O Dilema da Doutora
O Dilema da Doutora
By: L200L200
Published on 05 Feb 2022 12:36
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What this is

A bunch of miscellaneous CSS 'improvements' that I, CroquemboucheCroquembouche, use on a bunch of pages because I think it makes them easier to deal with.

The changes this component makes are bunch of really trivial modifications to ease the writing experience and to make documenting components/themes a bit easier (which I do a lot). It doesn't change anything about the page visually for the reader — the changes are for the writer.

I wouldn't expect translations of articles that use this component to also use this component, unless the translator likes it and would want to use it anyway.

This component probably won't conflict with other components or themes, and even if it does, it probably won't matter too much.

Usage

On any wiki:

[[include :scp-wiki:component:croqstyle]]

This component is designed to be used on other components. When using on another component, be sure to add this inside the component's [[iftags]] block, so that users of your component are not forced into also using Croqstyle.

Related components

Other personal styling components (which change just a couple things):

Personal styling themes (which are visual overhauls):

CSS changes

Reasonably-sized footnotes

Stops footnotes from being a million miles wide, so that you can actually read them.

.hovertip { max-width: 400px; }

Monospace edit/code

Makes the edit textbox monospace, and also changes all monospace text to Fira Code, the obviously superior monospace font.

@import url('https://fonts.googleapis.com/css2?family=Fira+Code:wght@400;700&display=swap');
 
:root { --mono-font: "Fira Code", Cousine, monospace; }
#edit-page-textarea, .code pre, .code p, .code, tt, .page-source { font-family: var(--mono-font); }
.code pre * { white-space: pre; }
.code *, .pre * { font-feature-settings: unset; }

Teletype backgrounds

Adds a light grey background to <tt> elements ({{text}}), so code snippets stand out more.

tt {
  background-color: var(--swatch-something-bhl-idk-will-fix-later, #f4f4f4);
  font-size: 85%;
  padding: 0.2em 0.4em;
  margin: 0;
  border-radius: 6px;
}

No more bigfaces

Stops big pictures from appearing when you hover over someone's avatar image, because they're stupid and really annoying and you can just click on them if you want to see the big version.

.avatar-hover { display: none !important; }

Breaky breaky

Any text inside a div with class nobreak has line-wrapping happen between every letter.

.nobreak { word-break: break-all; }

Code colours

Add my terminal's code colours as variables. Maybe I'll change this to a more common terminal theme like Monokai or something at some point, but for now it's just my personal theme, which is derived from Tomorrow Night Eighties.

Also, adding the .terminal class to a fake code block as [[div class="code terminal"]] gives it a sort of pseudo-terminal look with a dark background. Doesn't work with [[code]], because Wikidot inserts a bunch of syntax highlighting that you can't change yourself without a bunch of CSS. Use it for non-[[code]] code snippets only.

Quick tool to colourise a 'standard' Wikidot component usage example with the above vars: link

:root {
  --c-bg: #393939;
  --c-syntax: #e0e0e0;
  --c-comment: #999999;
  --c-error: #f2777a;
  --c-value: #f99157;
  --c-symbol: #ffcc66;
  --c-string: #99cc99;
  --c-operator: #66cccc;
  --c-builtin: #70a7df;
  --c-keyword: #cc99cc;
}
 
.terminal, .terminal > .code {
  color: var(--c-syntax);
  background: var(--c-bg);
  border: 0.4rem solid var(--c-comment);
  border-radius: 1rem;
}

Debug mode

Draw lines around anything inside .debug-mode. The colour of the lines is red but defers to CSS variable --debug-colour.

You can also add div.debug-info.over and div.debug-info.under inside an element to annotate the debug boxes — though you'll need to make sure to leave enough vertical space that the annotation doesn't overlap the thing above or below it.

…like this!

.debug-mode, .debug-mode *, .debug-mode *::before, .debug-mode *::after {
  outline: 1px solid var(--debug-colour, red);
  position: relative;
}
.debug-info {
  position: absolute;
  left: 50%;
  transform: translateX(-50%);
  font-family: 'Fira Code', monospace;
  font-size: 1rem;
  white-space: nowrap;
}
.debug-info.over { top: -2.5rem; }
.debug-info.under { bottom: -2.5rem; }
.debug-info p { margin: 0; }
/* source: http://ah-sandbox.wikidot.com/component:collapsible-sidebar-x1 */
 
#top-bar .open-menu a {
        position: fixed;
        top: 0.5em;
        left: 0.5em;
        z-index: 5;
        font-family: 'Nanum Gothic', san-serif;
        font-size: 30px;
        font-weight: 700;
        width: 30px;
        height: 30px;
        line-height: 0.9em;
        text-align: center;
        border: 0.2em solid #888;
        background-color: #fff;
        border-radius: 3em;
        color: #888;
}
 
@media (min-width: 768px) {
 
    #top-bar .mobile-top-bar {
        display: block;
    }
 
    #top-bar .mobile-top-bar li {
        display: none;
    }
 
    #main-content {
        max-width: 708px;
        margin: 0 auto;
        padding: 0;
        transition: max-width 0.2s ease-in-out;
    }
 
    #side-bar {
        display: block;
        position: fixed;
        top: 0;
        left: -20em;
        width: 17.75em;
        height: 100%;
        margin: 0;
        overflow-y: auto;
        z-index: 10;
        padding: 1em 1em 0 1em;
        background-color: rgba(0,0,0,0.1);
        transition: left 0.4s ease-in-out;
 
        scrollbar-width: thin;
    }
 
    #side-bar:target {
        left: 0;
    }
    #side-bar:focus-within:not(:target) {
        left: 0;
    }
 
    #side-bar:target .close-menu {
        display: block;
        position: fixed;
        width: 100%;
        height: 100%;
        top: 0;
        left: 0;
        margin-left: 19.75em;
        opacity: 0;
        z-index: -1;
        visibility: visible;
    }
    #side-bar:not(:target) .close-menu { display: none; }
 
    #top-bar .open-menu a:hover {
        text-decoration: none;
    }
 
    /* FIREFOX-SPECIFIC COMPATIBILITY METHOD */
    @supports (-moz-appearance:none) {
    #top-bar .open-menu a {
        pointer-events: none;
    }
    #side-bar:not(:target) .close-menu {
        display: block;
        pointer-events: none;
        user-select: none;
    }
 
    /* This pseudo-element is meant to overlay the regular sidebar button
    so the fixed positioning (top, left, right and/or bottom) has to match */
 
    #side-bar .close-menu::before {
        content: "";
        position: fixed;
        z-index: 5;
        display: block;
 
        top: 0.5em;
        left: 0.5em;
 
        border: 0.2em solid transparent;
        width: 30px;
        height: 30px;
        font-size: 30px;
        line-height: 0.9em;
 
        pointer-events: all;
        cursor: pointer;
    }
    #side-bar:focus-within {
        left: 0;
    }
    #side-bar:focus-within .close-menu::before {
        pointer-events: none;
    }
    }
}

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O Dilema da Doutora

site-82-hall.jpg

Dois conjuntos de passos marchavam por um corredor. Alguém tocou na tela de um tablet e whoosh trouxe ar reciclado para o corredor. A porta da câmara deslizou para dentro da parede, revelando o objeto caído no cento, não mais vivo do que morto.

Uma mulher se agachou para inspecionar o corpo minúsculo. Sua pequena estatura dava à pequena câmara de contenção a ilusão de parecer cavernosa.

"Quando ela acordou pela última vez?" Demandou ela com olhos penetrantes e vigilantes.

"Ninguém sabe." Respondeu o homem com olhos tristes. "O objeto não responde a estímulos há anos."

"E você a deixou? Sozinha?" Ela retrucou.

Ele se repetiu. "Ela não responde há anos. Não havia nada que pudéssemos fazer."

Ela se inclinou, inspecionando o corpo enrugado, enegrecido e imóvel. Estado terrível, mas vivo. Ela cambaleou para trás, caindo do cócoras; ignorando a poeira que isso levantou.

Depois de um longo momento de observação, ela falou novamente. "Há algo que você deveria fazer. Chamar o departamento médico. Ela precisa de ajuda e precisa imediatamente."

Ele hesitou. "Claro." Com mais alguns toques em um tablet, ele se afastou da câmara de contenção, deixando a mulher parada na poeira.

Pela primeira vez desde que ela entrou na instalação abandonada naquela manhã, ela suspirou. Isso não seria simples. No entanto, isso tinha que ser feito, e o fardo era somente dela para ser carregado.

end-of-death-logo.png

SCP-3774-2432


Procedimentos Especiais de Contenção [INATIOS COMO DE 24-11-2030]: SCP-3774-2432 é mantido em uma câmara de contenção biológica padrão na Ala de Contenção de Baixo Risco do Sítio-82.

Descrição: SCP-3774 era uma subespécie de mosquito alterada biomecanicamente como parte do PROJETO: BUSCAR E DETES-TRUIR: Uma operação secreta de coleta de inteligência em uma variedade de Pessoas de Interesse. A Fundação liquidou o projeto logo após a introdução de um protótipo de aparelho de fala que sofria defeitos regularmente durante a amostragem de sangue, fazendo com que as instâncias de SCP-3774 buscassem associações românticas com alvos de vigilância.

Quando erroneamente encarregado da vigilância de um civil inocente, SCP-3774-2432 sofreu um mau funcionamento, levando a um relacionamento de um mês entre os dois. SCP-3774-2432 exibiu propriedades anômalas emergentes durante esse período e engravidou o civil. Agentes de campo recuperaram SCP-3774-2432 logo após sua morte natural e o contiveram no Síito-19.

Em algum momento antes do Cenário Classe-ΩK ("Fim-da-Morte"), um teste cruzado entre SCP-049 e SCP-3774-2432 levou á reanimação deste último. SCP-3774-2432 foi posteriormente contido no Sítio-82 devido ao seu risco mínimo

Adendo: SCP-3774-2432 não exibe qualquer resposta a estímulos desde 24 de novembro de 2030 e é classificado como NEUTRALIZADO.


[FIM DO ARQUIVO]



Última atualização há 36.514 dias.

Doutora Violet Mesmur examinava o arquivo em seu tablet pessoal pela centésima vez. Mira, sua assistente, dormia profundamente, babando no tampo da mesa. Ela não podia culpá-la. Ser assistente da Dr.ª Mesmur significava frequentes reuniões de três horas de duração, voos semanais para o exterior e enches fichários e fichários com anotações e outras bobagens triviais. As duas estavam empoleiradas na sala de conferências do sítio há mais de uma hora, aguardando a chegada da Diretora de Sítio Imogen Metcalfe: Uma mulher com um nome britânico demais para ser real.

Sítio-82 — uma vez uma instalação de pesquisa paratecnológica e contenção florescente — agora era um fim de mundo. Cortes no financiamento destruíram o sítio: Desde as alas de contenção mal mantidas até a Diretora de Sítio tardia, isso era evidente.

As portas monolíticas da sala de conferências se abriram. Uma elegante hora e treze minutos atrasada, uma mulher miúda com cabelos acobreados grisalhos e óculos grossos entrou pela abertura. Seus saltos altos provocavam um tumulto no piso de madeira laminada. Dr.ª Mesmur se levantou e então limpou a garganta com um ahem barulhento. Sua assistente acordada com um susto. Ela olhou com olhos vidrados para sua chefe e se levantou ao lado dela.

"Desculpe mantê-las esperando, senhoras." Diretora Metcalfe falou com um sotaque inconfundivelmente chique, enunciando com clareza. "Tem sido uma semana ocupada. Espero que vocês estejam bem?"

"Estamos bem." Dr.ª Mesmur falou pela dupla. "Você vai ter que me desculpar por isso, mas não temos muito tempo a perder." Ela girou o pulso por impulso, verificando o relógio.

"Vamos pular as sutilezas, então. Por favor, sentem-se." As três mulheres se sentaram. Mira enxugou a baba e abriu um sorriso cheio de dentes. Mesmur e Metcalfe mantiveram-se paradas: Elas eram todas negócios hoje, mesmo que uma delas estivesse um pouco atrasada.

A Diretora limpou a garganta. "SCP 3774 traço 2432 está indo muito bem, dadas as circunstâncias. Ela está acordada e em reabilitação. Seus sinais vitais parecem excepcionais, sério. Imagino que levará mais alguns dias até que ela esteja pronta para ir." Ela torceu o nariz. "Enfim, é impressionante vê-la indo tão bem tão cedo. Mas peço desculpas pelo descuido em seus procedimentos de contenção. Nós não temos estado exatamente… Ah."

Dr.ª Mesmur endireitou as costas. "Seus registros indicam que antes de ontem, ela esteve em um estado minimamente consciente por quase um século. Esse tipo de longevidade não deveria ser possível. À primeira vista, esta situação parece excepcional. Mas, levando em consideração o preço que isso deve ter tido em seu bem-estar mental…"

O tom de Metcalfe assumiu o de uma lança afiada. "Meus pesquisadores trabalham dia e noite para operar com o mais alto nível de vigilância. Isso foi um descuido–"

Mesmur interrompeu. "Isso foi negligência."

A Diretora não teve resposta. Mira mordeu o lábio.

"De qualquer forma, seu segurança me disse que não houve uma consulta agendada para ela em anos. De fato," Dr.ª Mesmur apertou as mãos e as colocou sobre a mesa. "Ele não me informou de muita coisa. Se eu vou ser bem honesta, havia o ar de falar com a cabeceira de uma cama com ele também."

"Eu pergunto o que você espera fazer com ela," Diretora Metcalfe empurrou os óculos para cima do nariz. "Ela é dificilmente sofisticada em comparação com a tecnologia de vigilância que empregamos hoje em dia. Podemos colocar o dobro da ótica em um drone do tamanho de uma cabeça de alfinete e levá-lo a qualquer instalação do planeta. Se você veio para responder a uma pergunta de vigilância, doutora, ela não é sua candidata. Em um esforço para ser menos negligente, você deveria dar a ela mais alguns dias antes de começar a analisá-la." Sua voz doía.

"Verdade seja dita, eu não vim aqui para te dar problemas por uma questão de Ética — mesmo que suas instalações estejam deixando a desejar no quesito de segurança e saúda." Dr.ª Mesmur deu uma cutucada em seu coque e suspirou. "Estou aqui porque suspeitamos que SCP-3774-2432 tenha de fato violado a contenção."

Diretora Metcalfe arregalou os olhos. "Por favor, me ilumine."

Dr.ª Mesmur olhou para sua assistente e acenou com a cabeça. A quieta Mira virou a página mais recente no fichário mais próximo a ela. Ela começou a falar, nem mesmo olhando para a página — ela havia memorizado o que ia dizer. "Um sinal com a mesma frequência usada por SCP-3774 tem sido emitido de algum lugar dentro do Sítio-82. Temos motivos para acreditar que Leslie é quem está fazendo isso. E ela tem feito isso repetidamente nos últimos 18 meses."

Dr.ª Mesmur deu um sorriso fino, enquanto a Diretora Metcalfe manteve os lábios retos. "Elabore. Por favor."

Mira continuou. "Cada sinal é emparelhado com um esquema de criptografia codificado com a frase 'BUSCAR E DETESTRUIR'. A transmissão do sinal foi encontrada na Rede Internacional da Fundação SCP, em inúmeros lugares da Internet, em mais de 57 sistemas de intranet de sítios diferentes na América do Norte e na Europa, sistemas bancários, redes de comunicação em 18 agências de inteligência nacionais e internacionais e até penetrou pelo menos uma Via Taumatúrgica."

A vasta sala de conferências ficou em silêncio. Mira e Diretora Metcalfe prendiam a respiração, enquanto Mesmur alisava seu penteado já impecável. Diretora Metcalfe quebrou o silêncio. "Eu não sabia que ela falava." Ela lançou um olhar brincalhão para Mira, e as duas riram; o constrangimento pairando no ar, paralisando Mira. Ela voltou a ficar em silêncio.

Diretora Metcalfe cruzou as pernas e continuou novamente. "Então… O que, então? Você deseja interrogá-la? Porque eu posso providenciar isso. Ou há algum motivo oculto em jogo aqui?" Ela olhou para Dr.ª Mesmur.

"Não, não, nada disso. Quero falar com a Leslie, mas não estou aqui para interrogá-la. Na verdade, estou aqui para fazer uma proposta." Dr.ª Mesmur se inclinou. "Acredito que você saiba o que é um Exoesqueleto Buteo?"

Diretora Metcalfe abriu a boca por uma fração de segundo e depois a fechou novamente. Em resposta, Dr.ª Mesmur recostou-se na cadeira e falou novamente. "Ah, por favor, Diretora. Eu não sou idiota; eu sei que você está bem ciente de tal coisa. Você mesma está usando um." Os olhos de Mira se arregalaram, olhando para seu superior, antes de anotar algo em sua página.

Metcalfe assumiu um tom curioso. "O que você, minha querida, planeja fazer com a Leslie?"

end-of-death-logo.png
site-82-garden.jpg

Um segurança (não a cabeceira de cama evasiva de antes) conduzia Dr.ª Mesmur por um corredor. Azulejos de travertino revestiam o corredor e uma janela ampla dava pr um jardim interno. Mira seguia atrás, carregando nada menos que seis fichários entre seus dois braços. O segurança parou no final do corredor, digitou um código de segurança em seu tablet e ficou parado enquanto a porta de vidro do jardim se despolarizava, tornando-se transparente.

"A Leslei está aqui?" Perguntou Dr.ª Mesmur.

"Sim, senhora, a equipe médica e de pesquisa decidiu dar a ela espaço." O segurança encolheu os ombros. "Cura dinâmica ou algo assim."

"Espere por mim lá fora, Mira. Isso pode demorar um pouco." Mira olhou para o segurança, que acenou com a cabeça e a conduziu de volta pelo corredor.

Dr.ª Mesmur olhou pela porta de vidro diante dela. Além da parede havia uma trilha de pedra que se dividia em várias direções diferentes, cortando entre faixas de folhagem. Borboletas cristalinas estavam empoleiradas em orquídeas de um metro de altura. Plantas e flores de vários gêneros, anômalos ou não, enchiam cada metro quadrado. Mesmur podia ver e ouvir plantas iridescentes cantando melodias de Vivaldi. O contato do Comitê de Ética não tinha o tempo nem o luxo para ver uma beleza como esta nos dias de hoje.

Ela suspirou e tirou do bolso uma pequena saqueta amarela — um pacote de estimulação. Ela desdobrou o pacote, arregaçou a manga e o pressionou contra a pele. Após o contato, o efeito foi instantâneo, dando a ela a mesma energia que uma xícara de café. Desde o ano passado, sua operação pessoal de Ética era um trem sem escalas, e ela não era o condutor — ela era uma mera passageira, amarrada a um assento. Este era o seu principal pontapé para continuar. Ela atravessou a porta.

Dr.ª Mesmur entrou no jardim. Ela não sabia como lidaria com a anomalia quando se deparasse com ela. "Leslie? Você está aqui?"

Depois de alguns segundos, algo pousou em seu braço. Ela pulou para trás, mas resistiu ao desejo de bater nele.

O mosquito falou.. "Oi, eu te conheço?

"Nós nunca nos conhecemos antes. Meu nome é Doutora Violet Mesmur, trabalho com o Comitê de Ética."

A voz de Leslie flexionou para cima. "Ah. O que você faz aqui, Violet?"

Dr.ª Mesmur olhou ao redor do extenso jardim. "Eu vim aqui porque eu queria falar com você."

"Por que você iria querer falar comigo? Você disse que nem me conhece…" A voz de Leslie devagou.

Dr.ª Mesmur começou a passear no meio da floresta. "Vim aqui para poder te conhecer… E ver se posso te ajudar. Ajudar as pessoas é o que eu faço. É meu trabalho. É…" Ela sacudiu a cabeça. "É um projeto pessoal, na verdade."

"Ham." Leslie tinha pouco a dizer. Seu arquivo atual era muito conciso para Mesmur entender sua personalidade, mas ela sentiu algo subjugado na maneira como Leslie falava.

"Farei algumas perguntas que são de natureza mais pessoal." Mesmur parou em uma clareira. A entrada para o jardim e a cúpula geodésica que cercava a área estavam obscurecidas. "Eu sei que você não é mantida atualizada há um tempo, e quero garantir que você permaneça o mais confortável possível. Está tudo bem com você?"

"Tá," ela piou. "Vou responder da melhor forma que puder."

"Tudo bem. Estou ciente que você passou um breve período com SCP-049. Ele te reviveu. Como foi o processo de reavivamento?"

"Ah, isso faz tanto tempo. Foi praticamente outra vida. Era como uma outra eu inteiramente."

"Mas como você se sentiu? Fisicamente." Dr.ª Mesmur fez uma pausa. "Se você não sabe como responder a isso, podemos seguir em frente."

"Hum, foi como se alguém tivesse me acordado de um sono longo e profundo. Eu não estava grogue nem nada, eu na verdade me senti incrível. Mas, olhando de volta, não foi natural, o que aconteceu comigo. Então eu acho… Que foi um erro."

"Um erro?"

"Hum, sim. Tenho pensado em muitas dessas memórias e emoções por tanto tempo que eu nunca tive que colocá-las em palavras. Mas tenho a sensação de que, qualquer que fosse o meu propósito, ele deveria ter adormecido comigo.

"Hmm, certo."

"Isso é estranho? Tem, tem algo que eu deveria estar te contando?" Leslie zumbia ao redor da cabeça da Dr.ª Mesmur como se estivesse evitando um mata-moscas. "Ser eu disser as coisas erradas, vou ser trancada de novo?"

"Por favor, Leslie, esta é uma discussão simples. Você pode falar comigo como um conhecido. A Fundação não faz exatamente as coisas do jeito antigo. Ou, pelo menos não deveríamos." Mesmur olhava para um ponto fixo além da clareira, imaginando o que deveria dizer. Ela pensou sobre o arquivo de Leslie e contemplou como as coisas eram diferentes naquela época. "Você não é uma cobaia, você não é uma prisioneira e você não fez nada de errado."

Leslie pousou na mão da Dr.ª Mesmur. "Posso te perguntar coisas também?"

"Ah, com certeza. Estou aqui para fazer você tentar se sentir confortável."

"Violet… Por que me sinto tão culpada?"

"Culpado sobre o quê?"

Leslie emitiu algum tipo de risada modulada. Ela parecia com dois raladores de queijo batendo juntos, o que a fez rir ainda mais. "Dificilmente se acorda de uma soneca centenária e se sai dela com emoções positivas. Meu corpo nem deveria saber onde que é pra cima."

"É um milagre que você esteja sequer lúcida." Dr.ª Mesmur prendia a respiração.

"Ser revivida antes de todos se tornarem imortais foi um erro. O maravilhoso cavalheiro que me ressuscitou fez algo certo na hora, mas acho que os resultados foram na verdade terríveis?"

Ela respirou novamente. "Por que ele ressuscitou você?"

"Era para encontrarmos Merle novamente, e ele me ajudou."

"Merle? A Pessoa de Interesse errada?" Interveio Mesmur.

Um pequeno aham vibrou o braço da Dr.ª Mesmur. "Ele era o amor da minha vida. Mas quando o encontramos novamente, ele não era ele mesmo. Ele não, ele não…" A voz de Leslie falhou. "Ele não era ele mesmo. Os amnésticos o transformaram em outra pessoa. O Merle que conheci e com quem passei o resto da vida era um homem diferente. Eles apagaram tudo o que o fez me amar."

"Eles cometeram um erro."

"Não consigo nem chorar. Você sabe? Eu gostaria de poder, mas não posso. Este corpo nem me deixa fazer isso."

"Leslie."

"Você não entende? Eu nem deveria existir. Isso tudo foi um grande e estúpido erro. Por que você fez ele me acordar?" Leslie caiu do braço de Mesmur no chão.

Dr.ª Mesmur se ajoelhou, sujando sua calça branca. Ela estava prestes a tocar Leslie, mas hesitou. "Leslie, não me arrependo do que fiz. Minha única intenção era te dar uma vida digna de ser vivida. Não uma vida passada em uma rotina pelo resto da eternidade."

"Eu só quero ver meus filho de novo," ela cantarolou.

Essa frase chamou a atenção da Dr.ª Mesmur. "O que você quer dizer com isso?" A doutora tinha realmente pouco a dizer sobre a situação de Leslie. Em tempos de angústia, ela geralmente podia confiar em sua inteligência e maneira rápida de falar para fazer as coisas irem do seu jeito. Mas a situação tinha muitas variáveis, e com as emoções fraturadas de Leslie, ela não conseguia prever nenhum resultado favorável.

"Demorou bastante, mas eu os encontrei. Tipo, eu não os encontrei de fato, mas imaginei que sim. O que era melhor do que a verdade." Ela estremeceu de animação, saindo do chão novamente.

"Leslei, no último ano e meio, houve uma série de sinais sendo emitidos de sua câmara de contenção." Ela fechou os olhos e inclinou a cabeça. "Você tem tentado procurar seus filhos esse tempo todo e nem percebeu."

"Do que você está falando?"

"Leslie, sabemos onde seus filhos estão."

"Onde eles estão?"

"Bem…" Dr.ª Mesmur mexeu em seu coque, desfiando uma mecha de cabelo. "Eles estão escondidos em armazenamento criogênico há anos."

"Onde? Ah, ah, posso ver eles?'

Mesmur sacudiu a cabeça. "A instalação em que eles estavam sendo mantidos foi atacada pela Insurgência. Foi um golpe muito ruim e, infelizmente, houve algumas…" Ela limpou a garganta. "Houve algumas baixas. Foi um caso honesto de estar preso no lugar errado na hora errada."

"Mas eles estão vivos, né? Eu poderia vê-los, se eu realmente quisesse?"

Seus ombros caíram. "Dada a forma em que aquilo os deixou…"

Ah não, ah não…"

Mesmur acenou com a cabeça em solenidade.

Um ar de tensão cercou o par por um tempo. Leslie fez uma tentativa modulada de chorar, mas como seu corpo não a equipou com o luxo dessa libertação, isso saiu como um gemido prolongado. Mesmur não tinha certeza de como confortar sua forma minúscula e ficou parada ao seu lado enquanto o pacote de estimulação se esgotava. Se havia uma coisa que ela podia fazer pelo mosquito naquele dia, ela tinha que ser um pilar.

end-of-death-logo.png

Uma equipe médica trouxe o corpo de Leslie de volta para sua câmara de contenção. Houve um protesto da Dr.ª Mesmur para reconsiderar pelo menos construir uma nova para ela dentro do jardim, mas o orçamento simplesmente não permitia isso.

Depois de algum tempo, Mesmur voltou para a câmara de contenção. Ela saiu sem sua assistente e pediu a ajuda de um segurança sem passar pelo Comando. "Te avisarei quando estiver pronta," disse ela ao guarda. "Por favor, serão apenas alguns minutos." Ele fez seu trabalho sem um momento de hesitação e abriu as portas da câmara de contenção.

Dr.ª Mesmur entrou. Depois de alguns segundos, as portas se fecharam novamente, e ela encontrou o corpo de Leslie, exatamente onde ela o encontrou alguns dias atrás. "Leslie?" Ela não respondeu. "Leslie, fale comigo."

"Você não pode me ajudar." Ela falou em um zumbido monótono. "Você jamais conseguiria. Eu quero poder chorar, mas você nem vai conseguir me dar isso. É melhor você me deixar."

"Leslie." Dr.ª Mesmur se agachou, não se importando que ela estava prestes a sujar um terceiro par de calças durante sua visita ao Sítio-82. "Você deve querer saber a verdadeira razão pela qual estou aqui."

Todas as novelas e filmes românticos que ela tinha visto em sua curta e complicada vida claramente tiveram seu efeito sobre Leslie. Ela era uma profissional quando se tratava de melodrama. "Eu não ligo."

"Eu vim aqui porque queria te oferecer uma segunda chance na vida. Trabalhamos com a Anderson Robóticas em um projeto chamado traje Buteo: Um exoesqueleto funcional que se parece e funciona como um humano real. Personalizável, durável, só falar. Se você quiser, podemos ter um feito sob medida para você." Mesmur imaginava a imagem de uma jovem Leslie Caron em pé diante dela. Eles podiam fazer isso, mas eles precisavam do sinal verde…

"Não. Quero voltar a dormir e sonhar com meus filhos de novo. Não vale a pena se eu estiver viva e eles estiverem quebrados, apodrecendo em uma geladeira."

"Por favor, Leslie."

"Vocês não querem isso. Vocês não querem desperdiçar seu tempo e dinheiro só para me deixar sofrer. Só me leve de volta."

"Leslie–"

Leslie gritou tão alto quanto seus implantes biomecânicos permitiriam. "Me leve de volta!"

"Se você não quer aceitar isso." Mesmur respirou fundo. "Então eu falhei com você."

"Se você não pode trazê-los de volta, então é melhor você me deixar. Só vá."

Dr.ª Mesmur virou as costas para o mosquito, com lágrimas nos olhos. Ela bateu na porta, que se abriu imediatamente. "Sinto muito," disse ela, caminhando para o corredor.

Pela última vez, as portas se fecharam para Leslie. E não havia mais ninguém para cuidar dela.

Se ela tivesse sorte, talvez ela pudesse estar com seus filhos novamente.

Mas apenas em seus sonhos.

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Para ter grande felicidade você tem quer ter grande dor e infelicidade — caso contrário, como você saberia quando está feliz?

—Leslie Caron

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