus pés.

Você não perde a oportunidade. Uma das vocês dá um soco na cara dele. Uma das vocês abre a porta. Uma das vocês pega ele pelo colarinho e o puxa para fora do assento, jogando-o sob as rodas do Trans Am. Então você entra no veículo. O motorista toma seis botas de engenharia no rosto, jogando-o pela porta e para fora do jipe.

Você senta no assento do motorista e pisa no acelerador, saindo à frente do seu confiável Trans Am e acelerando em direção ao seu alvo. Balas de meia polegada batem contra o jipe, mas ele é feito para durar. Em segundos, você está pescoço a pescoço com o trem. Em seu rastro, o Trans Am te segue - arrastado por seu corpo enquanto tenta se reunir com você.

O buraco no trem parece grande o suficiente para pular. Então você abre a porta com um chute e vocês se jogam nas bordas de metal irregulares do buraco, transformando seus dedos em tiras ensanguentadas. Vocês conseguem se puxar para cima e tomam um momento para sugar o sangue de seus dedos - arde pra cacete, mas um pouco de bebida vai limpar isso. Como um, vocês soltam os frascos em seus quadris e tomam um gole. Então vocês olham ao redor.

O vagão está vazio, com paredes de metal nuas. Você examina a sala mais uma vez e então sai correndo pela porta deslizante.

Assim que você entra no próximo vagão, um par de facas se cravam em seu cérebro e a deixam de joelhos. Com os olhos semicerrados, você pode ver um autopsiante na frente do vagão. Ele olha para você pacientemente através de olhos azuis sem pálpebras, embutidos na parede do tronco para baixo. Seu cérebro está suspenso em um frasco de líquido verde montado acima de seu rosto pálido e emaciado.

Sua cabeça parece que está prestes a explodir, então você arranca o capacete para aliviar a pressão. No fundo de sua mente, você pode sentir o psiante trabalhando a vontade dele em seu corpo. Ele quer que você se submeta. Ceda. Render-se é fácil. Render-se é uma benção. Render-se é uma êxtase. Como se por si só, o seu braço começa a se mover em direção à arma em seu bolso de trás.

O psiante continua a sussurrar em sua mente, enchendo sua cabeça de dor e prazer em rajadas alternadas. A dor está apertando seu cérebro até parecer que matéria cinzenta está pingando de seus ouvidos. O gosto acre de ferro do sangue enche sua boca. O psiante sussurra para você mais uma vez, enchendo seus pensamentos com uma única palavra: se renda.

Mas você não é do tipo que se rende. Você é o barril de pólvora irritado juntando calor - e as ligações psíquicas são bidirecionais. Sua mão surge com um Derringer de plástico preto e você o coloca na cabeça. E então você atira.

A bala que sai do Derringer derrete na lateral de sua cabeça, se tornando uma onda hiperativa de eletricidade passando por seus neurônios até encontrar o caminho eletromagnético entre você e o psiante e retornar ao remetente. Os olhos do psiante se arregalam enquanto uma bala calibre .41 explode de seu cérebro e ricocheteia no interior de seu frasco à prova de estilhaçamento, espalhando o que sobrou.

Verdade seja dita, você estava guardando aquela para o Inside Man.

Você olha para baixo e percebe que seus sintomas não eram apenas psicossomáticos. Uma das vocês está esticada no chão do vagão. Há algo cinza vazando de seu nariz e sangue escorrendo de seus olhos vidrados.

Vocês desviam seus olhares e tomam dois goles de seu frasco. Então vocês colocam o capacete de volta e entram no vagão-cofre.

O vagão-cofre está carregado de riquezas. Pinturas de valor inestimável estão penduradas nos espaços não cobertos por cofres. Os próprios cofres são de cristal transparente, cheios de ouro e joias. Prateleiras de metal maciças pontuam a sala, forradas com grimórios inestimáveis. A riqueza absoluta em exibição reveste o carro com um brilho dourado fraco. Vocês se sentem impuras apenas por estar no meio dessas riquezas.

Você e sua duplicata quebram alguns cofres e os libertam de seus tesouros, mas eles não são realmente o que vocês vieram buscar. Vocês estão atrás de algo muito mais valioso - informações. As prateleira são limpas de seu conteúdo e, no fundo do vagão, vocês encontram uma fileira de servidores de computador. É muito mais fácil simplesmente enfiá-los todos em um espaço de bolso para o Inside Man resolver depois do que tentar fazer o download de qualquer coisa você mesma.

É só depois de limpar o vagão-cofre de suas riquezaas que a adrenalina passa e vocês se lembram de algo importante: o Trans Am perdeu um pneu. Não há como ele levar dois de você - especialmente não dois de você — para fora do ponto fraco do Phitransimun.

A faca entra em sua barriga antes que seu cérebro alcance seus reflexos. Você cambaleia e percebe que vocês se desassociaram por completo - seu clone acabou de tentar te matar. Enquanto ela tenta chegar ao Trans Am, a você verdadeira tem que lidar com a lâmina em sua barriga. Supondo, é claro, que você seja a verdadeira você. Claro, se você se matar, não terá que se preocupar se é a você de verdade. Mas você já sabia disso - é por isso que há uma faca em sua barriga.

Você drena o frasco do quadril e dá um momento para ele afogar seu sistema nervoso sensorial. Então você arranca a lâmina do ponto onde ela está enterrada em seu estômago e começa a correr.

A Rookie acabara de sair do vagão-cofre quando você a derruba por trás e tentar arrancar seu capacete. Ela rola, joga você de cima e tira o fôlego de você com um chute na barriga. Enquanto você respira fundo, ela vai até o final do carro do psiante e abre a porta.

Do outro lado da porta, parado no conector de vagões, está um pequeno exército de legionários ciborgues. Os dois grupos se encaram por um momento antes da Rookie escalar uma escada próxima até o topo do vagão. Os legionários estão prestes a segui-la quando você aparece na porta. Eles param surpresos; você vê a escada e tira vantagem dela.

O telhado é um material pérola polido cujas bordas se curvam para baixo como uma bala. Aletas grossas de metal pontilham o telhado, seus corpos em forma de cunha cortam o vento brutalmente frio atingindo você como um martelo. A Rookie já está lá em cima, agachada atrás dos lados planos das aletas e correndo entre elas para evitar ser arrastada do telhado. Ela se vira e vê você; o reflexo do seu capacete é visível no dela.

Muitas pessoas podem atestar que se odeiam, mas provavelmente não querem dizer tão literalmente assim. Você corre na direção da vadia e mergulha na cintura dela. Vocês duas se chocam contra uma aleta e você vê estrelas. A Rookie está pior, no entanto - ela tomou todo o impacto. Enquanto ela está deitada atordoada, você monta em seu peito e começa a envolver o pescoço dela com os dedos.

Ela te dá um soco na barriga, bem onde a lâmina ainda está alojada, e o mundo fica branco. Quando sua visão retorna, o jogo virou - a Rookie agora está escarranchando em seu peito e tentando torcer seu pescoço. Sua respiração fica presa na garganta e sua visão se estreita.

Raios de plasma são lançados através do ar, cortando na frente do rosto da Rookie e a forçando a sair de cima de você. Vocês duas olham para a parte de trás do vagão, onde alguns ciber-romanos subiram a escada e agora estão atirando em vocês com rifles de energia. A Rookie compartilha um olhar com você - se alguém vai te matar, esse alguém será você. Mas, a essa altura, só lhe resta o que está em seus bolsos.

Você corre para o lado da aleta e mexe nos bolsos de sua jaqueta de motocicleta. Sua mão se fecha em torno de um pequeno injetor de epinefrina cheio de lama roxa escura; com alguns toques rápidos, a lama sobe e se transforma em um homem com cabeça de cachorro e cauda de escorpião. Você e a Rookie agitam seus injetores para reduzir as quimeras de volta a uma lama violeta e os injetam em seus pescoços. Então vocês dão um soco.

Sua mão pega um atalho através de outro universo, mergulhando em um portão infernal e então voltando para se conectar com o rosto de um legionário. O legionário tropeça para trás e tomba para fora do trem, levando dois de seus camaradas com ele. Você pega o rifle dele no ar e tenta evitar pensar em como seu braço parece um fio de espaguete na viagem de volta. No instante em que o rifle atinge suas mãos, você gira e mira na Rookie, apenas para encontrar um rifle de plasma nas mãos dela também.

Mais raios de plasma passam pelo ar e você faz um acordo tácito consigo mesma para focar nos outros caras maus primeiro. Vocês duas começam a atirar da sombra das aletas; com o vento em suas costas e nos rostos deles, vocês acabam com as tropas da Alexylva. No instante em que o último ciborgue cai, você se volta para a Rookie e aperta o gatilho.

A arma emite um sinal sonoro, mas não faz mais nada - e um punho espacialmente tesselacionado te envia girando para fora do abrigo da aleta. O vento te pega e te manda caindo de ponta a ponta. Desesperadamente, você joga os braços para fora e consegue se agarrar em uma borda áspera do telhado liso.

O vento sopra em você enquanto você fica suspensa no espaço vazio, suas mãos lutando para se equilibrar a cinco metros de distância no trem. A Rookie se aproxima com cautela - ela é astuta, e ela sabe disso. Ela para a menos de um metro de suas mãos e está prestes a pisar em sua mão direita quando vocês ouvem um rugido familiar.

O Trans Am finalmente conseguiu alcançar vocês - e ele está correndo ao longo do seu lado do trem. O pneu até parece novo em folha; ele poderia provavelmente levar vocês duas para casa. Mas vocês já passaram do ponto de cooperação neste ponto e você sabe disso. A Rookie nem hesita - ela dá um salto voador do telhado no mesmo momento em que você libera seu aperto mortal sobre ele.

Vocês duas colidem no ar e é ai que você puxa o que restou da faca e a enfia na lateral do pescoço dela. Vocês duas caem no telhado do Trans Am e você a chuta para fora. Ela cai na estrada de aço, arranhando a garganta enquanto você se segura no Trans Am para se salvar. Quando a Rookie está fora de vista, você desliza para o banco da frente e esfrega o volante. O Trans Am pisca e emite um ronronar satisfeito. Tudo que resta do cadáver no banco do passageiro é um esqueleto meio dissolvido em uma jaqueta de motocicleta.

Com a barriga cheia, o Trans Am se afasta do Phitransimun Combine. Ainda há alguns jipes no espelho retrovisor, mas eles pouco preocupam a máquina viva. As garras metafóricas do Am cortam a malha entre as realidades e ele se ergue para fora do ponto fraco entre os mundos. Sua visão se enche com as cores do arco-íris e então elas desaparecem, substituídas pelo cinza suave de uma estrada de asfalto sob um céu nublado da Terra.

Trinta minutos depois, você cambaleia para dentro do esconderijo, descendo do alto e agudamente ciente de que uma lâmina utilitária está enterrada em sua barriga. O Inside Man está, como de costume, estacionado no sofá assistindo a algum filme de ação estúpido na televisão. Ele pausa o filme e se vira para olhar para você quando ouve seus passos.

"Então? Como foi?"

Você rasga o espaço do saque perto do chão e uma pilha de servidores de computador cai. O Homem parece satisfeito.

"Bacaaaana. Bacana bacana bacana. Eu conheço um monte de gente que vai desembolsar uma fortuna pelo material desses discos. Sabia que você conseguiria, Rookie."

Você não tem paciência para corrigi-lo, especialmente agora que os efeitos do frasco do quadril estão passando. Você só quer desabar no chão, mas há muito para fazer - você precisa apaziguar a coisa que vive dentro do seu motor de peito, você precisa reabastecer sua mochila, e você precisar consertar sua barriga. Isso vai levar a noite toda.

Mas ei. Isso é apenas parte da diversão.


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