A Biblioteca Chora Em Azul Ultramarino

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Os primeiros passos de Mirage na Biblioteca foram como entrar na barriga de um deus moribundo. Cada gemido da madeira, o ranger das prateleiras, lembrava Mirage de respirações finais. E diabos, o cheiro. O cheiro familiar de papéis velhos e verniz de madeira havia sido substituído pelo fedor pesado e enjoativo de decomposição. Ele pairava no ar, e se houvesse alguma magia restante no local, ela provavelmente teria se materializado em alguma grande fera.

Tudo isso significava, no entanto, que o equivalente a vidas de conhecimento, de aventuras, de coisas que deveriam ser ditas, estavam desmoronando nas profundezas de um poço inalcançável. A Biblioteca tinha desistido, o amor de seus patronos esquecido, e aquele instinto primitivo de ficar sozinho durante a morte havia assumido, mesmo que a Biblioteca não tivesse mais predadores para caçá-la.

Algo no fundo das entranhas de Mirage se agitava enquanto ele começava a passar pelos papéis e serragem. Os gritos angustiados da Biblioteca, embora silenciosos, o sacudiam até os ossos. Por que ele se importava com este lugar? Ele não era um membro da equipe, nem um patrono, ele simplesmente queria obter conhecimento e depois sair. Ele não tinha amor pelo lugar, ele significava pouco para Mirage além de ser útil, mas a Biblioteca parecia determinada a prova o contrário.

Contenho as obras de milhares de artistas que vieram antes de você. Eu sou a personificação coletada de algo grandioso, algo inteiro, uma obra completa que está aberta para interpretação e perspectiva. Sou uma obra do povo, para o povo. Me reconheça pelo que sou e pelo que forneço a você, mesmo no pouco tempo que nos resta juntos.

Ah. Ótimo. Então agora ele estava ouvindo coisas também. Mirage sacudiu a cabeça, tentando dissipar os pensamentos de sua mente. Foco. Ele tinha um trabalho a fazer. Fazer a melhor pintura que já existiu. Foda-se as horas de luto da Biblioteca, ele pegaria sua merda e depois iria vazar.

Um alto barulho de algo crocante interrompeu os pensamentos de Mirage. Ele olhou para baixo para ver uma mão laranja sob seu pé. Sua bota tinha atravessado ela, como se fosse simplesmente uma casca descascada. A mão estava presa a um braço, que estava preso a um corpo, que era - caralho. Havia centenas de cadáveres ao seu redor.

Eles pareciam humanos a princípio, mas não, eles eram carcaças gigantes de inseto, com múltiplos membros que por acaso acabavam em mãos humanas. Seus exoesqueletos haviam se despedaçado e eles jaziam de costas em um sono contorcido e amassado. O chão ao redor deles era perturbado com um anel de poeira ao redor dos corpos e papéis espalhados por toda parte. Espere, eles caíram? Mirage olhou para o alto das prateleiras para ver centenas de outros insetos mutantes agarrados às paredes, imóveis, com seus olhares voltados para cima.

"Encontrou um dos Pajens, não é?"

"Porra!" Mirage se virou para encarar a voz. Sentado atrás dele estava uma criatura de aparência medonha. Um canino com membros longos e desengonçados, um pescoço que parecia se estender para sempre e, mais uma vez, mãos humanas na ponta de suas patas. Em seu rosto não havia um focinho típico de cachorro, mas sim uma máscara humanoide incrivelmente detalhada, branca e sorridente. Orelhas felpudas surgiam de ambos os lados, e elas se contraíram quando Mirage olhou para elas.

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"Eu recomendaria ficar longe da parede, menino pássaro, antes que outro caia." A criatura se levantou, esticando seu pescoço impossivelmente longo para baixo para olhar para Mirage. A fera tinha que ter pelo menos duas prateleiras de altura, se não mais. "Ninguém te ensinou que é rude ficar olhando? Eu dificilmente posso ser a coisa mais estanha que você já viu hoje. Não importa!" A fera interrompeu Mirage com um bater das palmas de suas mãos. Ele se levantou e rapidamente se virou, não esperando por Mirage enquanto decolava pelo corredor. "Venha agora. Você está aqui por um livro, não é?"

"Estou, sim." Mirage segurou sua língua e seguiu a fera. Considerando a jornada que levou para chegar aqui, ele não queria brigar com a única entidade que concordara em ajudá-lo. "Você é um dos funcionários?"

"Ah. Não. Dificilmente. Eu odeio este lugar nojento. Ninguém nunca gostou de mim - você consegue acreditar nisso?"

"Eu-"

"Brincadeira. Eu fui um idiota. Ainda sou! Orgulhoso disso também. Ninguém merece minha atenção. Especialmente não neste lugar podre."

"Então por que você está me ajudando? Em vez de seja lá quem dirige este lugar?"

"Você viu os Pajens, não viu? Você é cego sob esse capuz? Os Arquivistas não têm olhos, mas eles conseguem ver melhor que você. Inacreditável."

"Ok, espertalhão, se é tão difícil assim-" Mirage estendeu a mão para seu pé-de-cabra que estava amarrado em suas costas sob sua capa. Ele não tinha tempo para brincar, e queria sair desse edifício triste e sujo o mais rápido que pudesse.

"Largue isso." A criatura respondeu, nem mesmo se preocupando em olhar para ele. Ela suspirou baixo quando Mirage lentamente guardou seu pé-de-cabra de volta. "Já que você é cego, eu vou narrar para você. A Biblioteca está morrendo. Ela estará morta em talvez uma década ou algo assim. Você percebe que isso não é nada no grande esquema de algo tão antigo quanto a Biblioteca, certo?"

"Eu sei. E é por isso que seria ótimo se você pudesse calar a sua boca e eu pudesse pegar meu livro e vazar daqui."

"A Biblioteca em si é uma coisa senciente." A criatura continuou, ignorando o suspiro irritado de Mirage. Parecia que a coisa estava solitária e queria conversar. Melhor entretê-la se eles ainda tiverem uma distância a percorrer. "Ela não tem mais força nem energia para se manter viva, especialmente agora que seu Cuidador está, por falta de um termo melhor, morto ou quase morrendo também." A criatura conduzia Mirage pelos corredores, gesticulando com a cauda para vários corpos espalhados. E diabos, havia muitos. Mirage cobriu o rosto com a parte sobressalente do capuz para bloquear o cheiro. "Os funcionários foram alguns dos primeiros a morrer, e eles morreram em grande número, devido a estarem ligados a este lugar e, portanto, não poderem sair. Mas não são apenas os cadáveres dos funcionários que você encontrará aqui." A coisa apontou para o que parecia ser os crânios de um goblin e um grande pássaro, parados em poeira em cima de uma prateleira caída. Em seguida, ela apontou para um esqueleto humanoide sob uma capa com um bloco de notas ao lado. Mirage viu notas musicais escritas na página. "Alguns desses cadáveres eram amigos íntimos da Biblioteca. Eles queriam estar aqui em seus momentos finais, ou não prestaram atenção aos avisos para sair enquanto ainda podiam. Independentemente de quem está morto, isso é uma bagunça sangrenta, e o cara que tínhamos que gostava de limpar cadáveres deu o fora."

"Então por que você ainda está aqui?" Perguntou Mirage, enquanto ele passava por cima da pele podre de alguma criatura parecida com uma raposa. Ele calculou mal o quão longe deveria pisar, pois houve um barulho alto quando seu pé atravessou um dos muitos olhos que cercavam a criatura. Nojento.

"Este terrível lugar era amado por muitos. É por isso que estou aqui. Meu Criador está entre os tolos que admiram este lugar, e ele me mandou fazer algumas tarefas aqui para cuidar de alguns negócios inacabados."

"Ok. Isso é ótimo. Realmente espetacular pra cacete. A aula expositiva de história acabou agora? Você mesmo disse que o tempo é curto, então podemos, por favor, pegar meu livro-"

"Estamos chegando lá. Acredite em mim, se eu pudesse só lhe dar o livro para que você pudesse sair, seria ótimo. Mas meu Criador é uma manifestação de leis e tradições, então eu tenho que ser também. Apesar do estado da Biblioteca, ela ainda tem sua regra principal - não pegue o que não é seu - então você precisará de um cartão bibliotecário antes de planejar levar qualquer coisa daqui. Embora, só entre mim e você pássaro, eu não me preocuparia muito sobre quaisquer taxas de atraso, se você entende a vibe aqui - entende o que quero dizer?"

"Claro."

As prateleiras começavam a cair enquanto a Biblioteca se abria em uma grande clareira. No centro havia um centro de informações redondo, composto por um círculo de mesas de madeira. Uma placa que dizia "Caixas Principais" havia caído e tinha ido direto para onde alguém provavelmente sentava. Uma lona havia sido jogada sobre aquela área também.

"Ouça, Pássaro." A fera parou de andar e estava bloqueando o caminho de Mirage com sua cauda. "Nós vamos falar com o Arquivista Owlpede. Ele é um dos últimos Arquivistas restantes aqui. Ele está sentado bem ali, ao lado da lona. Você é esperto, então, eu vou te contar. Debaixo daquela lona está o corpo parceiro dele, Ayman. Eles trabalharam juntos pelos últimos, diabos, ninguém sabe quanto tempo, na verdade. Muito, muito tempo talvez? Sim. Digamos só isso. Ele vai perguntar a você onde está o parceiro dele - diga a ele que ele foi buscar papelada. Se o Arquivista ficar chateado, nós nunca pegaremos seu cartão. Entendeu?"

Mirage pensou no cadáver que encontrara no deserto, depois na mãe do cadáver, e em como ela o havia ajudado porque não fazia ideia de que fora ele quem matara seu filho. Isso- Isso era diferente. Ele não estava mentindo para uma mãe. Ele não matara o parceiro de longa data desta criatura. Não era sua culpa. Ele lentamente concordou balançando a cabeça e a fera tirou a cauda do caminho, continuando a andar.

"Owlpede." A fera se sentou de cócoras, ainda se elevando sobre Mirage. Ela levemente bateu no topo da mesa. "Um visitante precisando de um cartão está aqui."

Houve um farfalhar, e de debaixo da mesa saiu uma criatura enorme. Seu corpo era dividido em segmentos, como uma centopeia, mas estava coberto por uma espessa pelagem marrom. Pequenos tocos estavam em cada lado de cada segmento, como se a criatura já tivesse tido braços, mas os perdido. Ela se ergueu de debaixo da mesa, se elevando e se virando para encará-los. Uma vez totalmente esticado, o Arquivista tinha aproximadamente a mesma altura da criatura canina que trouxera Mirage até aqui. De repente, o rosto se dividiu em dois, revelando uma boca enorme e uma língua comprida.

"Ainda fazendo suas rondas, Uncy? Como vai a cota? Seu acordo mais recente não era encontrar um animal de estimação perdido?" A voz que saía da boca era surpreendentemente leve e doce, quase como se estivesse cantando.

"Meu nome não é-" A fera, aparentemente com o apelido de Uncy, parou, parecendo se lembrar de sua própria regra de não chatear o Arquivista. "A cota está indo bem, Owlpede. Eu encontrei o animal perdido - você o conheceu, era aquele que sempre roubava seus lápis de cor. Estou feliz em diz que ele não vai estar mais levando seus lápis de cor novamente tão cedo."

"Amável! Amável. Vejo que você trouxe um amigo para visitar. Quem é você?" Owlpede ainda olhava para Mirage, ou melhor, o mais perto de olhar que uma criatura sem olhos conseguia.

"Meu nome é Mirage, estou aqui para pegar alguns livros."

"Mirage! Miragey. Um prazer. Eu sou Owlpede. Eu cuido desta estação com Ayman. Nós somos os dois arquivistas mais produtivos da Biblioteca! Vamos lhe arrumar um cartão da Biblioteca."

Owlpede se virou. Aparentemente, algum segmento inferior ainda tinha braços, já que se ouviu um farfalhar alto de busca nas gavetas da mesa. Mirage olhou para a fera - Uncy, ele assumiu que precisaria chamá-la de Uncy para agradar o Arquivista - e viu que ela estava apenas mexendo suas mãos, não muito feliz por estar lá. Mirage olhou mais de perto para sua máscara, percebendo que o mesmo sorriso engessado não mudara desde o momento em que ele chegou. Um pequeno arrepio percorreu sua espinha.

"Um cartão! A regra da Biblioteca é a seguinte - não pegue o que não é seu! Dos livros, a vidas, ao tempo, a mesma regra se aplica. Basta preencher as informações - seu nome verdadeiro e uma senha para identificá-lo - e o cartão é seu. Quando quiser pegar um livro, basta tocar seu cartão três vezes na capa. Ele marcará seu nome e informará quando devolvê-lo.

Sobre a mesa havia um cartão verde e uma caneta. Mirage pegou a caneta e preencheu suas informações. Ele hesitou, quase esquecendo qual era seu nome real - ele fora Mirage há tanto tempo. A queimadura em seu braço coçava levemente, lembrando-o de sua forma alterada. Tanto faz. Ele só usaria este cartão uma vez, não importava.

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"Tudo pronto, Mirage? Fabuloso. Você vai aparecer nos registros… agora mesmo!" Owlpede se virou para olhar a lona sob a qual seu parceiro estava. "Ou. Bem. Quando quer que o Ayman voltar. Você não o viu, não é?"

Mirage olhou para a lona, abrindo a boca para dizer algo, quando o rabo de Uncy lhe deu um tapa nas costas. Ele fechou a boca e sacudiu a cabeça negativamente em vez disso.

"Hm. Pena. Bem! Aproveite seu tempo na Biblioteca! Volte se tiver alguma dúvida!"

Mirage e Uncy se despediram e viraram para longe da mesa, Mirage colocando seu cartão no bolso e Uncy seguindo atrás dele. Uma vez que eles estavam fora de alcance, Mirage parou, deixando Uncy assumir a liderança, mas fez uma pausa para fazer uma pergunta quando Uncy passou por ele.

"É assim mesmo como os Arquivistas eram? Eu não esperava uma disposição tão amigável e humana."

"Eles tinham uma ampla gama de personalidades. Owlpede era certamente um dos tipos mais excêntricos, você está certo sobre isso."

"Mas a Biblioteca era administrada por criaturas tão ingênuas? Como ele não percebeu que tem um corpo bem ali. Digo, agora que penso nisso, não me lembro de sentir o cheiro de algo podre, mas o lugar todo fede tanto que seria difícil dizer."

"Hmm." Uncy parou de andar, seu rabo se contorcendo atrás dele. Mirage não conseguia ver exatamente, mas parecia que o assunto trazia desconforto à criatura.

"O que, se preparando para outro discurso sobre como este lugar é horrível por causa da equipe idiota?"

"Não. Eu lhe disse que meu criador é uma entidade da lei. Eu tenho respeito por aqueles que defendem alei, pois foi a lei que me trouxe á criação e é a lei que governo como eu opero. Embora as leis possam ser antiéticas. Eu as exploro regularmente para criaturas, especialmente humanos, que depositam muita confiança nelas. O que aconteceu na Biblioteca foi exploração. Uma exploração muito, muito inteligente. Mas agora tudo está caindo agora que a farsa foi revelada."

"Que diabos isso significa?"

"Você está ciente de como a equipe foi criada?"

Uncy olhava para cima enquanto falava. Mirage seguiu seu olhar para descobrir que eles estavam na sombra de um cadáver colossal. Era outra criatura semelhante a uma centopeia, semelhante a Owlpede, mas ele agora tinha múltiplos edifícios de altura, enrolado ao redor das prateleiras em uma espiral protetora. Grandes pedaços dele estavam ausentes, mas o suficiente dos braços permanecia que o cadáver se segurava à parede, se recusando a cair fisicamente ainda.

Mirage baixou o olhar novamente, apenas para encontrar Uncy olhando para ele, sua máscara sem vida perfurando diretamente por ele e em linha reta para seu centro.

"A Biblioteca tem uma segunda regra que eles não dizem a você - olho por olho. Pegue o que não é seu e a Biblioteca te pega."

Mirage olhou para a fera. Não havia malícia ou dor em sua voz, mas sim pura adoração e respeito. Ela continuou.

"Owlpede já foi alguma criatura, talvez um humano como você, talvez outra coisa, que quebrou uma regra e se transformou no que ele é agora. Ele se tornou parte de uma enorme mente coletiva sob a qual todos os funcionários operavam, forçados a deixar e esquecer seu passado e abraçar seu novo papel." Uncy finalmente desviou o olhar de Mirage, em vez disso se sentando de cócoras e juntando as mãos. Seu rabo ainda estava se contorcendo- não, ele estava abanando o rabo de animação, não de desconforto. "É uma arte tão bela, não é? Esse tipo de negociação e engano? Tão hábil e simples, mas tão eficaz! E com a definição de pegar e propriedade nunca totalmente definida - quem quebrava as regras podia totalmente ser a critério da equipe!" A criatura soltou uma pequena risada.

"Mas, para responder à sua pergunta, Owlpede já foi uma fera muito mais inteligente. Agora que a mente coletiva caiu, o que o operava desapareceu, e agora ele está livre para lembrar e operar por conta própria. Infelizmente para ele, muito tempo se passou desde que ele foi transformado, e essas memórias desapareceram. Ele é apenas uma casca frágil e vazia, operando com anos de memória muscular em vez de seu próprio pensar. Se ele tivesse mais consciência, eu esperaria que ele tivesse se matado assim como o Ayman."

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"Ayman- o quê? Ele se matou?"

"Acho que o Ayman tinha lembranças de ser uma criatura egoísta." Uncy deu de ombros, se levantando novamente. "Não importa! Vamos pegar seu livro, sim? O tempo é curto. Para qual seção você precisa ir?"

Mirage não respondeu, olhando para suas luvas. As bandagens frescas chamavam sua atenção, e seu olhar se desviou para elas. Sua mente voltou para Adelanto e para a mãe com seu filho morto. Sua arte tinha matado. Era culpa dele. E aqui estava ele em sua própria busca egoísta de fazer mais arte egoísta. Será que a mãe era agora uma concha vazia como o Owlpede, acostumada a estar separada de uma família e agora operando com vagas lembranças de como as coisas eram antes? Uncy comparara a Biblioteca a um grande artista, capaz de manipular seus espectadores em uma fachada calma de ordem enquanto operações mais sombrias aconteciam nos bastidores. Mirage realmente não era melhor que isso.

"Largue dessa, Pássaro, eu não tenho todo o tempo do mundo para ficar parado aqui ver você pensar."

Ele tinha vindo aqui para fazer uma pintura. Tudo o que ele sabia fazer era criar arte. Isso é o que ele fazia antes - espere, ele também era uma casca vazia, não era? Operando em sua noção de como as coisas outrora foram? Não. Ele não podia suportar isso. Ele não queria ser uma casca triste e idiota movida pelo passado. Ele se ressentia de sua forma por ser alterada. Ele se ressentia de seu passado como um assassino agora. Ele se ressentia de tudo. Ele tinha que fazer isso direito.

"Que seção, Pássaro? Posso ser obrigado a ajudá-lo, mas ainda tenho uma vida, sabe."

Ele faria uma pintura. A melhor porra de pintura do mundo, aprender uma nova arte e se reposicionar como algo novo. Algo maravilhoso. Algo cheio de vida e cor para compensar todas as vidas perdidas. Um espectro de possibilidades o aguardava.

"Me leve para a seção de arte, é hora de aprender a pintar."

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