Sob Controle
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6 de Dezembro, 2023

A praça estava inundada de todo tipo de atividade — estranho para esta hora da noite, mas não estranho para esta cidade. Um grupo de entusiastas de factorypunk soviético ambiente conhecido como "hhh"1 escolheu esta noite para projetar astralmente fac-símiles taumicos de sua música nos sonhos de cada residente adormecido de Três Portlands que tenha um "R" em seu nome.

A questão era menos apelar para os Roberts e Rebeccas do mundo, mais para sinalizar uma certa aptidão para aqueles que não eram chamados. Manobras publicitárias como essa atraiam anartistas como mariposas para a porra de uma chama, e era exatamente com isso que Adam Rowe estava contando.

Sua mão se enfiou no bolso de sua calça e tirou um cartão de visita gasto e amassado.


SEM PULSO? Sem Problema!

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Para informações e preços, entre em contato com Jam█th ███to█ às 5█3█ Unidade ██████, Três ████lands!

Só Deus sabe há quanto tempo esse cartão está em posse de Adam. Tempo suficiente para mostrar sinais de tentativas dos bloqueadores de informação de skipper de declarar remotamente metade dele ilegível. Essa incompletude tem sido um espinho no lado de Adam nos últimos dias, já que ele foi forçado a traçar as linhas de contágio entre a carta e a pessoa que criou o desenho extravagante.

Era difícil — aparentemente, esse indivíduo intrépido não passa muito tempo em Três Portlands, então as linhas simplesmente não levam a lugar nenhum na maioria das vezes. E quando o criador está em Três Portlands, ele não fica lá por tempo suficiente para Adam triangular sua localização e chegar lá a tempo.

Mas esta noite era diferente. Bem quando o sinal dos hhh saiu (O que acordou Adam Rowe imediatamente) o cartão começou a pingar em todo o lugar. Ele estava vindo para ouvir a música e Adam estaria lá para recebê-lo.

A multidão esteve se acumulando há 45 minutos agora, gritando em torno de um grande palco redondo no centro da praça da cidade. Incontáveis outros espectadores se sentavam nos telhados ou amarrados nas paredes, pontos de luz em brownstones comerciais e elegantes edifícios de vidro. No ar, drones zumbindo circulavam o palco em ciclos lentos e rítmicos.

Adam recuou, longe da multidão, o cartão de visita pegajoso erguido. Daqui ele podia sentir as ligações tonais do cartão. O fornecedor estava no meio da multidão. Ele se aproximou das costas dos espectadores, pressionando-se entre eles e contorcendo-se para a frente.

Era difícil ver o que estava acontecendo — a visão de Adam estava obstruída por jeans úmidos e jaquetas de vinil, cotovelos se mexendo perigosamente perto de seu rosto conforme a multidão começava a se movimentar. Ele estava quase no palco quando sentiu a conexão do cartão terminar. Parece que é isso.

Uma mulher careca estava parada na frente dele, maravilhada com o palco. Ele bateu no ombro dela. Ela virou a cabeça, sorrindo calorosamente. Ela tinha chifres pontudos crescidos de suas têmporas.

Adam pigarreou. Os gritos da multidão trovejavam em seus ouvidos. "Você é Jamoth?"

Ela balançou a cabeça. "Jameth. Você tem meu cartão!"

Adam sorriu de volta, balançando a cabeça. "Pó de sessão. Você tem?"

Jameth inclinou a cabeça. "Claro, amigo. Me dê seu cartão."

Adam fez uma carranca, estalando os dedos. Um cartão branco apareceu entre suas pontas dos dedos. Ele o deu.

"Obrigada, amigo." Ela ergueu o dedo indicador direito para o céu, e com um estalo surdo, um pequeno saquinho de pó lima caiu, bem do nada, direto em sua palma. "Entrarei em contato. Tente não se divertir muito!"

Adam pegou o saquinho com cuidado. Ele balançou a cabeça. "Não acho que isso será um problema." Com um aceno cordial, ele começou a se afastar lentamente da multidão. Enquanto ele saia da praça, uma versão retinida de L'Internationale começou a tocar.

Quando ele voltou para seu quarto no motel barato, ele colocou o saco em cima da cômoda e respirou para si mesmo. "Um já foi, faltam dois."


Uma semana antes…
29 de Novembro, 2023

Os dois o abordaram ao meio-dia, encurralando-o enquanto ele caminhava pela rua e educadamente pedindo-lhe que fosse a um café próximo para trocar algumas palavras. Ele obedeceu.

Eles o levaram para dentro, passaram pelo balcão (com o menu rabiscado em latim quase legível) e por uma massa de tubos emaranhados que continuamente vazavam café expresso.

O primeiro dos dois, uma figura imponente com óculos escuros quase opacos e um agasalho, puxou uma cadeira e acenou para que Adam se sentasse. A outra, uma mulher alta de terninho, com cabelos castanhos lisos e óculos de aro preto, sentou-se em frente a ele na mesinha. Ela sorria inexpressivamente.

Ele arriscou. "Então, como vai?"

"Somos representantes de uma subsidiária da Segurança Redzone. Nós gostaríamos que você se inscrevesse como um consultor temporário."

Adam estreitou seu olhar. "Oh, eu na verdade não estou procurando por um trabalho freelance-"

Ela ergueu a mão. "Permita-me reformular. Acreditamos que este contrato seria benéfico para ambas as partes, se você aceitar. Caso contrário, bem, não podemos garantir que as informações sobre você não caiam em mãos erradas."

Adam se virou para a direita — o grandão estava bloqueando sua saída. Ele bateu nos óculos escuros, produzindo um flash vermelho. Ele estava sendo gravado.

Ele engoliu em seco e se voltou para a mulher. "Mas pro que você sequer- mas pro que você precisa de consulta?"

"O método de proteção de dados proprietário da Redzone utiliza uma dimensão de bolso necro-taumatica de consciências endenturadas vinculadas a um geas que fornece o poder taumico bruto necessário para tornar os dados totalmente inacessíveis dentro da infosfera até que descriptografação seja necessária.

Adam piscou. "Uh, continue?"

"Recentemente, o procedimento de bloqueio de dados foi bloqueado sem causas externas aparentes. Estamos temendo uma união. O que exigimos é uma forma eficaz de acessar necromanticamente as almas e tomar as medidas necessárias para trazer o processo de volta ao funcionamento."

Ele esperou por um momento extra para se certificar de que ela havia terminado. Quando ela não falou, ele abriu a boca. "Vocês precisam de um consultor de necromancia?"

"Correto."

"Vocês devem ter procurado meu pai primeiro, certo? Quero dizer, vocês devem saber sobre em que ele estava envolvido. Certo?"

"Seu pai foi considerado para o projeto, mas acabou sendo decidido contra. Muito difícil de incentivar."

Adam certamente se sentia incentivado.

"Não estamos aqui para falar sobre o seu pai. Estamos bem cientes de que você possui seus próprios talentos. Você é simplesmente mais flexível do que ele, certo? Quero dizer, entre você e eu, ele realmente não faz muito pra você, não é?"

Adam apertou os olhos. "Pare com isso."

"Parar o que?"

"Esse negócio em que você insinua que vocês estiveram me seguindo."

Seus olhos pousaram na mesa e depois voltaram. "Certo. Nós não temos seguido você,"

"Obrigado."

"Olhe, talvez tenhamos começado com o pé errado aqui. Eu sou Samantha. Se você aceitar, eu seria sua linha principal para a Redzone. Em troca de uma ajuda muito, muito pequena, podemos te oferecer um apoio maior na cidade. Você sabe o quanto um endosso é importante por aqui. Talvez possamos ajudá-lo."

Houve um momento de silêncio. O grandão estava imóvel, como um grande totem de pedra. "Eu acho que vou morder. Eu assino algo?"

Ela sorriu mais ainda. "Sim." De trás de sua cadeira, ela puxou uma única folha de papel, que ela colocou na frente dele. "Assine na linha e depois vire a página."

Sua sobrancelha franziu enquanto ele folheava o documento denso. Parecia um acordo de não divulgação bastante padrão.

"P- argh." Adam sentiu uma agudeza em sua mente, como se seus neurônios tivessem sido amarrados de ponta a ponta e vibrassem como uma corda de piano.

"Geas de empresa padrão. Isso inibirá sua capacidade de divulgar informações sobre seu trabalho, ou de tomar ação contra ativos ou interesses da Redzone. Não podemos tomar chances, infelizmente. Ele vai expirar em dez dias, no dia 9 de dezembro. No que diz respeito a você, ele nem mesmo estará lá. Não é como se você quisesse fazer qualquer coisa dessas, né?" Ela sorriu calorosamente. A dor começou a diminuir.

"Sim, certo."

"Mantenha o contrato. Entraremos em contato."

Samantha se levantou para sair, assim que uma bandeja flutuante trouxe dois cafés brilhantes. O silencioso se virou e os dois saíram juntos.


7 de Dezembro, 2023

O dia após o concerto era claro e ensolarado, para os padrões extremamente relativos de Três Portlands. Adam estava descendo a rua para seu estabelecimento favorito: o Simpósio, que buscava combinar os dois maiores prazeres da humanidade, o álcool e a literatura. Para a visita de hoje, Adam estava apenas passando pela bar-livraria, a caminho de uma biblioteca diferente.

Ele passou pela seção de ficção. Aqui, eles selecionaram habilmente bebidas de companhia para cada romance. Com o Minha Querida Sputnik por Murakamik, eles formaram um par com um Chivas Regal de bom gosto. Com o Labyrinths por Borges, um fernet amargo. Com o A Nascente por Ayn Rand, um grande e velho jarro de água sanitária.

Infelizmente, a água sanitária teria que esperar outro dia. Ele procedeu a uma área sombreada da loja, as prateleiras rotuladas "Ficção Sombria", e então para seu vizinho, "Ficção Mais Sombria". Seguindo pelo corredor, ele passou o polegar pelas lombadas até encontrar o livro que estava procurando: Radical Reads 2: Working with the Newest Edgy Titles for Teens por Bodart.

Ele o abriu. As páginas foram deixadas ocas para conter outro livro menor, encadernado em couro preto inexpressivo. Adam abriu ele, começou no topo da primeira página, e leu em voz alta.

"Lorem ipsum dolor sit…" Quando ele começou, uma aureola brilhante começo a envolvê-lo da cabeça para baixo. Ele podia se sentir menos real, menos ancorado. Enquanto ele continuava a ler, o calor se propagava dentro dele, partículas de ar agitadas deslocadas por ele vindo a existir em outro lugar.

"…id est librarum." Ao terminar, o livro desapareceu de suas mãos. Ele estava agora entre os corredores quentes e alaranjados da Biblioteca do Passageiro. Ele poderia jurar que as Vias ficavam mais complicadas cada vez que ele precisava usá-las.

Uma rápida olhada revelou que ele estava na parte da Biblioteca dedicada a catalogar publicações de universos alternativos de Spy vs Spy. Por sorte, havia um quiosque por perto, e Adam começou a se aproximar dele.

No centro da mesa circular estava um Bibliotecário radialmente simétrico com muitos braços e muitos olhos. Adam achou que o Bibliotecário estava olhando para o outro lado, mas quando ele pigarreou, ele percebeu que o Bibliotecário estava esperando que ele falasse. "Oh, uh. Cruzamento de documentos legais canadenses relativos à marinha e rituais e artefatos relativos a estados soberanos, por favor."

O silêncio tocou por um momento, antes que um barulho de toque intenso tomasse enquanto toda a geografia da biblioteca começava a girar em torno do quiosque circular, e uma parte do chão ao redor dele, rapidamente se tornando um borrão irreconhecível. Adam estava começando a ficar tonto quando isso parou.

O Bibliotecário levantou um dedo(s), apontando para a esquerda de Adam. Quando ele se virou para entrar nas prateleiras, Adam acenou. "Obrigado. Tenha um bom dia." Ele não sabia se ele respondeu.


Adam se rematerializou na calçada molhada do lado de fora do motel barato, segurando uma certidão de casamento e um desenho a giz tosco de um forte marítimo.

O sol da skybox já havia se posto por hoje, mas o bicicletário ainda quase vazio. Provavelmente pro melhor. Adam não gostaria que nenhum dos outros residentes o perturbassem enquanto ele trabalhava esta noite.

A senhora simpática que dirige o hotel permitiu que Adam ficasse de graça, desde que seus golens menores ajudassem a evitar que as ecto-emanações obstruíssem as máquinas de lavar. Isso a poupava do trabalho de assinar o serviço da Golemancia Unida, e ele conseguiu um lugar decente para ficar. No geral, foi um bom negócio.

Seu quarto deixava um pouco a desejar, no entanto. Papéis descartados, latas de refrigerante e sacolas plásticas se amontoavam no espaço da mesa ao lado de sua máquina de escrever taumática, e as luzes da sala estavam perpetuamente desativadas substituídas por um brilho vermelho ambiente que era emitido do próprio ar, um toque pessoal que ajudava em pequenas invocações, mas não era ideal para realmente viver no quarto.

Adam alisou um pouco os lençóis da cama de solteiro, abrindo espaço para colocar seus papéis na superfície.

Primeiro, o desenho a giz, talvez digno de uma geladeira em algum lugar. Ele sentiu o poder latente nele assim que passou por ele na biblioteca. Com algum esforço mínimo, ele poderia ser usado como um foco para levantar um Campo de Energia Aeircano, centralizado em seu quarto.

Adam colocou a mão no papel.

Cera e papel, mas eles contêm algo mais. Uma conexão com um tempo apenas lembrado pela metade, se é que alguma vez existiu. Você não sabe como é?


O desenho estava aberto para ele.

Uma memória. Algum bixby jovem desenha com giz de cera.


Sua magia, aguçada por uma vida de prática, tentáculo de ocultismo afiado como uma faca, sondando-o encontrando o que estava ali.

Uma criação. Nada mais toca aquele momento impenetrável.


A energia subiu por sua mão. Ela começou a encher a sala.

Uma aquiescência. O momento pode viver novamente. Assuma o poder.

Ele inspirou e expirou. E o ritual estava completo.

O desenho estava lá, aparentemente inalterado, mas a energia de seu passado fora desfraldada. Pela próxima hora, este quarto de motel era, em termos taumicos, um país soberano. Com sorte, isso será satisfatório.

Ele voltou sua atenção para o segundo pedaço de papel. Uma certidão de casamento, celebrando a união legal de Jeannine P. McCormick e AAAAQR FALSO RECUSADO em 2013.

Com sorte ainda válido, porque Adam estava prestes a pedir divórcio.

Ele digitou preguiçosamente em sua máquina de escrever, e os caracteres apareceram em uma folha de papel próxima. A tentativa não precisava ser totalmente precisa. Com sorte, isso seria convincente.

Adam puxou a página, colocando-a em sua mesa. Um arquivamento oficial.

Demorou quinze minutos esperando na cama, lendo e relendo a papelada para ter certeza de que ele não tinha estragado tudo, antes de um farfalhar suave fora de seu quarto indicar que um papel passou por baixo da porta. Adam o pegou.


ORDEM DE CESSAR E DESISTIR


A testemunha sustenta que, no decurso de ações legais ou ilegais na declaração juramentada não existe um caminho pelo qual uma SOLUÇÃO possa ser resolvida. Em testemunho da esmagadora crueldade da parte acusada e SEM MAL ENTENDIMENTO quanto às intenções lícitas ou ilícitas…

Bem, agora ele tinha sua atenção. Adam voltou correndo para sua máquina de escrever. Um documento oficial, não importa o que aconteça, concedendo direitos de emenda a entidades legais que buscam o devido litígio contra a Republica da Pessoa de Adam.

Dez minutos depois, apareceu a primeira emenda.

AQUI PARA, PORTANTO, a parte abaixo assinada busca PREDAÇÃO NÃO AUTORIZADA contra ações soberanas realizadas por TERCEIROS dos quais não há RECURSO LEGAL no caminho de…

Os dedos de Adam apertavam rapidamente, digitando uma resposta.

Olá, eu sou Adam. Li sobre você na Intranet da Prometheus. Preciso de sua ajuda.

Seja vago, seja convincente. O geas ainda doía no cérebro de Adam.

POR ESTE MEIO o QUESTIONADOR foi NEGADO no processo de benfeitoria que foi concluído em SOLITUDE…

Seus olhos se estreitaram.

Eu sou um necromante. Se você me disser como, talvez eu consiga sumona-lo até mim. Te dar maior influência nesta cidade. Você não gostaria disso?

E a bola estava no lado dele agora.

Por quinze minutos, não houve nada. O campo Aeircano estava enfraquecendo. Se Adam não conseguisse chamar a atenção dele com isso, seu plano iria por água abaixo.

E então teve um farfalhar sob a porta. Um pacote de papéis passou por baixo.

Uma patente, arquivada para um processo pelo qual uma entidade informacional recebe maior capacidade de locomoção dentro de uma dimensão de bolso, em troca de assistência não especificada.

Adam sorriu. Dois já foram, falta um.


Uma semana antes…
1 de Dezembro, 2023

Dois dias depois de assinar o contrato, ele recebeu um mensagem em seu telefone.

"Consultor Adam Rowe, por favor, vá ao seu escritório local da Redzone para trabalhar,"

Quando ele chegou ao escritório, um grande edifício de vidro feito de ângulos retos e retângulos, uma recepcionista o recebeu e o indicou para uma escada de concreto que conduzia ao solo. Um porão. Que estranho.

Quando ele desceu as escadas, Samantha estava esperando por ele.

"É tão bom vê-lo novamente, Sr. Rowe."

"Você diz isso como se não tivesse me chamado aqui." O porão era pequeno, com paredes de concreto lisas envolvendo várias mesas dobráveis de plástico baratas colocadas no centro. "Um porão em Três Portlands?"

"Foi feito sob medida. Mais próximo ao núcleo, torna mais fácil acessar outros Espaços. Ou foi o que me disseram."

Adam dobrou sua jaqueta, colocando-a sobre a superfície da mesa. "Então, o que eu- uh."

Ela estava segurando um frasco de alguma coisa, coberto com uma tampa de rosca de plástico. O líquido dentro dele brilhava azul. "Você vai precisar beber isso."

Ele pegou o frasco. Era mais ou menos do tamanho de seu polegar. "Solução de foco?"

Ela balançou a cabeça. "De um tipo muito particular, sim. Deve trazê-lo perto o suficiente para observar a dimensão de bolso, sem colocá-lo dentro dela. Uma forma de proteção, por assim dizer."

"Certo, não posso simplesmente mergulhar nela." Adam deu uma volta em torno do anel de mesas, o frasco na palma da mão. "Nenhuma máquina de sigilos. É por isso que vocês precisam de mim?"

Ela sorriu. "Observante. Nossas máquinas de sigilos foram sobrecarregadas em nossa última tentativa de entrar na dimensão. Um talento natural como você não vai precisar de máquinas assim, vai?"

"A princípio, não." Adam sacudiu a cabeça, retirando a última de suas reservas.

Ele desenroscou a tampa do frasco e o virou sobre a boca. A gosma azul desceu por sua garganta, e ele pôde sentir a pulsação de um mundo pulsante passar sobre ele.

Seus joelhos ficaram fracos. Ele desabou em uma cadeira de plástico que deve ter sido movida para ficar abaixo dele.

Ele estava viajando, mas ele estava ficando no mesmo lugar. Ele deslizou pela superfície de outro mundo, suas mãos criando ondulações na água- não, no tecido da fronteira. Adam estava em dois lugares ao mesmo tempo.

Ele sentiu uma mão em seu ombro. Era Samantha, falando. "O que você vê?"

Adam abriu a boca e sentiu uma névoa azul vazar, "Tem um envelope em forma de ovo, cheio de almas. Ele é pressurizado. Tão denso. Quem são essas pessoas?"

A mão saiu de seu ombro. "Quebradores de juramentos. Funcionários mortos. Pessoas que não lêem as letras miúdas."

Ele estava deslizando entre os mundos, membros achatados como lâminas. O vazio queimava sua pele mas ele acelerou mais. "Vocês só pegam as pessoas? Que desobedecem?"

Um suspiro de trás dele. "Adam, este é o negócio de segurança. Sem a confiança de outros, a Redzone é nada. Você não consegue começar a entender."

Adam inalou a pele dos mundos, os pulmões se enchendo de poeira azul. "Eu acho que consigo." Ele começou a tossir, e a visão o deixou.

Samantha estava em frente a ele, em uma mesa. Ela empurrou um copo plástico com água para ele. Cauteloso, ele tomou um gole, para acalmar a garganta. "Obrigado."

Ela cruzou os braços. "O que você acha?"

Ele colocou o copo na mesa. "Eu acho, bem, uma união é possível. A dimensão de bolso está perto da sobrecarga, ela pode explodir. Em dias, até."

O rosto de Samantha se contorceu. "Nós não temos os recursos para refazer tal coisa. Precisamos de especialistas." Ela estava fazendo uma lista para si mesma.

"Então, o que acontece se vocês não puderem consertar ela?"

Ela balançou a cabeça. "Se não pudermos consertar ela antes que ela se vá, não teremos escolha. Nós vamos privá-la de energia, desligá-la, cortá-la de Portlands. Esperar alguns anos para que as almas se esqueçam. E então reiniciá-la de novo."

"Oh," disse Adam. "Ok."

Um ovo cheio de almas torturadas. Poucos dias antes de a chance acabar.

"Bem, deixe-me saber se você precisar de mim antes que meu geas acabe."

Adam saiu rápida e silenciosamente.


8 de Dezembro, 2023

Adam estava na base dos degraus de mármore construídos até a fachada imponente. De cada lado dele, grossos pilares se erguiam para encontrar o telhado inclinado, um único tribunal com vista para Três Portlands.

Parecia totalmente diferente da última vez que Adam visitou, exceto por um único detalhe estático: a placa de bronze com o nome pendurada sobre a porta, na qual "E. Rowe" estava inscrito.

Ele bateu na porta. Ela abriu sozinha um momento depois, revelando um corredor mal iluminado. No centro do corredor, um homem com olhos fundos e barba grisalha estava de pé;

Adam acenou. "Ei, pai."

Eustace Rowe semicerrou os olhos. "Entre."

O velho o conduziu pelo corredor, direto para uma câmara circular que deve ser a cozinha. Eustace estava cortando alguns abacates de sangue e a faca manchada ainda estava na tábua de corte.

Adam girava, examinando a construção lisa do edifício. "Você, uh, mudou ele muito desde a última vez que estive aqui."

O homem encostou-se a um balcão de granito. "Essas mudanças vão ficar, desta vez. O que você está fazendo aqui?"

"Oh, eu só, uh, bem, queria conversar, e-"

Seu pai o interrompeu. "É sobre seu namorado? Algo aconteceu com ele?"

A testa de Adam franziu por um momento. "Não, ele tá na Europa, na verdade. Estamos pensando em, uh, nos mudar para cá. Para Três Portlands."

"Europa. Típico." Ele revirou os olhos. Adam o ignorou.

"Mas eu na verdade vim perguntar se você tinha um dispositivo de exorcismo eletrônico."

Sua respiração ficou rouca quando ele riu, satisfeito com a precisão aproximada de sua suposição. "E pra que isso?"

As engrenagens do geas travaram na mente de Adam. "Estou hospedado em um motel barato, e o quarto está cheio de demônios na cama. Só preciso dele por um dia." Ele nem mesmo precisava mentir, as palavras apenas jorraram como se fossem a verdade o tempo todo.

"Oh?"

"Sim, imaginei que você pudesse ter um por ai. Dos velhos tempos. Né?"

"Talvez." Ele mudou seu peso contra o balcão, virando-se para encarar Adam mais completamente. "Me diga, no entanto. O que você sabe sobre a Segurança Redzone?"

Seu sangue gelou. Seu rosto não podia trair nada. "Não muito, na verdade." Adam não conseguia se controlar. O geas de não divulgação o governava.

"Sério? E aquele trabalho que eles te ofereceram?"

"Eu não sei do que você está falando." Adam estava congelado no lugar. Seu corpo não era dele. O campo de probabilidade do geas havia entrado em colapso apenas para a possibilidade de negação, e Adam não podia agir senão negar.

"Acha que não sei dizer quando você está em Portlands, Adam? Acha que eu não consegui sentir o cheiro desse geas em você quando você entrou pela porta?" Ele estava sorrindo, Era um jogo. "Patético pra cacete. Você deveria saber melhor."

O corpo de Adam estava em silêncio. Sua mente estava fechada.

De trás de Eustace, um objeto não muito diferente de um gravador gigante saiu da porta, impulsionado por alguma força invisível. Ele pousou na mão estendida do velho mago, e ele então a estendeu para frente de Adam.

"Pegue, saia da minha casa. Volte quando você não estiver sob controle."

A mão de Adam agarrou a borda do dispositivo. Ele conseguiu balançar a cabeça, e ele se sentiu se virar e começar a sair pela porta.

"E Adam," gritou Eustace atrás dele, pouco antes da porta se fechar, "Dê tudo que você tem."

Uma vez que ele estava fora de vista, Adam sentiu o geas abrir mão do controle. Ele respirava pesadamente.

Três já foram. Só falta fazer uma coisa.


Já era tarde da noite quando Adam terminou de construir o quadrado de invocação conforme ditado pela patente.

Um cubo, feito de papel, decorado com símbolos de poder. Uma maneira simples de criar uma ponte nocional entre o mundo superior e Três Portlands. Isso deve ser o suficiente.

Em sua mesa, ele colocou sua máquina de escrever taumática para transcrever comandos de voz, uma linha de comunicação para a entidade legal que ele estava convidando para seu quarto.

Agora, ele estava deitado em sua cama.

A essa altura, era apenas uma questão de tempo antes que a Redzone tacasse a dimensão de bolso deles no armazenamento e Adam perdesse qualquer esperança de se conectar a ela, de cometer fuga de presos metastática de mil consciências perdidas.

Não havia mais tempo. Ele tinha que agir agora.

Ele sentiu a presença na sala, uma força de uma mente estranha à sua própria. Ele segurava um saco de pó de sessão verde em uma das mãos e, na outra, aninhava o gravador grande.

Ele ligou o dispositivo de exorcismo. Um disco em sua frente começou a girar, lentamente, como um toca-discos.

Ele levou o saco de poeira aos lábios e respirou fundo. O pó encheu sua boca e pulmões, filtrando-o em alguns níveis de consciência.

"Eu sei que você pode me ouvir. O contrato está na minha mesa. Só, só, tome cuidado. Ele está conectado à minha cabeça."

Uma súbita corrente de ar caiu obre ele. Ele estava desmaiando.

A entidade agarrou-se ao pedaço de papel que definia as obrigações de Adam para com Redzone e começou a modificar.

Contradições começaram a se formar. O geas estava ilegível.

A cabeça de Adam doía, suas extremidades perderam a sensibilidade.

Sua mente estava afundando, o pó conduzindo-a profundamente no solo. Seu cérebro tinha uma linha direta direto para o centro ideológico da Segurança Redzone.

Adam perdeu a consciência ao refrão, NÃO OBSTANTE FALSO, ABSTER, ABSTER, ABSTER


A mente de Adam veio a um vazio branco. Ele estava de pé. Em algum lugar em um quarto de motel, seu corpo físico estava experimentando as dores da síndrome de Cuchulainn. Temporariamente, sua mente não estava mais obrigada a seguir o geas.

Em frente a ele estava uma escada, levando mais para baixo do que ele podia avaliar. Dela vinha um brilho vermelho.

Adam começou a descer. Catábase. Ele deve se comunicar com os mortos.

O brilho preencheu sua visão. Foram apenas alguns passos antes que ele fosse incapaz de determinar o que estava à sua frente. Ele continuou.

A luz se apagou, dando lugar a um violeta pulsante. Havia uma porta em frente a ele. Ele a abriu.

Ele não mais deslizava pela superfície de outro mundo, mas estava totalmente imerso.

Não havia ar aqui, pois estava denso demais com os corpos vacuosos dos mortos. Qualquer outra coisa seria empurrada para fora, para o nada entre as coisas.

Alguns rostos que ele viu se contorceram em momentos congelados de grande emoção. Uma risada, um grito. Outros o seguiam com olhos vazios e desconfiados enquanto ele caminhava entre eles.

Seus braços o envolveram, inicialmente fracos, mas logo ele não conseguia ver e ele não conseguia se mover. Morte para cima. Morte para baixo.

Direção perdeu o sentido no mar de cadáveres. Pessoas queimadas de seus rostos e histórias e escolha, cheias de informações e confiadas para não contarem histórias.

E Adam estava no meio das coisas, preso no centro do conhecimento que os mortais não podiam saber, fofocas introduzidas pelos funcionários da Redzone.

Eles ao menos sabem o que estão fazendo? Eles sabem como é isso?

O aperto no corpo de Adam se acimentou ainda mais. Ele não passou despercebido, e a fricção contra seu corpo estava criando calor.

Não, não, não estava criando calor. O calor esteve sempre aqui. As almas estão apenas familiarizando Adam com o calor fervente.

Não havia visão ou som, cheiro ou sabor. Havia apenas a pressão e o calor de mil almas em cada centímetro quadrado do corpo de Adam. A massa havia se tornado consciente, perceptiva do mortal entre eles.

A temperatura aumentou e o corpo de Adam estava cheio de fogo. Ele sentiu tensão em seus braços e pernas; eles estavam sendo puxados para longe de seu tronco. Ele estava sendo assimilado.

Ele agarrou seus membros para perto de seu corpo, longe dos braços que o agarravam.

Ele é Adam Rowe. Não um de uma massa.

Em sua mão esquerda havia um dispositivo retangular com um disco na frente, como um toca-discos, um símbolo das forças que afastam a consciência.

Na Terra, ele era uma ferramenta. Aqui, ele era uma ideia. E as ideias são indivisíveis.

Ele apertou o botão sob o polegar e a dimensão se encheu de ruído incessante, uma vibração que começou em seu corpo e se espalhou para preencher todo o espaço.

Os corpos foram empurrados para longe, uma esfera de cavitação se formando ao redor dele. Cada alma saia da dimensão como ar escapando de um balão, fluindo para onde elas pertenciam, como uma ondulação através do multiverso.

A vermelhidão diminuiu. O fogo se dissipou. A dimensão de bolso estava vazia, exceto por Adam, as informações da Redzone perdidas para sempre.

Adam soltou o dispositivo de exorcismo. Ele ficou onde estava, flutuando no espaço, uma proteção. Esse lugar agora estava fechado. A Redzone não poderia enviar mais almas aqui.

O efeito do pó estava acabando, e Adam se viu subindo novamente. A última coisa que ele viu foi uma inundação de azul.


9 de Dezembro, 2023

Seus olhos estavam com crostas e ele sentiu a ferroada da luz do sol. Quando ele os forçou a abrir, ele se viu de volta em seu quarto de motel. Era de manhã.

Ele verificou sua mesa, onde estava seu contrato, alterado de volta à sua forma original. Como se nada tivesse acontecido. Impossível de rastrear.

Ele inspirou fundo, mas sua respiração foi interrompida por uma batida na porta. Alguém estava batendo nela.

Ele olhou ao redor em busca de algo com que se defender, mas não houve tempo suficiente. Cada batida na porta soltava lascas enquanto um corte se formava na madeira barata.

Momentos depois, a porta caiu para dentro com um poderoso estalo.

Parado na porta estava o imponente agente da Redzone que ele vira no café, ainda usando óculos escuros. Espreitando atrás dele estava Samantha, olhos orbes de fogo enquanto ela abria caminho para a frente.

"Adam. O que você fez?" ela cuspiu.

Instintivamente, ele ergueu as mãos no ar. "Nada. Eu não pude— eu fui incapaz de fazer qualquer coisa."

"Nós sabemos que você fez, você deve ter feito. Você deve ter feito algo." Ela balançou a cabeça para si mesma. "Você realmente fodeu tudo, Adam."

"Eu não sei do que você está falando." O geas ainda tinha algumas horas restantes, e ele comandava sua língua.

A boca dela formou uma linha fina enquanto ela curvava os dedos na direção dele, acenando para o agente maior, que deu um passo a frente. Ele tirou seus óculos escuros para revelar duas crateras marcadas onde seus olhos estariam.

Ele se aproximou dele e estendeu as mãos para seu pescoço mas-

"Pare, pare!" Adam gritou. "Pare." E as mãos pararam.

Ele respirou fundo. "Vocês acham que, se vocês me levarem, se vocês me matarem, meu pai não vai saber? Que ele não contaria às pessoas que foram vocês?"

Adam começou a abaixar as mãos. "Ele conhece muita gente. Eles confiam nele. Como ficaria sua reputação se as pessoas soubessem que vocês assassinaram empregados que estavam sob geas? Incapazes de fazer o que vocês os acusam de terem feito? Você disse que confiança é tudo. Você sabe que não pode arriscar isso."

Samantha inclinou a cabeça para ele. Depois de um momento, sua expressão neutra se transformou em um sorriso malicioso.

"Sabe, você realmente deveria cuidar de si, Adam. Nem todo mundo nesta cidade é tão relaxado quanto nós." Ela se virou e caminhou pelo corredor, o grande agente a seguindo.

Adam respirou fundo, alisando as roupas com as mãos. Sua porta ainda estava quebrada. Ele não poderia ficar neste motel por muito mais tempo. Ele se recostou na cama, a cabeça apoiada nas mãos.

Um momento depois, ele sentiu uma mão quente em suas costas. Sua cabeça se virou para a esquerda e ele pôde ver, sentada na beira da cama, a forma azul e transparente de uma mulher.

Ele a observou, e ela olhou de volta sem palavras. Sua mão deu um tapinha gentil em seu ombro, e ela deu um aceno silencioso com a cabeça. E então ela se foi, desapareceu nas nuvens suspensas de Três Portlands.

O ar estava calmo e cheio de poeira. Seu quarto estava uma bagunça, lascas de madeira espalhadas pelo chão.

Mas ele duraria até amanhã. E, por enquanto, isso teria que ser o suficiente.

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