Eles Não Conseguiam Nem Acertar Uma Parede Com Um Alvo Pintado Nela
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24 de Novembro, 2006

Markus Matthews era um homem inocente. Ou pelo menos ele era até esse mês começar. Claro, ele havia sido condenado por homicídio e sentenciado a morte. Mas o sistema entendeu errado. Então quando um sombrio agente governamental veio até ele o oferecendo liberdade em troca de um mês de serviço, ele pensou que era uma salvação.

Então colocaram-no um colar e ele não era mais inocente. Porque ele não era mais ele mesmo. O disseram que ele não lembraria de nada. Mas ele estava completamente consciente o tempo inteiro. Olhando por olhos que não pareciam mais pertencê-lo. Sentindo tudo e controlando nada.

Ele ontem assistiu numa fascinação mórbida quando esse Dr. Bright foi para um jantar de Ação de graças com a família, junto com outros Brights. Ele passou por aquela refeição constrangedora e olhares estranhos e desejava que ele pudesse recuar ainda mais em sua própria mente. Mas isso, misericordiosamente, acabou.

Dr. Bright entretanto, acordou cedo essa manhã. Seu fisioterapeuta sugeriu que ele experimentasse vídeo games para melhorar sua recuperação e sua coordenação olho-mão. Então lá estava ele no estacionamento do Target numa Black Friday, na esperança de comprar um Nintendo Wii. Que nome idiota para um console.

Dr. Bright arrumou um lugar no fim da fila, que na hora em que eles abriram as portas já era algum lugar no meio. A massa de pessoas avançou adiante, quase derrubando o homem que os deixou entrar.

Dr. Bright, junto com metade das outras pessoas na loja foram direto pros eletrônicos. Ele desviou de algumas crianças, e tropeçou algumas vezes, mas ele conseguiu chegar lá e por a mão no seu objetivo. E então outro par de mãos segurou a mesma caixa.

Dr. Bright olhou para cima, e Markus reconheceu sua face. Era Dr. Clef. O que… o que ele estava fazendo aqui?

Dr. Bright não disse nada, em vez disso puxou uma Beretta M9A3 com silenciador do coldre de ombro. Clef viu isso e puxou uma arma idêntica e ambos se apontaram disfarçadamente sobre a caixa.

“Esse aqui é meu Clef, arrume um pra você.” Bright disse cerrando os dentes.

“Vai se foder.” Clef murmurou, olhando os fregueses ao redor. “Não há mais nenhum sobrando e eu vi esse primeiro.”

“E eu peguei ele primeiro.” Bright deslizou um pouco a arma mais pra perto. “Então cai fora.”

“Tá bem,” Clef fez uma grande encenação deixando a caixa, e se virou enquanto colocava a arma de volta no coldre. Bright sorriu e começou a fazer o mesmo. Markus viu a linguagem corporal e sabia o que está vindo, mas Bright se surpreendeu quando Clef girou e o deu um murro no lado da cabeça.

Bright caiu no chão pra trás, sua arma ainda estava ali. Clef agarrou a caixa e fugiu. Bright pegou a pistola, cuidadosamente mirou um tiro, e errou, a bala ricocheteou no teto de metal.

O barulho da arma silenciada ainda assim chamou um pouco de atenção, e várias pessoas gritaram. Bright se levantou e atirou mais vezes, todos os tiros extremamente imprecisos. Clef arrumou abrigo atrás do balcão com a caixa e olhou por cima dele com sua pistola apontada.

“Não seja idiota Bright! Você não conseguia acertar merda nenhuma nem antes mesmo de você ficar preso num colar!”

“Vai se foder, seu quadriplégico de merda!”

“Isso não faz nenhum sentido! Eu estou claramente andando!”

“A sua cara não faz nenhum sentido!”

Então foi aí que a troca de tiros começou. Para Markus, isso não era tão esquisito quanto o jantar de Ação de Graças de Bright. Mas estava próximo.


Ambos Dr. Clef and Dr. Bright se sentaram em cadeiras opostas a um homem com um grande bigode no formato de um guidão. Ele estava lendo uma coleção de documentos na mesa entre eles. Em cima havia uma forte luz fosforescente com um baixo som de zumbido.

“Aqui diz que vocês dois se envolveram numa briga, com direito a tiros, por causa de um Nintendo Wii”

Dr. Clef levantou a mão. “Eu na verdade acho que há um erro de digitação, deveria ser ‘gritos’.”

O homem de bigode apertou os olhos. “Certo. Aqui diz que vocês trocaram diversos tiros antes da polícia intervir e vocês saíram de cena?

Bright respondeu dessa vez. “De novo, foram gritos, não tiros. Esse é um erro gramatical estranhamente recorrente.”

“Vocês dois sabem que tudo isso foi registrado em vídeo pelas câmeras de segurança da loja, certo? Infosec gravou e escondeu do registro público, mas eu irei atrás disso para determinar exatamente o que aconteceu. Então, há algo mais que vocês queiram me dizer?”

Os dois doutores se olharam e sacudiram a cabeça. Clef levantou sua mão novamente “Um desgraçado com um moicano apareceu enquanto nós uh, estávamos gritando um com o outro e roubou o Wii. Eu acho que esse foi o verdadeiro crime.”

O homem de bigode grunhiu a balançou a mão na direção da porta. Ambos os homens se levantaram e saíram da sala.

Já no lado de fora, Clef agarrou Bright pelo ombro. “Você sabe que ele só tem nível de credencial 3, né?”

Bright ponderou isso por um momento e balançou a cabeça. “Corrida para ver quem chega na sala de registros primeiro?”

O olho de Clef se abriu. “Claro! No Três! Um-“

Clef decolou até o fim do corredor. Bright xingou e tentou alcançá-lo.

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